Autor
URL do Artigo
DOI
Resumo
INTRODUÇÃO
Historicamente, o ensino técnico em enfermagem tem se apoiado em abordagens pedagógicas tradicionais, com ênfase na exposição oral do professor, no uso predominante do quadro e do livro didático, e no foco na memorização de conteúdo. Em especial nas escolas públicas, essa forma de conduzir o processo de ensino-aprendizagem limita a participação ativa dos alunos e dificulta a articulação entre teoria e prática — elementos essenciais para uma formação crítica, reflexiva e humanizada.
Nesse modelo convencional, o estudante assume uma postura passiva, recebendo as informações de forma unidirecional, sem espaço para o diálogo, a problematização e a construção colaborativa do conhecimento. Como consequência, observam-se altos índices de desmotivação, dificuldades na assimilação dos conteúdos e baixo desenvolvimento de competências fundamentais à prática profissional, como o raciocínio clínico, a autonomia e o trabalho em equipe.
Diante desses desafios, emergem propostas pedagógicas que visam transformar a dinâmica da sala de aula e ressignificar o papel do aluno no processo de aprendizagem. As metodologias ativas ganham destaque nesse cenário por colocarem o estudante como protagonista, estimulando sua autonomia, pensamento crítico e participação efetiva. Segundo Berbel (2011), “as metodologias ativas são estratégias de ensino que colocam o aluno como centro do processo, permitindo que ele aprenda a partir de sua própria experiência”.
Antes da introdução das metodologias ativas, os estudantes de enfermagem — especialmente em cursos técnicos de instituições públicas — apresentavam um perfil marcado por dependência do professor, baixa autonomia e dificuldade para relacionar os conteúdos teóricos à prática profissional. O foco na memorização e na reprodução de informações, sem incentivo à reflexão crítica, limitava o desenvolvimento de habilidades essenciais à atuação no cuidado em saúde. Em muitos casos, essa abordagem resulta em desinteresse, baixo engajamento nas aulas e pouca preparação para lidar com situações complexas nos estágios e na vida profissional.
Diante desses desafios, emergem propostas pedagógicas que visam transformar a dinâmica da sala de aula e ressignificar o papel do aluno no processo de aprendizagem. As metodologias ativas ganham destaque nesse cenário por colocarem o estudante como protagonista, estimulando sua autonomia, pensamento crítico e participação efetiva. Segundo Berbel (2011), “as metodologias ativas são estratégias de ensino que colocam o aluno como centro do processo, permitindo que ele aprenda a partir de sua própria experiência”.
De acordo com Moran (2015), “a escola precisa sair do modelo centrado na transmissão de informações e caminhar para ambientes de aprendizagem mais colaborativos, que desenvolvam competências de forma integrada e significativa”. Nessa perspectiva, as metodologias ativas não apenas favorecem a aprendizagem conceitual, mas também promovem o desenvolvimento pessoal e profissional dos alunos.
Bacich e Moran (2018), reforçam que o uso de estratégias ativas, como a sala de aula invertida, estimula o protagonismo do estudante ao deslocar o foco da aula expositiva para um processo mais investigativo e participativo. Além disso, os jogos lúdicos se mostram eficazes para a fixação dos conteúdos de forma interativa, criando vínculos mais sólidos entre teoria e prática.
Inspirado pela pedagogia freiriana, esse movimento rompe com a lógica bancária da educação, conforme crítica de Paulo Freire (1996), na qual o professor “deposita” o conhecimento no aluno. Ao contrário, defende-se um processo educativo dialógico, problematizador e voltado à transformação social, especialmente importante na formação de profissionais da área da saúde.
Entre essas estratégias, a sala de aula invertida e os jogos lúdicos vêm se consolidando como ferramentas inovadoras e eficazes, especialmente no campo da saúde, por promoverem uma aprendizagem mais significativa, contextualizada e centrada na prática.
As metodologias ativas destacam-se nesse cenário por colocarem o aluno como protagonista, estimulando sua autonomia, pensamento crítico e participação efetiva. Segundo Berbel (2011), “as metodologias ativas são estratégias de ensino que colocam o aluno como centro do processo, permitindo que ele aprenda a partir de sua própria experiência”.
Entre essas estratégias, a sala de aula invertida e os jogos lúdicos vêm se consolidando como ferramentas inovadoras e eficazes, especialmente no campo da saúde, por promoverem uma aprendizagem mais significativa e contextualizada.
Neste estudo, propõe-se analisar os efeitos da aplicação dessas metodologias no ensino da disciplina de Fundamentos de Enfermagem, comparando seus resultados com os obtidos por meio do modelo tradicional, em uma turma do 1º módulo de uma escola pública.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória, realizada com uma turma do 1º módulo do curso técnico em Enfermagem de uma escola pública estadual. O estudo foi conduzido em duas fases distintas. Na primeira fase, os conteúdos de higienização, sinais vitais e biossegurança foram trabalhados por meio de aulas expositivas tradicionais, com o professor atuando como principal transmissor do conhecimento.
Na segunda fase, os mesmos conteúdos foram abordados com o uso de metodologias ativas, especialmente a sala de aula invertida e os jogos lúdicos. Na etapa da sala de aula invertida, os alunos receberam previamente materiais digitais — como vídeos, podcasts e textos — para estudo domiciliar. As aulas presenciais foram destinadas à resolução de problemas, debates, estudos de caso e atividades práticas.
Os jogos lúdicos utilizados incluíram dominós temáticos, jogos de tabuleiro com situações clínicas e cartas com perguntas e respostas. Esses jogos foram desenvolvidos com a colaboração dos próprios alunos, o que favoreceu o envolvimento, a criatividade e o trabalho em equipe.
