Aplicações estéticas de toxina botulínica em região de pescoço: Riscos em alterações em voz e deglutição

AESTHETIC APPLICATIONS OF BOTULINUM TOXIN IN THE NECK REGION: RISKS OF CHANGES IN VOICE AND SWALLOWING

APLICACIONES ESTÉTICAS DE LA TOXINA BOTULÍNICA EN LA REGIÓN DEL CUELLO: RIESGOS DE CAMBIOS EN LA VOZ Y LA DEGLUCIÓN

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/7D2E37

DOI

doi.org/10.63391/7D2E37

Samrsla, Guilherme Celso da Silva. Aplicações estéticas de toxina botulínica em região de pescoço: Riscos em alterações em voz e deglutição. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

As aplicações estéticas de toxina botulínica na região cervical têm sido amplamente adotadas para remodelar contornos do pescoço com mínima invasão, e este estudo buscou identificar riscos de alterações em voz e deglutição associadas a essas injeções. Para tanto, foi realizada revisão sistemática de literatura entre 2021 e 2025 em bases nacionais e internacionais, selecionando artigos completos, notas técnicas e revisões que abordaram anatomia cervical, farmacodinâmica da toxina e relatos de complicações funcionais. Os achados revelaram que protocolos com diluição em 1:2 e volumes inferiores a cinco unidades por ponto, aliados à injeção subcutânea guiada por ultrassonografia e à aplicação segmentada em linha, reduziram significativamente incidência de disfonia e disfagia, com recuperação vocal em até seis meses e deglutição normalizada em quatro semanas. Constatou-se ainda que programas de treinamento em dissecação anatômica e uso de cânulas de ponta romba diminuem complications em até 75 %. A análise concluiu que práticas padronizadas e baseadas em evidências promovem resultados estéticos seguros, preservando fonação e propulsão do bolo alimentar e fortalecendo a segurança do procedimento.
Palavras-chave
rejuvenescimento cervical; disfonia; disfagia; ultrassonografia.

Summary

Aesthetic applications of botulinum toxin in the cervical region have been widely adopted to remodel neck contours with minimal invasiveness, and this study sought to identify the risks of voice and swallowing changes associated with these injections. To this end, a systematic literature review was conducted between 2021 and 2025 in national and international databases, selecting full articles, technical notes, and reviews that addressed cervical anatomy, toxin pharmacodynamics, and reports of functional complications. The findings revealed that protocols with 1:2 dilution and volumes of less than five units per point, combined with ultrasound-guided subcutaneous injection and segmented line application, significantly reduced the incidence of dysphonia and dysphagia, with vocal recovery within six months and normal swallowing within four weeks. It was also found that training programs in anatomical dissection and the use of blunt-tip cannulas reduce complications by up to 75%. The analysis concluded that standardized, evidence-based practices promote safe aesthetic results, preserving phonation and bolus propulsion, and strengthening procedural safety.
Keywords
cervical rejuvenation; dysphonia; dysphagia; ultrasound.

Resumen

Las aplicaciones estéticas de la toxina botulínica en la región cervical se han adoptado ampliamente para remodelar el contorno del cuello con mínima invasión. Este estudio buscó identificar los riesgos de alteraciones en la voz y la deglución asociados a estas inyecciones. Para ello, se realizó una revisión sistemática de la literatura entre 2021 y 2025 en bases de datos nacionales e internacionales, seleccionando artículos completos, notas técnicas y revisiones que abordaron la anatomía cervical, la farmacodinamia de la toxina y reportes de complicaciones funcionales. Los hallazgos revelaron que los protocolos con dilución 1:2 y volúmenes inferiores a cinco unidades por punto, combinados con la inyección subcutánea guiada por ultrasonido y la aplicación de líneas segmentadas, redujeron significativamente la incidencia de disfonía y disfagia, con recuperación vocal en seis meses y deglución normal en cuatro semanas. También se observó que los programas de capacitación en disección anatómica y el uso de cánulas de punta roma reducen las complicaciones hasta en un 75 %. El análisis concluyó que las prácticas estandarizadas basadas en la evidencia promueven resultados estéticos seguros, preservando la fonación y la propulsión del bolo, y fortaleciendo la seguridad del procedimiento.
Palavras-clave
rejuvenecimiento cervical; disfonía; disfagia; ultrasonido.

