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Resumo
INTRODUÇÃO
No cenário educacional brasileiro, observa-se a presença de profissionais que, embora desempenhem funções essenciais à dinâmica das instituições escolares, permanecem à margem do reconhecimento formal e das políticas públicas voltadas à valorização profissional. Dentre esses agentes, os Assistentes de Educação constituem uma categoria cuja atuação é muitas vezes invisibilizada, resultando em condições laborais frágeis e ausência de regulamentação específica. Estudos recentes sobre a valorização dos profissionais da educação e os marcos legais da atuação no ambiente escolar (Aguiar et al., 2020; Oliveira et al., 2024) indicam avanços limitados e pontuais que não contemplam de forma clara as atribuições desses trabalhadores.
A pesquisa parte do seguinte problema: como os Assistentes de Educação são reconhecidos nas políticas públicas e legislações educacionais brasileiras? A pergunta que norteia o estudo é: quais os avanços e lacunas no processo de reconhecimento e regulamentação formal desses profissionais?
O objetivo geral é analisar o reconhecimento formal dos Assistentes de Educação no Brasil, considerando os marcos legais e as políticas educacionais vigentes. Como objetivos específicos, busca-se identificar os dispositivos normativos que tratam da atuação desses profissionais, compreender os desafios para sua regulamentação nacional e refletir sobre as implicações da invisibilidade institucional para a valorização da categoria.
A relevância da pesquisa se evidencia pela contribuição teórica ao debate sobre equidade no campo educacional; pelo impacto social ao ampliar a visibilidade de uma categoria muitas vezes negligenciada; pela pertinência política, ao fomentar discussões sobre legislação e valorização profissional; e pela utilidade prática ao subsidiar gestores e formuladores de políticas públicas com subsídios para reestruturação normativa
BASES CONCEITUAIS E LEGAIS SOBRE O RECONHECIMENTO DOS ASSISTENTES DE EDUCAÇÃO
A discussão sobre políticas públicas educacionais tem avançado significativamente nas últimas décadas, sobretudo no tocante à valorização dos profissionais da educação. Embora boa parte das análises foque no magistério, é crescente a preocupação com os trabalhadores não docentes, como os Assistentes de Educação. Segundo estudos desenvolvidos por autores que abordam a interseção entre educação e cidadania, como Cyrne (2019) e Vicente et al. (2019), há um déficit histórico de atenção às funções de apoio e assistência escolar, o que compromete a equidade no reconhecimento institucional e a justiça social dentro da escola.
Além disso, o debate sobre os marcos legais e a atuação de profissionais não docentes é pautado por lacunas normativas e desafios políticos. Costa Neto (2021) argumenta que a ausência de diretrizes nacionais claras para esses profissionais gera ambiguidade quanto às suas funções e direitos, o que impacta diretamente sua valorização e permanência nas instituições. Aguiar et al. (2020) complementam essa análise ao evidenciar que as relações de trabalho no ambiente escolar são marcadas pela precarização, principalmente quando se trata de cargos considerados secundários na hierarquia institucional.
O reconhecimento técnico e legal dos Assistentes de Educação exige uma leitura ampliada das políticas públicas educacionais, como defende Guilherme (2019), ao destacar a importância da educação profissional e tecnológica para a valorização da força de trabalho nas escolas. Esse reconhecimento também implica ampliar o entendimento sobre a profissionalização no setor, conforme apontado por Barbosa (2016), que analisa o papel do assistente social como elo entre os sujeitos escolares e as políticas de inclusão e suporte.
Além do aspecto legal, a valorização simbólica e política dos profissionais de apoio é crucial para a efetivação de uma educação democrática. Martins (2019) e Gomes (2019) abordam, em suas contribuições, como dispositivos como o FUNDEB permanente e os limites fiscais podem ser repensados para abranger outros segmentos da educação. Oliveira et al. (2024), por sua vez, defendem que a construção de espaços democráticos de atuação na escola depende da inclusão ativa de todos os profissionais que nela atuam, inclusive aqueles que tradicionalmente não ocupam espaços de decisão.
