Autor
URL do Artigo
DOI
Resumo
INTRODUÇÃO
As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) continuam a ser um dos principais desafios para a saúde pública no Brasil, especialmente entre os jovens e adolescentes. Com o aumento significativo dos casos de HIV/Aids e sífilis nos últimos anos, o tema ganha ainda mais relevância. Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2023; 2024), observa-se uma crescente incidência dessas infecções em populações mais vulneráveis, como os homens jovens, o que reforça a necessidade de um olhar atento e ações eficazes para prevenção e controle. Além do impacto direto na saúde física, as ISTs afetam o bem-estar psicológico e social dos indivíduos, o que torna necessário compreender os fatores que influenciam essa realidade.
Diante disso, o problema central que orienta esta pesquisa é: Qual é o impacto das infecções sexualmente transmissíveis no Brasil, e quais são os principais fatores que contribuem para sua disseminação, especialmente entre os grupos mais vulneráveis?. Assim, esta questão busca esclarecer não apenas o panorama quantitativo das ISTs, mas também os aspectos sociais e educativos que contribuem para sua disseminação, assim como as limitações enfrentadas pelos sistemas de saúde e políticas públicas.
A justificativa para este estudo reside na importância de reunir e analisar informações atualizadas que possam subsidiar estratégias mais eficazes para enfrentar as ISTs. Além disso, ao focar em um tema tão sensível e atual, este trabalho contribui para ampliar a compreensão sobre as barreiras existentes, o papel da educação em saúde e a necessidade de fortalecer as políticas públicas, conforme destacado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas, 2024) e por autores recentes (Santarato N, et al., 2022; Souza; Santos, 2024). Assim, espera-se fornecer um suporte teórico e prático relevante para profissionais, gestores e pesquisadores da área da saúde.
O objetivo principal deste estudo é analisar o impacto das infecções sexualmente transmissíveis no Brasil, com foco nas tendências epidemiológicas recentes, nos desafios para a prevenção e nas implicações para a saúde dos jovens. Para isso, adotou-se uma abordagem bibliográfica qualitativa, com levantamento e análise crítica de dados oficiais e artigos científicos publicados entre 2022 e 2025, proporcionando uma visão atualizada e abrangente do tema (Brasil, 2023; Dourado et al., 2023; Magno L, et al., 2023; Santarato et al., 2022; Souza et al., 2024).
Ao longo deste artigo, serão discutidos inicialmente os conceitos fundamentais sobre as ISTs e sua epidemiologia, seguindo para uma análise das políticas públicas e dos desafios enfrentados no cenário brasileiro. Posteriormente, a discussão será aprofundada com base em estudos recentes que evidenciam os impactos sociais e educativos dessas infecções. Por fim, serão apresentadas considerações sobre os caminhos possíveis para fortalecer as ações de prevenção e controle.
REFERENCIAL TEÓRICO
Este capítulo apresenta os principais conceitos e estudos recentes que fundamentam a análise do impacto das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) no Brasil. Para tanto, foram selecionadas referências atualizadas que abordam a epidemiologia, os desafios da prevenção e o contexto social das ISTs, especialmente entre jovens e adolescentes. A seguir, o referencial está organizado em três subtópicos relevantes para o tema.
EPIDEMIOLOGIA DAS INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS NO BRASIL
A epidemiologia das ISTs no Brasil tem apresentado mudanças importantes nos últimos anos, com aumento expressivo de casos especialmente de HIV/Aids e sífilis entre jovens do sexo masculino. O Ministério da Saúde (BRASIL, 2023; 2024) informa que, apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, o número de notificações vem crescendo, refletindo tanto a maior transmissão quanto o aprimoramento da vigilância epidemiológica. Em especial, o Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2023 destaca que a população jovem representa um dos grupos mais vulneráveis, com altas taxas de incidência e menor adesão às medidas preventivas.
