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Resumo
INTRODUÇÃO
A questão da inclusão educacional de pessoas com deficiência intelectual é de extrema relevância, especialmente em contextos de menor desenvolvimento socioeconômico, como o Brasil. Apesar dos avanços nas políticas públicas e na ampliação das vagas na educação infantil, ainda se enfrenta desafios significativos para garantir uma educação de qualidade e equitativa para todos.
Estudos realizados em países com maior índice de desenvolvimento econômico, como os Estados Unidos, podem oferecer insights valiosos, mas é fundamental considerar as especificidades culturais, sociais e econômicas do Brasil. A realidade brasileira envolve desigualdades regionais, deficiências na formação de professores, falta de infraestrutura adequada, além de preconceitos ainda arraigados na sociedade. Desenvolver estratégias que atendam às necessidades das crianças com deficiência intelectual requer um olhar atento às práticas inclusivas, formação contínua dos educadores e a participação ativa das famílias e comunidades. É essencial que a educação infantil pública não apenas disponibilize vagas para esse público, mas também promova um ambiente acolhedor e adaptado, que respeite e valorize a diversidade.
A pesquisa em questão busca identificar, de forma sistemática, as práticas pedagógicas atuais na educação infantil, especialmente sob a perspectiva inclusiva para crianças com deficiência intelectual, por várias razões interligadas ao contexto social, educacional e político brasileiro. Primeiramente, a inclusão de crianças com deficiência intelectual nas instituições de educação infantil é fundamental para garantir o direito à educação, conforme preconizado por legislações nacionais e internacionais. Ao investigar as práticas pedagógicas, a pesquisa procura entender como as instituições estão se adequando para atender a essa demanda, promovendo um ambiente educacional que respeite e valorize as diferenças (Tatagiba, 2011).
Além disso, a educação infantil é um espaço crucial para o desenvolvimento social e emocional das crianças, e suas práticas pedagógicas têm um impacto significativo na formação da identidade e autoimagem dos pequenos, especialmente daqueles que enfrentam desafios adicionais. Assim, compreender quais abordagens estão sendo utilizadas pelos educadores pode ajudar a identificar em que medida essas práticas favorecem ou dificultam a inclusão efetiva (Tatagiba, 2011).
Outro aspecto relevante é o contexto de superexploração da força de trabalho feminina mencionado por Tatagiba (2011). Muitas mulheres, ao inserirem seus filhos em instituições de educação infantil, esperam que esses ambientes ofereçam não apenas cuidados, mas também uma educação que respeite as necessidades de desenvolvimento de cada criança, incluindo aquelas com deficiência. Nesse sentido, identificar e analisar as práticas pedagógicas inclusivas é também uma maneira de analisar como a educação infantil pode colaborar para a emancipação das mulheres e a equidade de gênero.
Por fim, a pesquisa também visa contribuir para a formação contínua de educadores, oferecendo subsídios para que eles possam aprimorar suas práticas e, assim, garantir que todas as crianças, independentemente de suas condições, tenham acesso a uma educação de qualidade e inclusiva. Isso não só beneficia as crianças, mas também fortalece a sociedade como um todo, ao promover valores de respeito à diversidade e à igualdade de oportunidades.
Portanto, a luta por uma educação infantil pública e de qualidade deve ser uma prioridade, envolvendo todos os segmentos da sociedade para que possamos construir um sistema educacional mais justo e inclusivo, possibilitando a inserção de cada criança no cenário educacional, a fim combater estigmas e preconceitos estruturais sofridos pelos discentes que possuem uma dada deficiência.
DESENVOLVIMENTO
METODOLOGIA
A revisão sistemática de literatura proposta por Carvalho, Pianowski e Santos (2019), oferece uma abordagem rigorosa para investigar ações voltadas para crianças com deficiência intelectual no contexto da educação infantil, focando nas práticas inclusivas dos professores.
Para responder à pergunta norteadora, o método envolveria as seguintes etapas:
Esse método rigoroso garantiria uma compreensão abrangente e baseada em evidências sobre as práticas inclusivas que podem ser adotadas pelos educadores, contribuindo para um ambiente educacional mais inclusivo e equitativo.
