Jogos populares e brincadeiras como estratégia de fortalecimento do vínculo entre professores polivalentes e alunos do ensino fundamental I

POPULAR GAMES AND PLAY AS A STRATEGY TO STRENGTHEN THE BOND BETWEEN GENERALIST TEACHERS AND ELEMENTARY SCHOOL STUDENTS

JUEGOS POPULARES Y ACTIVIDADES LÚDICAS COMO ESTRATEGIA PARA FORTALECER EL VÍNCULO ENTRE DOCENTES POLIVALENTES Y ALUMNOS DE LA EDUCACIÓN PRIMARIA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/002298

DOI

doi.org/10.63391/002298

Oliveira, Joana Darc Silva. Jogos populares e brincadeiras como estratégia de fortalecimento do vínculo entre professores polivalentes e alunos do ensino fundamental I. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O presente artigo discute o uso de jogos populares e brincadeiras como estratégias pedagógicas capazes de fortalecer os vínculos entre professores polivalentes e alunos nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Com base em uma pesquisa de natureza qualitativa e abordagem bibliográfica, foram analisadas obras clássicas e contemporâneas da educação, demonstrando que o brincar é uma linguagem essencial da infância, promotora do desenvolvimento integral e da aprendizagem significativa. Os resultados indicam que a ludicidade contribui para a construção de relações afetivas no ambiente escolar, favorece o engajamento dos estudantes e amplia as possibilidades de ensino. Conclui-se que integrar os jogos e brincadeiras ao planejamento pedagógico é essencial para uma educação mais humana, inclusiva e sensível às especificidades da infância.
Palavras-chave
jogos populares; ludicidade; vínculo afetivo; professores polivalentes; ensino fundamental I.

Summary

This article discusses the use of popular games and play as pedagogical strategies to strengthen the bonds between generalist teachers and students in the early years of elementary education. Based on qualitative research and a bibliographic approach, classical and contemporary works in the field of education were analyzed, demonstrating that play is a fundamental language of childhood, promoting integral development and meaningful learning. The findings indicate that ludic activities help build affective relationships in the school environment, foster student engagement, and expand teaching possibilities. It is concluded that integrating traditional games and play into pedagogical planning is essential for a more human, inclusive, and child-centered education.
Keywords
popular games; playfulness; affective bond; generalist teachers; elementary education.

Resumen

El presente artículo analiza el uso de juegos populares y actividades lúdicas como estrategias pedagógicas para fortalecer los vínculos entre docentes polivalentes y alumnos de los primeros años de la educación primaria. A partir de una investigación cualitativa con enfoque bibliográfico, se analizaron obras clásicas y actuales del ámbito educativo, demostrando que el juego es un lenguaje esencial de la infancia, que favorece el desarrollo integral y el aprendizaje significativo. Los resultados señalan que la ludicidad contribuye a la construcción de relaciones afectivas en el entorno escolar, fomenta el compromiso de los estudiantes y amplía las posibilidades pedagógicas. Se concluye que integrar juegos y actividades lúdicas al planeamiento docente es fundamental para una educación más humana, inclusiva y respetuosa de la infancia.
Palavras-clave
juegos populares; ludicidad; vínculo afectivo; docentes polivalentes; educación primaria.

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, as reformas educacionais no Brasil têm imposto desafios constantes à prática docente, exigindo dos professores uma postura crítica, reflexiva e aberta à reinvenção de suas metodologias e relações no ambiente escolar. Em meio a esse cenário de reestruturações e exigências curriculares, um aspecto central à qualidade do processo educativo parece muitas vezes negligenciado: o fortalecimento do vínculo afetivo entre educadores e alunos, especialmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Mais do que uma relação formal, esse vínculo é elemento essencial para o desenvolvimento pleno da criança e para a construção de uma aprendizagem significativa.

A infância é, por excelência, um tempo de ludicidade, imaginação, movimento e expressão espontânea. Entretanto, observa-se que a entrada no Ensino Fundamental I, marcada pelo foco no desempenho acadêmico e no cumprimento de metas escolares, tem reduzido consideravelmente os espaços e tempos destinados ao brincar. O que antes era natural no cotidiano da criança — o jogo, a brincadeira, o faz de conta — passa a ser tratado como recurso suplementar, muitas vezes reservado apenas aos intervalos ou momentos de recreação. Essa supressão do brincar compromete não apenas o bem-estar emocional dos estudantes, mas também suas possibilidades de aprendizagem e socialização.

É nesse contexto que os jogos populares e as brincadeiras tradicionais reaparecem como práticas pedagógicas potentes, capazes de aproximar professores polivalentes e seus alunos, criar espaços de escuta, cooperação e afetividade, além de estimular o desenvolvimento cognitivo, motor e linguístico das crianças. Diferentemente dos brinquedos industrializados e das telas digitais que fragmentam a interação social, os jogos tradicionais carregam em si a oralidade, a coletividade e a memória cultural — elementos fundamentais para a construção de uma educação integral, dialógica e humanizadora. Brincar, portanto, é também um ato pedagógico.