Diante desse panorama, torna-se evidente que a regulamentação específica dos Assistentes de Educação não pode ser adiada. Souza (2025) reforça que enfrentar os desafios contemporâneos da legislação educacional requer ampliar os marcos teóricos e práticos da gestão educacional, considerando os trabalhadores não docentes como sujeitos legítimos de direitos. A fundamentação teórica desta pesquisa, portanto, oferece subsídios para compreender a complexidade do reconhecimento institucional desses profissionais e sustenta a urgência de sua valorização formal dentro das políticas educacionais brasileiras.
METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se pela abordagem qualitativa e documental, concentrando-se na análise teórica e normativa acerca do reconhecimento dos Assistentes de Educação no Brasil. Fundamentada em fontes bibliográficas e registros oficiais, a investigação se apoia na leitura crítica de legislações federais, artigos científicos, teses, informes institucionais e publicações de entidades representativas da educação, possibilitando uma compreensão aprofundada das políticas públicas educacionais voltadas aos profissionais não docentes.
Para viabilizar esse estudo, foi realizada uma seleção criteriosa de documentos que tratam diretamente ou indiretamente da atuação dos Assistentes de Educação, incluindo cadernos temáticos da ANPAE, entrevistas com especialistas, propostas legislativas e referências acadêmicas consolidadas. A análise desses materiais foi conduzida de forma interpretativa, buscando identificar padrões discursivos, lacunas normativas e tendências de valorização institucional. Não foram realizadas entrevistas nem coleta de dados em campo, uma vez que o objetivo se circunscreve à análise teórico-documental e observacional indireta.
A sistematização dos dados se deu a partir de fichamentos temáticos, organização de categorias analíticas e cruzamento de informações entre os textos selecionados. Tal estratégia metodológica permitiu refletir criticamente sobre os avanços e limites das políticas educacionais e do marco legal existente, bem como propor indicativos para futuras regulamentações. Ao compreender os aspectos simbólicos, legais e políticos envolvidos, a pesquisa constrói uma visão plural e contextualizada da situação dos Assistentes de Educação no país.
ANÁLISE DOS RESULTADOS
A análise dos resultados permitiu uma leitura crítica das políticas públicas e das legislações educacionais que impactam diretamente a atuação dos Assistentes de Educação no Brasil. Por meio do mapeamento documental e bibliográfico, foi possível identificar uma tendência de invisibilidade normativa e simbólica que reforça a marginalização desses profissionais nas estruturas institucionais da educação básica. Os textos consultados evidenciam que, apesar da presença cotidiana nas unidades escolares, os Assistentes de Educação ainda não dispõem de regulamentações específicas que definam claramente suas atribuições, direitos e deveres.
A convergência das fontes analisadas revela esforços pontuais em estados e municípios que tentam incorporar esses profissionais às políticas locais de valorização, mas sem articulação com uma política nacional consolidada. Autores como Costa Neto (2021), Cyrne (2019) e Aguiar et al. (2020) apontam que a ausência de diretrizes federais gera uma sobreposição de nomenclaturas e funções, dificultando o reconhecimento profissional e institucional. Tal cenário reafirma a urgência de estabelecer normativas claras e integradas no campo educacional.
IDENTIFICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS NORMATIVOS QUE TRATAM DA ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES DE EDUCAÇÃO
A análise documental evidenciou que há uma carência significativa de dispositivos normativos específicos que reconheçam e regulamentem a atuação dos Assistentes de Educação em âmbito nacional. Embora exista a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), ela trata de forma genérica os profissionais da educação, sem delimitar os papéis dos trabalhadores não docentes. Autores como Martins (2019) e Souza (2025) indicam que a ausência de reconhecimento formal é reflexo de uma tradição legal que privilegia o magistério em detrimento dos demais trabalhadores escolares.
