O exercício físico como estratégia adjuvante no tratamento do transtorno bipolar

PHYSICAL EXERCISE AS AN ADJUVANT STRATEGY IN THE TREATMENT OF BIPOLAR DISORDER

EL EJERCICIO FÍSICO COMO ESTRATEGIA COADYUVANTE EN EL TRATAMIENTO DEL TRASTORNO BIPOLAR

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/5EF166

DOI

doi.org/10.63391/5EF166

Braga , Vanessa Borges. O exercício físico como estratégia adjuvante no tratamento do transtorno bipolar. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O transtorno bipolar (TB) é uma condição psiquiátrica crônica e recorrente com oscilações extremas de humor, entre episódios depressivos e maníacos ou hipomaníacos. Tradicionalmente tratado com farmacoterapia e psicoterapia, apresenta desafios como baixa adesão, efeitos colaterais dos medicamentos e altas taxas de recaída. Nos últimos anos, o exercício físico tem emergido como uma intervenção complementar promissora na promoção da saúde mental. Este artigo revisa a literatura científica, entre os anos de 2020 e 2025 para investigar os efeitos do exercício físico como estratégia adjuvante no tratamento do (TB) e objetiva incentivar uma reflexão e um avanço no debate sobre tratamentos alternativos para esse transtorno. Os resultados indicam benefícios significativos da prática regular de atividades físicas, como a melhora do humor, da qualidade do sono, da autoestima, da neuroplasticidade e da saúde geral dos pacientes, especialmente quando supervisionadas e adaptadas às fases da doença. Apesar dos benefícios destaca-se a importância de uma abordagem multidisciplinar e a necessidade de mais estudos com metodologia rigorosa para validar sua eficácia em larga escala.
Palavras-chave
transtorno bipolar; exercício físico; saúde mental; prevenção; tratamento complementar.

Summary

Bipolar disorder (BD) is a chronic and recurrent psychiatric condition with extreme mood swings, ranging from depressive to manic or hypomanic episodes. Traditionally treated with pharmacotherapy and psychotherapy, it presents challenges such as low adherence, medication side effects, and high relapse rates. In recent years, physical exercise has emerged as a promising complementary intervention in promoting mental health. This article reviews the scientific literature from 2020 to 2025 to investigate the effects of physical exercise as an adjunctive strategy in the treatment of BD. It aims to encourage reflection and advance the debate on alternative treatments for this disorder. The results indicate significant benefits of regular physical activity, such as improved mood, sleep quality, self-esteem, neuroplasticity, and overall health, especially when supervised and adapted to the phases of the disease. Despite these benefits, a multidisciplinary approach is essential and further studies with rigorous methodology are needed to validate its effectiveness on a large scale.
Keywords
bipolar disorder; physical exercise; mental health; prevention; complementary treatment.

Resumen

El trastorno bipolar (TB) es una afección psiquiátrica crónica y recurrente con cambios de humor extremos, que van desde episodios depresivos hasta episodios maníacos o hipomaníacos. Tradicionalmente tratado con farmacoterapia y psicoterapia, presenta desafíos como baja adherencia al tratamiento, efectos secundarios de la medicación y altas tasas de recaída. En los últimos años, el ejercicio físico se ha convertido en una prometedora intervención complementaria para promover la salud mental. Este artículo revisa la literatura científica de 2020 a 2025 para investigar los efectos del ejercicio físico como estrategia complementaria en el tratamiento del TB. Su objetivo es fomentar la reflexión y avanzar en el debate sobre tratamientos alternativos para este trastorno. Los resultados indican beneficios significativos de la actividad física regular, como la mejora del estado de ánimo, la calidad del sueño, la autoestima, la neuroplasticidad y la salud general, especialmente cuando se supervisa y se adapta a las fases de la enfermedad. A pesar de estos beneficios, es esencial un enfoque multidisciplinar y se necesitan más estudios con una metodología rigurosa para validar su eficacia a gran escala.
Palavras-clave
trastorno bipolar; ejercicio físico; salud mental; prevención; tratamiento complementario.

