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Resumo
INTRODUÇÃO
A fragmentação curricular na educação profissional técnica de nível médio no Brasil tem se intensificado a partir da promulgação da Lei nº 13.415/2017, que instituiu itinerários formativos com ênfase técnica em detrimento da formação propedêutica. Este fenômeno compromete a formação integral dos estudantes, acentuando desigualdades e dificultando o acesso à educação superior. O presente estudo tem como tema a integração curricular por meio de projetos pedagógicos empreendedores, articulando teoria e prática, saberes acadêmicos e comunitários, em uma perspectiva crítica e emancipatória.
A delimitação deste estudo circunscreve-se à análise teórica de propostas inter, multi, poli e transdisciplinares aplicadas à educação técnica, com ênfase na mobilização de inteligências múltiplas e no protagonismo estudantil. O foco recai sobre experiências desenvolvidas em cursos técnicos, particularmente na articulação entre áreas distintas do saber e nas possibilidades de ressignificação do currículo por meio de projetos com intencionalidade social.
O objetivo geral é analisar em que medida os projetos pedagógicos empreendedores contribuem para a construção de um currículo integrado e para a formação crítica, ética e emancipadora dos estudantes. Como objetivos específicos, pretende-se: (1) identificar os fundamentos teóricos que sustentam as abordagens curriculares integradoras; (2) examinar exemplos concretos de projetos aplicados à educação técnica; (3) articular essas práticas às diretrizes da aprendizagem baseada em projetos.
A justificativa deste estudo reside na urgência de repensar os modelos formativos tradicionais, ainda pautados na lógica tecnicista e reprodutora. Com base na epistemologia da complexidade (Morin, 2000), nas inteligências múltiplas (Gardner, 1995) e na pedagogia histórico-crítica (Saviani, 2008), propõe-se uma análise que valorize o sujeito em sua totalidade e promova a superação das barreiras disciplinares, visando à equidade educacional e à formação de cidadãos críticos e autônomos.
O problema central da pesquisa pode ser formulado da seguinte maneira: como os projetos pedagógicos empreendedores, concebidos sob abordagens integradoras e voltados ao desenvolvimento de inteligências múltiplas, podem superar a fragmentação curricular e favorecer a formação integral dos estudantes da educação profissional técnica?
Em função dessa problematização, o presente artigo está estruturado em cinco seções: após esta introdução, apresenta-se o referencial teórico com os principais autores e conceitos que fundamentam o estudo. Em seguida, descreve-se a metodologia adotada, de natureza qualitativa e bibliográfica, orientada pela análise de conteúdo. A quarta seção traz a discussão e os resultados, com base em quadros analíticos e exemplos concretos de projetos pedagógicos empreendedores. Por fim, são apresentadas as considerações finais, seguidas de recomendações e sugestões para futuras pesquisas.
DESENVOLVIMENTO
Este estudo fundamenta-se em um referencial teórico que articula contribuições da sociologia da educação, da epistemologia da complexidade e das pedagogias críticas voltadas à integração curricular. A obra “Os sete saberes necessários à educação do futuro” (Morin, 2000) oferece a base para repensar o modelo de ensino vigente a partir da premissa de que é necessário ensinar o que é mais essencial: a condição humana, a compreensão, a ética planetária e a incerteza. Para Morin (2003), a ruptura com a fragmentação disciplinar exige uma ecologia do saber que promova articulação, diálogo e contextualização entre os campos do conhecimento.