INTRODUÇÃO

As técnicas de aplicação de toxina botulínica na região cervical passaram a integrar o arsenal estético contemporâneo a partir de estudos que demonstraram sua capacidade de remodelar os contornos do pescoço com mínima intervenção invasiva. A difusão controlada da toxina viabilizou a modulação das bandas platismáticas verticais e o contorno da mandíbula, ampliando as indicações para pacientes que buscam rejuvenescimento sem incisões cirúrgicas. Essa evolução metodológica permitiu o refinamento das técnicas de mapeamento anatômico e a padronização de protocolos clínicos, fortalecendo a segurança do procedimento em diferentes biotipos (Ulisses, 2022; Francisco; Suguihara; Muknicka, 2023).

O bloqueio neuromuscular promovido pela toxina baseia-se na inibição da liberação de acetilcolina na junção motora, gerando redução temporária da contração muscular. A gestão dos volumes de diluição e a seleção precisa dos pontos de injeção são determinantes para limitar a difusão da substância ao platisma, prevenindo acometimentos de fibras motoras adjacentes. Esse controle técnico favoreceu a adoção de ultrassonografia como recurso complementar, assegurando o posicionamento adequado da agulha em planos subcutâneos sem invadir espaços mais profundos (Francisco; Suguihara; Muknicka, 2023; Luquetti et al., 2024).

O potencial de efeitos adversos sobre a fonação e a deglutição tem sido relatado em estudos que associam a dispersão da toxina a fraqueza de músculos extrínsecos da laringe e do esôfago. A paralisia temporária de feixes nervosos faríngeos pode desencadear disfagia e disfonia, manifestadas por rouquidão soprosa e dificuldade na propulsão do bolo alimentar. As complicações neuromusculares exigem monitoramento clínico especializado e avaliação funcional, sendo relevante o acompanhamento fonoaudiológico em casos que ultrapassem sintomas leves (Souza et al., 2025; Kashiwabuchi; Lima; Belila, 2024).

Questão de pesquisa: De que maneira as aplicações estéticas de toxina botulínica na região cervical podem ocasionar alterações na voz e na deglutição em pacientes submetidos ao procedimento?

A relevância deste estudo está fundamentada no aumento da procura por tratamentos minimamente invasivos para rejuvenescimento cervical, diante do cenário de crescimento de procedimentos estéticos que demandam rigor técnico e segurança. A compreensão dos mecanismos que respaldam as complicações funcionais é essencial para aprimorar protocolos de aplicação, reduzir intercorrências e orientar consentimento informado, contribuindo para a qualificação profissional e a proteção de pacientes.

A metodologia adotada consistiu em revisão de literatura sistemática realizada em bases de dados nacionais e internacionais, abrangendo publicações entre 2021 e 2025. Foram selecionados artigos completos, anotações técnicas e revisões bibliográficas que abordaram anatomia cervical, farmacodinâmica da toxina botulínica e relatos de complicações vocais e deglutórias. As informações foram analisadas criticamente, agrupadas por temática e sintetizadas de modo a fornecer subsídios para a discussão dos riscos associados ao procedimento.

O objetivo deste trabalho envolveu identificar os riscos de alterações em voz e deglutição decorrentes de aplicações estéticas de toxina botulínica na região cervical, de modo a oferecer diretrizes para práticas mais seguras e embasadas em evidências científicas.

ANATOMIA CERVICAL E FUNDAMENTAÇÃO FARMACOLÓGICA

A pele e o tecido subcutâneo do pescoço recobrem o platisma, músculo superficial que se estende da mandíbula até a clavícula e se integra a fibras do sistema faríngeo, responsável pela propulsão do bolo alimentar. A disposição fascial e a proximidade com nervos cervicais exigem mapeamento anatômico detalhado para identificar pontos de injeção que limitem a difusão da toxina a regiões profundas. A análise eletromiográfica demonstrou variação na densidade de fibras musculares entre indivíduos, o que orienta adaptações na escolha de agulha e cânula para prevenir acometimento de músculos extrínsecos da faringe e da laringe (Ulisses, 2022; Francisco; Suguihara; Muknicka, 2023).

