A contribuição da arte para o processo de aprendizagem na educação infantil

THE CONTRIBUTION OF ART TO THE LEARNING PROCESS IN EARLY CHILDHOOD EDUCATION

LA CONTRIBUCIÓN DEL ARTE AL PROCESO DE APRENDIZAJE EN LA EDUCACIÓN INFANTIL

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/23EC1E

DOI

doi.org/10.63391/23EC1E

Cardoso, Elton Júnior da Silva . A contribuição da arte para o processo de aprendizagem na educação infantil. International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O presente artigo visa analisar a importância do ensino de arte na Educação Infantil, como componente essencial da primeira etapa da educação básica. A promoção da arte no contexto educacional permite o desenvolvimento integral das crianças, explorando seus potenciais criativos e favorecendo o processo de aprendizagem por meio da interação entre o cognitivo e o afetivo. A expressão artística nas crianças, mediada pela brincadeira e pelo contato com imagens, facilita a comunicação e o desenvolvimento da linguagem artística, proporcionando uma maior espontaneidade na forma de se expressar. O artigo propõe uma reflexão sobre as contribuições da arte para o desenvolvimento global da criança, considerando a aprendizagem como um processo dinâmico de interação com o outro e com o ambiente. A pesquisa bibliográfica, adotada como metodologia, justifica-se pela necessidade de analisar as contribuições da arte no desenvolvimento infantil, bem como de explorar as diversas formas de expressão artística que constituem a linguagem humana. O estudo ainda aborda a importância de integrar o ensino de arte nas práticas pedagógicas, com o objetivo de promover aprendizagens significativas e o desenvolvimento de competências expressivas. Conclui-se que a arte, enquanto linguagem e meio de expressão na Educação Infantil, deve ser valorizada e incentivada, pois contribui para o aprimoramento do processo de aprendizagem, permitindo à criança libertar sua criatividade, imaginação e autoconfiança.
Palavras-chave
ensino de arte; educação infantil; desenvolvimento infantil; linguagens artísticas; expressão criativa.

Summary

This article aims to analyze the importance of art education in Early Childhood Education as an essential component of the first stage of basic education. Promoting art in the educational context enables the holistic development of children by exploring their creative potentials and fostering the learning process through the interaction between the cognitive and affective domains. Artistic expression in children, mediated by play and contact with images, facilitates communication and the development of artistic language, providing greater spontaneity in the way they express themselves. The article proposes a reflection on the contributions of art to the child’s overall development, considering learning as a dynamic process of interaction with others and the environment. The bibliographic research adopted as the methodology justifies the need to analyze the contributions of art to child development, as well as to explore the various forms of artistic expression that constitute human language. The study also discusses the importance of integrating art education into pedagogical practices, with the aim of promoting meaningful learning and the development of expressive skills. It concludes that art, as a form of language and expression in Early Childhood Education, should be valued and encouraged, as it contributes to the improvement of the learning process, allowing the child to unleash their creativity, imagination, and self-confidence.
Keywords
art education; early childhood education; child development; artistic languages; creative expression.

Resumen

Este artículo tiene como objetivo analizar la importancia de la enseñanza del arte en la Educación Infantil, como componente esencial de la primera etapa de la educación básica. Promover el arte en el contexto educativo permite el desarrollo integral de los niños, explorando sus potenciales creativos y favoreciendo el proceso de aprendizaje a través de la interacción entre lo cognitivo y lo afectivo. La expresión artística en los niños, mediada por el juego y el contacto con imágenes, facilita la comunicación y el desarrollo del lenguaje artístico, proporcionando mayor espontaneidad en la forma en que se expresan. El artículo propone una reflexión sobre las contribuciones del arte al desarrollo global del niño, considerando el aprendizaje como un proceso dinámico de interacción con los demás y con el entorno. La investigación bibliográfica, adoptada como metodología, se justifica por la necesidad de analizar las contribuciones del arte al desarrollo infantil, así como explorar las diversas formas de expresión artística que constituyen el lenguaje humano. El estudio también aborda la importancia de integrar la enseñanza del arte en las prácticas pedagógicas, con el objetivo de promover aprendizajes significativos y el desarrollo de habilidades expresivas. Se concluye que el arte, como forma de lenguaje y expresión en la Educación Infantil, debe ser valorado e incentivado, ya que contribuye al mejoramiento del proceso de aprendizaje, permitiendo a los niños liberar su creatividad, imaginación y autoconfianza.
Palavras-clave
enseñanza del arte; educación infantil; desarrollo infantil; lenguajes artísticos; expresión creativa.