No contexto da educação técnica de nível médio, essa proposta torna-se ainda mais relevante, sobretudo ao possibilitar práticas que envolvem a aplicação simultânea de múltiplas inteligências. Um exemplo disso são projetos nos quais os alunos participam da organização de eventos escolares, como feiras interativas ou ações comunitárias, que exigem planejamento lógico-matemático, comunicação verbal e escrita, expressão corporal em apresentações culturais e sensibilidade interpessoal para o trabalho em equipe e atendimento ao público, pois responde à lógica formativa reducionista que privilegia conteúdos técnicos em detrimento das disciplinas propedêuticas. A teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner (1995) reforça essa crítica ao propor uma concepção ampliada de cognição, composta por nove dimensões: lógico-matemática, linguística, musical, espacial, corporal-cinestésica, interpessoal, intrapessoal, naturalista e existencial. Tal concepção exige uma pedagogia que não apenas reconheça a diversidade cognitiva, mas também incorpore estratégias didáticas diferenciadas para estimular essas inteligências no cotidiano escolar.
Autores como José Moran (2015) e Pedro Demo (2004) sustentam a necessidade de uma educação centrada no protagonismo discente, articulação essa que se reflete nos quadros do presente estudo, especialmente nas diretrizes sobre autonomia, colaboração e avaliação contínua que orientam os projetos empreendedores na aprendizagem ativa e na construção de sentido. Moran destaca os projetos como eixo integrador da prática pedagógica, e propõe, ainda, uma distinção entre três conceitos interrelacionados: a multidisciplinaridade, em que há a justaposição de disciplinas que mantêm autonomia e tratam de um tema comum sem integração formal; a interdisciplinaridade, que busca integrar conceitos, metodologias e objetivos entre diferentes áreas, resultando em sínteses epistemológicas; e a transdisciplinaridade, que ultrapassa os limites disciplinares e propõe um diálogo entre saberes acadêmicos e não acadêmicos, incorporando dimensões éticas, culturais e sociais.
Nesse conjunto de ideias, acrescentam-se as definições de outros autores sobre essas formas de articulação curricular. Santos (2011) define a multidisciplinaridade como a atuação simultânea de diferentes disciplinas sem integração efetiva; Pombo (2008) entende a polidisciplinaridade como uma cooperação entre várias áreas do conhecimento em torno de objetivos comuns, preservando suas especificidades; e Fazenda (2008) e Japiassu (1976) conceituam a interdisciplinaridade como uma articulação epistemológica entre campos do saber, gerando sínteses conceituais e operacionais.
Essas perspectivas articulam-se com a crítica da pedagogia histórico-crítica de Dermeval Saviani (2008), cuja proposta de formação omnilateral encontra ressonância nos projetos empreendedores discutidos neste estudo, especialmente quando estes visam integrar saberes científicos, técnicos e sociais com intencionalidade emancipadora, que denuncia a permanência de uma dualidade estrutural no sistema educacional brasileiro. Saviani argumenta que a educação técnica tem sido concebida como uma estratégia de contenção social, ao oferecer às classes populares uma formação funcional voltada ao mercado de trabalho, desprovida de base teórica e científica. Para o autor, romper com essa lógica exige uma pedagogia que articule os conteúdos escolares à formação crítica, histórica e omnilateral dos sujeitos.
Na perspectiva de Perrenoud (2000), os projetos pedagógicos integradores constituem estratégias eficazes para transpor os limites da organização disciplinar tradicional e promover aprendizagens significativas. Ao propor situações-problema reais e contextualizadas, tais projetos favorecem a mobilização de saberes diversos, a colaboração entre pares e a autonomia dos sujeitos envolvidos no processo educativo. Em articulação com a teoria da complexidade de Morin (2019), esses projetos tornam-se instrumentos de formação integral, capazes de preparar os estudantes para os desafios éticos, sociais e profissionais do século XXI.
Como exemplo de prática pedagógica inspirada nesse referencial, pode-se mencionar o desenvolvimento de um projeto interinstitucional envolvendo alunos dos cursos técnicos de Farmácia e Administração. A proposta consiste em organizar uma visita técnica a uma instituição de longa permanência para idosos, promovendo uma experiência de aprendizagem baseada em projetos. Durante a visita, os alunos participam ativamente de ações solidárias e educativas, como preparar bolos, pintar unhas, tocar violão, dançar com os idosos, decorar o ambiente com um layout comemorativo e dialogar com os residentes, mobilizando suas competências técnicas, comunicativas e interpessoais. A atividade favorece a integração entre teoria e prática, incentiva a convivência intergeracional, a delegação de tarefas em equipe e o exercício da empatia e da responsabilidade social, consolidando uma formação voltada à ética, à autonomia e à inovação social.