INTRODUÇÃO 

Os transtornos mentais afetam milhões de pessoas em todo o mundo e podem comprometer significativamente a qualidade de vida e a funcionalidade do indivíduo, afetando suas relações sociais, seu desempenho profissional, suas atividades cotidianas e bem-estar geral. O tratamento desses distúrbios é complexo e muitas vezes exige uma combinação de abordagens terapêuticas e intervenções multidisciplinares.

Dentre os transtornos psiquiátricos mais desafiadores está o transtorno bipolar (TB), classificado como um transtorno de humor caracterizado por alterações extremas e recorrentes nos estados emocionais, alternando episódios de depressão com estados de mania ou hipomania (American Psychiatric Association, 2014). Essas mudanças anormais de humor, energia e níveis de atividade interferem diretamente na capacidade de o indivíduo executar tarefas cotidianas. Embora a etiologia do transtorno ainda não esteja completamente esclarecida, estudos apontam para alterações em áreas específicas do cérebro e em níveis de neurotransmissores como noradrenalina e serotonina, sugerindo uma base genética ou hereditária (Biblioteca Virtual em Saúde, 2023).

Segundo Pereira et. al. (2010), o (TB) é uma condição psiquiátrica grave, de natureza crônica e recorrente, caracterizada por intensas oscilações de humor, que alternam entre episódios depressivos e maníacos, envolvendo aspectos neuroquímicos, cognitivos, psicológicos, familiares e socioeconômicos. Seu diagnóstico representa um desafio clínico significativo, exigindo a identificação dos episódios de humor e a análise do curso longitudinal da doença. Comumente, os próprios pacientes não reconhecem os sintomas como sinais de um transtorno mental, interpretando-os como características inerentes à sua personalidade. Entre as fases do transtorno, a depressão é considerada a mais comum e persistente, afetando de forma acentuada a funcionalidade do indivíduo (American Psychiatric Association, 2014). 

A Organização Mundial da Saúde (OMS), estima que 2,5% a 4% da população, cerca de 140 milhões de pessoas no mundo sofram de (TB) condição frequentemente associada a altas taxas de comorbidades médicas, tentativas de suicídio e mortalidade precoce. A doença afeta majoritariamente jovens entre 15 e 25 anos, embora estudos recentes indiquem um crescimento de casos com início tardio, entre 45 e 55 anos (Ministério da Saúde. 2022). 

O tratamento convencional baseia-se principalmente na farmacoterapia associada a psicoterapia. Contudo a resposta ao tratamento medicamentoso nem sempre é satisfatória, existindo frequentes episódios de recaída e resistência ao tratamento, desencadeando nas últimas décadas, um interesse crescente por estratégias complementares que promovam saúde integral e reduzam a carga da doença. Nesse contexto, o exercício físico tem emergido como uma intervenção promissora no campo da saúde mental, atuando não apenas como coadjuvante no manejo sintomático depressivo e melhoria da funcionalidade, mas também como estratégia preventiva (Svensson et al., 2022).  

Segundo Santos (2023) a prática regular de atividade física, em especial o treino de força, pode contribuir positivamente para uma melhoria no perfil inflamatório do paciente, com a regulação do humor, melhora do sono, aumento da autoestima, redução da ansiedade e dos sintomas depressivos, além de favorecer a neuroplasticidade e o equilíbrio neuroquímico de pessoas com transtorno mental, especialmente em transtornos do espectro afetivo.

Além disso, pacientes com transtorno bipolar apresentam maior risco de desenvolver comorbidades clínicas, como obesidade, diabetes tipo II e doenças cardiovasculares, frequentemente relacionadas ao sedentarismo e aos efeitos colaterais dos psicofármacos. Nesse contexto, o exercício físico não apenas atua como auxiliar no controle dos sintomas psiquiátricos, mas também contribui para a melhora da saúde física e da qualidade de vida desses indivíduos. (Rocha, et. al. 2024).