INTRODUÇÃO

Quando se fala em arte, abrangem-se diversas formas de manifestação artística, como a música, o desenho, a dança, o teatro e a poesia. Essas manifestações são elementos fundamentais da cultura de uma sociedade e devem estar presentes no cotidiano das pessoas. Nesse contexto, a escola tem um papel essencial ao utilizar a arte como meio de aprendizagem desde as séries iniciais, visto que é na infância que esses conhecimentos devem ser adquiridos, utilizando elementos que despertam e expressam sentimentos, imaginação e criatividade. Na educação infantil, a arte está presente desde muito cedo, embora, muitas vezes, de maneira não intencional.

Segundo Barbosa (2015), às imagens que as crianças vivenciam em suas experiências diárias são interiorizadas, sendo que formas, cores, linhas e traços se tornam elementos plásticos que compõem suas primeiras produções, geralmente manifestadas através do desenho. O envolvimento das crianças com essa prática se justifica pela sua afinidade com o lúdico, a fantasia, a criação e a imaginação. Ao desenhar ou pintar, a criança revela seu potencial criativo, expressando sensações, sentimentos e pensamentos.

Considerando essa capacidade criadora inerente ao universo infantil, é necessário refletir sobre os espaços que podem colaborar no sentido de proporcionar e ampliar essa habilidade. A escola pode ser um desses espaços, especialmente na Educação Infantil, que é o nível de ensino destinado à aprendizagem de crianças de 0 a 5 anos. Nessa faixa etária, a criança está aberta a descobertas e novas experiências, o que torna esse período propício para as primeiras aprendizagens no campo das Artes Visuais. A criança aprende ao sentir, tocar e conduzir, ou seja, por meio da ação e da experiência, sendo que o trabalho com tintas, pincéis, lápis, giz de cera e outros materiais se torna especialmente interessante para os pequenos. 

Nesse contexto, destaca-se a importância de um planejamento bem estruturado para as atividades com as crianças, a fim de proporcionar experiências significativas.

Os procedimentos metodológicos adotados para este estudo incluem levantamento bibliográfico sobre o ensino de Artes na Educação Infantil. Para embasar a pesquisa, foram considerados diversos artigos sobre o tema, além de autores que discutem teoricamente essa questão, como a pesquisadora Ana Mae Barbosa.

De acordo com Gil (2007, p. 44), a pesquisa bibliográfica pode ser desenvolvida a partir de materiais previamente elaborados, como livros e artigos científicos. Embora muitos estudos exijam esse tipo de trabalho, há pesquisas que se desenvolvem exclusivamente com base em fontes bibliográficas.

Para a realização desta pesquisa, foram selecionados os escritos de grandes teóricos que se dedicaram ao estudo do ensino da arte e sua contribuição para o processo de aprendizagem, tais como: Barbosa (2004, 2003, 2006), Fusari e Feraz (2001), Martins e Picosque (1998), Bertoncini (2011), Soares (2016), Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN em Arte, entre outros.

Inicialmente, discute-se a arte na Educação Infantil, seu processo de ensino-aprendizagem, seu conceito e sua contribuição para o desenvolvimento infantil. Em seguida, são abordadas algumas reflexões sobre as práticas pedagógicas no ensino de arte, ressaltando o papel do professor na busca por proporcionar atividades artísticas que criem símbolos expressivos de sentimentos e pensamentos. O professor deve planejar, orientar e avaliar as atividades propostas, contribuindo assim para o desenvolvimento de seus alunos.

Por fim, as considerações finais retomam os objetivos do estudo e refletem sobre a pesquisa bibliográfica realizada, reafirmando a importância do ensino das Artes Visuais na Educação Infantil e a relevância do tema para que outros educadores direcionem seu olhar para a prática pedagógica da arte nesse contexto.