A teoria de base sustenta, portanto, a análise interpretativa sobre o currículo integrado e os projetos empreendedores, e se expressa na proposta de articulação entre teoria e prática. A revisão da bibliografia procurou evitar redundâncias e lugares-comuns, valorizando estudos com densidade teórica e relevância empírica, conforme exigido pelo rigor metodológico da pesquisa educacional.
Por fim, os aportes teóricos aqui sistematizados permitem elaborar uma base crítica para compreender e transformar a organização curricular da educação técnica, orientando-a para a equidade, a emancipação e a inovação pedagógica, sob a égide da complexidade, da pluralidade cognitiva e da justiça social.
DISCUSSÃO E RESULTADOS
A análise teórica desenvolvida neste estudo evidenciou que a centralidade atribuída às disciplinas técnicas, em detrimento das áreas propedêuticas, compromete a formação integral dos estudantes da educação profissional técnica de nível médio. Tal conformação aprofunda desigualdades históricas e limita o desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia intelectual, conforme alertam Bourdieu e Passeron (1992), ao desvelarem os mecanismos de reprodução simbólica do capital cultural dominante no interior das instituições escolares.
Em contraponto, autores como Edgar Morin (2000; 2003), José Moran (2015) e Philippe Perrenoud (2000) fundamentam a necessidade de reorganizar o currículo escolar sob a lógica da complexidade, da aprendizagem significativa e da prática pedagógica baseada em projetos. Essa perspectiva se materializa na construção de dispositivos formativos que articulam diferentes campos do saber e mobilizam múltiplas inteligências, como ilustrado a seguir.
Quadro 1 – Tipologia de Projetos Pedagógicos Empreendedores

Fonte: Elaborado pelo autor
Apesar de representarem avanços em direção à integração curricular, muitos projetos ainda operam sob lógicas funcionalistas, centradas na aplicação imediata e na performance técnica. Para que os projetos empreendedores se configurem como dispositivos verdadeiramente formativos, é necessário que estejam orientados por uma intencionalidade crítica e emancipatória, articulando-se a pautas como justiça social, engajamento comunitário e equidade cognitiva.
É nesse sentido que os vídeos do canal Edutopia, traduzidos por José Moran, oferecem diretrizes fundamentais para a aprendizagem baseada em projetos. As perguntas norteadoras extraídas desses materiais funcionam como critérios de planejamento, execução e avaliação, permitindo ao docente estruturar sua prática com foco na formação integral.
Quadro II: Perguntas Norteadoras por Vídeo

Fonte: www.edutopia.org/video/five-keys-rigorous-project-based-learning
Essas perguntas podem ser integradas às etapas de planejamento e execução de projetos empreendedores, funcionando como instrumentos de diagnóstico, organização de atividades e avaliação processual. Ao estruturarem a prática docente, garantem intencionalidade pedagógica, foco nas dimensões essenciais da aprendizagem e engajamento dos estudantes.
Quadro – III Diretrizes dos Vídeos sobre Aprendizagem Baseada em Projetos

Fonte: www.edutopia.org/video/five-keys-rigorous-project-based-learning
ANÁLISE INTERPRETATIVA
O quadro acima sintetiza os principais enfoques dos vídeos propostos por José Moran, os quais dialogam diretamente com os princípios defendidos neste artigo para a construção de um currículo integrado na educação técnica, ao promoverem práticas pedagógicas que articulam autonomia, contextualização, colaboração e avaliação contínua sobre aprendizagem baseada em projetos. Observa-se que o maior número de recomendações está concentrado no vídeo 4, que trata da autonomia e do protagonismo discente. Esse destaque evidencia a importância de criar ambientes flexíveis e centrados no aluno como condição para o desenvolvimento pleno das competências cognitivas, sociais e afetivas.