O levantamento realizado nas bases de dados SciELO, PePSIC e LILACS entre os meses de junho e julho de 2022 teve como objetivo investigar a abordagem de crianças com deficiência intelectual na educação infantil no Brasil, focando nas atitudes e características dos professores. A busca incluiu descritores específicos, como “crianças com deficiência intelectual”, “professor educação infantil”, “atitudes dos professores” e “características dos professores”.
Os critérios de inclusão foram cuidadosamente definidos para garantir a relevância dos estudos selecionados. Foram considerados apenas aqueles que abordassem crianças na educação infantil e que realizassem uma análise das práticas inclusivas. Além disso, os estudos deveriam ser focados em crianças com deficiência intelectual no contexto da educação infantil no Brasil. Outro ponto importante foi a limitação temporal, restringindo a análise a textos publicados em português entre janeiro de 2006 e 2021, período que coincide com a nova legislação do ensino fundamental de 9 anos, que alterou a dinâmica de ingresso das crianças.
Dessa forma, a pesquisa buscou reunir informações e reflexões que pudessem contribuir para o entendimento das práticas pedagógicas voltadas para a inclusão de crianças com deficiência intelectual, oferecendo subsídios para a formação de professores e a melhoria das políticas educacionais no país. A análise dos dados encontrados poderá revelar tanto os desafios enfrentados quanto às estratégias adotadas pelos educadores, promovendo uma discussão importante sobre a inclusão na educação infantil.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise dos relatos dos professores da educação infantil revela uma realidade complexa em relação à inclusão de crianças com deficiência intelectual. A predominância dos temas de socialização, integração e cuidados físicos nas falas dos educadores sugere que, embora a preocupação com a inclusão esteja presente, há lacunas significativas na abordagem pedagógica. A socialização aparece como uma prioridade evidente, e isso se relaciona diretamente com a necessidade de criar um ambiente acolhedor e interativo.
No entanto, essa ênfase pode ser reflexo da ausência de um planejamento pedagógico mais estruturado. Quando os professores mencionam que as atividades são frequentemente repetitivas e pouco diversificadas, isso evidencia uma falta de adaptabilidade às necessidades específicas de cada criança, especialmente aquelas com deficiência intelectual. Essa repetição pode não apenas limitar o desenvolvimento das habilidades individuais, mas também criar um ambiente de aprendizagem monótono que não atende à diversidade do grupo.
Os relatos também destacam um desejo genuíno dos professores em promover a inclusão, especialmente no que diz respeito a crianças com deficiência intelectual moderada ou severa. No entanto, para que essa inclusão seja efetiva, é essencial que haja um planejamento que considere todas as áreas do desenvolvimento infantil. Isso implica em criar atividades que sejam adaptadas, diversificadas e que promovam o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças.
Além disso, a formação contínua dos educadores é um aspecto crucial. O desenvolvimento profissional pode ajudar a ampliar a compreensão dos docentes sobre a inclusão e as estratégias pedagógicas adequadas para atender às necessidades específicas de cada aluno. O trabalho colaborativo entre educadores, especialistas e famílias também é vital para a construção de um ambiente inclusivo verdadeiramente eficaz. Em suma, para que a inclusão de crianças com deficiência intelectual na educação infantil seja uma realidade significativa, é necessário um compromisso com um planejamento pedagógico que vá além da socialização, englobando todas as dimensões do desenvolvimento infantil. Isso permitirá que cada criança, independentemente de suas necessidades, possa se beneficiar de uma experiência educacional rica e diversificada.
Com base nos resultados dos cinco artigos selecionados na revisão, foi possível elaborar uma tabela de síntese que destaca as características principais de cada estudo. É importante notar que, dos artigos analisados, apenas um não forneceu informações específicas sobre o número de participantes, uma vez que se tratou de uma revisão bibliográfica (Nunes & Walter, 2011). Além da revisão de Nunes & Walter (2011), apenas o artigo de Freitas & Mendes (2008), teve como foco a implementação e avaliação de um programa de intervenção voltado para a formação de professores. Os outros artigos abordaram diferentes metodologias: Arantes (2010), apresentou um relato de experiência, enquanto Vitta, Vitta & Monteiro (2010) e Carvalho, Coelho & Tolock (2016), conduziram pesquisas qualitativas com entrevistas semiestruturadas com professores.