A ARTE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

A Arte pode ser compreendida como uma forma de conhecer o mundo — uma linguagem simbólica que permite a expressão, a leitura e a interpretação da realidade, tanto pela palavra quanto pela imagem. Incluir a Arte desde os anos iniciais da escolarização é garantir às crianças o acesso à pluralidade de manifestações artísticas e culturais. Como afirma Lukács (apud Frederico, 2013), a arte constitui-se como a mais elevada forma de expressão da autoconsciência humana. Oferecer esse tipo de formação, portanto, é contribuir para a construção de sujeitos críticos, sensíveis e conhecedores da trajetória histórica da humanidade.

De acordo com Souza (2017), a Arte ultrapassa o campo do entretenimento, do lúdico e da brincadeira. Ao contrário, ela oferece as condições necessárias para a compreensão do contexto histórico e social em que os indivíduos estão inseridos, possibilitando uma leitura crítica da realidade. Assim, deixa-se de formar sujeitos alienados e condicionados, e passa-se a formar indivíduos autônomos, conscientes e em busca de igualdade social. Nesse sentido, a Arte deve ser compreendida como componente essencial no currículo da Educação Infantil, promovendo o desenvolvimento integral da criança.

Desde o nascimento, a criança se depara com um universo simbólico estruturado por gerações anteriores. Ao participar das práticas culturais de seu grupo, ela reconstrói os sentidos do mundo físico, psicológico, social, estético e cultural. Como afirmam Santos e Costa (2016), essa reconstrução acontece mediante o convívio com os diversos códigos sociais, entre eles os códigos da Arte, sendo, portanto, essencial para a formação humana.

No que se refere ao ensino da Arte, é possível observar uma convergência entre autores quanto à estruturação do processo educativo artístico. Martins, Picosque e Guerra (2010), propõem a tríade produção, fruição e reflexão; Iavelberg (2003), utiliza os termos fazer, apreciar e refletir; enquanto Barbosa (1991), por meio da abordagem triangular do ensino da arte, destaca o fazer artístico, a leitura da arte e a história da arte. Em síntese, essas proposições convergem para três eixos centrais: criar, fruir e refletir. O ato de criar remete à atividade criadora defendida por Vigotski (2009); fruir refere-se à experiência estética; e refletir, no contexto da Educação Infantil, representa a mediação entre criação e apreciação, por meio da documentação e da discussão sobre as produções artísticas, sejam elas das crianças ou de artistas consagrados.

A Educação Infantil, portanto, configura-se como um espaço privilegiado para a vivência estética e a experimentação artística. Essas experiências possibilitam, em etapas posteriores da educação formal, a sistematização e a ressignificação do conhecimento, a partir de vivências significativas e contextualizadas. É um espaço de descoberta, de interação com o mundo, de encantamento e de construção do saber por meio da sensibilidade.

Como destacam Ferraz e Fusari (1993), é no cotidiano que a criança constrói os conceitos sociais e culturais, como o belo, o feio, o agradável e o desagradável. Essa construção ocorre de maneira ativa, em constante interação com o meio e com os sujeitos ao seu redor. Para Santos e Costa (2016), essa organização de sentidos é um ato criativo, simultaneamente individual e coletivo. Ao ressignificar suas experiências, a criança não apenas reproduz o que percebe, mas cria novos sentidos a partir da articulação entre percepção, imaginação e leitura de mundo. Essa capacidade de criação estética permite o desenvolvimento de um olhar sensível sobre o meio e amplia o repertório cultural da criança.

A educação estética, nesse sentido, contribui de maneira decisiva para o processo educativo, pois promove uma formação integral que abrange os aspectos cognitivos, afetivos, motores e sociais da criança. Segundo Smolka (2009), o desenvolvimento infantil não é um processo natural e linear, mas uma construção social mediada pelo outro. Em consonância, Vigotski (2009), afirma que o desenvolvimento humano é um processo de apropriação da cultura e de internalização das práticas sociais, sendo a arte um dos instrumentos mais potentes nessa mediação. Como aponta Duarte Júnior (1985), a arte desperta o sujeito para a consciência de seus próprios sentimentos, promovendo a reelaboração de processos racionais e afetivos.

