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Resumo
FÉ E RAZÃO FILOSOFIA RELIGIOSA
DE UMA PERSPECTIVA CRISTÃ
FAITH AND REASON RELIGIOUS PHILOSOPHY
FROM A CHRISTIAN PERSPECTIVE
FE Y RAZÓN FILOSOFÍA RELIGIOSA
DESDE UNA PERSPECTIVA CRISTIANA
Ivone Griti Medeiros Prado
Resumo
A presente pesquisa é resultado da análise de obras bibliográficas, no intuito investigar a possível conexão entre fé e razão na pós-modernidade, na perspectiva da religião cristã. a partir da observação de aspectos teóricos, clássicos e contemporâneos do discurso filosófico sobre fé e razão, procuramos verificar em que nível se relacionam e qual seria a contribuição dessas duas distintas formas de conhecimento – fé e razão, para a formação do cidadão amadureceu. o estudo de pesquisa é de natureza bibliográfica e foi desenvolvido no tema filosofia da religião. a pesquisa investigou por que do debate sobre o binômio fé e razão, sob a égide das duas escolas da época: patrística e escolástica. este debate girou em torno da disputa entre os ideais cristãos e pensamento moderno, ou seja, pensamento baseado em racionalidade e experiência sensível. após a investigação sobre o significado de religião, fé e razão, verificou-se que não há consenso. o fenômeno religioso é inato ao ser humano e também universal. o que também se constatou foi o tímido avanço da harmonia entre fé e razão na pós-modernidade, no século xxi, embora haja alguma concordância entre crentes e ateus, muitos nutrem a diferença entre fé e razão e não aceitam que eles se complementam. e esta é uma porta aberta para a intolerância, comida de preconceito e racismo.
Palavras-chave: fé, razão, cristianismo.
Abstract
This research is the result of the analysis of bibliographical works, in order to investigate the possible connection between faith and reason in post-modernity, from the perspective of the christian religion. from the observation of theoretical, classical and contemporary aspects of the philosophical discourse on faith and reason, we seek to verify at what level they are related and what would be the contribution of these two distinct forms of knowledge – faith and reason, for the formation of the matured citizen. the research study is bibliographical in nature and was developed in the philosophy of religion theme. the research investigated why the debate on the binomial faith and reason, under the aegis of the two schools of the time: patristic and scholastic. This debate revolved around the dispute between christian ideals and modern thinking, that is, thinking based on rationality and sensible experience. After investigating the meaning of religion, faith and reason, it was found that there is no consensus. The religious phenomenon is innate to human beings and also universal. What was also found was the timid advance of harmony between faith and reason in postmodernity, in the 21st century, although there is some agreement between believers and atheists, many nurture the difference between faith and reason and do not accept that they complement each other. and this is an open door to intolerance, food of prejudice and racism.
keywords: faith, reason, christianity.
Resumen
La presente investigación es el resultado del análisis de obras bibliográficas con el propósito de investigar la posible conexión entre fe y razón en la posmodernidad, desde la perspectiva de la religión cristiana. A partir de la observación de aspectos teóricos, clásicos y contemporáneos del discurso filosófico sobre fe y razón, buscamos verificar en qué nivel se relacionan y cuál sería la contribución de estas dos formas distintas de conocimiento –fe y razón– para la formación de un ciudadano maduro.El estudio de investigación es de naturaleza bibliográfica y se desarrolló en el ámbito de la Filosofía de la Religión. La investigación explora el motivo del debate en torno al binomio fe y razón, bajo la égida de las dos escuelas de la época: la Patrística y la Escolástica. Este debate giró en torno a la disputa entre los ideales cristianos y el pensamiento moderno, es decir, el pensamiento basado en la racionalidad y la experiencia sensible. Tras la investigación sobre el significado de religión, fe y razón, se verificó que no existe consenso. El fenómeno religioso es innato al ser humano y también universal.También se constató el tímido avance en la armonía entre fe y razón en la posmodernidad, en el siglo XXI. Aunque haya cierta concordancia entre creyentes y ateos, muchos aún mantienen la distinción entre fe y razón y no aceptan que se complementen. Esta resistencia es una puerta abierta a la intolerancia, alimentada por el prejuicio y el racismo.