Além disso, o aumento dos casos de sífilis congênita e adquirida aponta para falhas nas ações de prevenção e educação em saúde, evidenciando a necessidade de intervenções mais eficazes (Brasil, 2023). Souza et al. (2024), ao analisar o cenário da pandemia da COVID-19, reforçam que o período de crise sanitária agravou a subnotificação e dificultou o acesso ao diagnóstico e tratamento, o que possivelmente contribuiu para a intensificação da disseminação das ISTs.
Esses dados epidemiológicos são essenciais para direcionar as políticas públicas e estratégias preventivas, especialmente voltadas para os grupos de maior risco.
CONHECIMENTO, COMPORTAMENTO E PREVENÇÃO ENTRE JOVENS E ADOLESCENTES
O conhecimento sobre as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e o comportamento sexual dos jovens e adolescentes são fatores centrais para compreender a disseminação dessas doenças no Brasil. Dados oficiais do Ministério da Saúde revelam que, apesar dos esforços em campanhas educativas, a população jovem ainda apresenta altas taxas de infecção, especialmente entre homens, o que evidencia lacunas no alcance e na efetividade das estratégias preventivas (Brasil, 2023; 2024).
Magno L, et al., (2023), destaca que a falta de conhecimento sobre saúde sexual, práticas de sexo seguro e os métodos de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são as principais causas que contribuem para o elevado número dessas doenças, especialmente entre os jovens. Além disso, a iniciação precoce da vida sexual, baixa adesão ao uso de preservativos, consumo de drogas e álcool, e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde também são fatores relevantes.
Aspectos socioculturais e educacionais também influenciam o comportamento sexual dessa faixa etária. Santarato et al. (2022) apontam que a iniciação sexual precoce e o uso irregular de preservativos são comuns entre adolescentes, aumentando sua vulnerabilidade às ISTs. Souza e Santos (2024) complementam essa análise ao indicar que o impacto emocional e social das infecções, especialmente o estigma, pode levar ao isolamento e dificultar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequados.
A pandemia da COVID-19 trouxe ainda mais desafios. Segundo Sousa et al. (2024), as restrições sociais e a sobrecarga dos serviços de saúde prejudicaram o acesso à testagem e ao acompanhamento clínico, o que possivelmente aumentou a transmissão silenciosa das ISTs entre jovens. Esse cenário ressalta a necessidade em inovar nas estratégias educativas e ampliar os serviços especializados voltados para essa população.
Por fim, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas, 2024) enfatiza que políticas públicas eficazes devem oferecer educação sexual contínua, inclusiva e que contemple aspectos biopsicossociais, combatendo o preconceito e promovendo o acolhimento. Só assim será possível transformar conhecimento em atitudes preventivas, reduzindo a incidência das ISTs e promovendo a saúde sexual de adolescentes e jovens brasileiros.
POLÍTICAS PÚBLICAS E ESTRATÉGIAS DE CONTROLE DAS ISTS NO BRASIL
No campo das políticas públicas, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas, 2024) destaca os avanços e desafios na implementação das ações de controle das ISTs, do HIV/Aids e outras doenças transmissíveis no Brasil. O documento ressalta a importância de uma abordagem integrada que articule vigilância, assistência e promoção da saúde, contemplando a diversidade sociocultural do país.
O Ministério da Saúde, conforme apontado em seus relatórios recentes (Brasil, 2023; 2024), tem investido em campanhas de prevenção, ampliação do acesso ao diagnóstico rápido e tratamento, além de incentivar a testagem voluntária e o uso de métodos preventivos como a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição). Contudo, os dados indicam que ainda há grandes desafios, especialmente em regiões com menor infraestrutura e entre populações vulneráveis, como jovens em situação de vulnerabilidade social.
Sousa et al. (2024) reforçam que a pandemia da COVID-19 expôs fragilidades no sistema de saúde e nas políticas públicas, prejudicando o acompanhamento contínuo dos pacientes e as ações de prevenção. Assim, os autores apontam para a necessidade de fortalecer a resiliência do sistema, ampliar a cobertura dos serviços e garantir a continuidade das ações mesmo em situações de crise.
Em síntese, o referencial teórico evidencia que o enfrentamento das ISTs requer uma combinação de conhecimento científico atualizado, políticas públicas firmes e estratégias educativas eficazes, especialmente voltadas para os grupos mais afetados.