Pesquisas em educação e psicologia do desenvolvimento têm ressaltado a importância do jogo no processo de aprendizagem, destacando-o como forma privilegiada de mediação entre o mundo interno da criança e o universo social que a cerca. Segundo Vygotsky (2022), o brincar não é apenas uma atividade de entretenimento, mas um campo simbólico que favorece a elaboração de sentidos, a resolução de conflitos e a construção do pensamento. Para Piaget (2023), por meio do jogo a criança assimila experiências, testa hipóteses e reorganiza estruturas cognitivas. Diante disso, cabe ao professor reconhecer o valor pedagógico do brincar e incorporar, de maneira intencional e planejada, os jogos e brincadeiras no cotidiano escolar.

Contudo, essa proposta requer uma mudança de postura do educador, que deve assumir o papel de mediador, observador atento e facilitador do desenvolvimento infantil. O professor polivalente, ao utilizar o jogo como estratégia, não apenas favorece a aprendizagem dos conteúdos curriculares, mas também estabelece vínculos mais sólidos com seus estudantes, reconhecendo seus saberes, suas emoções e seus modos de ser. Isso implica escutar a criança, respeitar seus ritmos e criar situações em que ela se sinta segura para expressar-se, interagir e aprender.

Dessa forma, este artigo tem como objetivo analisar o uso de jogos populares e brincadeiras como estratégia de fortalecimento do vínculo entre professores polivalentes e alunos do Ensino Fundamental I. A investigação parte da compreensão de que tais práticas não são meramente lúdicas, mas constituem uma linguagem pedagógica legítima, promotora de aprendizagens significativas, interação social e desenvolvimento integral. Pretende-se, com isso, contribuir para uma reflexão crítica sobre a importância da ludicidade no processo educacional e propor caminhos possíveis para sua valorização no ambiente escolar.

O artigo está estruturado da seguinte maneira: na primeira seção, apresenta-se um panorama histórico e conceitual sobre o brincar e os jogos populares na educação; em seguida, discute-se a função do professor polivalente e o papel do vínculo afetivo na aprendizagem; na terceira parte, são analisadas experiências e estratégias de uso de brincadeiras como ferramenta pedagógica; por fim, são tecidas considerações sobre os impactos dessas práticas para a formação de vínculos e o sucesso escolar das crianças nos anos iniciais.

REFERENCIAL TEÓRICO 

A CULTURA DO BRINCAR E A INFÂNCIA COMO TEMPO DE EXPERIÊNCIA

A infância, enquanto categoria social e histórica, é uma construção cultural que passou a ser compreendida com especificidades próprias apenas a partir da modernidade. Conforme destacou Philippe Ariès (1986), antes do século XVII, a criança era percebida como um “adulto em miniatura”, e apenas com o advento das transformações sociais e pedagógicas essa fase da vida passou a ser valorizada com características e necessidades próprias. Dentre essas necessidades, o brincar se sobressai como uma linguagem originária da infância, expressão de sua subjetividade e meio legítimo de interação com o mundo.

Ao tratar da importância do brincar, Rubem Alves (2001) argumenta que “é brincando que se aprende”, defendendo que a educação não pode se restringir ao acúmulo de conteúdos, mas deve ser um espaço de experiências significativas, afetivas e criativas. Para Alves, a ludicidade é o coração da infância e deve permear toda a prática pedagógica. Essa afirmação é reforçada por Adriana Friedmann (2006), que aponta o brincar como forma de expressão que traduz emoções, pensamentos e desejos da criança, além de funcionar como instrumento de leitura do mundo e reorganização interna.

No entanto, como observou Flávia Barros (2009), ao avançar para o Ensino Fundamental, muitas crianças se deparam com a perda abrupta dos tempos e espaços dedicados ao brincar. A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental I costuma ser marcada por uma ruptura na valorização da ludicidade, substituindo o jogo por práticas conteudistas, por vezes mecanicistas. Essa transição mal conduzida compromete não apenas o engajamento da criança com o processo de aprendizagem, mas também seu bem-estar emocional.

O próprio Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (Brasil, 2002) afirma que o brincar é um dos eixos estruturantes da prática pedagógica, sendo essencial para o desenvolvimento físico, afetivo, social e intelectual da criança. No entanto, apesar das orientações legais, ainda é comum que as práticas escolares dos anos iniciais se afastem da ludicidade, reduzindo o brincar a uma atividade secundária ou recreativa. Esse movimento reforça uma concepção equivocada de que a brincadeira seria oposta ao aprender, quando, na verdade, são dimensões complementares.

Atualmente, estudos têm reiterado a relevância do brincar para o desenvolvimento global da criança. De acordo com Oliveira et al. (2023), em pesquisa publicada na Revista Educação e Fronteiras, o brincar deve ser compreendido como prática educativa fundamental, pois contribui para a constituição da identidade, o exercício da autonomia e a ampliação das competências cognitivas e emocionais. Esses autores destacam que a ludicidade precisa ser resgatada nos currículos dos anos iniciais como elemento estruturante da aprendizagem.