Palabras clave: fe, razón, cristianismo.
INTRODUÇÃO
Fé e razão, objetos desta pesquisa, tornaram-se ao longo dos séculos um tema muito significativo para a disciplina de filosofia de um lado para a fé, dispositivo inerente ao ser humano que, independentemente da cultura no qual está inserido, o exerce. Por outro lado, razão, pensamento crítico que o indivíduo se desenvolve para desvendar a verdade em sua essência. Os objetivos desta pesquisa foram analisar a possível relação de conexão entre fé e razão na pós-modernidade através do prisma da doutrina Cristão, a apresentação sucinta de teóricos, clássicos e contemporâneos do discurso filosófico sobre a fé e a razão, a verificação do nível em que a possível relação entre o binômio fé e razão e a verificação da contribuição dessas duas formas distintas de conhecimento – fé e razão para prática do ensino religioso, visando a construção do cidadão maduro espiritualmente.
Este trabalho utilizou o tema fé e razão porque trata de questões que foram levantadas durante a formação acadêmica da pesquisadora no curso Licenciatura em Filosofia, considerando os pressupostos da fé e também dos razão pontuada por alguns padres filósofos da Idade Média, chamados, pais de Igreja e por pensadores da era moderna e contemporânea. Desde os tempos da chamada Idade Média, destacam-se os dois escolas filosóficas da época; a Patrística e a Escolástica, que interessam aos de pesquisadores das áreas de filosofia e religião, para o tema específico, vem aumentando significativamente. Este interesse de pensadores, pesquisadores no campo da fé e também da razão ou da ciência, nem sempre foi baseado no respeito e consideração. Na verdade, a discussão, o debate muitas vezes gerou crises e conflitos agudos.
Portanto, a pesquisa veio com o intuito de colaborar para que os pesquisadores, juntamente com professores dessas áreas, possam escrever nos tempos pós-modernos, uma história diferente. Que esses professores podem refletir sobre suas práticas pedagógicas, com conhecimento e utilização de metodologia baseada no diálogo e na tolerância, sempre visando formar pessoas conscientes dos valores éticos, morais e espirituais.Esta pesquisa trouxe em seu escopo um resumo da definição de religião, e com o mesmo entusiasmo, a pesquisadora também buscou resumido, para trazer alguma definição de fé e também de razão sucintamente, a questão da relação entre fé e razão, apresentando os resultados. Em seguida, apresentou a metodologia utilizada, bem como as considerações de trabalhos finais e consultados, referências bibliográficas.
FÉ E RAZÃO NA PERSPECTIVA DA RELIGIÃO CRISTÃ
O binômio fé e razão tem sido um forte motivo de debate desde o tempo chamada de Idade Antiga, passando pela era medieval, conflitos intensificou-se a partir das ideias renascentistas que, segundo Engelmann e Trevisan (2015, p. 102), “caminhava para a modernidade, com foco na investigação e observação ”. Ainda segundo os autores Engelmann e Trevisan (2015), o cientistas que se destacaram naquela época, final da Idade Média e início da idade moderna, entre outros foram: Giordano Bruno, Copérnico, Johannes Kepler, Galileu e Isaac Newton. Em uma época de domínio do conhecimento pela igreja, ou seja, as pessoas não tinha a liberdade de se expressar como pesquisador, para que cada desses cientistas desempenharam um papel importante na mudança da perspectiva de pensando, recusando dogmatismo e buscando conhecimento científico “
(Engelmann; Trevisan, 2015, p. 102).
As ideias desses cientistas filósofos contradiziam a Igreja Católica de que pretendia manter seus dogmas, por isso esta instituição instalou os chamados Tribunal da Inquisição, este, por sua vez, era o carrasco daqueles que se opunham à religião, segundo Engelmann e Trevisan (2015). No entanto, pouco a pouco o pensamento moderno se desenvolveu e, de acordo com Engelmann e Trevisan (2015), foram fortalecidos pelos pressupostos da ciência que foi baseado em matemática, filosofia, física e mecânica, com isso, aperfeiçoar e consolidar o renascimento do pensamento racional. Agora, o conhecimento estava sob o guarda-chuva do movimento chamado racionalismo.