A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de questionários contendo perguntas abertas e fechadas, além da observação sistemática das aulas em ambas as fases. Os dados foram analisados com base em categorias como motivação, participação, compreensão dos conteúdos e percepção dos estudantes sobre o processo de aprendizagem.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Embora este estudo não tenha realizado uma pesquisa de campo com aplicação de questionários ou observações sistematizadas, a análise foi construída com base na literatura especializada e em experiências descritas por diversos autores da área da educação e do ensino técnico em saúde.
Com isso, é possível identificar, de forma fundamentada, diferenças marcantes entre os métodos de ensino utilizados. Durante a fase tradicional, nota-se uma postura mais passiva dos alunos, com baixa interação, pouca espontaneidade e dificuldade na fixação dos conteúdos. Estudantes tendem a relatar desmotivação e insegurança quanto à aplicação prática dos conhecimentos adquiridos, conforme apontam estudos como os de Berbel (2011) e Santos e Oliveira (2019).
Com a introdução das metodologias ativas, observam-se mudanças significativas no comportamento dos alunos, tornando a sala de aula um ambiente mais dinâmico, colaborativo e centrado no estudante. Moran (2015) destaca que “na sala de aula invertida, os alunos estudam o conteúdo antes das aulas e usam o tempo presencial para discutir, resolver dúvidas e praticar com orientação do professor”, o que tem se confirmado em diversas experiências educacionais.
Os jogos lúdicos também se destacam como ferramenta eficaz na consolidação dos conteúdos. Além de tornar a aprendizagem mais atrativa, esses jogos promovem o raciocínio clínico, o trabalho em grupo e a construção ativa do conhecimento. Segundo Santos e Oliveira (2019), os jogos educativos, quando bem planejados, contribuem significativamente para o desenvolvimento de competências técnicas e socioemocionais no ensino técnico de enfermagem.
Com base nesses referenciais teóricos e experiências relatadas na literatura, a Figura 1 apresenta uma comparação ilustrativa entre os dois modelos de ensino em relação a cinco aspectos-chave: motivação, participação, aprendizado, segurança na aplicação prática e autonomia. Nota-se um contraste expressivo entre o modelo tradicional e a aplicação das metodologias ativas.
Dessa forma, a análise evidencia que as metodologias ativas são eficazes não apenas para o aprendizado de conteúdos técnicos, mas também para o desenvolvimento de habilidades essenciais à prática profissional do técnico em enfermagem, como comunicação, tomada de decisão, autonomia e cooperação. O contraste entre os dois métodos confirma a importância de uma reformulação das práticas pedagógicas no ensino técnico, especialmente nas instituições públicas.
A Figura 1 apresenta uma comparação entre os dois modelos de ensino a partir da percepção dos alunos em relação a cinco aspectos-chave: motivação, participação, aprendizado, segurança na aplicação prática e autonomia. Nota-se um contraste expressivo nos níveis relatados entre o modelo tradicional e a aplicação das metodologias ativas. Embora os dados apresentados não resultem de pesquisa empírica, a representação gráfica ilustrativa foi elaborada com base nas abordagens e experiências descritas por autores como Berbel (2011), Moran (2015) e Santos e Oliveira (2019), permitindo visualizar as principais transformações apontadas.
Figura 1 – Comparativo ilustrativo entre ensino tradicional e metodologias ativas no curso técnico em enfermagem.

Fonte: Elaboração própria, com base em Berbel (2011), Moran (2015), Santos e Oliveira (2019).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise da literatura e das experiências relatadas evidência que as metodologias ativas, especialmente a sala de aula invertida e os jogos lúdicos, constituem estratégias pedagógicas eficazes para a promoção de um processo de ensino-aprendizagem mais dinâmico, participativo e significativo no ensino técnico de enfermagem.
Tais abordagens favorecem não apenas o engajamento e a motivação dos estudantes, mas também o desenvolvimento de competências técnicas, cognitivas e socioemocionais imprescindíveis à prática profissional qualificada.
Embora este estudo não tenha se baseado em investigação empírica própria, a síntese teórica apresentada reforça a necessidade premente de inovação pedagógica nas instituições de ensino técnico, sobretudo nas públicas, que ainda apresentam um predomínio de metodologias tradicionais centradas na memorização e na passividade discente.
A adoção e a disseminação das metodologias ativas podem contribuir substancialmente para a construção de uma formação crítica, reflexiva e autônoma, alinhada às demandas contemporâneas da área da saúde.
Diante desse cenário, recomenda-se a incorporação sistemática dessas metodologias em diferentes disciplinas do curso técnico de enfermagem, bem como o investimento contínuo na capacitação docente, a fim de promover uma educação mais alinhada com as práticas pedagógicas inovadoras e as exigências do mercado e da sociedade. Essa transformação pedagógica é fundamental para o fortalecimento da qualidade do ensino técnico e para a preparação de profissionais de enfermagem mais competentes e comprometidos com a humanização e a efetividade do cuidado em saúde.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BACICH, L.; MORAN, J. M. Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018.
BERBEL, N. A. N. Metodologias ativas e a promoção da autonomia de estudantes. Semina: Ciências Sociais e Humanas, Londrina, v. 32, n. 1, p. 25–40, jan./jun. 2011. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=89419892003. Acesso em: 15 jun. 2025.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 50. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
MORAN, J. M. A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. 5. ed. Campinas: Papirus, 2015.
SANTOS, P. R.; OLIVEIRA, L. M. Jogos lúdicos como estratégia no ensino técnico em enfermagem. Revista Brasileira de Educação Profissional e Tecnológica, Brasília, v. 4, n. 8, p. 58–70, jul./dez. 2019. Disponível em: https://revistas.ifsp.edu.br. Acesso em: 15 de junho de 2025.
Área do Conhecimento