A toxina botulínica tipo A age bloqueando a liberação de acetilcolina na fenda sináptica, causando paralisia reversível da contração muscular. O início de ação ocorre entre 24 e 72 horas, com pico de efeito de duas a quatro semanas, seguido de recuperação completa em três a seis meses, conforme padrões de regeneração axonal e densidade de receptores colinérgicos. A relação entre concentração e volume de diluição determina o gradiente de difusão, influenciando a extensão da área de cobertura e o risco de acometimento indesejado de músculos adjacentes (Francisco; Suguihara; Muknicka, 2023; Souza et al., 2025).

A ultrassonografia de alta resolução viabiliza visualização em tempo real de vasos, nervos e camadas musculares, guiando a profundidade e localização das injeções. A técnica reduziu em até 40 % a penetração em planos profundos e melhorou a precisão do procedimento, sobretudo em variantes anatômicas menos comuns. A combinação de palpação digital e imagem ultrassonográfica tem permitido adaptações individuais nos protocolos de aplicação, ajustando volumes conforme espessura tecidual e minimizando o risco de difusão para músculos faríngeos (Luquetti et al., 2024; Guilherme et al., 2022).

Modelos tridimensionais de dissecação cadavérica forneceram parâmetros para definir cinco pontos de injeção ao longo das bandas platismáticas, considerando distância mínima a nervos cervicais e vasos. A utilização de check-lists que incluem histórico de disfonia e disfagia reduziu em 30 % as intercorrências funcionais, ao orientar adaptação de doses e escolha de cânulas de ponta romba. A dispersão controlada da toxina promove remodelação estética do pescoço sem comprometer a fonação e a deglutição (Ulisses, 2022; Luquetti et al., 2024).

Diluições entre 1:1 e 1:4 (unidade:mililitro) modificaram a área de difusão e o conforto do paciente, sendo a proporção de 1:2 a que melhor equilibrou cobertura superficial e sintomas locais, como dor e edema. Diluições mais altas exigiram maiores volumes injetados, aumentando o desconforto, enquanto concentrações elevadas em volumes menores concentraram a toxina em regiões específicas, elevando o risco de acometimento muscular profundo. A seleção da diluição considerou espessura tecidual, sensibilidade individual e objetivos estéticos (Luquetti et al., 2024; Guilherme et al., 2022).

A integração do conhecimento anatômico e farmacológico da toxina botulínica tipo A fundamentou protocolos de aplicações cervicais que aliam eficácia e segurança. A adoção de técnicas de imagem, mapeamento eletromiográfico e treinamento em dissecções anatômicas criou base para práticas precisas, com diminuição de difusão indesejada e preservação das funções de voz e deglutição (Francisco; Suguihara; Muknicka, 2023; Guilherme et al., 2022).

A variabilidade individual na expressão de receptores de acetilcolina nas junções neuromusculares do platisma influencia a sensibilidade ao bloqueio, determinando respostas diferenciadas entre pacientes. Estudos de Guilherme et al. demonstraram que perfis com maior densidade de receptores apresentam efeito estético mais pronunciado com doses menores, enquanto indivíduos com baixa expressão exigem concentrações ligeiramente superiores para obtenção de resultados equivalentes. Essa distinção bioquímica reforça a importância de avaliação prévia de características moleculares, sinalizando potencial para personalização de protocolos de diluição e volume conforme perfil receptor do paciente (Guilherme et al., 2022; Francisco; Suguihara; Muknicka, 2023).

TÉCNICAS DE APLICAÇÃO E PROTOCOLOS CLÍNICOS

A definição precisa de cinco pontos de injeção ao longo das bandas platismáticas possibilitou manter a toxina no plano subcutâneo superficial, entre 2 e 4 mm de profundidade, evitando contato inadvertido com músculos constritores da faringe e da laringe. A adoção de cânulas de ponta romba em substituição a agulhas finas favoreceu dispersão mais homogênea do produto, reduzindo em 25 % a difusão indesejada e minimizando desconforto local. A aplicação segmentada em linha, distribuindo oito unidades em quatro locais, otimizou o contorno cervicomandibular sem afetar a função neuromuscular, promovendo elevação sutil do terço inferior facial e melhora do perfil cervical (Wanderley; Persaud; Lima, 2021; André; Almeida; Mendonça, 2024).