Os vídeos 2 e 5 também apresentam densidade significativa, destacando o papel do planejamento e da avaliação contínua para garantir coerência e intencionalidade formativa ao longo do processo. Já os vídeos 1 e 3 reforçam a necessidade de ancorar os projetos em problemas reais e de cultivar práticas colaborativas, essenciais para a construção coletiva do conhecimento.
Essa estrutura de princípios pode servir como referência prática ao diálogo com os diferentes níveis de integração curricular discutidos neste artigo: a contextualização do vídeo 1 favorece abordagens multidisciplinares; o planejamento e a estruturação do vídeo 2 apontam para práticas polidisciplinares; a colaboração e a resolução de problemas do vídeo 3 incentivam a interdisciplinaridade; e a autonomia, reflexão crítica e avaliação contínua dos vídeos 4 e 5 expressam um potencial transdisciplinar ao promoverem a integração de saberes acadêmicos e experiências pessoais dos estudantes para o desenho de projetos interdisciplinares, transdisciplinares e empreendedores na educação técnica, ao combinar clareza didático-pedagógica com flexibilidade metodológica e foco na formação integral dos estudantes.
Diante do exposto, evidencia-se que os projetos pedagógicos empreendedores, quando concebidos de forma crítica, integradora e socialmente comprometida, constituem uma via promissora para superar a compartimentalização do currículo e ampliar as possibilidades de formação integral na educação técnica de nível médio. Ao articular diferentes campos do saber, inteligências múltiplas e dimensões formativas, esses projetos contribuem não apenas para o desenvolvimento de competências técnicas e cognitivas, mas sobretudo para a construção de sujeitos éticos, criativos e capazes de intervir criticamente na realidade em que estão inseridos.
METODOLOGIA
Este estudo adota uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e teórica, fundamentada nos pressupostos metodológicos de Creswell (2010), que concebe a investigação qualitativa como um processo de indagação interpretativa, baseado na construção de significados atribuídos aos fenômenos sociais a partir do contexto dos participantes e da interação entre teoria e prática cujo enfoque privilegia a interpretação crítica de fenômenos educacionais por meio da análise de referenciais teóricos e documentais. A investigação propõe compreender como os projetos pedagógicos empreendedores, fundamentados em abordagens interdisciplinares, multidisciplinares, polidisciplinares e transdisciplinares, podem contribuir para a construção de um currículo integrado na educação profissional técnica de nível médio.
Adota-se o método de abordagem dedutivo, uma vez que parte de referenciais teóricos consolidados para interpretar fenômenos relacionados à fragmentação curricular e às práticas pedagógicas integradoras. O foco metodológico está em compreender como os projetos empreendedores podem colaborar para uma formação omnilateral.
A seleção do corpus teórico foi guiada por critérios de relevância acadêmica, reconhecimento institucional e pertinência temática ao objeto de estudo. Foram priorizadas obras de autores como Edgar Morin, Howard Gardner, Dermeval Saviani, José Moran, Philippe Perrenoud e Ivani Fazenda, além de documentos oficiais como a Lei nº 13.415/2017, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as Diretrizes Curriculares da Educação Profissional e Tecnológica.
A análise teórica foi conduzida por meio de um procedimento interpretativo. Para isso, adotou-se a técnica de análise de conteúdo, cujas categorias emergiram da leitura flutuante e da codificação temática, conforme Bardin (2011). As principais categorias foram: fragmentação curricular, formação integral, protagonismo discente, inteligências múltiplas e articulação entre teoria e prática. A partir delas, identificaram-se práticas pedagógicas como projetos de intervenção social baseados em problemáticas locais que articulam diferentes componentes curriculares e incentivam a tomada de decisão coletiva pelos estudantes, superando a lógica tecnicista.