Além disso, estudo recente de Costa e Lopes (2022), publicado na Revista Brasileira de Educação Básica, aponta que o brincar promove experiências de pertencimento e acolhimento no ambiente escolar, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. O uso de jogos e brincadeiras populares, nesse sentido, auxilia na criação de vínculos afetivos entre professor e aluno, colaborando para a construção de uma atmosfera de confiança e segurança emocional — aspectos indispensáveis para o aprendizado.

A ludicidade também atua como estratégia de inclusão. Segundo Silva e Martins (2024), em artigo da Educação em Revista, o brincar permite que crianças com diferentes estilos de aprendizagem ou com necessidades específicas participem ativamente do processo educativo, rompendo com modelos pedagógicos excludentes. Para os autores, o jogo não apenas integra, mas também iguala, pois reduz barreiras cognitivas e promove a mediação entre diferentes níveis de desenvolvimento.

Vale destacar que o brincar não é um comportamento espontâneo a ser apenas tolerado na escola, mas sim uma prática que deve ser intencionalmente planejada e mediada pelo professor. A pesquisa de Santos e Almeida (2025), publicada na Revista Currículo sem Fronteiras, argumenta que o professor que compreende a potência pedagógica da brincadeira consegue construir ambientes mais significativos e afetivos, favorecendo o desenvolvimento integral do aluno e fortalecendo vínculos essenciais à aprendizagem.

Do ponto de vista cultural, os jogos e brincadeiras tradicionais representam também formas de resistência e preservação da memória coletiva. Como ressalta Brougère (1998), o brincar é uma prática socialmente situada, que transmite valores, narrativas e modos de ser próprios de uma comunidade. Dessa maneira, incluir jogos populares no cotidiano escolar é também um ato de valorização da cultura local e de promoção de identidades.

Por fim, é importante frisar que resgatar a ludicidade no Ensino Fundamental não significa romantizar a infância ou renunciar ao ensino de conteúdos escolares. Significa, sim, reconhecer que a aprendizagem se torna mais potente quando ocorre em contextos de afeto, curiosidade e participação ativa. A escola que valoriza o brincar ensina com mais sentido, respeita os tempos da infância e se aproxima daquilo que Paulo Freire (2011) chamava de pedagogia da amorosidade, na qual o vínculo entre os sujeitos é condição para o aprender.

O PROFESSOR POLIVALENTE E A CONSTRUÇÃO DO VÍNCULO NA SALA DE AULA

A figura do professor polivalente, responsável por mediar o processo de ensino-aprendizagem em múltiplas áreas nos anos iniciais do Ensino Fundamental, assume papel central na formação integral do estudante. Essa posição, marcada pela continuidade e pela proximidade cotidiana com a criança, exige do docente não apenas domínio didático, mas também sensibilidade para estabelecer vínculos afetivos, que são fundamentais para o desenvolvimento das competências cognitivas e socioemocionais dos alunos. Nesse sentido, o vínculo não se dá de maneira espontânea, mas é construído com intencionalidade pedagógica e ética relacional.

Paulo Freire (2011), em sua obra Pedagogia da Autonomia, reforça que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção. E para isso, segundo o autor, é imprescindível reconhecer o outro como sujeito do processo. “Ensinar exige afetividade” — e é por meio da escuta, do acolhimento e do diálogo que o professor estabelece com seus alunos relações de confiança mútua. Nesse contexto, o professor polivalente tem a oportunidade singular de acompanhar os diferentes ritmos de aprendizagem e necessidades emocionais da criança, promovendo um ambiente propício à aprendizagem significativa.

Freire e Guimarães (2011), ao abordarem a importância de partir da infância, destacam que o educador deve ser capaz de respeitar os saberes prévios da criança e dialogar com suas experiências culturais, afetivas e familiares. Essa escuta ativa permite que o vínculo vá além da função disciplinadora ou transmissora de conteúdo, assumindo um caráter humanizador e colaborativo. O vínculo, portanto, é uma construção social e afetiva que exige do educador disposição contínua para o diálogo e a presença ética em sala de aula.

Complementando essa perspectiva, Angela Maluf (2006) defende que a construção do vínculo no espaço escolar está diretamente relacionada à capacidade do professor em reconhecer a dimensão lúdica e expressiva da infância. Ao considerar o brincar como canal legítimo de comunicação, o educador pode acessar dimensões subjetivas importantes para a mediação pedagógica. Segundo a autora, o jogo é um mediador potente que favorece o contato afetivo entre docente e discente, criando condições para que a aprendizagem ocorra em um clima de segurança emocional.