E para os autores Engelmann e Trevisan (2015);
A grande referência do racionalismo é o matemático e filósofo René
Descartes (1596-1650), também considerado o fundador da filosofia
moderna. O ponto de partida do conhecimento para Descartes está na
dúvida. À medida que se coloca tudo em dúvida, são lançados
questionamentos sobre a realidade para, a partir deles, buscar algo
sobre o qual se tenha certeza (Engelmann; Trevisan, 2015, p.
102)
No meio dessa onda efervescente de pensamentos modernos, é claro que levantaria oposição ao racionalismo, e foi o que aconteceu, de acordo com o autores Engelmann e Trevisan (2015, p.107), “Como não existe uma verdade única,
obviamente o racionalismo não trouxe respostas para todos os problemas do conhecimento. Era apenas uma forma de perceber e explicar a realidade ”. Assim nasce o empirismo baseado na experiência sensível, contradizendo racionalismo, que, como vimos, busca o conhecimento a partir da razão de acordo com Engelmann e Trevisan (2015). Para Engelmann e Trevisan (2015, p. 107), “Os principais representantes desta corrente de pensamento ”, empirismo,“ foram Francis Bacon, Thomas Hobbes, John Locke, George Berkeley e David Hume ”.
Em geral, os ideais do Renascimento (moderno), forma contradiz os ideais cristãos da época, uma vez que os pensamentos dos cientistas se voltaram para explicar a realidade para a partir da razão e não mais apenas pela fé. Ainda hoje, na pós-modernidade, parece não haver consenso sobre a relação possível, a harmonia entre fé e razão. Percebe-se que existe uma ideia de contradição preconcebida no inconsciente de vários. No entanto, Pasquoto (2015), cita o Concílio Vaticano (1869-1870) que destaca a definição da questão dizendo que as verdades, tanto da fé como da ciência, nunca podem se contradizer. Porque na verdade, eles complementam, a fé depende da razão e vice-versa.
A fé, como a razão, também tem suas características específicas definido, Pasquoto (2015) cita o físico Marcelo Gleiser, que dá uma ideia da papéis de cada uma dessas áreas do conhecimento, ele diz que “é importante fazer uma distinção entre o que a ciência pode e o que a ciência não pode tratar ”, isto é,“ a ciência deve reconhecer seus próprios limites. A religião, também “Pasquoto” (2015, p. 22) o pensamento pós-moderno às vezes incomoda aqueles que entendem uma cosmovisão da racionalidade, mas que tem uma mente que acredita. Sobre isso, Neto (2012, p. 164) afirma que, “no seio cristão, apesar de algumas divergências, há
algum acordo sobre o assunto. Uma apreciação é geralmente defendida superior da fé sobre a razão, não a extinção disto ou daquilo ”.
RELIGIÃO
Obviamente, esta pesquisa não pretendia listar os vários tipos de religião, nem se atreveu a mergulhar na filosofia da religião, nem tentou esgotar as definições do termo religião, a partir dessas pesquisas, percebeu-se que, embora o fenômeno religioso seja universal, conforme afirma Pasquoto (2015), não há consenso sobre o seu significado e etimologia. Segundo Neto (2012), a palavra religião em português é derivada do latim “religioso” e significa “lealdade, consciência do dever, escrúpulo religioso, obrigação religiosa, fidelidade ao dever, culto religioso e prática religiosa ” (Neto, 2012, p. 17). Corroborando Neto (2012), Pasquoto (2015) aponta que a religião é de um conjunto de práticas e rituais que são perpetuados de geração em geração e ajuda a aproximar-se do sagrado (Deus, o absoluto, força mais alta). É uma manifestação externa de crenças, por exemplo, por meio da frequência aos serviços religiosos ”(Pasquoto, 2015, p. 14).