Apesar dos potenciais benefícios, diversos autores alertam para os riscos associados à prática de exercício físico inadequado ou sem orientação profissional, especialmente em indivíduos com transtorno bipolar. Ressalta-se a necessidade estudos que aprofundem a compreensão sobre os métodos de treinamento mais eficazes, a efetividade dos diferentes programas de exercício físico e a relação entre a atividade física e as distintas fases de manifestação do transtorno. Segundo Fischer e Gaya (2013), “ainda são necessários estudos que avaliem a influência do exercício físico em diferentes momentos da manifestação da doença e que estabeleçam métodos de intervenção adequados às características clínicas e sociais dos pacientes”. Dessa forma, é fundamental que as estratégias de intervenção sejam personalizadas, promovendo não apenas a melhora da qualidade de vida, mas também incentivando a adesão contínua à prática de exercício físico como parte integrante do tratamento.

Diante do cenário atual, marcado pela crescente preocupação global com a promoção da saúde biopsicossocial da população, torna-se necessário aprofundar e consolidar as evidências científicas sobre intervenções complementares que possam contribuir de forma segura e eficaz para o manejo do (TB). Embora o tratamento farmacológico seja reconhecidamente fundamental, suas limitações em termos de resposta terapêutica e os efeitos adversos frequentemente associados reforçam a importância de se explorar estratégias integrativas. Nesse contexto, o exercício físico surge como uma alternativa promissora, capaz de ampliar as possibilidades terapêuticas disponíveis aos profissionais de saúde mental e favorecer um cuidado mais abrangente e individualizado aos pacientes com TB.

O presente artigo tem como objetivo compreender as especificidades do transtorno bipolar e investigar, por meio de uma revisão bibliográfica atualizada, o papel do exercício físico como estratégia adjuvante no tratamento dessa condição. Busca-se analisar os efeitos fisiológicos e psicológicos decorrentes da prática regular de atividade física, bem como discutir seus benefícios, limitações e perspectivas de aplicação clínica segura e personalizada.

CONHECENDO O TRANSTORNO BIPOLAR: CLASSIFICAÇÃO, SINTOMAS E TRATAMENTO

O transtorno bipolar é classificado no DSM-5 como um transtorno do espectro do humor, subdividido em tipo I, tipo II e ciclotimia. O (TB) tipo I caracteriza-se por episódios maníacos severos, frequentemente alternados com episódios depressivos. O tipo II envolve episódios depressivos e hipomania, sem que o paciente apresente episódios maníacos plenos (American Psychiatric Association, 2014).

Essas oscilações de humor impactam profundamente a funcionalidade e a qualidade de vida do indivíduo. Durante os episódios depressivos, é comum que o paciente experimente tristeza profunda, anedonia, fadiga, pensamentos de inutilidade, distúrbios do sono e ideação suicida. Já nas fases maníacas ou hipomaníacas, predominam euforia, agitação psicomotora, grandiosidade, redução da necessidade de sono e comportamentos impulsivos ou de risco (Sá Filho; Machado, 2018).

A etiologia do transtorno bipolar é multifatorial, envolvendo componentes genéticos, alterações neuroquímicas e fatores psicossociais. Estudos demonstram disfunções em sistemas de neurotransmissores como dopamina, noradrenalina e serotonina, além de alterações estruturais e funcionais em áreas cerebrais como o córtex pré-frontal, amígdala e hipocampo, que desempenham papel central na regulação emocional (Michelassi, 2019).

O tratamento do (TB) é complexo e requer abordagem multidisciplinar. A principal linha de cuidado é a farmacoterapia, especialmente com estabilizadores de humor como o lítio, anticonvulsivantes (ex.: valproato, lamotrigina) e antipsicóticos atípicos. Além da medicação, a psicoterapia — principalmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC) — é essencial para a adesão ao tratamento, manejo dos sintomas e prevenção de recaídas. Uma vez que é frequente a resistência aos fármacos, efeitos colaterais e baixa adesão ao tratamento (Sá Filho; Machado, 2018).