Essa diversidade de abordagens nos estudos evidencia a complexidade do tema em questão e a importância de diferentes perspectivas para a compreensão dos desafios e práticas na formação docente. A tabela de síntese, ao reunir essas informações, permite uma visualização clara das contribuições e metodologias utilizadas nos trabalhos revisados, facilitando futuras pesquisas e intervenções na área.
O artigo de Freitas & Mendes (2008), levanta um ponto crucial sobre a inclusão social de crianças com deficiência, enfatizando a importância da qualidade dos relacionamentos interpessoais no ambiente escolar. A pesquisa quase-experimental, ao analisar as fases de linha de base, intervenção e avaliação, revelou que, apesar das intervenções propostas, ainda não se alcançou a igualdade desejada nas interações entre crianças com e sem deficiência. Esse achado evidencia que a inclusão vai além da simples presença física das crianças com deficiência em sala de aula; ela requer um ambiente em que todos os alunos se sintam valorizados e respeitados, e onde a amizade e a empatia possam florescer. A pesquisa sugere que as relações interpessoais são fundamentais para a verdadeira inclusão, e que esforços adicionais devem ser feitos para promover interações significativas.
O fato de que não se observou uma melhoria significativa na qualidade dos relacionamentos interpessoais durante as fases da pesquisa indica a necessidade de estratégias mais eficazes e abrangentes. Isso pode incluir a formação de professores, a sensibilização dos alunos, e a implementação de práticas pedagógicas que incentivem a colaboração e a convivência harmoniosa entre todos. Assim, as conclusões de Freitas & Mendes (2008), reforçam a ideia de que a inclusão social é um processo complexo que requer atenção contínua e um compromisso coletivo para assegurar que todas as crianças, independentemente de suas capacidades, tenham a oportunidade de desenvolver relacionamentos saudáveis e significativos dentro do ambiente escolar.
A análise apresentada por Vitta, Vitta & Monteiro (2010) e Carvalho, Coelho & Tolocka (2016), revela um cenário preocupante em relação à inclusão de crianças com deficiência na educação infantil. A falta de clareza nas estratégias adotadas pelos professores e a insuficiência de conhecimento sobre práticas inclusivas são obstáculos significativos para o avanço desse processo. Embora a socialização das crianças com deficiência seja reconhecida como um benefício da inclusão, a limitação dessa perspectiva apenas a crianças com potencial de independência demonstra uma visão restrita e, por vezes, excludente.
Esse contexto aponta para a necessidade urgente de formação continuada para os educadores, que deve abordar não apenas as metodologias inclusivas, mas também promover uma mudança de mentalidade em relação à diversidade. É fundamental que os professores compreendam a inclusão como um processo amplo, que abrange todas as crianças, independentemente de suas habilidades ou desafios. Para isso, a construção de um ambiente escolar que valorize a diversidade e promova a empatia é essencial.
Além disso, a participação de profissionais especializados, como psicólogos e terapeutas ocupacionais, pode ser uma estratégia eficaz para apoiar os professores na implementação de práticas inclusivas. A troca de experiências e a construção coletiva de soluções podem enriquecer o trabalho pedagógico e garantir que todas as crianças tenham suas necessidades atendidas. Assim, é vital que o discurso sobre inclusão social se traduza em ações concretas e efetivas dentro das salas de aula, promovendo, de fato, um ambiente de aprendizado que respeite e celebre a diversidade. A educação infantil deve ser um espaço onde todas as crianças possam desenvolver suas potencialidades, independentemente de suas condições.