Para Pasquoto (2015), a palavra religião também vem do latim religare, que tem o significado de, ligue novamente. O autor enfatiza que a “função principal da religião é criar um elo entre o ser humano e o ser transcendente, entre a criatura e o Criador ”(Pasquoto, 2015, p. 14). Assim, neste trabalho de pesquisa, percebeu-se que não há consenso sobre o significado da palavra religião. A religião sempre fez parte da vida humana, “desde a maioria remoto, desde o dia em que o Homo sapiens se entendeu como gente, passou a revelou também o Homo religiosus ”(Pasquoto, 2015, p. 9, itálico do autor).
Na história da humanidade houve tentativas para abolir a religião.Talvez a principal de todas tenha sido o marxismo que tentou acabar com ela por decreto, à força. Mas não conseguiu. Depois que o comunismo caiu, a religião voltou com vigor na União Soviética e em outros países que haviam adotado o marxismo (Pasquoto, 2015, p.11).
O fato é que, segundo Pasquoto (2015), a religiosidade continua viva em todo o mundo, e isso, confirmado pelas estatísticas.
FÉ
A pesquisa mostrou que a fé – um instrumento de religião e espiritualidade – é difícil de definir. A pesquisa também mostrou que eles estão sempre juntas, fé, religião e espiritualidade, e entrelaçadas, são interdependentes. Portanto, “ninguém seria religioso sem fé” (Pasquoto, 2015, p. 17). Foi muito difícil definir em poucas palavras o que seria exatamente fé. Segundo Pasquoto (2015, p. 17), “Não é fácil definir o palavra fé, pois traz em si vários elementos, englobando o intelecto, o
vontade, sentimentos e comportamento ”. No entanto, no entanto, o autor arrisca uma definição de fé dizendo que é “uma experiência subjetiva que nasce e cresce quando a pessoa se abre para um ser transcendente, isto é, alguém que está além, em outro mundo, e que estabelece uma relação de amizade connosco e dá sentido às nossas vidas “(Pasquoto, 2015, p. 17).
A Bíblia Sagrada, um livro da religião cristã, diz na Carta aos Hebreus, no capítulo onze e versículo um o seguinte: “Ora, a fé é a certeza das coisas que esperam, a convicção de fatos que não se veem ”(Almeida, 2008, p. 1592) Nas palavras de Pasquoto (2015, p. 18), “Ter fé nada mais é do que, nas trevas do mundo, toque a mão de Deus ”.
RAZÃO
Segundo o dicionário da língua portuguesa Bueno (1996), a razão é a faculdade do próprio homem de conhecer, através do espírito, a distinção de idéias e das coisas. A palavra razão costuma ser acompanhada por duas outras, ciência e filosofia, esta, nasceu na Grécia antiga segundo Chauí (2000), e, segundo o autor, surgiu como uma tentativa de superar os obstáculos decorrentes de uma fé cega nas narrativas poéticas de Homero e Hesíodo. Chegando à Idade Média, período entre os dias 5 e XV, pensamento voltado para a teologia, como Engelmann e Trevisan (2015). “O pensamento filosófico medieval muda o foco em comparação com pensamento antigo ”(Engelmann; Trevisan, 2015, p. 74). Tanto quanto a escola patrística, a escola medieval, se esforçou para aproximar a fé da razão, para Engelmann e Trevisan (2015), tudo foi feito com um objetivo específico, o de solidificar o teocentrismo para fortalecer a religião cristão na sociedade.
Agostinho, representante da Patrística, chamado pela Igreja Católica a Santo Agostinho também se apropriou da filosofia platônica de acordo com Almeida (2015), mas dá-lhe outra configuração, daí o ilustre representante do cristianismo na época, subordina a razão à fé, compreender que a razão depende da fé e deve ser fundada nela. No entanto, embora o esforço para a defesa da religião, segundo Engelmann e Trevisan (2015), já havia entre pensadores como Marsilius de Pádua e Ockham, uma tendência à razão. Desta forma, aos poucos, após séculos de domínio da cultura da fé, a transição para a cultura da razão está ocorrendo. Com isso, o homem se distanciou da religião, da Igreja que depois aproximadamente mil anos, ele não era mais capaz de agir de forma incisiva no mentes das pessoas.