Segundo Michelassi (2019), o uso de psicofármacos tem como objetivo restabelecer o comportamento, por meio do controle dos sintomas agudos e da prevenção de recorrências de episódios. A utilização de antidepressivos no tratamento da depressão bipolar constitui-se uma questão ainda controversa. Isso se deve ao fato de que, embora existam relatos de benefícios em casos de depressões mais graves, esses medicamentos podem desencadear episódios hipomaníacos ou maníacos (Lafer; Soares, 2005).

No que diz respeito aos aspectos psicológicos, a terapia (TCC) envolve uma colaboração ativa entre paciente e terapeuta, com o intuito de alcançar os objetivos previamente estabelecidos. Geralmente é aplicada de forma individual, embora técnicas em grupo tenham sido desenvolvidas e testadas. Paralelamente, a constatação de que a manutenção de um padrão regular de atividades diárias — como sono, alimentação e prática de atividade física — contribui para a redução da oscilação de humor em pacientes com transtorno bipolar levou ao desenvolvimento da Terapia Interpessoal e de Ritmo Social. Além da aplicação de técnicas da terapia interpessoal, essa abordagem inclui a psicoeducação acerca do transtorno. (Knapp; Isolan, 2005 apud Michelassi 2019).

METODOLOGIA 

O presente estudo utilizou o método de revisão integrativa de literatura, que tem como propósito reunir e sintetizar o conhecimento científico disponível acerca do tema investigado. Avalia, integra e busca nas evidências disponíveis a contribuição para o desenvolvimento da temática: O exercício físico como intervenção complementar no tratamento do Transtorno Bipolar.

Foram realizadas buscas sistematizadas nas bases de dados PubMed, SciELO (Scientific Eletronic, Library Online) e Google Scholar, cuja seleção respeitou critérios de relevância, atualidade e consistência metodológica. O levantamento foi realizado nos idiomas português inglês e espanhol, abrangendo publicações entre janeiro de 2020 e julho de 2025. 

Os descritores utilizados incluíram combinações como: “transtorno bipolar”, “exercício físico”, “atividade física”, “tratamento complementar”, “intervenções não farmacológicas”, combinados com os operadores booleanos AND, OR e NOT para refinar os resultados. Foram incluídos apenas artigos publicados em periódicos revisados por pares, livros acadêmicos, dissertações e teses que abordassem diretamente a relação entre o (TB) e atividade física, e foram excluídos trabalhos duplicados e relatos de casos e revisões sistemáticas sem discussão aprofundada sobre o exercício físico. Limitou-se o estudos com pessoas com diagnóstico de (TB) . A análise dos dados foi realizada por correlação com os objetivos específicos, permitindo a identificação de similaridades entre os estudos. Os dados foram organizados de modo a estruturar a discussão dos resultados nesta revisão, com ênfase nas contribuições do exercício físico para o bem-estar biopsicossocial de pessoas com Transtorno Bipolar.

RESULTADOS 

As publicações selecionadas apresentadas a seguir seguem os seguintes critérios: autor e ano de publicação, objetivo e metodologia empregadas, tipo de intervenção realizada, população investigada, indicadores clínicos analisados e principais conclusões.

Tabela 1 – Descritivo das publicações selecionadas para revisão e discussão temática

Autor(es) / Ano Objetivo e metodologia Tipo de intervenção População investigada Indicadores clínicos analisados Principais conclusões
Lafer et al., 2023. Exercício físico estruturado para depressão bipolar: um estudo aberto de prova de conceito  Avaliar a viabilidade e os efeitos de um programa de exercício físico estruturado como intervenção em pacientes com depressão bipolar.  Exercícios físicos estruturados e supervisionados Pacientes com (TB) em episódio depressivo. Sintomas depressivos, funcionamento global, segurança e adesão. Exercício estruturado mostrou-se viável, 

seguro e potencialmente eficaz como intervenção complementar.