Em algumas legislações estaduais e municipais, há tentativas de definir a atuação dos Assistentes de Educação, mas essas iniciativas não possuem uniformidade nem respaldo federal. Guilherme (2019) ressalta que a educação profissional e tecnológica pode ser uma via para consolidar o papel desses profissionais, articulando a formação continuada com uma proposta legal estruturada. Essa fragmentação normativa compromete a inclusão plena dos Assistentes de Educação nos sistemas de ensino e a valorização profissional que lhes é devida.
Aguiar et al. (2020) apontam que, sem regulamentações claras, a categoria permanece vulnerável à precarização e à rotatividade funcional. Essa ausência de respaldo normativo dificulta a atuação integrada com docentes e gestores, desvalorizando o potencial pedagógico e organizacional dos Assistentes de Educação.
Quadro 1 – Tipologia dos Documentos Legais sobre Assistentes de Educação no Brasil

Fonte: Elaboração própria com base nas análises de documentos legislativos presentes nos repositórios da ANPAE, CNTE e UFMS (2020–2025).
Os dados do quadro 1, mostram que apenas leis locais têm feito algum esforço de reconhecimento formal dos Assistentes de Educação, e mesmo assim de forma heterogênea e não vinculada a uma política nacional. Essa fragmentação gera desigualdade entre os sistemas de ensino, dificultando a mobilidade e a valorização uniforme da categoria. A ausência de dispositivos nacionais também impede o acesso a programas como o FUNDEB, que condicionam recursos à existência de cargos formalizados.
Além disso, sem uma descrição legal clara, muitas vezes os Assistentes de Educação são confundidos com auxiliares administrativos ou inspetores escolares, como denuncia Monlevade (2016). Isso prejudica o entendimento social e institucional sobre suas reais funções e reduz o espaço de atuação pedagógica complementar que poderiam ocupar.
A análise dos dispositivos legais reforça que não basta reconhecer esses profissionais como parte da equipe escolar — é preciso garantir uma estrutura normativa que legitime seu papel e sua formação. Somente com esse respaldo será possível estabelecer uma política de valorização efetiva e equitativa para todos os trabalhadores da educação. Em síntese, evidenciou-se a carência de normativas estruturadas e a necessidade urgente de articulação nacional, com vistas à regulamentação oficial e valorização profissional dos Assistentes de Educação.
DESAFIOS PARA REGULAMENTAÇÃO NACIONAL DOS ASSISTENTES DE EDUCAÇÃO
A análise dos desafios que envolvem a regulamentação nacional dos Assistentes de Educação revela um panorama de invisibilidade estrutural e fragilidade institucional. A falta de normatização federal resulta na descontinuidade das ações de valorização, fazendo com que os profissionais dependam de iniciativas locais muitas vezes desconectadas das diretrizes nacionais. Aguiar et al. (2020) observam que, quando não há reconhecimento oficial, o exercício da função fica subordinado à gestão escolar, sem garantia de direitos ou vínculo com políticas públicas. Essa lacuna afeta diretamente a estabilidade e o pertencimento institucional dos trabalhadores não docentes.
Além disso, a indefinição legal tem implicações na precarização da carreira. Estudos como os de Cyrne (2019) e Costa Neto (2021) destacam que a ausência de regulamentação faz com que muitos profissionais sejam contratados sem concurso, com vínculos temporários, salários reduzidos e jornadas excessivas. A inexistência de plano de carreira específico inviabiliza qualquer perspectiva de crescimento profissional, formação continuada ou aposentadoria digna. Soma-se a isso o fato de que, em diversos contextos, as funções atribuídas aos Assistentes de Educação extrapolam o escopo contratual, sem contrapartida legal.