Engelmann e Trevisan (2015, p. 97) afirmam ainda que houve “uma reversão de perspectiva em relação à Idade Média, que teve a fé como base da orientação das ações humanas, embora também tenha havido uma busca por razão”. Mas foi na Idade Moderna que a razão e a experiência se tornaram os fundamentos do conhecimento, em geral segundo Engelmann e Trevisan (2015) Com o advento do Renascimento, que marcou o fim da Idade Média e a início da Idade Moderna, entre os séculos XIV e XVI, conforme afirmam Engelmann e Trevisan (2015), houve um retorno do antigo espírito grego de investigação e Romanos, onde enfatizaram o antropocentrismo. Nas palavras de Engelmann e Trevisan (2015, p. 98), “gradativamente, a fé foi substituída pela razão e o homem percebeu que poderia resolver parte do seus problemas sem atribuí-los a Deus”.
Com isso, as pessoas ficam longe da religião, longe da igreja, e então cerca de mil anos depois, ele não era mais capaz de mentes das pessoas , de acordo com Engelmann e Trevisan (2015, p. 98), “A partir dessa realidade, o conceito de liberdade se fortalece nas pessoas, e ele sente que podem decidir melhor sua própria vida com base em suas crenças razoáveis”.Engelmann e Trevisan (2015, p. 97) apontaram ainda que ” Reversão de perspectivas relacionadas à Idade Média baseada na fé na direção do comportamento humano, embora também haja pessoas procurando razão “. No entanto, é nos tempos modernos que a razão e a experiência se tornaram a base do conhecimento, em geral, segundo Engelmann e Trevisan (2015).
FÉ E RAZÃO – EXISTE HARMONIA ENTRE AMBAS?
Ao entrar em contato com o estudo da filosofia, teologia e antropologia, história e outros conhecimentos nas ciências humanas sempre enfrentam problemas segundo Neto (2012), as escrituras acabaram por dividir a parte
cristã ,para o autor, essas questões são:
Qual será a relação entre fé e razão? Existe algum consenso? Poderia
alguém alcançar a verdade pela razão? Os marxistas, os humanistas
cristãos e os racionalistas anticristãos vêm o tema como algo em
contraste. (Neto, 2012, p. 154).
O atual trabalho de pesquisa não pretende encontrar todas as respostas para essas perguntas importantes. Interesse é descoberta se há uma relação e conexão entre crença e razão na pós-modernidade, se existe, em que nível isso acontece. Depois de pesquisas, as pessoas perceberam que, desde a Idade Média, o discurso a relação entre fé e razão tornou-se cada vez mais intensa. segundo almeida (2015), alguns chamados padres da igreja, certo validar e consolidar a nova religião-Cristianismo por meio da filosofia (racional).
Desde então, o confronto entre fé e razão passou por fases de crise e conflito devido a posições parciais ou definições inexatas dos temas, o que dividiu os antagonistas. Segundo Almeida (2015), no âmbito da patrística discordou sobre o uso da filosofia para justificar a fé. Para os contrários à filosofia, segundo Almeida (2015), não era necessário filosofar para se chegar a Deus.
Esta pesquisa descobriu que, para a religião em geral, a filosofia, portanto, a razão, parece ser a ciência da descrença, enquanto para a Filosofia, a religião é preconceituosa e desatualizada. Desse modo, este embate entre razão e fé parece ser contínuo e percebeu-se que a verdade completa, não possui nenhuma das doutrinas.
Diante de tantas perguntas sobre fé e razão e respostas contrastando, Neto (2012,p. 154) aponta que “isso mostra do ponto de vista imaturidade filosófica, incomensurável ”.
Por outro lado, a pesquisa constatou que uma análise histórica das fontes doutrinas religiosas e filosóficas, podem levar a uma atitude serena e objetiva de entendendo as diferenças no período da Idade Média, conforme mencionado acima, período que corresponde aos anos do século V ao século XV, existiam duas escolas doutrinários de cunho religioso-filosófico, a saber: A Patrística, que já passou por aqui mencionado e escolásticos.