Lafer et al.  2022. Exercício físico para transtorno bipolar: hora de agir Artigos científicos sobre a necessidade de maior incorporação do exercício físico no manejo clínico do (TB) Discussão teórica; não houve intervenção direta. baseado em literatura Referências a melhora de sintomas depressivos, funcionamento cognitivo e qualidade de vida em estudos prévios. O exercício deve ser considerado intervenção adjunta de primeira linha, sendo urgente integrá-lo à prática clínica.
Simjanoski et al., 2023. Lifestyle interventions for bipolar disorders: A systematic review and meta-analysis Avaliar eficácia de intervenções de estilo de vida (exercício, dieta, sono, etc.) em pessoas com (TB). Revisão sistemática e meta-análise. Intervenções de estilo de vida (exercício físico, dieta, práticas corpo-mente). Pacientes com diagnóstico de (TB) em diferentes fixas etárias.  Sintomas depressivos/

maníacos, funcionamento global, qualidade de vida, recorrência de episódios.

Intervenções de estilo de vida, em especial exercício físico, reduzem sintomas depressivos e melhoram a qualidade de vida, sendo adjuvantes relevantes no tratamento.
Torelly, G. A., 2020. Avaliação do efeito agudo da prática de exercício físico e de práticas body-mind em pacientes internados 

por episódio depressivo: 

um ensaio clínico randomizado. 

Avaliar efeitos imediatos de exercício físico e práticas corpo-mente em pacientes internados por episódio depressivo. Ensaio clínico randomizado. Sessões de exercício físico e body-mind (ioga, meditação, respiração). Pacientes internados por episódio depressivo (TAB e depressão unipolar). Humor, sintomas depressivos agudos,

 bem-estar 

pós-sessão.

Exercício e práticas corpo-mente promoveram melhora aguda do humor e sintomas depressivos, sendo úteis como estratégias complementares em ambiente hospitalar.
Rocha, L. G. F.V., 2025. O impacto da hidroginástica na remissão do transtorno afetivo bipolar em mulheres adultas.  Investigar os efeitos da hidroginástica na remissão do TAB em mulheres adultas. Estudo de intervenção (quase-experimental). Programa estruturado de hidroginástica. Mulheres adultas diagnosticadas com TAB. Sintomas depressivos/

maníaco, qualidade de vida, bem-estar físico.

Hidroginástica contribuiu para melhora clínica e possível remissão de sintomas, sendo segura e acessível.

Fonte: Elaboração da autora com bases de publicações científicas (2025)

DISCUSSÃO

Os achados desta revisão reforçam que o exercício físico desempenha papel relevante como intervenção adjuvante no manejo do transtorno bipolar (TB), apresentando impactos positivos tanto sobre os sintomas psiquiátricos quanto em fatores associados à saúde física. Evidências recentes indicam que programas de exercício estruturado e supervisionado se mostram viáveis, seguros e potencialmente eficazes na redução de sintomas depressivos, além de favorecerem a adesão e o funcionamento global dos pacientes. (Lafer et al., 2023; Simjanoski et al., 2023). Em análise anterior, Lafer et al. (2022) já haviam defendido a incorporação urgente do exercício como intervenção integrativa de primeira linha, ressaltando sua relevância clínica ao promover melhora do humor, da funcionalidade e da qualidade de vida.

Além disso, a revisão sistemática e meta-análise de Simjanoski et al. (2023), apontou que estratégias de estilo de vida, alimentação, sono e especialmente a atividade física, reduzem sintomas depressivos e a qualidade de vida.  Segundo os autores, a prática regular de atividade física também contribui para a prevenção e o manejo de comorbidades clínicas como obesidade, diabetes tipo II e hipertensão, condições altamente prevalentes entre indivíduos com TB e associadas à maior mortalidade precoce. Dessa forma, o exercício representa não apenas uma estratégia de intervenção em saúde mental, mas também uma ferramenta de promoção de saúde global, ressaltando a importância de uma abordagem terapêutica mais ampla.