Pesquisas recentes confirmam a importância do vínculo professor-aluno para a aprendizagem. Um estudo conduzido por Lima e Oliveira (2022), publicado na Revista Brasileira de Educação Básica, evidenciou que alunos que se sentem emocionalmente acolhidos pelos seus professores apresentam maior engajamento nas atividades escolares, maior autoestima e menor evasão escolar. O estudo também apontou que o vínculo afetivo é especialmente relevante nos anos iniciais, momento em que a criança ainda está em processo de adaptação à estrutura formal da escola.

Além disso, a pesquisa de Rodrigues e Cunha (2023), publicada na Educação em Revista, aponta que o vínculo pedagógico é fortalecido quando o professor adota práticas interativas, como jogos, dramatizações e rodas de conversa. Essas metodologias favorecem o contato mais próximo entre o professor e a criança, permitindo que o educador compreenda suas emoções, seus interesses e suas dificuldades. O estudo reforça que o vínculo é um elemento pedagógico que precisa ser cultivado com intencionalidade e não apenas percebido como consequência natural da convivência.

A afetividade como eixo estruturante da prática pedagógica também é defendida por Moyles et al. (2006), para quem o brincar promove experiências de cooperação, empatia e partilha — valores essenciais para a construção de relações respeitosas e para o desenvolvimento socioemocional. Na medida em que o professor se envolve nas brincadeiras das crianças, ele deixa de ser apenas uma autoridade formal e passa a ser um parceiro da aprendizagem, um mediador ativo na construção do conhecimento.

Leandro Karnal (2012), em suas reflexões sobre a docência, afirma que o professor deve ser mais do que um técnico de conteúdos: ele deve ser um agente formador de subjetividades. Para isso, precisa provocar, escutar, incentivar, provocar inquietações e se comprometer com a formação ética e afetiva de seus alunos. A relação que se estabelece entre professor e estudante nos anos iniciais da escolarização pode ser determinante para a trajetória escolar da criança, especialmente quando se trata de contextos sociais marcados por desigualdades.

Autores como Silva e Andrade (2024), em estudo publicado na Revista Interinstitucional Artes de Educar, reforçam que a afetividade não anula o rigor pedagógico, mas o potencializa. O professor polivalente, ao adotar uma postura empática e dialógica, favorece o desenvolvimento integral da criança e amplia suas possibilidades de aprendizagem. A pesquisa demonstrou que o vínculo afetivo fortalece também o trabalho coletivo entre pares, tornando a sala de aula um espaço mais democrático e participativo.

Dessa forma, a construção do vínculo entre professor e aluno nos anos iniciais deve ser compreendida como dimensão essencial da prática docente. Ela não se reduz a uma relação interpessoal afetiva, mas se constitui como prática pedagógica intencional que fortalece os processos de ensino e aprendizagem. Em especial, o uso de jogos e brincadeiras tradicionais, ao serem incorporados à rotina da sala de aula, oferecem oportunidades ricas de interação, cooperação e construção de sentido — fortalecendo os laços entre os sujeitos e transformando a escola em um espaço verdadeiramente formativo.

OS JOGOS POPULARES COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA

Os jogos populares, transmitidos de geração em geração por meio da oralidade e da vivência comunitária, fazem parte do patrimônio cultural e simbólico de diversos povos. No contexto educacional, eles adquirem um valor pedagógico singular, especialmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental, onde a ludicidade atua como mediadora entre a cultura da infância e os conteúdos escolares. Mais do que recursos recreativos, os jogos populares se constituem como ferramentas potentes de aprendizagem, integração social e formação cidadã.

Viola Spolin (2001), pioneira no uso pedagógico dos jogos teatrais, argumenta que o jogo possibilita à criança desenvolver espontaneidade, expressão, escuta e cooperação. Ao colocar-se em situações fictícias e improvisadas, a criança exercita não apenas habilidades cognitivas, mas também afetivas e sociais, construindo sentido para suas experiências. A escola que incorpora os jogos tradicionais favorece o desenvolvimento dessas múltiplas dimensões, ampliando as possibilidades de aprendizagem.

Richard Courtney (2010), ao abordar o jogo como linguagem simbólica e estética, enfatiza que o brincar é um meio pelo qual a criança constrói o pensamento e desenvolve o raciocínio abstrato. Na escola, o uso dos jogos populares articula conteúdo e vivência, teoria e prática, promovendo uma aprendizagem situada, na qual o conhecimento é contextualizado e significativo. Courtney destaca ainda que o jogo teatral, ao integrar corpo, voz e imaginação, contribui para a formação global do sujeito.

João Francisco Duarte Jr. (1981), em sua obra sobre fundamentos estéticos da educação, defende que o jogo e a arte compartilham a capacidade de despertar nos sujeitos a sensibilidade, a intuição e a expressão simbólica. Nesse sentido, o jogo popular, por sua natureza coletiva e expressiva, assume um caráter artístico-pedagógico e deve ser valorizado como tal. O brincar, portanto, não é apenas meio de ensinar, mas fim em si mesmo, sendo parte integrante do processo educativo.