“A Patrística diz respeito ao período que vai de meados do século IV ao
século 8, em que os pensadores buscaram uma aproximação entre fé e razão “
(Engelmann; Trevisan, 2015, p. 78).
Os escolásticos buscaram sistematizar a filosofia, resgatando o pensamento do filósofo Aristóteles segundo Engelmann e Trevisan (2015), onde Tomás de Aquino fez um esforço, também na tentativa de conciliar fé e razão. Durante o período escolar, algumas universidades importantes surgiram no França, Itália e Inglaterra, segundo Engelmann e Trevisan (2015), estes As universidades tiveram um papel muito relevante nas discussões da época, sobre o choque entre fé e razão.
Nas palavras de Engelmann e Trevisan (2015);
A principal marca da escolástica, e que a distingue da
patrística, é que nesta última o esforço dos pensadores era para
combater o paganismo e a heresia, pois o grupo de cristãos era a
minoria, enquanto na escolástica eles passam a ser a maioria, de modo
que a filosofia passa a mediar os conflitos internos da doutrina. Esses
conflitos dividiram a escolástica em fases e em tendências. Uma
corrente adotava a razão do sistema de Aristóteles, filósofo que ficou
conhecido por intermédio dos árabes; outra se opunha com veemência
a isso; e uma terceira harmonizava a fé e a razão, ainda que mantendo
a razão em um plano hierarquicamente inferior ao da fé (Engelmann;
Trevisan, 2015, p. 78).
Em suma, “O debate em torno da fé e da razão ocupou um espaço importante na Idade Média, dado que o modelo de ideias da época priorizou a noção de Deus, enaltecendo questões relacionadas à fé ”(Engelmann; Trevisan, 2015, p. 79).
Assim, a relação entre fé e razão era baseada na submissão deste último. Nas palavras de Engelmann e Trevisan (2015, p. 79), “a máxima predominante é acreditar para compreender e compreender para acreditar ”.
As primeiras tentativas de reunir fé e razão ainda estavam no primeiro século da era cristã, com o surgimento de uma nova concepção religiosa – Cristianismo.
A manifestação cristã foi fortemente influenciada pelo Helenismo. Nas palavras de Almeida (2015) citando Gilson (2007), neste momento foi decisivo. Para Gilson, foi John, o Evangelista de Jesus Cristo, o responsável pelos primeiros contatos entre o helenismo e o cristianismo. E o apóstolo (de Jesus) Paulo teria contribuído para a unidade entre religião e filosofia, ou, entre a fé e a razão.
Porém, essa relação não é pacífica, ou seja, não ocorre sem conflitos, segundo Almeida (2015), ainda citando Gilson (2007), “acontece através de confrontos entre a filosofia, chamada pagã, e a reunião de filósofos convertidos, nascendo e desenvolvendo o cristianismo (Almeida, 2015, p. 77).
Por causa dessa conversão de filósofos e não-filósofos, “o igreja, através dos primeiros padres, precisava acomodar os espíritos inquieto, isto é, fornecer respostas que poderiam, em algum momento, satisfazer a inquietação que resulta de um procedimento filosófico ”(Almeida, 2015, p. 78).
Vale ressaltar que “essa religião, a princípio, foi perseguida, marginalizados e publicamente condenados ”(Almeida, 2015, p. 79). Mas, segundo Almeida (2015), mesmo em meio às perseguições, a comunidade cristã cresceu, porque os apóstolos de Jesus Cristo, possuíam também um discurso político. E assim, a Igreja que estava sendo perseguida ganhou novos contornos até se tornar a religião oficial.
Depois de sua profunda conversão, Agostinho que, nas palavras de (Faria, 2017,p. 89), “entende o homem em um contexto social, sempre vinculado com a sociedade em que está inserido “, e segundo Faria (2017), Agostinho desenvolve o seguinte conceito antropológico: Para este pensador, o homem “Está enraizado na fé e na relação mútua. Para ele, o a coexistência na sociedade faz o homem crescer e evoluir, tornar-se mais humano ”(Faria, 2017, p. 89).