Intervenções em ambientes hospitalares também se mostram promissoras. Em ensaio clínico randomizado, Torelly (2020) observou melhora aguda do humor e dos sintomas depressivos após sessões de exercício físico e práticas corpo-mente em pacientes internados por episódio depressivo, sugerindo que tais recursos podem ser úteis inclusive em contextos de maior gravidade clínica. Rocha (2025) investigou especificamente a hidroginástica, verificando melhora clínica significativa e indícios de remissão sintomática em mulheres com TB, evidenciando que modalidades acessíveis e prazerosas favorecem a adesão e podem ser eficazes em grupos específicos.

Conforme os achados levantados o exercício físico deve ser entendido como parte de uma abordagem multidisciplinar, que integra farmacoterapia, psicoterapia e estratégias de promoção da saúde. A incorporação de exercícios físicos diversos, como caminhada, corrida leve, hidroginástica, yoga e musculação adaptada, dentre outras modalidades que possam favorecer maior adesão e resultados sustentáveis são recomendados e incentivados (Lafer et al., 2022; Simjanoski et al., 2023; Rocha, 2025). 

Contudo os estudos demonstram também que apesar dos resultados encorajadores, persistem limitações metodológicas. A escassez de ensaios clínicos randomizados de larga escala e a heterogeneidade dos desenhos dificultam a comparação entre estudos e a generalização dos achados. Outro ponto crítico refere-se ao risco de exercício excessivo durante fases maníacas ou hipomaníacas, o que pode intensificar sintomas como agitação, insônia e impulsividade (Lafer et al., 2022). Isso reforça a necessidade de programas supervisionados e adaptados às fases clínicas da doença.

Destaca-se também barreiras significativas para a implementação dessa prática na clínica cotidiana. Muitos profissionais de saúde mental ainda delegam a prescrição de exercício exclusivamente a educadores físicos ou fisioterapeutas, o que restringe sua utilização sistemática (Simjanoski et al., 2023). Além disso, obstáculos individuais, como fadiga, sintomas depressivos persistentes e dificuldades de acesso a espaços adequados, comprometem a adesão. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O presente estudo evidenciou que o exercício físico desempenha papel relevante como estratégia adjuvante no tratamento do transtorno bipolar, apresentando benefícios que vão além da saúde mental e alcançam a promoção do bem-estar físico geral. A análise da literatura mais recente demonstra que programas estruturados e supervisionados de atividade física contribuem de forma consistente para a redução de sintomas depressivos, a melhora da funcionalidade, da autoestima e da qualidade de vida dos pacientes.

Observou-se também que intervenções realizadas em diferentes contextos, incluindo ambientes hospitalares, podem gerar efeitos positivos imediatos, como a redução da sintomatologia depressiva e a melhora do humor, indicando a aplicabilidade dessa abordagem mesmo em situações clínicas mais graves. Além disso, modalidades variadas, como hidroginástica, práticas corpo-mente e exercícios aeróbicos ou resistidos, mostraram-se acessíveis, seguras e promissoras para diferentes perfis de pacientes.

Apesar dos avanços, permanecem desafios importantes relacionados às limitações metodológicas dos estudos, à escassez de ensaios clínicos randomizados de larga escala e às barreiras práticas para a adesão, como fadiga, sintomas persistentes e dificuldades de acesso a espaços adequados. Outro ponto de atenção é a necessidade de acompanhamento profissional para evitar riscos associados ao exercício excessivo em fases maníacas ou hipomaníacas, o que reforça a importância de programas personalizados e supervisionados.

Diante desses aspectos, conclui-se que a prática regular de atividade física deve ser considerada parte integrante de uma abordagem terapêutica multidisciplinar e integrativa, complementando o tratamento medicamentoso e psicoterapêutico. A incorporação do exercício físico no manejo clínico do transtorno bipolar representa uma estratégia de cuidado integral, capaz de potencializar resultados e contribuir para a promoção da saúde global e da qualidade de vida dos indivíduos afetados por essa condição.

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Braga , Vanessa Borges. O exercício físico como estratégia adjuvante no tratamento do transtorno bipolar.International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

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Acesso em: 2024-09-03.

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n. 51
O exercício físico como estratégia adjuvante no tratamento do transtorno bipolar

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