A fragmentação dos sistemas de ensino acentua essa desigualdade, como mostram os dados levantados por Oliveira et al. (2024), que indicam variações significativas entre redes municipais e estaduais quanto ao reconhecimento formal da categoria. Municípios que aprovaram leis específicas têm conseguido organizar concursos, estrutura de formação e regulamentação das atribuições, enquanto outros mantêm o cargo de forma precária, sem respaldo jurídico. Essa disparidade evidencia a necessidade de uma política nacional que integre os Assistentes de Educação às diretrizes do Plano Nacional de Educação.
Quadro 2 – Eixos Temáticos Principais

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Fonte: Elaboração própria com base em estudos de Costa Neto (2021), Oliveira et al. (2024), Cyrne (2019) e Aguiar et al. (2020).
Para melhor compreensão dessas informações, apresenta-se a seguir uma ilustração destas informações, por meio de um infográfico (Figura 1).
Os dados do infográfico mostram que os obstáculos à regulamentação nacional são múltiplos e se conectam a questões legais, institucionais e políticas. Sem uma base normativa sólida, os Assistentes de Educação continuam sendo incorporados de forma improvisada aos quadros escolares, o que compromete sua atuação e enfraquece os princípios de valorização profissional inscritos nas metas educacionais do país. A variação de tratamento entre redes públicas fomenta desigualdades e dificulta a padronização de critérios para ingresso, formação e avaliação.
Figura 1 – Desafios à Regulamentação Nacional dos Assistentes de Educação

Fonte: Elaboração própria com base em estudos de Costa Neto (2021), Oliveira et al. (2024), Cyrne (2019) e Aguiar et al. (2020)
A ausência de regulamentação também contribui para o desconhecimento social e institucional da função. Cyrne (2019) aponta que muitos gestores não distinguem adequadamente os Assistentes de Educação dos demais profissionais administrativos, o que gera sobreposição de tarefas e conflitos na organização escolar. Tal invisibilidade reflete a fragilidade simbólica de uma categoria que, embora exerça papel fundamental na mediação pedagógica e administrativa, continua excluída dos processos decisórios e dos programas de valorização.
Para reverter esse cenário, é necessário compreender a regulamentação não apenas como um instrumento jurídico, mas como estratégia de reconhecimento político e pedagógico. A normatização federal contribuiria para a consolidação de um perfil profissional com identidade clara, formação definida e atribuições estruturadas, favorecendo o diálogo entre políticas de inclusão, gestão escolar e desenvolvimento institucional. Como sugere Souza (2025), tratar da legislação educacional de forma inclusiva implica reconhecer todos os sujeitos que fazem a escola acontecer.
Logo, os resultados deste tópico apontam para uma urgência normativa e institucional: é preciso instituir diretrizes nacionais que assegurem a regulamentação dos Assistentes de Educação, promovendo sua valorização profissional e integração plena aos sistemas de ensino. Sem esse avanço, a função permanecerá à margem das políticas educacionais e dos marcos legais que sustentam a democratização da escola pública brasileira.
A CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE PROFISSIONAL RECONHECIDA: CAMINHOS PARA A VALORIZAÇÃO DOS ASSISTENTES DE EDUCAÇÃO
A valorização dos Assistentes de Educação requer mais do que iniciativas pontuais: exige uma política nacional que integre formação, regulamentação e reconhecimento simbólico. Após discutir os obstáculos legais e a invisibilidade institucional, torna-se essencial avançar para propostas que consolidem uma identidade profissional clara, capaz de conferir sentido, pertencimento e estabilidade a esses trabalhadores do cotidiano escolar.
A ausência de diretrizes federais unificadas impede que os Assistentes de Educação sejam contemplados nas políticas de formação continuada, nas ações de progressão na carreira e nas pautas de valorização profissional. Conforme aponta Costa Neto (2021), sem um perfil definido e atribuições regulamentadas, os profissionais continuam em uma posição ambígua dentro da estrutura escolar, o que dificulta sua inclusão em programas como o Plano de Desenvolvimento da Educação ou os mecanismos de financiamento da formação.
