Treinamento mental: Um pilar para a formação de atletas de base no futebol

MENTAL TRAINING: A PILLAR FOR THE DEVELOPMENT OF YOUTH FOOTBALL ATHLETES

ENTRENAMIENTO MENTAL: UN PILAR PARA LA FORMACIÓN DE ATLETAS JUVENILES EN EL FÚTBOL

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/8BE1F7

DOI

doi.org/10.63391/8BE1F7

Gel, Rui Alberto . Treinamento mental: Um pilar para a formação de atletas de base no futebol. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este artigo aborda a importância da realização do treinamento mental no desenvolvimento de jogadores que se encontram em formação nas categorias de base de futebol, com foco na construção de uma abordagem de caráter integral do atleta. A partir da análise de estudos acadêmicos e práticas esportivas atuais, o trabalho busca compreender os benefícios e desafios da implementação de estratégias de treinamento mental no contexto esportivo. A pesquisa encontrou que o desenvolvimento de habilidades psicológicas, como concentração, controle emocional e resiliência, é fundamental para o melhor desempenho esportivo e o amadurecimento dos jovens atletas. Há evidência de que os desafios, como a falta de formação adequada dos treinadores, resistência a métodos inovadores e a escassez de recursos para o treinamento mental ainda limitam sua aplicação em clubes e academias. A inclusão do treinamento mental na formação de base não deve ser vista apenas como um diferencial, mas como uma necessidade essencial para o desenvolvimento de atletas mais preparados para lidar com as exigências do esporte competitivo. Além de promover a saúde mental, essas práticas contribuem para a construção de um ambiente esportivo saudável e equilibrado, no qual o desempenho técnico e físico é complementado pelo fortalecimento psicológico. Portanto, a integração do treinamento mental no planejamento das categorias de base requer investimentos em capacitação de treinadores, criação de programas específicos e conscientização de gestores esportivos sobre sua relevância. Essa abordagem integral não só favorece o desempenho esportivo, mas também contribui para a formação de indivíduos mais preparados para os desafios dentro e fora do esporte.
Palavras-chave
treinamento mental; formação de atletas; categoria de base.

Summary

This article addresses the importance of mental training in the development of players in youth categories, focusing on building an integral approach to the athlete. Based on the analysis of academic studies and current sports practices, the study seeks to understand the benefits and challenges of implementing mental training strategies in the sports context. The research highlights that developing psychological skills such as concentration, emotional control, and resilience is crucial for athletic performance and the maturation of young athletes. However, challenges such as inadequate coach training, resistance to innovative methods, and limited resources for mental training still hinder its application in clubs and academies. The inclusion of mental training in youth development should not be seen merely as an advantage but as an essential requirement for preparing athletes to meet the demands of competitive sports. In addition to promoting mental health, these practices contribute to building a healthy and balanced sports environment, where technical and physical performance is complemented by psychological strengthening. Therefore, the integration of mental training into youth development planning requires investments in coach training, the creation of specific programs, and raising awareness among sports managers about its relevance. This comprehensive approach not only enhances athletic performance but also contributes to shaping individuals better prepared to face challenges both within and beyond sports.
Keywords
mental training; athlete development; youth categories.

Resumen

Este artículo aborda la importancia del entrenamiento mental en el desarrollo de jugadores en formación en categorías de base de fútbol, con un enfoque en la construcción de una perspectiva integral del atleta. A partir del análisis de estudios académicos y prácticas deportivas actuales, el trabajo busca comprender los beneficios y desafíos de implementar estrategias de entrenamiento mental en el contexto deportivo. La investigación destaca que el desarrollo de habilidades psicológicas como la concentración, el control emocional y la resiliencia es fundamental para el desempeño deportivo y el crecimiento de los jóvenes atletas. Sin embargo, desafíos como la falta de formación adecuada de los entrenadores, la resistencia a métodos innovadores y la escasez de recursos para el entrenamiento mental aún limitan su aplicación en clubes y academias. La inclusión del entrenamiento mental en la formación de base no debe considerarse únicamente como un diferencial, sino como una necesidad esencial para el desarrollo de atletas mejor preparados para afrontar las exigencias del deporte competitivo. Además de fomentar la salud mental, estas prácticas contribuyen a la construcción de un entorno deportivo saludable y equilibrado, donde el desempeño técnico y físico se complementa con el fortalecimiento psicológico. Por lo tanto, la integración del entrenamiento mental en la planificación de las categorías de base requiere inversiones en la capacitación de entrenadores, la creación de programas específicos y la concienciación de los gestores deportivos sobre su relevancia. Este enfoque integral no solo favorece el rendimiento deportivo, sino que también contribuye a formar individuos mejor preparados para afrontar desafíos tanto dentro como fuera del deporte.
Palavras-clave
entrenamiento mental; formación de atletas; categorías de base.