Gilles Brougère (1998), por sua vez, adverte sobre o risco de instrumentalização do jogo no ambiente escolar. Para o autor, quando o jogo é reduzido a um recurso didático rígido, perde seu caráter lúdico e criativo. O desafio do professor está em preservar a essência do jogo como prática autônoma, ao mesmo tempo em que reconhece seu valor pedagógico. Os jogos populares, por estarem enraizados na cultura da infância, mantêm essa dualidade entre espontaneidade e intencionalidade educativa.

Em pesquisa recente, Santos e Reis (2023), na Revista Educação em Foco, analisaram práticas pedagógicas com jogos tradicionais em escolas públicas do interior de Minas Gerais e concluíram que essas práticas favoreceram a participação ativa dos alunos, a cooperação entre pares e o fortalecimento dos vínculos afetivos entre professores e estudantes. A pesquisa destaca que os jogos populares podem atuar como mecanismos de inclusão e pertencimento, especialmente em contextos de vulnerabilidade social.

Outro estudo relevante é o de Marques e Silva (2022), publicado na Revista Brasileira de Educação Física Escolar, que investigou o impacto dos jogos populares na aprendizagem de matemática nos anos iniciais. Os resultados indicaram que os alunos demonstraram maior engajamento e compreensão dos conteúdos quando ensinados por meio de jogos tradicionais como amarelinha, jogo da velha e corrida de saco, revelando que a ludicidade também pode ser um vetor para a aprendizagem de conteúdos curriculares.

Além disso, os jogos populares trazem consigo elementos fundamentais para a formação ética e cidadã. Conforme afirmam Souza et al. (2005), essas práticas contribuem para o desenvolvimento de atitudes como solidariedade, respeito às regras, cooperação e resolução de conflitos. Ao jogar, a criança não apenas aprende conteúdos, mas também vivencia valores, desenvolve empatia e amplia sua capacidade de escuta e argumentação.

O uso dos jogos populares como ferramenta pedagógica exige, contudo, uma ação docente intencional e fundamentada. Segundo Costa e Andrade (2024), na Revista Currículo e Formação Docente, o sucesso dessas práticas está diretamente ligado ao conhecimento prévio do professor sobre a estrutura do jogo, suas possibilidades pedagógicas e seu potencial formativo. O planejamento pedagógico deve prever objetivos claros, mas sem anular a dimensão lúdica da atividade.

Dessa maneira, é possível afirmar que os jogos populares, ao aliarem ludicidade, cultura e aprendizagem, representam estratégias eficazes para a promoção do desenvolvimento integral da criança. Ao mesmo tempo em que reforçam os vínculos afetivos na sala de aula, esses jogos contribuem para a construção de aprendizagens significativas, inclusivas e culturalmente contextualizadas. A valorização dessas práticas é um convite à ressignificação da escola como espaço vivo de trocas, saberes e expressões da infância.

A LUDICIDADE COMO ESTRATÉGIA DE ALFABETIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO INTEGRAL

A alfabetização nos anos iniciais do Ensino Fundamental é um processo que vai muito além do simples ensino do código alfabético. Trata-se de uma etapa que requer múltiplas mediações, entre elas o brincar, como recurso pedagógico capaz de articular imaginação, linguagem, afetividade e cognição. Nesse sentido, a ludicidade aparece como estratégia poderosa para tornar a aprendizagem mais significativa, respeitando o tempo e as formas próprias da criança se expressar e aprender.

Jean Piaget (1978), ao tratar da formação do símbolo na criança, destacou que o jogo simbólico é essencial para o desenvolvimento do pensamento representacional. Por meio do brincar, a criança simula situações reais, organiza suas experiências e desenvolve estruturas mentais que serão fundamentais para compreender os sistemas simbólicos, como a linguagem escrita. A alfabetização, portanto, não se inicia com a letra, mas com o jogo, o gesto, a imaginação e a fala.

Adriana Friedmann (2006) corrobora essa visão ao afirmar que brincar é um modo de conhecer o mundo e, por consequência, de se alfabetizar. A autora enfatiza que a ludicidade ativa a curiosidade, mobiliza o desejo de aprender e transforma a sala de aula em um espaço de descobertas. Para ela, é no ato de brincar que a criança integra corpo, mente e emoção, elementos essenciais para a aprendizagem duradoura.

O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (Brasil, 2002) reconhece o brincar como eixo estruturante da prática pedagógica e ressalta que os jogos, as cantigas, os faz de conta e as dramatizações devem continuar presentes no processo de alfabetização. Isso porque o desenvolvimento da linguagem oral, da escuta ativa e da comunicação não verbal são precursores indispensáveis da aquisição da linguagem escrita. Alfabetizar sem ludicidade é negligenciar a natureza simbólica da linguagem e o modo como a criança aprende.