A criança interage, desde cedo, com manifestações artísticas presentes em seu cotidiano. Essa interação envolve múltiplos sentidos e resulta na construção de um repertório perceptivo baseado em formas, cores, texturas, sons e gestos. O papel do professor, nesse processo, é considerar os sentidos já atribuídos pelas crianças ao mundo e incentivá-las a construir novos significados. O desenvolvimento da expressão artística caminha junto ao desenvolvimento afetivo, perceptivo e intelectual, sendo fruto de um processo de experimentação, exploração sensorial e construção de conhecimento.

De acordo com Ferraz e Fusari (1993), a mediação do outro — seja o professor, a família ou colegas — é essencial para o aprimoramento das percepções infantis. Sozinha, a criança pode se deter em características mais evidentes ou superficiais dos objetos (como cor ou brilho), mas com a orientação adequada, aprende a observar aspectos estruturais, formais e funcionais. Essa mediação qualifica a experiência estética e amplia a capacidade de leitura e interpretação da realidade.

A educação pela arte é, portanto, um processo de apropriação da cultura, que possibilita à criança compreender o mundo à sua volta e, sobretudo, se inserir nele de forma ativa. Por meio da arte, as culturas expressam o seu “sentimento de época”, ou seja, a forma como percebem e representam a realidade em determinado contexto histórico (Duarte Jr., 1985). Por isso, o trabalho com a cultura local é fundamental: permite que a criança se reconheça em sua identidade, compreenda o seu lugar social e valorize suas raízes culturais.

Toda atividade criadora, seja no plano prático ou imaginativo, envolve a recombinação de elementos da experiência vivida. O cérebro não apenas conserva, mas também reelabora, de forma criativa, essas experiências. Para Vigotski (2009), essa capacidade de criar a partir da realidade vivida é denominada imaginação ou fantasia. Mesmo as produções mais distantes da realidade concreta têm sua origem nas impressões reais, subjetivas ou objetivas, vividas pelo sujeito. Dessa forma, as experiências artísticas e estéticas na infância são fundamentais para o desenvolvimento da imaginação, da sensibilidade e da criatividade.

Conclui-se, portanto, que o contato da criança com a arte deve ser permanente, mediado e intencional, a fim de proporcionar um processo educativo significativo, que integre razão, emoção e expressão. A educação estética, nesse contexto, fortalece a identidade cultural, amplia as possibilidades de leitura do mundo e contribui para a formação de sujeitos críticos, sensíveis e criativos.

A ARTE COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA

Na etapa da Educação Infantil, as atividades artísticas representam oportunidades fundamentais para o desenvolvimento integral da criança. Ao proporcionar o acesso a diferentes materiais e formas de expressão, essas práticas favorecem a manipulação, a experimentação e a criação, seja por meio da arte espontânea presente nas brincadeiras, seja por propostas pedagógicas mais direcionadas. Elementos como o lúdico, o teatro, a dança, a pintura, o desenho, a contação de histórias e outras manifestações criativas compõem um ambiente rico em possibilidades de expressão, comunicação e transformação. Nesse contexto, a arte permite que a criança se relacione com o mundo de forma sensível e criadora, pois, como afirma Pires (2009, p. 47), “somos potencialmente criadores, possuímos linguagens, fazemos cultura”.

Ferraz e Fusari (2009), reforçam que a arte oferece inúmeros benefícios à educação de crianças e jovens, ao constituir-se como forma específica de manifestação da atividade criativa humana. Através da arte, os indivíduos interagem com o meio em que vivem, expressam suas experiências, constroem significados e reconhecem a si mesmos e ao outro. Desse modo, a arte torna-se um canal privilegiado de expressão, representação e comunicação de conhecimentos, sentimentos e vivências.