O artigo de Nunes & Walter (2011), destaca um importante vazio na pesquisa sobre o processo de ensino-aprendizagem, especialmente no que se refere às crianças com deficiência intelectual. A análise das publicações do Grupo de Trabalho 15 do evento ANPED revela que os trabalhos disponíveis muitas vezes se baseiam em abordagens mecânicas que não favorecem um desenvolvimento integral e significativo dos alunos. Essa limitação sugere que, independentemente do método utilizado, a falta de uma reflexão crítica e de práticas pedagógicas mais inclusivas compromete a qualidade do aprendizado.
É fundamental que os educadores e pesquisadores reconsiderem suas abordagens, buscando estratégias que promovam um ensino mais dinâmico e adaptado às necessidades de cada aluno. A promoção de metodologias que valorizem a individualidade e o potencial de cada criança com deficiência intelectual pode resultar em experiências de aprendizagem mais enriquecedoras e significativas. Portanto, é necessário fomentar um debate mais profundo sobre as práticas pedagógicas adotadas e incentivar a produção de pesquisas que ampliem a compreensão sobre o ensino inclusivo. O relato de experiência de Arantes (2010), traz à tona a complexidade da inclusão de crianças com deficiência intelectual em classes regulares. A proposta de integrar essas crianças a um ambiente escolar comum é, de fato, uma tentativa de promover a socialização e a convivência em grupo, algo fundamental para o desenvolvimento social e emocional delas. No entanto, conforme Arantes aponta, essa prática levanta uma série de questionamentos sobre sua real efetividade.
Um dos principais pontos destacados é a adequação das práticas pedagógicas às necessidades específicas dessas crianças. É necessário que os educadores estejam preparados para lidar com as particularidades do aprendizado de cada aluno, adotando estratégias que respeitem seu ritmo e estilo de aprendizagem. A inclusão não se resume apenas à presença física do aluno na sala de aula, mas envolve um compromisso real em adaptar o currículo e as metodologias de ensino, garantindo que todos tenham oportunidades iguais de participação e aprendizagem. Além disso, o relato sugere que a falta de formação específica dos professores e o suporte inadequado por parte da escola podem comprometer o sucesso da inclusão. Muitas vezes, os educadores se sentem despreparados para lidar com as demandas de uma criança com deficiência intelectual, o que pode levar a práticas pedagógicas que não favorecem o aprendizado e a integração social do aluno.
Por fim, Arantes (2010), convida à reflexão sobre a necessidade de um acompanhamento contínuo e de uma avaliação cuidadosa das experiências de inclusão. Isso envolve não apenas a observação do progresso acadêmico, mas também o bem-estar emocional da criança e sua interação com os colegas. Somente por meio de uma prática reflexiva e adaptativa será possível construir um ambiente verdadeiramente inclusivo, onde todos os alunos possam aprender e se desenvolver de forma equitativa. A análise da prática pedagógica em turmas inclusivas que atendem crianças com deficiência intelectual no Brasil revela um cenário preocupante. A escassez de estudos que realmente abordem intervenções significativas nessa área é um indicativo de que ainda estamos em um estágio preliminar de investigação. O fato de os poucos estudos disponíveis apresentarem um nível metodológico inicial evidencia a necessidade urgente de aprofundamento nas pesquisas.
Para avançar é fundamental que as investigações incorporem uma diversidade de métodos, incluindo análises quanti-qualitativas e entrevistas. Essa diversificação permitirá uma compreensão mais ampla e profunda das experiências e desafios enfrentados por professores e alunos em contextos inclusivos. A pirâmide de evidência, conforme mencionado por Murad et al. (2016), serve como um guia para direcionar esforços de pesquisa, destacando que, atualmente, se encontram na base, o que sugere que o conhecimento gerado ainda é limitado e carece de robustez. É imperativo, por sua vez, que pesquisadores e educadores se unam para desenvolver estudos mais abrangentes e rigorosos. Isso não apenas enriquecerá a literatura existente, mas também proporcionará subsídios valiosos para a formação de professores e a implementação de práticas pedagógicas que realmente atendam às necessidades de todas as crianças, promovendo uma educação inclusiva de qualidade no Brasil.