INTRODUÇÃO

O futebol é um esporte reconhecido como uma das modalidades mais populares a nível mundial e com origens anteriores ao ano 3000 a.C., é um fenômeno de massas caracterizado por uma disputa cativante que atrai adeptos de diferentes idades, gêneros e classes sociais. Por essa razão, torna-se uma modalidade que desperta paixões, mobiliza multidões e se estabelece como uma indústria que movimenta bilhões de euros, exigindo, assim, atenção a todas as dinâmicas e esforços que envolve. (Pinheiro, 2011). 

As categorias de base referem-se à prática esportiva desenvolvida por crianças e adolescentes com o propósito de prepará-los e qualificá-los para atuar em competições profissionais, favorecendo o desempenho das equipes. Segundo Gomes et al. (2022), esse processo no Brasil nem sempre foi bem estruturado. No entanto, atualmente, os clubes têm investido de forma mais organizada na formação e no desenvolvimento desses jovens atletas. (Gomes, 2022).

A psicologia é a ciência específica para dizer se o que você pensa é real ou não é real. O grande psicoterapeuta tem a capacidade de adequar o poder, de evidenciar a realidade, e também de modificá-la. Então, o primeiro passo em direção à psicologia científica é aquela de perder a consciência e naufragar dentro da realidade emotiva e instintiva, a realidade do fato que se vive. Uma vez que se entra, é preciso começar a aprender quais são as estradas que essa realidade percorre, para depois corrigir e refazer o eu (Meneghetti, 2023).

No século XX, surgiram as primeiras discussões acerca das questões psicológicas que influenciavam o desempenho e a adesão ao esporte. As publicações da época eram elaboradas por educadores, treinadores, atletas e jornalistas que, embora não possuam uma formação  científica sólida, destacavam que o sucesso dos grandes atletas não se devia apenas às suas vantagens físicas e corporais, mas também ao autocontrole emocional, especialmente em contextos competitivos (Vieira, L. F., et al. 2010).

A saúde psicológica é um componente essencial do bem-estar humano e está incluída na definição de saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), que a considera não somente como a ausência de doenças, mas como um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Assim sendo, a saúde psicológica consiste em um estado de equilíbrio no qual o indivíduo reconhece suas próprias habilidades, consegue lidar com o estresse diário, desempenha suas atividades de maneira produtiva e contribui para a comunidade (Oms, 2021).

Nas modalidades esportivas de elite, são considerados os aspectos individuais, físicos e psicológicos que impactam o desempenho do atleta e de sua equipe, nesse contexto, o psicólogo do esporte ajuda no desenvolvimento de habilidades psicológicas, tais como: motivação, trabalho em equipe, autorregulação emocional, atenção, concentração, liderança, além do manejo de ansiedade e estresse, entre outros, são esses pontos a ser trabalhados com o objetivo de melhorar o desempenho do atleta e consequentemente da equipe (Secco, H. A. et al. 2021). 

O treinamento mental atua como um papel essencial para atletas que buscam maximizar seu desempenho e alcançar o sucesso no esporte, apesar de o treinamento físico ser indispensável para o desenvolvimento atlético, reforçar a saúde mental é igualmente importante para enfrentar desafios, lidar com a pressão e atingir objetivos. Um dos principais benefícios do treinamento mental é a melhora do foco e da concentração, em esportes altamente competitivos, onde qualquer distração pode fazer a diferença, a capacidade de manter a atenção é fundamental. Para isso, técnicas como visualização e meditação são amplamente utilizadas, ajudando os atletas a permanecerem no momento presente e a minimizar distrações externas, potencializando seu desempenho. (Atleta Pro, 2023). 

METODOLOGIA

Este artigo adota a análise bibliográfica como método de estudo para examinar o cenário do preparo mental no aperfeiçoamento de atletas de futebol em formação nas divisões de base. A análise bibliográfica é uma ferramenta essencial para organizar e interpretar informações previamente existentes acerca do assunto.