Naquele momento, o filósofo cristão Agostinho usa a razão como instrumento, “como metodologia para chegar à verdade e combater as heresias de seu tempo – entre eles, o próprio maniqueísmo, do qual ele era um seguidor, e também como forma de provar a existência de Deus ”(Faria, 2017, p. 89)
O bispo de Hipona, Agostinho, mostrou um excelente caminho para uma discussão da relação entre fé e razão. Ou pelo menos, ele abriu “um excelente campo de aprofundamento e compreensão da Filosofia da Religião”,como afirma Faria (2017,p. 91).
Para Santo Agostinho, como é chamado pelos católicos, “fé e razão estão em sintonia e se complementam ”como Santidrián (1998) citado por (Faria, 2017,p.91).
Enfatizando o motivo, naquele momento, a autora fala que, ela – “o motivo é uma das maneiras de chegar à essência da verdade, para provar a existência de Deus e intuir seus principais atributos – onipotência, onisciência, entre outros ”(Faria, 2017, p. 91).
A distância às vezes clara e às vezes velada entre a teologia (fé) e a ciência (razão), “se deve ao fato de que a necessidade do homem, como pessoa livre, busque respostas para perguntas que são muito necessárias ao enfrentar o vazio da solidão cósmica ”(Neto, 2012, p. 26). Segundo o autor, nesta questão a ciência não ajudou muito, mas ele também não se sentia confortável com as respostas.
Questões teológicas simples e conclusivas. Por um lado, a razão diz que você pode saber tudo o que você pode fazer, no entanto, do outro lado, existe a teologia, que insiste em querer fazer da razão sua serva. “É a velha luta entre ‘compreender para acreditar’ ou ‘acreditar para compreender’ ”(Neto, 2012, p. 27).
A ciência reage investigando o fenômeno religioso e muitas vezes concluindo que é um reflexo de ignorância, impotência, ou, do ponto de vista meramente racional e moral , ou, nas palavras do autor, “outros pensadores contemplam o sagrado em oposição ao profano ”(Neto, 2012, p. 27). Sobre o resultado do atrito entre tradição religiosa e crítica moderna, Neto afirma que “O Iluminismo destruiu o Deus que sanciona o instituições religiosas, mas ao mesmo tempo ele alcançou o conceito de Deus e preservar a autêntica tradição da fé. A crise se transforma em nova oportunidade ”(Neto, 2012, p. 27,28).
O Renascimento, os ideais do Iluminismo e também a Reforma Protestante, de segundo ele, foram o início do processo da ciência moderna; no entanto, de acordo com o autor, não foi concebido sem a mente religiosa Cristão. No entanto, essa separação estava acontecendo gradualmente de tal forma que, nas palavras de (Neto, 2012, p. 28), “Este ‘divórcio’ estava se tornando tão doentio, chegando ao extremo da separação quase total entre o homem da ciência e da religião.
Em suma, por meio desta pesquisa, percebeu-se que a discussão
sobre a relação entre fé e razão continua hoje, e o nexo entre essas duas maneiras diferentes de obter conhecimento contínuo divergente. Apresenta-se como um problema perene, debate entre muitos estudiosos e piedosos. Para alguns, há uma perda de racionalidade entre os Cristãos, segundo (Neto, 2012). Para outros, há algum abuso em relação ao uso do termo razão, tendo um entendimento equivocado desse termo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho buscou por meio de investigação, pesquisa bibliográfica, esclarecer, lançar mais luz sobre a questão da suposta discrepância entre fé e razão, na perspectiva cristã. Desde a era medieval, quando religiosos se apropriaram da filosofia para validar o cristianismo, há discussão sobre o tema, por meio de questões como: Qual será a relação entre fé e razão? Existe algum consenso? Alguém poderia alcançar a verdade pela razão? Ou é apenas pela fé?
Obviamente, a pesquisa não obteve todas as respostas para essas perguntas e, portanto, ele se limitou a resumir muito sucintamente suas descobertas.