A atividade de desenhar, por exemplo, é especialmente significativa na infância, pois favorece a expressão simbólica e a interpretação do mundo pela criança (Ferraz; Fusari, 2009, p. 18). Com base nisso, é essencial que o trabalho com artes na Educação Infantil valorize a imaginação e a criatividade dos educandos, promovendo a livre criação em vez da reprodução de modelos prontos e padronizados. Ao incentivar a produção autoral das crianças, o educador contribui para a formação de sujeitos críticos, sensíveis e criativos. Esse é um processo que não traz muitos benefícios para a vida dos pequenos, como afirma Rego (2014): 

Propor que as crianças copiem da lousa desenhos já prontos (feitos pela professora ou retirados de alguma cartilha) é sem dúvida uma tarefa pouco significativa e desafiadora, que não favorecerá o processo de criação da criança. Atividades como essa servem na maior parte das vezes, para inibir e estereotipar sua expressão. O essencial é incentivá-los a colocar em práticas suas imaginações, despertar suas emoções e sentimentos (Rego, 2014, p. 112 a 113).  

Segundo Ferraz e Fusari (2009, p. 19), a escola é um espaço privilegiado para que os alunos estabeleçam vínculos entre os conhecimentos sociais e culturais. Nesse ambiente, torna-se possível observar e analisar os modos de produção e difusão da arte na comunidade, na região, no país e na sociedade em geral. Cabe à escola, portanto, ampliar a concepção de arte dos educandos, promovendo o reconhecimento e a valorização de todas as manifestações artísticas e culturais. Entre elas, destaca-se, por exemplo, a “Mística”, uma expressão popular presente nos movimentos sociais, que tem como objetivo provocar a reflexão coletiva sobre temas específicos e relevantes.

No que se refere ao papel do docente, é fundamental que ele promova oportunidades para que os alunos se expressem de forma espontânea e pessoal nas atividades propostas. No entanto, mais do que oferecer espaço para a expressão livre, o educador precisa ser capaz de analisar o contexto de cada atividade, compreendendo os benefícios que ela pode trazer para o desenvolvimento integral da criança. Dessa forma, o professor na Educação Infantil deve buscar proporcionar experiências artísticas que favoreçam a criação de símbolos capazes de representar sentimentos, emoções e pensamentos.

Logo, a prática docente contribui de forma significativa para o desenvolvimento das múltiplas linguagens da criança. Lavelberg afirma que: 

É necessário que o professor seja um “estudante” fascinado por arte, pois só assim terá entusiasmo para ensinar e transmitir a seus alunos a vontade de aprender. Nesse sentido, um professor mobilizado para a aprendizagem contínua, em sua vida pessoal e profissional, saberá ensinar essa postura a seus estudantes (Lavelberg, 2003, p. 12).

Ferraz e Fusari (2009, p. 72), destacam que despertar o interesse das crianças por suas possibilidades interativas e imaginativas é fundamental para o seu desenvolvimento pessoal e escolar. Esse estímulo favorece a autonomia, contribui para a compreensão de textos verbais e não verbais, e amplia a capacidade de leitura crítica diante das diversas manifestações culturais. Nesse sentido, tudo aquilo que compõe o ambiente da criança deve ser considerado pelo educador de artes, pois, como afirmam as autoras, “a educação em arte não acontece no vazio, nem desenraizadas das práticas sociais vividas pela sociedade como um todo” (Ferraz; Fusari, 2009, p. 38).

As potencialidades da arte podem ser desenvolvidas por meio da observação, do olhar atento, do sentir, do ouvir e do tocar. No entanto, para que a percepção se amplie, é necessário observar e explorar as situações vividas no cotidiano. Sentir, perceber, fantasiar, imaginar e representar fazem parte do universo infantil e acompanham o ser humano ao longo da vida. De acordo com Souza (2017), a disciplina de arte deve garantir aos educandos o acesso às diversas modalidades artísticas, possibilitando que eles compreendam e atuem no mundo como agentes transformadores. O educador, nesse processo, assume o papel de mediador, conduzindo os estudantes a uma nova compreensão da sociedade e possibilitando o acesso aos processos culturais mais relevantes.

Santos e Costa (2016), enfatizam que o contato com diferentes linguagens artísticas oferece aos alunos oportunidades de exploração, descoberta e interação lúdica. Esse contato favorece uma visão mais crítica e transformadora da realidade, fortalecendo o vínculo entre o sujeito e o contexto em que está inserido. Dessa forma, as atividades artísticas contribuem para a construção da autoestima, o desenvolvimento da expressão simbólica, a capacidade de análise, interpretação e avaliação, além de promoverem o aprimoramento de habilidades específicas da área das artes. 