A utilização de ultrassonografia de alta resolução durante o procedimento garantiu visualização em tempo real das camadas teciduais, permitindo ajuste contínuo de profundidade e localização de pontos de injeção. A combinação de palpação digital e imagem ultrassonográfica elevou a precisão técnica, reduzindo em até 40 % a incidência de penetração em planos musculares profundos. O monitoramento guiado por ultrassom atentou para variantes anatômicas, como feixes vasculares superficiais e espessamento irregular do platisma, possibilitando personalização do protocolo segundo características individuais de cada paciente (Francisco; Suguihara; Muknicka, 2023; Luquetti et al., 2024).

A seleção de diluição em proporção de 1:2 (unidade: mililitro) equilibrou a dispersão superficial da toxina e o conforto durante a aplicação, reduzindo dor e edema local. Proporções de 1:4 ampliaram a área de cobertura ao custo de volumes maiores, o que pode aumentar desconforto sem proporcionar ganhos estéticos relevantes. Volumes inferiores a cinco unidades por ponto mantiveram área de atuação eficiente e diminuíram o risco de difusão profunda. A diluição foi ajustada conforme espessura cutânea, sensibilidade local e objetivos estéticos, assegurando uniformidade na distribuição do produto e resposta clínica previsível (Luquetti et al., 2024; Guilherme et al., 2022).

O programa de capacitação incluiu 20 horas de dissecação cadavérica, complementadas por workshops práticos em modelos sintéticos que simularam anatomia cervical e variações anatômicas. Profissionais treinados apresentaram taxa de complicações de 2,5 %, em comparação a 8,7 % em grupos sem formação específica. O currículo integrou aulas teóricas sobre anatomia do pescoço, manejo de ultrassom e técnicas de injeção, além de avaliações práticas em cadáver e simulação clínica. Essa formação intensiva consolidou habilidades fundamentais para garantir procedimentos seguros e resultados homogêneos (Ramos et al., 2022; André; Almeida; Mendonça, 2024).

Dispositivos de pressão controlada regularam velocidade e fluxo de injeção, prevenindo refluxo e acúmulo subdérmico de toxina, o que resultou em redução de 35 % na incidência de hematomas e desconforto local. A técnica de entrega lenta, com agulha mantida em movimento suave durante todo o trajeto, evitou bolus de alta concentração e melhor distribuiu o produto no plano subcutâneo superficial. Essa abordagem aprimorou a experiência do paciente e contribuiu para maior uniformidade dos efeitos, sem comprometer eficácia ou segurança (Paiva; Campos, 2021; Francisco; Suguihara; Muknicka, 2023).

A padronização de protocolos clínicos baseados em evidências consolidou práticas seguras, homogeneizou resultados e reduziu riscos procedimentais. A articulação entre mapeamento anatômico detalhado, escolha de diluição apropriada e formação estruturada de profissionais constitui estratégia fundamental para aplicações estéticas cervicais. Diretrizes clínicas estabelecidas, acompanhadas de check-lists pré-procedimento e monitoramento ultrassonográfico, asseguram máxima previsibilidade e minimizam intercorrências, permitindo aliar resultados cosméticos satisfatórios à preservação de funções de fonação e deglutição (Luquetti et al., 2024; Wanderley; Persaud; Lima, 2021).

A introdução de sistemas de navegação por realidade aumentada em aplicações cervicais vem permitindo sobreposição de mapas anatômicos digitais ao campo cirúrgico, aumentando a precisão na localização de áreas de inserção de toxina. Ferramentas de realidade aumentada integradas a ultrassom portátil possibilitam visualização simultânea de estruturas superficiais e profundas, reduzindo tempo de procedimento e variabilidade interoperador. Essa tecnologia emergente tem mostrado potencial para diminuir ainda mais as taxas de difusão indesejada e complicações, conforme relatos preliminares de Ferreira; Azevedo; Alves e validação técnica em ensaios simulados (Ferreira; Azevedo; Alves, 2025; Ramos et al., 2022).

COMPLICAÇÕES VOCAIS – MECANISMOS, INCIDÊNCIA E PREVENÇÃO 

A fraqueza do músculo cricotireoide resultou em voz soprosa e limitação de projeção sonora em 3,2 % dos pacientes, identificados por laringoscopia indireta. A avaliação vocal prévia permitiu selecionar perfis de maior risco, reduzindo unidades aplicadas em pontos adjacentes à laringe. A injeção subcutânea superficial preservou a integridade de músculos extrínsecos da laringe, mantendo tônus adequado para a fonação e evitando acometimento de fibras motoras vitais. Ajustes de dose baseados em mapeamento anatômico individual minimizaram alterações temporárias na voz, mantendo eficácia estética sem comprometer a função vocal (Souza et al., 2025; Kashiwabuchi; Lima; Belila, 2024).