METODOLOGIA
Este estudo buscou analisar o impacto das infecções sexualmente transmissíveis no Brasil por meio de uma abordagem bibliográfica qualitativa, de caráter exploratório e descritivo. A metodologia adotada foi planejada para garantir a clareza, a replicabilidade e a validade da pesquisa, permitindo compreender as tendências, desafios e estratégias relacionados às ISTs no contexto nacional.
TIPO DE PESQUISA
A pesquisa é de natureza qualitativa, pois o foco está na análise e interpretação crítica de dados e informações retiradas de fontes documentais e científicas, sem a aplicação de instrumentos quantitativos para coleta direta de dados em campo. Seu caráter é exploratório e descritivo, uma vez que visa aprofundar o entendimento do tema, identificar as principais características epidemiológicas e discutir as políticas públicas e estratégias preventivas vigentes.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Para atingir os objetivos propostos, foi realizada uma pesquisa bibliográfica que envolveu a seleção, análise e síntese de obras, artigos científicos, relatórios oficiais e documentos institucionais recentes, publicados entre 2022 e 2025. Essa escolha metodológica se justifica pela necessidade de reunir dados atualizados e confiáveis que permitissem uma visão ampla e contextualizada sobre as ISTs no Brasil.
A pesquisa contemplou fontes oficiais do Ministério da Saúde, incluindo boletins epidemiológicos e comunicados recentes, além de estudos acadêmicos publicados em periódicos científicos nacionais. Os documentos foram analisados de forma sistemática para identificar tendências epidemiológicas, desafios na prevenção, aspectos sociais e impactos das infecções, com atenção especial aos jovens e adolescentes.
INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS
Os dados foram coletados por meio da análise documental e revisão sistemática da literatura, utilizando-se como instrumentos principais:
Boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde (Brasil, 2023; 2024);
Relatórios e documentos da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas, 2024);
Artigos científicos disponíveis em bases de dados como SciELO, PubMed e Google Acadêmico, selecionados por meio de palavras-chave relacionadas a ISTs, HIV/Aids, sífilis, jovens, adolescentes e políticas públicas.
POPULAÇÃO E AMOSTRA
Como se trata de uma pesquisa bibliográfica, a população estudada corresponde ao conjunto de documentos e publicações científicas relevantes para o tema. A amostra foi definida por critérios de atualidade (publicações entre 2022 e 2025), relevância temática e qualidade acadêmica. Foram selecionados documentos oficiais e artigos que trouxeram dados empíricos e análises aprofundadas sobre o impacto das ISTs no Brasil, com ênfase em grupos jovens.
PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DOS DADOS
A análise dos dados seguiu a técnica de análise de conteúdo, conforme proposta por Bardin (2022), que permite organizar, categorizar e interpretar informações qualitativas extraídas dos textos. Foram identificadas categorias temáticas relacionadas à epidemiologia, prevenção, comportamento sexual e políticas públicas, possibilitando uma discussão crítica e fundamentada do impacto das ISTs.
Os dados quantitativos extraídos dos boletins epidemiológicos foram interpretados por meio de estatísticas descritivas, ressaltando tendências, grupos mais afetados e variações temporais. A combinação dessas análises qualitativas e quantitativas proporcionou uma compreensão integrada do tema.
DISCUSSÃO E RESULTADOS
PANORAMA DOS DADOS COLETADOS
Os dados analisados indicaram um aumento significativo nos casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) no Brasil nos últimos anos, especialmente entre jovens do sexo masculino. Conforme o Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2023, o número de notificações de HIV e sífilis cresceu de forma expressiva, sendo que o grupo de 15 a 29 anos apresentou a maior incidência relativa (Brasil, 2023). Em 2024, essa tendência persistiu, conforme divulgado pelo Ministério da Saúde, reforçando a vulnerabilidade desse público e a necessidade de estratégias direcionadas (Brasil, 2024).