Os resultados obtidos revelam não apenas as dificuldades enfrentadas pelos docentes em adaptar suas práticas pedagógicas para atender às necessidades específicas desses alunos, mas também as estratégias utilizadas para superar tais desafios. A escassez de formação continuada e a falta de recursos específicos para inclusão foram apontadas como barreiras significativas, no entanto, muitos professores demonstraram criatividade e resiliência na busca por soluções. Além disso, as percepções dos docentes em relação à inclusão de alunos com deficiência intelectual variaram, com muitos reconhecendo a importância de uma educação inclusiva, mas enfrentando resistência ou falta de apoio institucional. Tais insights podem ser valiosos para outros países em desenvolvimento, que possam estar lidando com contextos semelhantes, ao oferecer exemplos práticos de como lidar com limitações estruturais e promover um ambiente educacional mais inclusivo.
Para que esses estudos sejam efetivos em termos de impacto, é fundamental que os pesquisadores compartilhem suas experiências e práticas exitosas, promovendo uma rede de colaboração e troca de conhecimento entre instituições e países. Dessa forma, será possível fomentar o desenvolvimento de políticas públicas e práticas educativas mais efetivas, beneficiando não apenas os docentes, mas, principalmente, os alunos com deficiência intelectual que merecem acesso a uma educação de qualidade.
Para promover práticas inclusivas na educação infantil que atendam às necessidades de crianças com deficiência intelectual no Brasil, é fundamental adotar estratégias que considerem a diversidade e o desenvolvimento integral de todos os alunos. Com base nas diretrizes de Schwartzman (1997), algumas estratégias importantes incluem:
O trecho destacado reflete uma preocupação fundamental com a inclusão de crianças com deficiência intelectual no ambiente escolar, especialmente nas salas de educação infantil. A implementação de ações pedagógicas formativas é crucial para garantir que essas crianças não sejam apenas incluídas fisicamente nas salas de aula, mas sim que tenham a oportunidade de se desenvolver plenamente, adquirindo novos conhecimentos e habilidades. A segregação e a marginalização ainda são realidades presentes em muitos contextos educacionais. A presença de crianças com deficiência deve ser acompanhada por práticas pedagógicas que promovam a aprendizagem significativa e a interação social de maneira efetiva. Isso implica em um compromisso por parte de educadores e instituições em adaptar currículos, metodologias e ambientes de aprendizagem para atender às necessidades específicas de cada criança.
Além disso, a formação contínua dos educadores é essencial para que eles possam implementar estratégias inclusivas, garantindo que todos os alunos, independentemente de suas habilidades, possam participar ativamente do processo educativo. Essa é uma questão que transcende o simples acesso à educação; trata-se de promover uma cultura de inclusão que valoriza a diversidade e respeita as individualidades.
Assim, ao priorizar ações pedagógicas que busquem a efetiva inclusão e a promoção de aprendizagens, é possível combater a exclusão social e garantir que todas as crianças tenham a chance de se desenvolver em um ambiente acolhedor e estimulante, criando um espaço onde a teoria e a prática se alinhem em prol da equidade educacional.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A proposta desta revisão sistemática aponta para a importância de identificar ações inclusivas na educação infantil, especialmente voltadas para o acompanhamento pedagógico de crianças com deficiência intelectual. Os cinco artigos analisados destacam a relevância de práticas pedagógicas que garantam a aprendizagem de todas as crianças, enfatizando que a inclusão não se limita à presença física do aluno na sala de aula, mas envolve a adaptação e a personalização do ensino para atender às necessidades específicas de cada criança.
Um ponto recorrente nos artigos foi a percepção de que os docentes se sentem despreparados para implementar ações pedagógicas eficazes e inclusivas. Apesar de já terem alunos com deficiência em suas turmas, muitos educadores relatam insegurança e falta de formação específica que os impeça de atender de forma adequada às demandas desses alunos. Essa falta de preparação é ainda mais evidente quando se trata de crianças com deficiência intelectual, onde as dúvidas e a necessidade de estratégias diferenciadas para o ensino se tornam mais pronunciadas.
A revisão enfatiza a necessidade urgente de formação continuada para os educadores, com foco em práticas inclusivas, metodologias adaptadas e compreensão das especificidades da deficiência intelectual. Além disso, sugere que as instituições de ensino desenvolvam políticas e ações que promovam um ambiente inclusivo, onde todos os alunos possam aprender de maneira equitativa e significativa.