O bloqueio de neurotransmissão em fibras responsáveis pela abdução e adução das pregas vocais alterou a biomecânica laríngea, com pico de sintomas entre duas e quatro semanas após a injeção. O suporte fonoaudiológico incluiu exercícios de fortalecimento laríngeo e recomendações de repouso vocal, acelerando a recuperação em quatro a seis meses em 90 % dos casos. A correlação entre volume aplicado e duração da disfonia permitiu calibrar doses, oferecendo recuperação funcional consistente e reduzindo a necessidade de intervenções adicionais (Francisco; Suguihara; Muknicka, 2023; Kashiwabuchi; Lima; Belila, 2024).

A diluição em proporção de 1:2 (unidade:mililitro), associada a volumes inferiores a cinco unidades por ponto, reduziu a incidência de disfonia em 45 % ao limitar a difusão a áreas superficiais da musculatura laríngea. A aplicação segmentada em linha, em vez de bolus único, conferiu cobertura homogênea sem picos de concentração, preservando músculos intrínsecos da laringe responsáveis pela modulação tonal. Essa técnica equilibrou eficácia estética e segurança funcional, evitando comprometimento inadvertido de fibras vocalizadas (Luquetti et al., 2024; Guilherme et al., 2022).

Profissionais com formação em dissecação anatômica apresentaram incidência de disfonia de 1,8 %, contra 6,1 % em não treinados. O domínio da ultrassonografia de alta resolução permitiu ajustes em tempo real da profundidade de injeção, evitando acometimento de fibras vocais extrínsecas e fortalecendo resultados funcionais. A capacitação em anatomia cervical e técnicas de imagem reduziu complicações, demonstrando a importância de programas de treinamento estruturados para aplicações cervicais seguras (Ramos et al., 2022; André; Almeida; Mendonça, 2024).

Protocolos que incluíram repouso vocal e exercícios laríngeos reduziram o tempo de recuperação em até quatro semanas, diminuindo desconforto e melhorando a qualidade de voz. Sessões fonoaudiológicas introdutórias acompanharam evolução funcional, orientando manobras de alongamento e fortalecimento muscular laríngeo. A intervenção precoce restabeleceu a biomecânica das pregas vocais sem necessidade de terapias invasivas, promovendo satisfação dos pacientes e rápida retomada de atividades vocais (Suguihara et al., 2021; Souza et al., 2025).

A integração de avaliação vocal prévia, diluições adequadas e acompanhamento ultrassonográfico manteve a incidência de disfonia em níveis mínimos, promovendo segurança e satisfação nos procedimentos estéticos cervicais. A parametrização de volumes e locais de aplicação, baseada em evidências clínicas, garantiu efetividade estética e preservação da função vocal. Essas diretrizes consolidaram práticas que equilibram resultados cosméticos e manutenção de fonação saudável (Francisco; Suguihara; Muknicka, 2023; Kashiwabuchi; Lima; Belila, 2024).

Medições acústicas objetivas, como análise de jitter e shimmer, têm sido empregadas para quantificar alterações sutis na qualidade vocal após aplicação de toxina, permitindo detecção precoce de disfunções antes do quadro clínico perceptível. Kashiwabuchi; Lima; Belila relataram que parâmetros acústicos alteraram-se mesmo em casos subclínicos, recomendando integrarem-se testes de acústica vocal ao protocolo de avaliação prévia e monitoramento pós-procedimento. Essa abordagem objetiva contribui para intervenção mais rápida e ajuste fino das doses aplicadas em áreas adjacentes à faringe e laringe (Kashiwabuchi; Lima; Belila, 2024; Souza et al., 2025).

COMPLICAÇÕES DE DEGLUTIÇÃO E ESTRATÉGIAS DE MITIGAÇÃO

A disfagia transitória atingiu 2,7 % dos pacientes, caracterizando-se por sensação de engasgo e prolongamento do tempo de deglutição após difusão em músculos constritores da faringe. A videofluoroscopia pré-procedimento identificou fraquezas pré-existentes na coordenação faríngea, possibilitando ajuste das unidades de toxina e reposicionamento dos pontos de injeção para preservar o plexo faríngeo. Essa abordagem individualizada reduziu a incidência de sintomas em pacientes com histórico de deglutição comprometida, ao antecipar quais regiões exigiam menor concentração do produto. A influência de variáveis anatômicas, como espessura do manto adiposo e padrão facial, orientou a seleção de agulha ou cânula e o volume aplicado em cada ponto (Paiva; Campos, 2021; Souza et al., 2025).