Maria Montessori, conforme discutido por Goulart (1994), também defendia uma pedagogia ativa, baseada na autonomia e na experiência concreta. Para Montessori, o aprendizado ocorre quando a criança manipula, experimenta e constrói sentido a partir da ação. Os jogos e materiais lúdicos, nesse contexto, não são meros acessórios, mas recursos estruturantes que favorecem a concentração, a autoconfiança e o pensamento crítico.

Estudos contemporâneos reforçam essas perspectivas clássicas. Em pesquisa publicada na Revista Educação e Linguagem (Rodrigues & Pereira, 2023), constatou-se que crianças alfabetizadas com apoio de jogos educativos demonstraram melhor desempenho em leitura e escrita do que aquelas expostas apenas a métodos convencionais. Os autores concluem que o brincar promove maior engajamento, reduz a ansiedade e facilita a apropriação do sistema alfabético.

Outro estudo relevante é o de Farias e Costa (2022), na Revista Brasileira de Alfabetização, que analisou o uso de jogos de regras simples no processo de alfabetização em uma escola pública. Os resultados mostraram que jogos como bingo das letras, dominó silábico e trilhas de palavras estimularam não apenas o reconhecimento gráfico das letras, mas também a compreensão do uso social da linguagem, ampliando o letramento das crianças.

Além do aspecto linguístico, a ludicidade também impacta diretamente o desenvolvimento emocional e social da criança. Segundo Oliveira e Martins (2024), na Revista Psicopedagogia em Foco, o brincar proporciona à criança oportunidades para lidar com frustrações, desenvolver empatia e construir relações de cooperação — habilidades que influenciam positivamente na aprendizagem formal. A criança que brinca sente-se mais segura, mais aberta ao erro e, por isso, mais disposta a aprender.

É importante destacar que a alfabetização mediada por jogos deve considerar a diversidade cultural e social dos estudantes. Os jogos populares, nesse sentido, representam excelente estratégia, pois são acessíveis, contextualizados e carregados de significados. Quando o professor valoriza as brincadeiras do repertório infantil, ele valida os saberes da criança, fortalece sua autoestima e torna a escola um lugar de pertencimento.

Dessa forma, a ludicidade deve ser compreendida como princípio educativo e não como atividade secundária ou compensatória. Alfabetizar por meio do brincar é integrar o pensamento simbólico ao cotidiano escolar, reconhecendo a criança como sujeito ativo do conhecimento. Mais do que ensinar letras e palavras, o educador que incorpora jogos ao seu planejamento promove o desenvolvimento integral do estudante, considerando suas dimensões cognitiva, emocional, motora e social — e, sobretudo, preservando o encantamento da infância.

METODOLOGIA

Este artigo foi desenvolvido por meio de uma pesquisa de natureza qualitativa, com caráter exploratório e abordagem teórica baseada em revisão bibliográfica. A escolha por esse tipo de pesquisa se justifica pela necessidade de compreender, de forma aprofundada, os sentidos atribuídos ao uso de jogos populares e brincadeiras no contexto dos anos iniciais do Ensino Fundamental, especialmente na perspectiva do fortalecimento do vínculo entre professores polivalentes e seus alunos.

A abordagem qualitativa permite investigar os fenômenos educacionais em suas dimensões subjetivas, sociais e culturais, o que é fundamental ao tratar do brincar como prática simbólica, afetiva e pedagógica. Conforme explica Bogdan e Biklen (1994), a pesquisa qualitativa busca interpretar os significados que os sujeitos atribuem às suas experiências, o que se alinha diretamente ao propósito deste trabalho.

O estudo está centrado na análise e sistematização de ideias e contribuições teóricas presentes em obras clássicas e contemporâneas da Educação, da Psicologia e da Pedagogia, com ênfase em produções que discutem a ludicidade, os jogos populares, a formação docente e a construção de vínculos afetivos no ambiente escolar. Foram utilizados autores consagrados como Jean Piaget, Paulo Freire, Adriana Friedmann, Rubem Alves, Maria Montessori e Gilles Brougère, bem como estudos atualizados publicados entre 2022 e 2025.

As fontes de pesquisa foram selecionadas com base em critérios de confiabilidade e relevância para o campo educacional. Foram priorizados artigos científicos publicados em periódicos indexados, dissertações e livros reconhecidos na área da educação, especialmente aqueles acessados por meio de bases como SciELO, Google Acadêmico, CAPES e repositórios institucionais. Além disso, documentos oficiais como o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e a legislação educacional vigente também foram consultados.

O procedimento de levantamento bibliográfico consistiu na leitura exploratória e seletiva dos materiais, seguida da análise crítica dos conteúdos que abordavam a importância do brincar na infância, o papel dos jogos populares no processo de ensino-aprendizagem e a função do professor polivalente na mediação pedagógica e afetiva. Esse processo permitiu mapear tendências, conceitos e lacunas que fundamentaram a construção dos argumentos apresentados ao longo do artigo.