Na Idade Média, um período entre os séculos V e XV, o pensamento foi voltado para a teologia, ao contrário do pensamento antigo, que ele buscou o conhecimento por meio da racionalidade. Os Filósofos da Idade Média defendiam um certo ponto de encontro dessas duas formas de conhecimento; fé e razão, porém, com tendência a privilegiar o primeiro.
No entanto, embora a religião seja altamente defendida na cultura medieval, houve entre alguns pensadores como Marsílio de Pádua e Ockham, uma tendência para raciocinar. E no final dessa era, a meia-idade, com o movimento chamada Renascença, surgiram pensadores e cientistas com Giordano Bruno, Copérnico, Johannes Kepler, Galileu e Isaac Newton, que caminhou em direção ao modernidade, onde a razão teria maior expressão, ou seja, o conhecimento seria alcançado por meio de investigação e observação.
A partir de então, o pensamento deixou de ser um servo dos dogmas da Igreja baseada na religião cristã, mas fortalecida nos pressupostos da ciência que se baseava em matemática, filosofia, física e mecânica, com isso, ressuscitando, voltando ao pensamento racional.
Nesse contexto, nasce o racionalismo, pensando com base na dúvida, defendido por René Descartes (1596-1650). Então vem o empirismo, que por sua vez defendia o conhecimento por meio da experiência sensível, o que também contradiz os ideais cristãos da época.
O fenômeno religioso é universal, ou seja, a religião que é uma conjunto de práticas e rituais que são perpetuados de geração em geração e que ajuda a aproximar-se do sagrado (Deus, o absoluto, Força Superior) está presente em todas as sociedades em todos os momentos.
A fé, como a razão, também tem suas características específicas , definiram. Seria importante distinguir entre o que a ciência pode e o que a ciência não pode tratar, isto é, a ciência deve reconhecer seus próprios limites religião também.
A partir do movimento renascentista, pouco a pouco a fé foi sendo substituída pela razão e o homem percebeu que poderia resolver parte de seus problemas sem atribuí-los a Deus. Apesar de algumas divergências entre os cristãos sobre a possível harmonia entre fé e razão, há algum acordo sobre o tema. Geralmente é defendido uma valorização superior da fé sobre a razão, não a extinção disso ou daquilo.
Santo Agostinho defendeu que a fé e a razão estão em harmonia e complemento. É preciso fé para chegar à razão e com razão, você pode vir à fé. Isso mostraria, do ponto de vista filosófico, maturidade ,em suma, a fé tem seu ponto de vista, a razão também. Porém, assim como os seres humanos são interdependentes, a fé e a razão também devem ser. Na verdade, o que se percebeu é que, desde a antiguidade, um você precisa do outro, em maior ou menor grau.
Por ser relevante, contingente e atual, sugere-se que o interesse na continuidade da pesquisa. Tem muito material bom, clássico, moderno e que visam ajudar os espíritos inquietos na busca pela verdade. Somente a partir do conhecimento e da reflexão, os defensores da fé não desprezavam a razão, e nem mesmo aqueles que dão grande valor à razão, abstendo-se da fé.
É acreditar e compreender um agostiniano ainda atual, para que uma mudança na realidade, ter um mundo melhor, onde todos possam viver harmonia baseada na tolerância e no respeito, para encontrar a felicidade.
REFERÊNCIAS
ELGELMANN, A. Antonio; TREVISAN, F. Carlos. Leitura e produção de textos
filosóficos. Curitiba: InterSaberes, 2015.
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NETO, Manuel Sabino. Filosofia da Religião. Arapongas, PR: Editora Aleluia,
2012.
PASQUOTO, Augusto. Razão e Fé – Reflexões para uma fé adulta. Aparecida:
Editora Santuário, 2015.
POLESI, Reginaldo. Ética antiga e medieval. Curitiba: InterSaberes, 2014.
SIMÕES, Mauro Cardoso. Os caminhos da reflexão metafísica:
fundamentação e crítica. Curitiba: InterSaberes, 2015.
Área do Conhecimento