A arte é fundamental na formação das crianças, pois representa experiências individuais e contribui significativamente para o desenvolvimento cognitivo, intelectual e emocional. Para que a arte seja efetivamente utilizada como ferramenta pedagógica, é essencial que o professor atue com sensibilidade e reconheça a relevância dessa linguagem no cotidiano escolar, compreendendo seu papel no processo de desenvolvimento infantil (Santos; Costa, 2016). Nesse sentido, o ensino das artes na Educação Infantil deve estar vinculado aos interesses dos educandos, que se tornam autores de suas próprias histórias, transformando a arte em parte de suas vidas e em instrumento pedagógico essencial para a construção do sujeito. A atividade de desenhar, por exemplo, favorece os processos de criação, invenção e imaginação. Trata-se de uma forma pela qual a criança media o cotidiano com seus desejos, experiências e fantasias. Assim, “ensinar a representar por meio de imagens é ensinar a reorganizar o mundo a partir do seu ponto de vista” (Arouca, 2012, p. 39).

Criar artisticamente, portanto, é relacionar as experiências pessoais da criança à linguagem da arte. Arouca (2012), enfatiza que ensinar a ler imagens é ensinar a ler o mundo. Para o autor, é fundamental estimular nas aulas de arte tanto a leitura (de textos e imagens) quanto a escrita, como forma de apropriação de novos olhares e fortalecimento do aprendizado não apenas da arte, mas do contexto histórico e cultural representado em cada obra. Segundo o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (RCNEI), a integração entre os aspectos sensíveis, afetivos, intuitivos, estéticos e cognitivos — somada à promoção da interação e da comunicação social — conferem caráter significativo às artes visuais. Assim como a música, as artes visuais são linguagens expressivas e comunicativas por excelência, o que justifica sua presença no currículo da Educação Infantil (Brasil, 1998, p. 85).

Santos e Costa (2016, p. 5), destacam que a criança possui uma mente criativa semelhante à do artista, pois ambos acessam com facilidade o universo da imaginação e do faz de conta, sendo capazes de fantasiar e ressignificar o mundo. Um simples traço pode, assim, transformar-se em um castelo encantado. Essa percepção sensível e subjetiva permite às crianças e aos artistas interpretarem a realidade de maneira única, por meio de representações simbólicas.

Cabe, assim, às instituições de Educação Infantil estruturarem propostas pedagógicas que integrem tais experiências ao cotidiano escolar. Ao professor, por sua vez, compete apropriar-se desse conhecimento estético e cultural, promovendo o contato das crianças com sons, cores, gestos, texturas, sensações e percepções diversas, de forma a garantir um processo de ensino e aprendizagem significativo.

Nesse sentido, Arendt (1979 apud Barbieiri, 2012, p. 146) afirma que: 

A qualificação do professor consiste em conhecer o mundo e ser capaz de instruir os outros acerca disso; porém, sua autoridade se assenta na responsabilidade que ele assume por esse mundo. Face à criança, é como se ele fosse um representante de todos os habitantes adultos, apontando os detalhes e dizendo à criança: isso é o nosso mundo.

Souza (2017), reforça a importância de o educador assumir o papel de mediador do conhecimento, adotando práticas inovadoras que ampliem o processo de ensino e aprendizagem. Isso pode ser feito por meio de projetos interdisciplinares, leitura de imagens, atividades lúdicas, teatro, desenho, pintura, entre outros. Essas práticas possibilitam à criança desenvolver sua autonomia, criatividade e imaginação.

A brincadeira, nesse contexto, favorece a apropriação de signos sociais e culturais e, nas aulas de arte, torna-se uma forma prazerosa de lidar com novas situações, ajudando a criança a compreender e assimilar o mundo estético e cultural em que está inserida. 