A pesquisa foi realizada em bases de dados nacionais e internacionais, como SciELO e Google Scholar, com a finalidade de reunir estudos relevantes publicados entre 2021 e 2024. Essa seleção temporal foi estabelecida para assegurar que os materiais analisados fossem atuais, refletindo os avanços recentes nas discussões sobre psicologia esportiva, formação de atletas e práticas de preparo mental. Foram utilizados termos de busca como “preparo mental”; “capacitação de atletas”; “divisões de base”.

Os parâmetros de inclusão dos materiais abrangeram artigos, teses, dissertações, livros e documentos institucionais que tratassem direta ou indiretamente do preparo psicológico no contexto das divisões de base. Priorizou-se, ainda, estudos que apresentassem análises teóricas e práticas sobre o impacto das habilidades psicológicas, como concentração, resiliência e controle emocional, no desempenho esportivo. Foram excluídos trabalhos com foco exclusivamente histórico ou fisiológico, sem relação com o aperfeiçoamento mental dos atletas.

Após a coleta dos textos, foi realizada uma análise crítica e interpretativa do material selecionado. Essa análise envolveu a identificação de conceitos centrais, metodologias utilizadas nos estudos revisados, principais conclusões e lacunas na literatura sobre o assunto.

Por fim, a análise da literatura foi crucial para identificar lacunas na formação de treinadores e na criação de programas específicos para o preparo psicológico em divisões de base. Os resultados obtidos oferecem subsídios para técnicos, gestores esportivos e responsáveis por políticas públicas comprometidos com o desenvolvimento completo dos jovens atletas e com a promoção de um esporte mais equilibrado e inclusivo.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

O futebol de base, caracterizado como uma prática recreativa, especialmente com crianças com idade igual ou superior a 6 anos, é uma atividade dinâmica que envolve demandas técnicas, táticas, físicas e psicológicas. Somente na Inglaterra, mais de 3,3 milhões de crianças participam do futebol recreativo, que não apenas desenvolve benefícios à saúde por meio da atividade física, mas também pode servir como um processo de aprimoramento de habilidades esportivas especializadas. Isso ocorre por meio de programas de desenvolvimento de talentos implementados por órgãos governamentais nacionais em diversos países (Duncan et al., 2022).

As divisões de base desempenham um papel fundamental na formação de futuros atletas profissionais, mas a preocupação com a saúde mental desses jovens é igualmente essencial para seu desenvolvimento integral. Além das exigências técnicas e físicas, os jovens talentos enfrentam pressão constante para alcançar a profissionalização, o que pode gerar ansiedade, estresse e outros problemas emocionais. Garantir um ambiente saudável, com suporte psicológico adequado e relações trabalhistas justas, contribui para o equilíbrio emocional e o bem-estar desses atletas em formação. Dessa forma, promover o cuidado com o bem-estar emocional desde as categorias de formação é tão importante quanto o treinamento esportivo, assegurando não apenas seu crescimento profissional, mas também seu desenvolvimento pessoal (Silva et al. 2024).

A crescente valorização da psicologia esportiva no desenvolvimento esportivo evidencia a compreensão de que o desempenho do atleta vai além das habilidades físicas e técnicas, abrangendo também fatores psicológicos e emocionais. A inclusão dessa área nas equipes de futebol não apenas fortalece o preparo mental dos jogadores, mas também assume um papel fundamental na promoção da saúde mental e do bem-estar, aspectos que, no passado, eram frequentemente negligenciados (Dantas, 2011).

Os estudos revisados sobre a importância do  treinamento mental no desempenho de atletas revelam tanto desafios quanto avanços importantes nesse campo, de acordo com os dados, enquanto o treinamento físico continua sendo essencial para o desenvolvimento atlético, o treinamento mental tem ganhado cada vez mais destaque, sendo considerado um fator-chave para o sucesso esportivo. Um dos principais desafios apontados é a resistência por parte de alguns atletas e treinadores em adotar técnicas de treinamento mental, muitas vezes devido à falta de entendimento sobre sua importância ou devido a uma visão errada do que envolve o treinamento mental (Gomes, 2022).

Outro ponto identificado nas pesquisas refere-se à precariedade de recursos e treinamentos específicos que compreenda o desenvolvimento mental dos atletas, embora o treinamento físico esteja bem estruturado nas academias e centros de treinamento, as técnicas de aprimoramento mental, ainda não são totalmente implementadas de forma eficaz. Tal fato se deve a falta de materiais adequados e profissionais capacitados para ensinar e aplicar essas técnicas compromete o potencial de seus benefícios (Santos, 2021).