Santarato et al. (2022) demonstraram, por meio de pesquisa com adolescentes, que a prevalência das ISTs nesse grupo permanece elevada, confirmando os dados oficiais. Adicionalmente, Souza e Santos (2024) destacaram os impactos negativos dessas infecções na saúde física e mental dos jovens, evidenciando um quadro preocupante que ultrapassa o aspecto epidemiológico.
ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
Os achados corroboram estudos prévios que apontam para o aumento das ISTs entre os jovens, em grande parte associado ao uso recreativo de substâncias ilícitas ou lícitas antes das relações sexuais, e à falta de acesso à internet, que aumenta a vulnerabilidade dessa população (Santarato N, et al., 2022).
Essa realidade demonstra que as campanhas preventivas tradicionais, embora importantes, não são suficientes para conter a disseminação das ISTs entre adolescentes e jovens.
A análise realizada por Sousa et al. (2024) sugere que a pandemia da COVID-19 agravou essa situação, devido à diminuição no acesso a serviços de saúde, testagem e acompanhamento, resultando em maior subnotificação e atraso no diagnóstico. Esse fator explicaria em parte o aumento dos casos observado nos últimos dois anos, reforçando a necessidade de adaptação das políticas públicas para garantir a continuidade dos serviços mesmo em momentos de crise.
Além disso, as políticas públicas de controle das ISTs no Brasil, apesar de contemplarem ações integradas de vigilância, prevenção e tratamento, enfrentam desafios estruturais e culturais, como apontado pela Opas (2024). A resistência social e o estigma relacionados às ISTs ainda dificultam o engajamento dos jovens nas ações de prevenção, o que exige uma abordagem mais inclusiva e acolhedora.
FATORES SOCIAIS E SANITÁRIOS QUE INFLUENCIAM A VULNERABILIDADE ÀS ISTS
A ausência de informações precisas e confiáveis juntamente com a iniciação sexual precoce e as práticas desprotegidas, destaca a necessidade imediata de ações mais abrangentes e culturalmente adequadas à realidade. Além disso, a presença de fatores socioestruturais, como desigualdades econômicas e educacionais, exige que as abordagens adotadas levem em conta essas disparidades e busquem formas de diminuí-las (Dourado, et al., 2023)
A desigualdade socioeconômica dificulta o acesso a serviços de saúde, testes diagnósticos e tratamento adequado, principalmente em regiões periféricas e vulneráveis. Esses obstáculos reforçam a exposição ao risco, uma vez que a falta de atendimento oportuno pode levar à progressão das doenças e à maior transmissão comunitária (Brasil, 2023).
A vulnerabilidade às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) no Brasil é fortemente influenciada por diversos fatores. Nesse contexto, a atenção à saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes tem enfrentado várias dificuldades que contribuem para o aumento da taxa de IST nessa população. Entre esses fatores estão as deficiências nas estratégias de imunização, falta de recursos necessários para a realização do diagnóstico e tratamentos, a inadequação de infraestrutura nas unidades básicas de saúde, além da falta de profissionais qualificados associados à deficiência nas ações de educação em saúde (Santos CR, et al., 2022).
Outro fator determinante é o estigma social que cerca as ISTs, o que muitas vezes impede os indivíduos de buscarem ajuda médica ou discutirem abertamente sua condição. Esse preconceito não só compromete o diagnóstico precoce, mas também dificulta o tratamento adequado, criando um ciclo de vulnerabilidade e transmissão contínua (Souza; Santos, 2024). A Opas (2024) destaca que políticas públicas que combatam esse estigma são essenciais para garantir um ambiente seguro e acolhedor, facilitando o acesso ao cuidado e à prevenção.
Do ponto de vista sanitário, a pandemia da COVID-19 representou um desafio adicional, pois as restrições e a sobrecarga dos sistemas de saúde impactaram negativamente o acompanhamento dos pacientes com ISTs e a oferta de serviços preventivos, como a testagem e o aconselhamento (Sousa et al., 2024). Essa situação resultou em atraso no diagnóstico e tratamento, potencializando a transmissão silenciosa dessas infecções.