Em resumo, a literatura revisada aponta para um caminho a ser trilhado no que diz respeito à inclusão na educação infantil: é fundamental que os educadores sejam apoiados, capacitados e incentivados a adotar práticas inclusivas, garantindo que todas as crianças, independentemente de suas dificuldades, tenham a oportunidade de desenvolver seu potencial e participar ativamente do processo educativo.
O estudo de Freitas & Mendes (2008), destacou a importância de uma abordagem interventiva fundamentada na análise do comportamento, mostrando que a aplicação de protocolos específicos pode gerar resultados positivos no aprendizado e desenvolvimento das crianças em ambiente escolar. A pesquisa revela que, ao realizar intervenções bem estruturadas antes e depois de atividades dirigidas, foi possível observar avanços significativos em todas as crianças envolvidas, o que reforça a eficácia de práticas pedagógicas inclusivas.
Ademais, os artigos revisados ressaltam a necessidade de planejamento cuidadoso por parte dos educadores ao desenvolver atividades inclusivas. É fundamental que os professores considerem as capacidades e potenciais individuais de cada aluno, criando um ambiente que valorize suas habilidades. Essa personalização nas práticas pedagógicas não apenas favorece o aprendizado, mas também promove um ambiente de respeito e valorização da diversidade.
Outro ponto crucial abordado na literatura é o uso de terminologias adequadas. Schalock, Luckasson & Tassé (2021), enfatizam que a linguagem utilizada pelos educadores deve ser precisa e respeitosa, evitando termos que possam remeter a estigmas do passado, como a segregação e exclusão de crianças com deficiência intelectual. O uso de uma linguagem apropriada é um passo importante para a construção de um ambiente escolar inclusivo, onde todas as crianças se sintam valorizadas e dignas de participação.
Dessa forma, a implementação de intervenções baseadas em evidências, combinada com um planejamento cuidadoso e uma comunicação respeitosa, pode contribuir para a formação de um contexto educacional mais inclusivo e equitativo, promovendo o desenvolvimento integral de todas as crianças.
A discussão sobre a educação infantil muitas vezes se limita à ideia de que esse espaço é exclusivamente voltado para a socialização das crianças. No entanto, essa visão é restritiva e não contempla a riqueza do desenvolvimento integral que deve ser promovido nessa fase da vida. Como mencionado, todas as crianças, respeitando suas singularidades, têm potencial para se desenvolver em diversas áreas, adaptando-se às suas necessidades e limitações. A educação infantil deve ser um ambiente inclusivo, que favoreça o crescimento em múltiplas dimensões: cognitiva, emocional, social e física.
A crítica à prática de um planejamento centralizado e repetitivo é pertinente e revela a necessidade de um olhar mais atento e cuidadoso por parte da coordenação pedagógica. Quando as atividades são apenas transmitidas de forma padronizada, sem espaço para a criatividade e a reflexão dos educadores em sala de aula, corre-se o risco de limitar as oportunidades de aprendizagem das crianças. O planejamento eficaz deve ser resultado de um trabalho colaborativo, onde os docentes tenham a liberdade e o suporte para adaptar as propostas às realidades e interesses das crianças.
Assim, é crucial que os educadores da educação infantil tenham tempo e estrutura adequados para planejar atividades que sejam verdadeiramente construtivas e inclusivas. Isso implica não apenas em oferecer cuidados físicos e oportunidades de socialização, mas em criar experiências ricas que estimulem o pensamento crítico, a curiosidade e o desenvolvimento emocional das crianças. Esse tipo de abordagem requer um investimento sério em formação continuada para os professores, bem como um ambiente escolar que valorize e respeite a diversidade, permitindo que cada criança floresça em seu próprio ritmo e de acordo com suas potencialidades. Portanto, a educação infantil precisa ser compreendida como uma etapa fundamental para a formação global do indivíduo, onde cada interação e experiência conta para a construção de saberes e habilidades essenciais para a vida.
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