A capacitação de treinadores e atletas no campo do treinamento mental é um dos fatores mais relevantes para a mudança desse cenário, estudos apontam que a inclusão de profissionais de psicologia esportiva nas equipes tem mostrado resultados positivos, contribuindo para melhorar a concentração, o foco e o desenvolvimento dos atletas durante as competições (Ferreira, 2017). Assim sendo, é importante investir na formação e capacitação dos profissionais envolvidos para que o treinamento mental seja efetivamente integrado ao treinamento físico.

Na atualidade temos observado avanços no uso de tecnologias, como aplicativos e plataformas de treinamento mental, e isso têm facilitado o acesso a essas práticas, mesmo assim, é necessário que essas ferramentas sejam utilizadas de forma adequada, respeitando as necessidades individuais de cada atleta. A personalização do treinamento mental é essencial para que ele seja verdadeiramente eficaz, o que implica um trabalho conjunto entre psicólogos, treinadores e atletas (Menezes, 2018).

Temos observado que a integração do treinamento mental nas categorias de base, especialmente no Brasil, ainda enfrenta barreiras culturais e estruturais. A cultura esportiva prioriza muito mais os aspectos físicos do treinamento, deixando o lado psicológico em segundo plano. Portanto, é necessário que os clubes e entidades esportivas adotem uma abordagem mais especifica, que integre não apenas o corpo, mas também a mente no processo de formação de atletas (Almeida, 2023).

Por outro lado, a pesquisa também revelou iniciativas promissoras em algumas equipes, onde o treinamento mental está sendo implementado de forma rotineira. Nesses casos, se observa que os atletas têm experimentado benefícios significativos, como aumento do desempenho e melhor capacidade de lidar com a pressão. Esses exemplos são importantes, pois mostram que a integração do treinamento mental no esporte pode ser uma realidade quando há planejamento estratégico, investimentos e compreensão por parte dos envolvidos (Silva, 2020).

Em relação ao futuro, é necessário um esforço maior para que o treinamento mental se torne uma prática comum em todos os níveis do esporte. Isso inclui a realização de mais estudos que investiguem as melhores formas de implementar essas técnicas, bem como a construção de um ambiente que permita a sua plena aplicação. A conscientização sobre a importância do aspecto psicológico no desempenho esportivo deve ser uma prioridade para a formação de atletas de alto nível (Ferreira, 2017).

Um estudo realizado por Rodrigues et al. (2022) em Recife encontrou dados que sustentam a hipótese de que atletas da categoria de base sub-20 em clubes da região, que recebem algum tipo de renda, apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de sintomas de ansiedade quando comparados àqueles que não recebem salários, conforme classificação categórica. Na análise numérica, além de manter a associação com a ansiedade, observou-se uma relação inversa para sintomas depressivos: atletas que não recebem renda apresentaram escores mais altos para sintomas de depressão em comparação aos que recebem alguma remuneração (Rodrigues et al, 2022).

A discussão desses resultados levanta reflexões importantes sobre o impacto da remuneração na saúde mental de atletas da categoria de base, o fato de atletas que recebem alguma renda apresentarem maior predisposição à ansiedade pode estar relacionado às pressões adicionais que o salário traz, como a responsabilidade financeira e a expectativa de corresponder ao investimento feito pelo clube. Esse cenário pode aumentar o medo de falhar ou perder a oportunidade de profissionalização, gerando altos níveis de ansiedade.

Por outro lado, o maior escore para sintomas depressivos entre os atletas que não recebem remuneração pode estar associado à sensação de insegurança quanto ao futuro, à falta de reconhecimento e às dificuldades econômicas pessoais e familiares. A ausência de uma renda pode levar esses jovens a se sentirem desmotivados ou marginalizados, o que favorece o desenvolvimento de sintomas depressivos.

Esses achados reforçam a necessidade de um olhar mais atento para a saúde mental dos atletas em formação, considerando os diferentes contextos socioeconômicos. Investir em estratégias de apoio psicológico e em ações que promovam o bem-estar emocional pode ser crucial para ajudar esses jovens a lidar melhor com os desafios dessa fase, minimizando os riscos tanto de ansiedade quanto de depressão. Novos estudos, principalmente qualitativos, podem contribuir para aprofundar a compreensão desse fenômeno e propor soluções eficazes.