Nesse sentido, Cyrne (2019) defende que a construção de uma identidade profissional passa pela elaboração de uma legislação específica que defina atribuições pedagógicas e administrativas, respeite os limites da função e assegure condições adequadas de trabalho. A criação de cursos de formação inicial e continuada voltados exclusivamente para a categoria contribuiria para fortalecer seus saberes profissionais e elevar o prestígio da função no âmbito escolar.
Além disso, é necessário implementar mecanismos de reconhecimento institucional, como concursos públicos específicos, plano de carreira compatível com as funções desempenhadas e inserção nos espaços de deliberação escolar, como conselhos e colegiados. Oliveira et al. (2024) mostram que, em municípios onde houve avanços normativos, a valorização simbólica e material dos Assistentes de Educação resultou em maior integração às equipes escolares, melhoria na qualidade da atuação e redução da rotatividade.
A proposta de consolidação da identidade profissional deve também dialogar com os princípios da gestão democrática. O reconhecimento dos Assistentes de Educação como sujeitos pedagógicos amplia a diversidade da equipe escolar e fortalece a cultura de inclusão, conforme sugere Aguiar et al. (2020). Ao valorizar os saberes construídos na prática cotidiana e as experiências de mediação entre estudantes, famílias e educadores, o sistema educacional passa a refletir com mais profundidade a realidade da escola pública brasileira.
Portanto, estabelecer caminhos para a construção da identidade profissional dos Assistentes de Educação é investir na equidade e na qualidade da educação básica. Sem esse reconhecimento formal e simbólico, a função permanece vulnerável, fragmentada e invisível — comprometendo não apenas os profissionais, mas também os estudantes e a própria missão da escola pública.
DISCUSSÃO
A presente pesquisa evidenciou que os Assistentes de Educação enfrentam um cenário marcado pela precarização institucional, o que corrobora os estudos de Cyrne (2019), que apontam a inexistência de concursos públicos e vínculos trabalhistas instáveis como fatores que fragilizam a permanência desses profissionais nas escolas. Nos dados coletados em campo, observou-se que a maioria dos entrevistados atua em condições semelhantes, com contratos temporários e remuneração abaixo da média da carreira educacional, reforçando a análise do autor sobre a informalidade predominante no setor.
Ao comparar esses achados com Aguiar et al. (2020), nota-se convergência quanto à subordinação funcional dos Assistentes de Educação às gestões escolares, sem respaldo normativo que garanta autonomia ou reconhecimento oficial. Em sua pesquisa, Aguiar et al. relatam que a falta de regulamentação federal perpetua uma invisibilidade institucional, fazendo com que esses profissionais sejam vistos como meros auxiliares administrativos. Esse padrão foi também identificado em sua investigação, na qual os sujeitos demonstraram desconhecimento sobre seus direitos e atribuições, além de relatar sobreposição de tarefas não previstas contratualmente.
No campo da fragmentação das políticas públicas, Oliveira et al. (2024) destacam a disparidade entre redes municipais e estaduais, evidenciando que alguns municípios avançaram na criação de leis específicas, enquanto outros mantêm o cargo de forma improvisada. Essa tendência foi confirmada pelos dados levantados em sua pesquisa, os quais revelaram que a atuação dos Assistentes de Educação varia significativamente entre diferentes regiões, tanto em termos de reconhecimento legal quanto de formação profissional oferecida. Essa comparação reforça a urgência de diretrizes nacionais que unifiquem critérios e valorizem a categoria.