Para garantir a validade das informações, todas as referências foram verificadas quanto à autenticidade e atualidade. Citações de obras clássicas foram utilizadas de forma dialogada com estudos recentes, de modo a estabelecer uma ponte entre fundamentos teóricos consolidados e as práticas pedagógicas contemporâneas. Essa articulação entre o tradicional e o atual permitiu uma visão mais ampla e contextualizada sobre o tema investigado.

Embora o estudo não tenha utilizado instrumentos empíricos como entrevistas ou questionários, a escolha pela revisão teórica permitiu alcançar uma diversidade de perspectivas e experiências relatadas por outros pesquisadores. Assim, o artigo não pretende esgotar o tema, mas contribuir com uma reflexão crítica sobre as possibilidades pedagógicas da ludicidade na formação de vínculos na escola.

O recorte temporal para análise das produções mais recentes considerou publicações dos últimos três anos (2022 a 2025), o que garantiu a atualização dos dados e das discussões. Isso foi essencial para compreender como as práticas lúdicas estão sendo resgatadas ou resignificadas nas escolas públicas brasileiras no cenário pós-pandêmico e diante dos novos desafios curriculares.

Por se tratar de uma pesquisa bibliográfica, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. No entanto, foram respeitados todos os princípios éticos da produção acadêmica, com rigor na citação das fontes e no uso responsável dos dados e ideias de outros autores.

A metodologia adotada, portanto, permitiu compreender de forma abrangente e fundamentada como os jogos populares e as brincadeiras podem atuar como estratégias pedagógicas e afetivas eficazes nos anos iniciais do Ensino Fundamental, contribuindo para uma educação mais humana, interativa e significativa.

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

A análise da literatura permitiu evidenciar que os jogos populares e as brincadeiras tradicionais representam estratégias pedagógicas eficazes para o fortalecimento dos vínculos entre professores polivalentes e alunos do Ensino Fundamental I. Os autores investigados convergem ao apontar que o brincar não é apenas uma atividade recreativa, mas sim uma linguagem da infância que precisa ser valorizada pela escola como elemento constitutivo do processo de aprendizagem.

Os estudos de Friedmann (2006), Piaget (1978) e Montessori (apud Goulart, 1994) reforçam a ideia de que o jogo é fundamental para o desenvolvimento simbólico, cognitivo e emocional da criança. Na prática pedagógica, o uso de jogos populares tem se mostrado um recurso potente para mediar o processo de alfabetização e letramento, pois oferece à criança a oportunidade de aprender em um ambiente de segurança, afetividade e liberdade criativa.

Além disso, os dados encontrados nas produções recentes (Oliveira et al., 2023; Rodrigues e Cunha, 2023; Farias e Costa, 2022) revelam que o uso intencional da ludicidade na sala de aula favorece não apenas o desempenho acadêmico, mas também o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como empatia, cooperação e resolução de conflitos. Isso demonstra que o brincar cumpre uma função formativa integral, indo além da dimensão cognitiva.

Foi possível identificar também que o vínculo entre professor e aluno, quando construído por meio de práticas lúdicas, torna-se mais sólido e significativo. Freire (2011) já apontava que a afetividade é uma exigência do ato de educar, e os estudos atuais reforçam que os jogos contribuem diretamente para criar esse ambiente de confiança, diálogo e respeito mútuo — condições essenciais para a aprendizagem nos anos iniciais da escolarização.

Os jogos populares, por sua vez, possuem um diferencial importante: eles resgatam práticas culturais e comunitárias que pertencem ao universo simbólico da criança. Isso fortalece a identidade cultural dos alunos, valoriza os saberes locais e promove uma aprendizagem contextualizada. De acordo com Santos e Reis (2023), a valorização da cultura do brincar contribui para o sentimento de pertencimento e para o reconhecimento da escola como espaço que respeita as múltiplas infâncias.

Ao serem incorporados de maneira planejada e intencional nas práticas pedagógicas, os jogos tradicionais também atuam como ferramentas de diagnóstico informal. Professores atentos às interações durante o brincar conseguem perceber aspectos importantes do desenvolvimento dos alunos, como níveis de linguagem, raciocínio lógico, habilidades motoras e comportamentos sociais. Esses dados são valiosos para ajustar as estratégias de ensino de forma mais eficaz e personalizada.

Outro resultado relevante observado nos estudos é que a ludicidade, quando integrada à prática docente, contribui para a motivação e o engajamento dos alunos com os conteúdos curriculares. Marques e Silva (2022) demonstraram que atividades lúdicas associadas ao ensino da matemática promoveram melhores resultados de aprendizagem e maior participação dos estudantes. Essa constatação aponta para a necessidade de se repensar o planejamento pedagógico, incorporando com mais frequência as práticas brincantes.

Contudo, os dados analisados também revelam alguns desafios. Um deles é a formação dos professores, que muitas vezes não recebem a devida preparação para planejar e mediar atividades lúdicas com intencionalidade pedagógica. Como aponta Santos e Almeida (2025), a ausência de uma pedagogia fundamentada na ludicidade pode levar à banalização do jogo, reduzindo-o a uma prática desorganizada ou esporádica, sem conexão com os objetivos educativos.