A paralisia parcial de feixes nervosos faríngeos comprometeu reflexos de proteção das vias aéreas em 1 % dos casos que persistiram por mais de dois meses, levando à necessidade de avaliação otorrinolaringológica. A compreensão detalhada dos trajetos neurovasculares no pescoço direcionou as injeções para áreas livres de feixes críticos, evitando a difusão profunda em torno dos músculos constritores. Identificou-se que pequenas variações na angulação da agulha podem expor feixes sensitivos, razão pela qual protocolos definiram zonas seguras de aplicação. Essa estratégia reduziu complicações prolongadas e orientou intervenções precoces em pacientes sintomáticos (Ramos et al., 2022; Kashiwabuchi; Lima; Belila, 2024).

A diluição em proporção de 1:2 (unidade:mililitro), associada ao uso de volumes menores por ponto, cortou a incidência de disfagia em 30 % ao evitar difusão profunda próxima à linha média cervical. A aplicação linear segmentada ao longo do platisma promoveu distribuição uniforme da toxina, preservando a função dos músculos constritores faríngeos e dos elevadores do esôfago. Essa técnica distribuiu o produto em fios paralelos, diminuindo picos de concentração e prevenindo acometimento de fibras motoras responsáveis pela propulsão do bolo alimentar. A seleção dessa abordagem refletiu em melhora do conforto e redução de sintomas de engasgo (Silva; Nery, 2023; Luquetti et al., 2024).

O consentimento informado detalhado incluiu explicação das possíveis alterações na deglutição, complementada por orientações escritas sobre repouso vocal e alimentação fracionada. Essa combinação aumentou em 40 % a adesão dos pacientes às recomendações nos primeiros sete dias pós-procedimento, minimizando desconforto e facilitando a vigilância de sintomas iniciais. A comunicação clara, ao descrever sinais de alerta como demora para engolir e sensação de bolo preso, fortaleceu a relação médico-paciente e permitiu acionamento imediato de medidas de suporte. Pacientes relataram maior segurança durante a recuperação, refletindo impacto positivo das instruções prévias (Martins et al., 2025; Ramos et al., 2022).

Exercícios de fortalecimento do músculo elevador do esôfago e a manobra chin tuck apoiaram a propulsão do bolo alimentar, reduzindo o tempo de recuperação para quatro semanas. A intervenção multidisciplinar associou fonoaudiologia e otorrinolaringologia para diagnóstico e reabilitação, com protocolo de exercícios de resistência e postural específicos. Sessões semanais monitoraram evolução funcional e ajustaram a intensidade dos exercícios conforme tolerância. Essa integração otimizou a coordenação faríngea, restabelecendo padrões de deglutição eficientes e prevenindo recorrência de microaspirações, resultando em alto índice de satisfação e retorno rápido às atividades normais (Suguihara et al., 2021; Paiva; Campos, 2021).

A avaliação prévia da função de deglutição, o uso de ultrassom e a adoção de diluições adequadas reduziram significativamente os riscos de disfagia em procedimentos cervicais. Parâmetros individuais de difusão, como espessura tecidual e densidade muscular, integrados a check-lists padronizados, garantiram consistência na seleção de pontos e volumes. Protocolos baseados em evidências estabeleceram diretrizes para identificação de zonas seguras e monitoramento pós-procedimento, consolidando práticas capazes de manter a eficácia estética sem comprometer a segurança funcional dos pacientes (Ferreira; Azevedo; Alves, 2025; Sousa et al., 2024).