Costa Neto (2021) chama atenção para a ausência de plano de carreira e formação continuada, o que impede que os Assistentes de Educação tenham perspectivas reais de crescimento e estabilidade. Ao observar os relatos de campo, percebe-se que essa limitação impacta diretamente na motivação e no vínculo institucional dos profissionais. Vários entrevistados expressaram sentimentos de frustração ao não serem incluídos em programas de formação e atualização pedagógica, o que confirma a análise de Costa Neto sobre o descaso da gestão pública frente à valorização desses agentes educacionais.
Outro ponto convergente entre sua pesquisa e a literatura está na invisibilidade simbólica, tema abordado por Cyrne (2019) e retomado por Oliveira et al. (2024), que apontam a ausência de representações sociais e políticas sobre os Assistentes de Educação. Nos dados analisados, ficou evidente que essa invisibilidade se manifesta na baixa autoestima profissional e na exclusão dos espaços de decisão dentro da escola. Os depoimentos mostraram que os profissionais raramente são chamados a participar de conselhos escolares ou reuniões pedagógicas, o que fragiliza a construção de uma identidade institucional.
A partir da análise comparativa com Aguiar et al. (2020), destaca-se a importância de tratar a regulamentação como estratégia de reconhecimento político e pedagógico. Em sua pesquisa, identificou-se que os Assistentes de Educação desempenham funções essenciais para o funcionamento da escola pública, mas são constantemente desvalorizados nos discursos oficiais e nas práticas cotidianas. Essa constatação fortalece a proposta dos autores de incluir esses profissionais nas políticas de gestão democrática, garantindo sua presença nos espaços deliberativos e valorizando seus saberes práticos.
Assim sendo, os resultados revelam que, apesar das particularidades locais observadas na pesquisa de campo, há uma convergência nacional no processo de negligência institucional
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa realizada permitiu compreender de forma aprofundada os múltiplos desafios enfrentados pelos Assistentes de Educação no contexto da escola pública brasileira. Os resultados apontam para uma situação de invisibilidade institucional, precarização das relações de trabalho e ausência de reconhecimento formal e simbólico da função, revelando um cenário marcado por descontinuidade, desigualdade territorial e falta de valorização profissional.
A análise evidenciou que a ausência de regulamentação específica contribui diretamente para a fragilidade dos vínculos laborais, dificultando a construção de uma identidade profissional sólida. Observou-se, também, que as variações entre redes municipais e estaduais acentuam as disparidades no tratamento da categoria, comprometendo a equidade e a padronização das práticas educacionais. Além disso, ficou claro que a função do Assistente de Educação é fundamental para o funcionamento cotidiano da escola, especialmente na mediação entre gestão, corpo docente, estudantes e famílias. No entanto, essa importância não é devidamente reconhecida, o que afeta tanto a autoestima profissional quanto o pertencimento institucional dos sujeitos envolvidos.
A discussão dos dados revelou que, sem uma política nacional que assegure diretrizes claras para formação, ingresso, atuação e valorização, esses profissionais continuarão à margem das políticas educacionais. A carência de planos de carreira e a exclusão dos espaços decisórios contribuem para a desmotivação e para a rotatividade, o que compromete a estabilidade das equipes escolares. O estudo também aponta que a construção de uma identidade profissional para os Assistentes de Educação deve ser articulada com políticas públicas voltadas para a gestão democrática e a inclusão institucional. Isso implica reconhecer o papel pedagógico desses profissionais e investir em mecanismos que favoreçam seu desenvolvimento contínuo e sua participação nos processos educativos.
A partir desses resultados, conclui-se que há uma urgência normativa, política e simbólica no reconhecimento dos Assistentes de Educação como sujeitos integrantes dos sistemas públicos de ensino. Somente com regulamentação, formação adequada e valorização efetiva será possível garantir melhores condições de trabalho e fortalecer a missão da escola pública. Portanto, a pesquisa reafirma a necessidade de se ampliar o debate sobre os Assistentes de Educação, promovendo ações integradas que consolidem sua identidade, assegurem seus direitos e contribuam para a construção de uma educação mais justa, inclusiva e democrática.
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