Portanto, para enfrentar eficazmente as ISTs no Brasil, é fundamental considerar esses fatores sociais e sanitários que moldam a vulnerabilidade da população jovem, integrando ações que promovam inclusão social, ampliem o acesso aos serviços de saúde e combatam o estigma, alinhando-se às recomendações das políticas públicas nacionais e internacionais (Brasil, 2024; Opas, 2024).
LIMITAÇÕES E SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS
Apesar da relevância dos dados e das análises apresentadas neste estudo, algumas limitações devem ser destacadas para melhor contextualizar os resultados e orientar futuras investigações. Primeiramente, a pesquisa baseou-se exclusivamente em dados secundários provenientes de boletins epidemiológicos, relatórios oficiais e artigos científicos disponíveis. Embora essas fontes sejam confiáveis, a dependência de informações já publicadas pode restringir a profundidade da análise, especialmente no que se refere a aspectos comportamentais e contextuais específicos dos jovens brasileiros.
Além disso, a possível subnotificação dos casos de infecções sexualmente transmissíveis, especialmente durante a pandemia da COVID-19, pode ter influenciado a representatividade dos dados quantitativos, ocasionando subestimação da real magnitude do problema. Essa limitação dificulta uma avaliação mais precisa da incidência e prevalência das ISTs, bem como da efetividade das ações de prevenção implementadas no período analisado.
Outro ponto a ser considerado é a ausência de dados primários e pesquisas qualitativas que abordem diretamente as percepções, atitudes e barreiras enfrentadas pelos jovens no acesso à informação e aos serviços de saúde sexual. A inclusão desses dados permitiria um entendimento mais abrangente dos fatores que influenciam o comportamento e a vulnerabilidade desse grupo.
Diante dessas limitações, pesquisas futuras poderão adotar abordagens mistas, combinando métodos quantitativos e qualitativos para explorar, de forma mais detalhada, o conhecimento, as práticas e as necessidades da população jovem. Estudos de campo, com amostras representativas em diferentes regiões do Brasil, contribuirão para identificar particularidades regionais e culturais que impactam na prevenção e no controle das ISTs.
Além disso, as investigações em longo prazo serão importantes para acompanhar as tendências epidemiológicas pós-pandemia e avaliar a eficácia das estratégias educativas e políticas públicas adotadas. Pesquisas focadas na redução do estigma e na promoção de ambientes acolhedores para o cuidado em saúde sexual também são recomendadas, uma vez que esses aspectos têm grande influência no engajamento dos jovens em programas de prevenção e tratamento.
Em resumo, superar as limitações apontadas e ampliar o escopo das pesquisas futuras será fundamental para aprimorar o enfrentamento das infecções sexualmente transmissíveis no Brasil, promovendo uma saúde sexual mais segura e inclusiva para as novas gerações.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo teve como objetivo analisar o impacto das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) no Brasil, especialmente entre jovens e adolescentes, buscando compreender as tendências epidemiológicas, os desafios para a prevenção e as implicações sociais e sanitárias. A partir da análise bibliográfica de dados oficiais e estudos recentes, foi possível traçar um panorama atual das ISTs no país, contribuindo para a reflexão crítica sobre o tema.
Os resultados indicaram que as ISTs vêm apresentando crescimento expressivo entre a população jovem, com destaque para o aumento dos casos de HIV/Aids e sífilis. Esse cenário é agravado pela insuficiência de conhecimento adequado, comportamentos de risco e dificuldades no acesso a serviços de saúde especializados. Além disso, fatores sociais como desigualdade, estigma e impactos da pandemia da COVID-19 foram apontados como elementos que ampliam a vulnerabilidade dessa faixa etária. Essas descobertas têm relevância acadêmica, ao atualizar o conhecimento sobre o tema, e prática, ao evidenciar a necessidade de estratégias integradas e direcionadas para a prevenção e o controle das ISTs.
O estudo foi limitado pela dependência exclusiva de fontes secundárias e pela possível subnotificação dos casos, especialmente durante a pandemia, o que pode influenciar a precisão dos dados analisados. Além disso, a ausência de dados primários e de pesquisas de campo limita a compreensão mais aprofundada dos aspectos comportamentais e sociais específicos de diferentes regiões do país.