Para Ferraz e Fusari (2009, p. 122-123), o lúdico é uma atividade que estimula a prática estética, sendo essencial adotar tais elementos como instrumentos pedagógicos. Segundo as autoras, por meio das atividades lúdicas, torna-se possível promover a construção, manifestação expressiva e apreciação de imagens, sons, falas, gestos e movimentos (Ferraz; Fusari, 2009, p. 129). Por fim, promover uma educação em arte não significa apenas valorizar a “expressão livre”, mas sim proporcionar uma verdadeira alfabetização estética. Como afirma Rossi (2009), ensinar a ver é tão importante quanto ensinar a ler, pois a observação faz parte do processo de interpretação do mundo. Para o autor, cada leitura de mundo realizada por uma criança representa um universo simbólico e sensível que precisa ser valorizado e explorado no ambiente educativo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Pode-se concluir que a Arte constitui uma ferramenta essencial no processo de desenvolvimento infantil, estando intrinsecamente relacionada a diversas áreas do conhecimento. Por meio das diferentes formas de expressão artística, é possível estimular competências variadas nas crianças, como as habilidades sociais, emocionais, cognitivas e psicológicas. Além disso, a Arte se configura como um instrumento educativo valioso, ao exercer funções sociais e psíquicas fundamentais para o desenvolvimento integral da criança.

Nota-se ainda, que as práticas pedagógicas que valorizam a arte promovem um ambiente mais estimulante, afetivo e acolhedor, favorecendo não apenas o desenvolvimento estético, mas também o fortalecimento das relações interpessoais, da autonomia e da formação crítica das crianças. Ao entrar em contato com diferentes linguagens artísticas, como pintura, música, dança, teatro e modelagem, os pequenos ampliam seu repertório cultural e constroem sentidos próprios sobre o mundo que os cerca.

Nesse contexto, o papel do professor é fundamental. Cabe a ele reconhecer o potencial educativo da arte, planejando atividades que respeitem o ritmo e as particularidades de cada criança, incentivando a livre expressão e a experimentação. O docente deve atuar como um mediador sensível, capaz de criar oportunidades para que os alunos vivenciem experiências artísticas significativas, valorizando suas produções e promovendo o diálogo entre a arte e outras áreas do conhecimento.

Outro aspecto importante é a valorização das manifestações culturais locais e populares no trabalho com arte, aproximando as crianças de suas raízes e promovendo o respeito à diversidade. A arte, nesse sentido, também cumpre um papel social, ao possibilitar que os educandos se reconheçam como sujeitos históricos e culturais, capazes de transformar o meio em que vivem.

Portanto, compreende-se que o ensino da arte na Educação Infantil não deve ser visto como algo secundário ou apenas recreativo. Trata-se de um componente curricular indispensável, que contribui de forma decisiva para a formação de sujeitos críticos, criativos e sensíveis. Assim, é dever das instituições de ensino e dos educadores garantir às crianças o direito de aprender por meio da arte, assegurando práticas pedagógicas que valorizem a estética, a imaginação, a ludicidade e a expressão.

Além disso, é fundamental que a arte seja compreendida como um espaço de escuta ativa das crianças. Suas produções artísticas não devem ser tratadas apenas como tarefas ou produtos finais, mas como processos de construção de significados. Cada traço, cor ou forma revela aspectos da subjetividade infantil, e por isso devem ser valorizados e interpretados com sensibilidade. O olhar do educador, nesse sentido, deve ser atento e respeitoso, compreendendo a arte como um canal legítimo de comunicação, sobretudo para crianças que ainda estão em processo de alfabetização verbal.

Por fim, promover uma educação artística de qualidade desde a infância é investir em uma formação mais humana, criativa e inclusiva. A arte contribui para o desenvolvimento de uma consciência crítica, para a construção da identidade e para o fortalecimento da autoestima. Portanto, ao integrar a arte ao cotidiano pedagógico, a escola cumpre seu papel de proporcionar experiências educativas integradoras e transformadoras, que respeitam e acolhem a singularidade de cada criança no processo de construção do conhecimento.

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Acesso em: 2024-09-03.

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n. 48
A contribuição da arte para o processo de aprendizagem na educação infantil

Área do Conhecimento

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A escola como espaço de mediação literária: Fundamentos e práticas na formação de leitores
Leitura; educação básica; mediação literária; formação de leitores; escola.
Os gêneros textuais no ensino fundamental e o ensino e aprendizagem
ensino; fundamental; gêneros; textuais.

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