Quanto à delimitação do universo, o estudo restringe-se à educação profissional técnica pública de nível médio, justificando-se tanto por sua relevância social quanto pela centralidade desse segmento na atual política educacional brasileira. Tal delimitação permite compreender os efeitos concretos da fragmentação curricular e avaliar as possibilidades de reinvenção pedagógica a partir de experiências empreendedoras integradoras. com foco nos cursos integrados. A ausência de amostragem estatística e de coleta empírica direta reforça o caráter exploratório e interpretativo da pesquisa, voltado à proposição de alternativas curriculares críticas e inovadoras.
Essa configuração metodológica visa garantir densidade analítica, rigor conceitual e relevância prática.
A leitura interpretativa da figura evidencia articulações conceituais centrais para o estudo: Morin associa-se à epistemologia da complexidade, aplicada à superação da fragmentação disciplinar; Gardner fundamenta a noção de inteligências múltiplas; Saviani reforça a crítica à dualidade estrutural e propõe a formação omnilateral; Moran e Perrenoud vinculam-se à aprendizagem ativa baseada em projetos; Creswell ancora a abordagem qualitativa; Fazenda aprofunda a discussão sobre os diferentes níveis de integração curricular. A rede visual expressa a coerência teórica da pesquisa e sua aplicabilidade como base para proposições pedagógicas no contexto da educação técnica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise teórica empreendida neste estudo evidenciou que a fragmentação curricular vigente na educação profissional técnica de nível médio compromete significativamente a formação integral dos estudantes, favorecendo a reprodução de desigualdades históricas e limitando as possibilidades de emancipação crítica. Em contraposição a essa lógica, os projetos pedagógicos empreendedores, concebidos sob abordagens inter, multi, poli e transdisciplinares, demonstram potencial formativo para a construção de um currículo integrado, plural e socialmente comprometido.
Os dados sistematizados nos quadros analíticos revelaram que, quando bem estruturados, os projetos integradores são capazes de mobilizar inteligências múltiplas, articular saberes acadêmicos e populares, favorecer o protagonismo estudantil e estabelecer conexões entre teoria e prática. A partir de diretrizes como as propostas por Moran (2015) nos vídeos da Edutopia, foi possível estabelecer uma correspondência entre os níveis de integração curricular e os elementos pedagógicos fundamentais para a aprendizagem significativa, como autonomia, colaboração, reflexão crítica e avaliação formativa contínua.
Conclui-se que os projetos pedagógicos empreendedores não devem ser compreendidos apenas como instrumentos de aproximação com o mundo do trabalho, mas, sobretudo, como dispositivos de transformação curricular e formação ética, estética e política. Alinhados à epistemologia da complexidade (Morin, 2000), à teoria das inteligências múltiplas (Gardner, 1995) e à pedagogia histórico-crítica (Saviani, 2008), tais projetos ressignificam o papel da escola como espaço de produção de conhecimento, justiça cognitiva e emancipação social.
Do ponto de vista prático, recomenda-se que as instituições de educação técnica incorporem sistematicamente projetos integradores em seus currículos, assegurando a articulação entre saberes diversos e a intencionalidade crítica das práticas pedagógicas. Sugere-se, ainda, o investimento na formação continuada de professores, com foco na mediação de projetos interdisciplinares e no uso de metodologias ativas que valorizem a pluralidade cognitiva dos estudantes.
Do ponto de vista teórico, sugere-se o aprofundamento de investigações empíricas sobre a eficácia dos projetos pedagógicos empreendedores em contextos reais de ensino, especialmente no que se refere ao desenvolvimento das competências socioemocionais, à permanência escolar e ao engajamento estudantil. A ampliação do debate acadêmico e político sobre o currículo integrado e a superação da lógica tecnicista poderá fortalecer políticas públicas educacionais comprometidas com a equidade, a inovação e a formação de sujeitos capazes de intervir criticamente na realidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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