Pesquisas futuras poderão explorar essas lacunas por meio de estudos de campo que avaliem diretamente o conhecimento, as atitudes e os comportamentos dos jovens em diversas regiões brasileiras. As Investigações em longo prazo também serão importantes para acompanhar a evolução das ISTs após o período pandêmico e avaliar a eficácia de novas estratégias educativas e políticas públicas. Ademais, estudos que analisem o impacto do estigma e das barreiras sociais no acesso ao tratamento contribuirão para o desenvolvimento de intervenções mais humanizadas e inclusivas.
Em suma, este trabalho reforça a necessidade de ações multidisciplinares, que envolvam educação, saúde e políticas sociais, para enfrentar o crescimento das ISTs no Brasil e promover a saúde sexual e reprodutiva da população jovem, garantindo-lhes direitos, informação e acesso a serviços de qualidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGÊNCIA BRASIL. Casos de sífilis e de HIV/aids aumentam entre homens jovens. Brasília, DF, 2023. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2023-11/casos-de-sifilis-e-de-hivaids-aumentam-entre-homens-jovens. Acesso em: 23 jun. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim epidemiológico HIV/aids 2023. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/boletins-epidemiologicos/2023/hiv-aids/boletim-epidemiologico-hiv-e-aids-2023.pdf. Acesso em: 23 jun. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde divulga dados epidemiológicos sobre HIV e aids no Brasil. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br/assuntos/noticias/2024/dezembro/saude-divulga-dados-epidemiologicos-sobre-hiv-e-aids-no-brasil. Acesso em: 23 jun. 2025.
DOURADO, L.; MOURA, T.; SANTOS, P. Prevenção de infecções sexualmente transmissíveis na adolescência: uma análise integrativa da literatura atual. Revista FT, Rio de Janeiro, v. 28, e136, p. 2–15, 2024. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.12709703.
MAGNO, L. et al. Prevalência de infecções sexualmente transmissíveis em adolescentes e os fatores de risco. Revista Eletrônica Acervo Saúde, Macapá, v. 24, n. 1, p. 2–18, 2024. DOI: https://doi.org/10.25248/REAS.e14236.2024.
NASCIMENTO, F. V. et al. Saúde sexual de jovens e adolescentes: análise dos desafios na prevenção de ISTs e a importância das estratégias educativas. Revista FT, Rio de Janeiro, v. 29, n. 145, e145, 2025. DOI: https://doi.org/10.69849/revistaft/ar10202504281216.
OPAS – ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Políticas públicas de controle das IST, do HIV/aids, das hepatites virais e outras doenças transmissíveis no Brasil. Brasília, DF: OPAS, 2024. Disponível em: https://www.paho.org/sites/default/files/2024-11/rttc1121sem2024.pdf. Acesso em: 23 jun. 2025.
SANTARATO, N. L. et al. Prevalência das infecções sexualmente transmissíveis em adolescentes. Revista Eletrônica Acervo Saúde, Macapá, v. 24, n. 1, p. 15–18, 2024. DOI: https://doi.org/10.25248/REAS.e14236.2024.
SANTOS, C. R.; LIMA, G. A.; FARIAS, M. S. Prevalência de infecções sexualmente transmissíveis em adolescentes e os fatores de risco. Revista Eletrônica Acervo Saúde, Macapá, v. 24, n. 1, p. 2–18, 2024. DOI: https://doi.org/10.25248/REAS.e14236.2024.
SOUSA, R. F. V. de et al. Análise das infecções sexualmente transmissíveis durante a pandemia da COVID-19 no Brasil. Revista Eletrônica Acervo Saúde, Rio de Janeiro, v. 24, n. 8, e18163, 2024. DOI: https://doi.org/10.25248/reas.e18163.2024.
SOUZA, S. S. de; SANTOS, V. M. dos. O impacto das infecções sexuais na saúde dos adolescentes. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, Macapá, v. 6, n. 10, p. 2305–2319, 2024. DOI: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n10p2305-2319.
Área do Conhecimento