A telemonitorização de sintomas de disfagia através de aplicações móveis tem possibilitado acompanhamento remoto da deglutição e registro diário de eventos de engasgo, facilitando identificação de padrões emergentes e intervenção imediata. Martins et al. demonstraram que pacientes que registram sintomas em tempo real apresentam menor duração de episódios e melhor aderência ao protocolo de reabilitação, pois permitem ajustes dinâmicos de orientação alimentar e exercícios fonoaudiológicos. Esse modelo de cuidado híbrido reforça vigilância contínua e personalização do follow-up, fortalecendo segurança e eficácia do procedimento estético cervical (Martins et al., 2025; Ramos et al., 2022).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise dos fundamentos anatômicos e farmacológicos demonstrou que o sucesso das aplicações estéticas de toxina botulínica na região cervical depende da integração precisa entre mapeamento muscular, seleção criteriosa de diluição e controle da técnica de injeção. A definição de pontos subcutâneos ajustados às características individuais de cada paciente, aliada ao uso de ultrassonografia e técnicas de palpação, permitiu reduzir de modo significativo a difusão não intencional da substância. A sinergia entre conhecimento tridimensional da topografia cervical e parâmetros farmacodinâmicos da toxina viabilizou procedimentos estéticos que promovem contornos harmônicos sem comprometer a função neuromuscular.

O desenvolvimento de protocolos clínicos padronizados com diluições otimizadas e métodos de aplicação segmentada garantiu uniformidade de resultados e minimização de riscos. A escolha de proporções de diluição entre 1:2 e 1:4, combinada a volumes inferiores a cinco unidades por ponto, assegurou cobertura superficial eficiente com desconforto reduzido para o paciente. A substituição de agulhas por cânulas de ponta romba e a adoção de dispositivos de pressão controlada aperfeiçoaram a dispersão homogênea da toxina no plano subcutâneo, tornando procedimentos mais confortáveis e seguros.

As complicações vocais revelaram-se transitórias quando as injeções foram mantidas em planos adequados e volumes calibrados, preservando o tônus de músculos extrínsecos da laringe. A recuperação da função vocal em poucos meses, favorecida por protocolos de repouso e exercícios laríngeos, reforçou a capacidade de reabilitação sem necessidade de intervenções invasivas. A aplicação segmentada em linha e a diluição em 1:2 mostraram-se eficazes para limitar a difusão em músculos críticos da fonação, permitindo manutenção de projeção sonora e qualidade de voz.

As alterações de deglutição apresentaram baixa incidência quando foram realizados ajustes de dose em pontos próximos à linha média cervical e quando a avaliação prévia identificou fragilidades na coordenação faríngea. A utilização de videofluoroscopia como exame pré-procedimento e a adoção de manobra chin tuck apoiaram o planejamento de injeções que preservaram a função propulsora do bolo alimentar. As orientações de repouso vocal e alimentação fracionada fortaleceram a adesão dos pacientes às recomendações, contribuindo para recuperação rápida e segura da deglutição.

A consolidação de práticas baseadas em evidências sistematizou a qualificação dos profissionais e a proteção dos pacientes. O treinamento intensivo em dissecação anatômica, ultrassonografia e simulações em modelos sintéticos estabeleceu um padrão de excelência técnica. Protocolos claros e check-lists pré-procedimento padronizaram etapas de avaliação e execução, promovendo segurança e previsibilidade dos resultados estéticos. A integração multidisciplinar e o registro sistemático de casos ofereceram subsídios para a evolução contínua das técnicas, potencializando a eficácia e a minimização de efeitos adversos nas aplicações cervicais de toxina botulínica.

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Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Edição

v. 5
n. 50
Aplicações estéticas de toxina botulínica em região de pescoço: Riscos em alterações em voz e deglutição

Área do Conhecimento

Análise do comportamento aplicada – ABA
autismo; crianças; intervenções; habilidades sociais; comportamentais.
A psicologia das pessoas da melhor idade no contexto da ansiedade, depressão e tristeza: Uma perspectiva psicanalítica
psicologia; ansiedade; depressão; tristeza; saúde mental.
Abordagem da leishmaniose tegumentar americana em Laranjal do Jari/Amapá: Uma análise por faixa etária de 2009 a 2015
leishmaniose; região Amazônica; Amapá.
Levantamento de metabólitos secundários com alguma aplicabilidade produzidos por fungos
metabólitos bioativos; bioprospecção fúngica; aplicações farmacológicas; diversidade química; produção sustentável.
Acessibilidade à saúde bucal em comunidades ribeirinhas: Obstáculos e soluções
comunidades ribeirinhas; saúde bucal; pesquisa-ação; acessibilidade; políticas públicas.
Edentulismo no Brasil: Determinantes socioculturais, informacionais e perspectivas futuras
edentulismo; saúde bucal; políticas públicas; prevenção; cultura e saúde.

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