Dessa forma, a combinação do treinamento físico com o psicológico é essencial para o desenvolvimento de atletas completos, e sua implementação nas categorias formativas pode contribuir para a formação de futuros campeões, tanto dentro quanto fora das competições. O reconhecimento e valorização do treinamento mental no esporte têm o potencial de transformar a forma como os atletas lidam com desafios e alcançar resultados de forma mais eficaz e sustentável.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como o futebol é um esporte disputado desde muito cedo, as categorias juvenis são necessárias para que os jogadores no transcorrer dos anos aprendam todos os fundamentos, de maneira que quando se profissionalizem, possam ser atletas  desenvolvidos e com um alto rendimento (Gomes et al, 2022).

As funções dos psicólogos do esporte em diversas áreas são exigentes e abrangentes. Vale ressaltar que os especialistas em psicologia do esporte devem pautar seu trabalho em princípios éticos indispensáveis. Em geral, o psicólogo do esporte atua com pessoas que se envolvem em atividades físicas ou são atletas, sejam amadores ou profissionais, em diversas situações (Paiva, 2019).

O trabalho dos terapeutas esportivos deve ser fundamentado nas atuações profissionais de ética, confidencialidade e sigilo, exceto algumas que necessitam ser informada a toda a equipe para o bom andamento do trabalho, mas que precisam por esse profissional serem conduzidas respeitando a intimidade e individualidade do atleta (Wolff, 2015).

Considerando que os atletas estão alcançando níveis cada vez mais semelhantes em termos de qualidades físicas e técnicas, os fatores psicológicos podem se tornar determinantes, explicando parte do desempenho tanto nos treinamentos quanto nas competições. Alterações, como variações no humor, por exemplo, podem impactar negativamente a cognição, a tomada de decisões e a execução de habilidades motoras (Brandt et al, 2014).

Ser jogador de futebol é um dos maiores sonhos das crianças brasileiras, portanto, o caminho até a profissionalização é repleto de desafios, e existe diversos fatores que contribuem para essa dificuldade: alta competitividade, falta de oportunidades, orientação inadequada na carreira, entre outros. No futebol competitivo, o atleta precisa estar preparado para lidar com cobranças constantes e entregar sempre o melhor desempenho possível, além disso, os jogadores dos níveis de base são, em sua maioria, adolescentes e jovens de até 21 anos, que frequentemente se veem obrigados a priorizar o futebol, deixando de lado os estudos e o convívio familiar para tentar alcançar o profissionalismo. Nesse contexto, um tema ainda pouco discutido é a saúde mental dos jogadores de futebol, apesar da crescente valorização do bem-estar físico e do desempenho técnico, aspectos emocionais e psicológicos muitas vezes são negligenciados no ambiente esportivo (Rodrigues et al, 2022). 

Purcell et al. (2019) destacam a importância de promover o bem-estar psicológico e emocional dos atletas, reconhecendo que esse grupo está mais vulnerável ao desenvolvimento de sintomas ou transtornos relacionados ao equilíbrio emocional, a pressão por resultados, as exigências do alto rendimento e a constante exposição a situações de estresse tornam os atletas mais propensos a enfrentar dificuldades psicológicas. Nesse sentido, é essencial implementar estratégias de prevenção e cuidado contínuo, com o apoio de profissionais especializados, a fim de preservar a saúde mental e otimizar o desempenho esportivo. (Purcell et al. 2019).

Schenk e Miltenberger (2019) ressaltam a necessidade de ampliar as pesquisas voltadas à estabilidade emocional de atletas, com foco em intervenções que promovam a melhoria do desempenho. Os autores indicam que ainda existe uma carência relevante de informações sobre esse assunto, a qual necessita ser explorada por pesquisas futuras (Schenk et al, 2019). 

Com isso, torna-se imprescindível estimular uma cultura entre os atletas que aborde a importância dos cuidados com a estado psicológico saudável e incentivar a busca por apoio de terapeutas e psicólogos, esses profissionais podem ajudar os atletas a desenvolver maturidade para lidar com questões emocionais, é essencial abordar essa demanda, incorporando o tema como uma iniciativa estratégica na área da saúde, visando aprimorar os resultados e enfatizando a relevância do engajamento das equipes de saúde nesse processo.

A psicologia aplicada ao esporte tem como objetivo compreender e aprimorar o desempenho dos atletas em aspectos como motivação, dinâmicas de grupo e treinamento mental, assim, busca-se identificar precocemente atletas talentosos e prever suas chances de alcançar um futuro de sucesso (Anselmo et al., 2022) .

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