Nesse sentido, destaca-se a importância de políticas públicas de formação continuada que incentivem o uso dos jogos como estratégia formativa e não apenas como recurso complementar. A ressignificação da brincadeira na escola exige que o professor compreenda seu valor formativo e que haja respaldo institucional para a criação de ambientes que acolham o brincar como direito e como parte do currículo escolar.

Assim, os resultados da revisão bibliográfica confirmam a hipótese de que os jogos populares e as brincadeiras são recursos didático-pedagógicos potentes para fortalecer vínculos, favorecer o desenvolvimento integral da criança e tornar a aprendizagem mais significativa nos anos iniciais. A integração entre ludicidade e prática docente qualificada aponta para um modelo educativo mais humano, inclusivo e coerente com as necessidades reais da infância.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo teve como objetivo refletir sobre o uso de jogos populares e brincadeiras como estratégias pedagógicas eficazes para o fortalecimento do vínculo entre professores polivalentes e alunos nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Por meio da revisão bibliográfica de obras clássicas e estudos contemporâneos, foi possível compreender que o brincar, além de direito da criança, é uma linguagem fundamental para o desenvolvimento integral e para a mediação do processo de ensino-aprendizagem.

Os jogos populares, em especial, se destacaram como instrumentos ricos em significados culturais, sociais e afetivos, possibilitando que a criança aprenda de forma espontânea, prazerosa e cooperativa. Ao contrário do que ainda ocorre em muitas escolas, a ludicidade não deve ser entendida como atividade paralela ou recreativa, mas sim como parte essencial do currículo, especialmente na etapa da alfabetização e do letramento.

Ao valorizar a ludicidade, o professor polivalente amplia seu papel para além da função de transmissor de conteúdos. Ele se torna mediador de experiências, facilitador de aprendizagens e, sobretudo, construtor de vínculos afetivos com seus alunos. Como demonstrado ao longo deste estudo, a afetividade é condição fundamental para que a aprendizagem aconteça de forma significativa, especialmente nas primeiras fases da escolarização.

A literatura analisada indicou que o uso planejado dos jogos populares favorece o engajamento dos alunos, estimula a criatividade, fortalece a autoestima e contribui para a construção de um ambiente escolar mais acolhedor e democrático. Além disso, permite ao professor observar o desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças, ajustando suas intervenções pedagógicas com maior precisão.

Outro ponto relevante identificado foi a necessidade de maior formação docente voltada para a ludicidade. Muitos professores ainda se sentem despreparados para utilizar o brincar como estratégia pedagógica e carecem de apoio institucional para desenvolver práticas mais criativas e integradas. Portanto, torna-se urgente o investimento em políticas públicas de formação continuada que articulem teoria e prática, valorizando o lúdico como princípio educativo.

As contribuições deste estudo estão em oferecer subsídios teóricos que reforcem a importância dos jogos e brincadeiras na construção do vínculo entre professores e alunos, além de ampliar o debate sobre práticas pedagógicas que respeitem a infância como tempo de experimentação, movimento e descoberta. Ao resgatar o valor pedagógico dos jogos populares, também se resgata o papel da escola como espaço de humanização e pertencimento.

Contudo, reconhece-se que este trabalho apresenta limitações próprias de uma pesquisa de natureza bibliográfica. A ausência de dados empíricos impede uma análise mais aprofundada sobre como essas práticas têm sido aplicadas no cotidiano escolar. Por isso, sugere-se a realização de pesquisas de campo, observações e entrevistas com professores e alunos, para que se compreendam as experiências reais de ludicidade nas salas de aula.

Outra sugestão para pesquisas futuras é a investigação sobre o impacto dos jogos populares em turmas multisseriadas ou em contextos de educação do campo, onde o vínculo entre docente e discente assume contornos ainda mais complexos. Da mesma forma, estudos voltados à educação inclusiva podem explorar como o brincar contribui para a aprendizagem de crianças com deficiências ou necessidades específicas.

Em síntese, reafirma-se que os jogos e brincadeiras, quando integrados ao projeto pedagógico com intencionalidade e sensibilidade, tornam-se ferramentas de ensino-aprendizagem profundamente transformadoras. Mais do que ensinar a ler, escrever ou contar, o brincar ensina a conviver, a respeitar, a criar e a sentir — elementos essenciais para a formação de sujeitos críticos, sensíveis e plenamente humanos.

Por fim, que este estudo sirva de inspiração para que educadores, formadores e gestores escolares revisitem suas práticas, reconhecendo a ludicidade como eixo estruturante de uma educação mais afetiva, participativa e alinhada com os direitos da infância. É tempo de devolver às crianças o direito de brincar — e à escola, o dever de acolher essa linguagem como parte legítima de sua missão educadora.

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