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Resumo
INTRODUÇÃO
A alfabetização cartográfica constitui um componente essencial no ensino de Geografia, pois oferece aos estudantes a possibilidade de interpretar e representar o espaço geográfico de maneira crítica, contextualizada e analítica. Em um cenário global marcado por transformações territoriais rápidas e avanços tecnológicos contínuos, a competência para ler e interpretar mapas tornou-se indispensável à formação de sujeitos críticos e socialmente engajados (monmonier, 2018). Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) de 2022 revelam que cerca de 60% dos estudantes brasileiros enfrentam dificuldades na leitura de representações espaciais, o que compromete seu desempenho em disciplinas como Geografia e Matemática (OECD, 2022).
Apesar da relevância da cartografia no desenvolvimento do pensamento geográfico, persistem obstáculos significativos para sua efetiva inserção no processo de ensino-aprendizagem. Entre os principais desafios destacam-se a formação insuficiente dos docentes e a escassez de materiais didáticos atualizados e adaptados às demandas contemporâneas da educação geográfica (Castrogiovanni; Kato, 2020). A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em sua versão de 2018, reconhece a importância do letramento cartográfico, orientando que os estudantes desenvolvam habilidades relacionadas à leitura de mapas, interpretação de escalas e compreensão de fenômenos espaciais representados graficamente (Brasil, 2018). No entanto, a falta de capacitação específica e a dificuldade de integrar tecnologias digitais ao ensino comprometem a efetividade dessas diretrizes (Callai, 2019).
Diante desse cenário, as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) surgem como ferramentas promissoras para dinamizar o ensino da cartografia. Recursos como softwares de georreferenciamento, mapas interativos, aplicativos de localização e jogos educativos podem contribuir para o engajamento dos alunos e favorecer aprendizagens mais significativas (Montello; Friendly, 2020). Além disso, metodologias ativas como a aprendizagem baseada em problemas (ABP) e a gamificação demonstram potencial para estimular a autonomia e o raciocínio espacial dos estudantes (Pontuschka; Paganelli; Cacete, 2017). A integração da cartografia com outras áreas do conhecimento, como Matemática e História, também amplia a compreensão do espaço em múltiplas escalas e contextos (Oliveira; Karnal, 2021).
Neste contexto, o presente artigo propõe uma análise crítica sobre o impacto da interpretação de mapas no desempenho escolar, tendo como foco o desenvolvimento do letramento cartográfico como instrumento formativo. A pesquisa busca responder às seguintes questões norteadoras: (1) de que forma o letramento cartográfico influencia o aprendizado e o desempenho dos alunos? (2) Quais são os principais desafios enfrentados pelos professores no ensino da cartografia no Ensino Fundamental? (3) como as TICs podem potencializar o ensino e a aprendizagem cartográfica no contexto da educação básica?
A investigação fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, com base em revisão bibliográfica de produções acadêmicas publicadas entre 2020 e 2025, priorizando fontes indexadas e de alto impacto na área. A seleção das referências considerou critérios de relevância e atualidade, possibilitando uma análise aprofundada das dificuldades enfrentadas no ensino da cartografia, bem como das metodologias inovadoras empregadas para superá-las. Os dados analisados permitiram refletir sobre como a formação docente, o uso das TICs e a adoção de práticas pedagógicas ativas podem contribuir para a construção de uma educação geográfica mais inclusiva, crítica e significativa.
REVISÃO DE LITERATURA
A ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA E SUA RELEVÂNCIA NO ENSINO DE GEOGRAFIA
A alfabetização cartográfica constitui um elemento central no desenvolvimento da compreensão espacial dos estudantes, pois permite a interpretação e representação de informações geográficas de forma crítica, reflexiva e contextualizada. Para Castellar e Girotto (2021), a cartografia no ambiente escolar deve ir além da mera leitura de mapas, estimulando a análise de diferentes escalas, linguagens e representações. Essa perspectiva amplia a autonomia dos alunos e favorece a construção de um pensamento geográfico mais sofisticado.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) enfatiza a necessidade de desenvolver competências cartográficas desde os anos iniciais do Ensino Fundamental, promovendo o domínio de noções como localização, orientação e representação do espaço geográfico (Brasil, 2018). Contudo, como observam Callai e Kaercher (2020), ainda há entraves significativos à implementação dessas diretrizes, especialmente no que tange à carência de materiais didáticos atualizados e à insuficiência de formação docente específica na área da cartografia.
O ensino cartográfico, quando articulado de forma interdisciplinar, pode promover aprendizagens mais significativas e integradas. De acordo com Oliveira e Karnal (2021), a conexão entre cartografia, matemática e história amplia as possibilidades de análise das relações espaciais e temporais, contribuindo para a construção de uma visão mais crítica e contextualizada da realidade. Tal abordagem favorece o desenvolvimento de competências essenciais à leitura do mundo, por meio da compreensão das interações entre sociedade e natureza.
A necessidade de adaptar os materiais didáticos às novas tecnologias também tem se destacado na literatura recente. Montello e Friendly (2020), apontam que o uso de mapas digitais, aplicativos interativos e plataformas de geolocalização pode tornar a aprendizagem mais dinâmica e atrativa, promovendo maior envolvimento dos estudantes. No entanto, a inserção eficaz dessas ferramentas demanda formação continuada dos professores, de modo que possam integrá-las de maneira pedagógica e significativa ao currículo escolar.
Por fim, a alfabetização cartográfica deve ser compreendida não apenas como uma habilidade técnica, mas como um processo de letramento crítico e emancipador. Conforme argumentam Almeida e Passini (2021), o ensino da cartografia deve estimular os alunos a refletirem sobre os significados políticos, sociais e culturais das representações espaciais, ampliando sua consciência sobre as dinâmicas territoriais e os conflitos que permeiam o espaço geográfico. Assim, a educação cartográfica torna-se uma via potente para a formação de cidadãos mais críticos, participativos e socialmente responsáveis.
TECNOLOGIAS DIGITAIS NO ENSINO CARTOGRÁFICO
O avanço das tecnologias digitais têm provocado mudanças significativas no ensino da cartografia, oferecendo novas possibilidades para a construção do conhecimento geográfico. Ferramentas como sistemas de informação geográfica (SIG), plataformas de georreferenciamento e aplicativos interativos vêm sendo incorporadas às práticas pedagógicas, ampliando o acesso e a análise de dados espaciais. Para Goodchild (2022), a popularização dessas tecnologias tem contribuído para a democratização do conhecimento geográfico, permitindo que os estudantes desenvolvam análises mais complexas sobre fenômenos territoriais diversos.
Entre os recursos tecnológicos mais utilizados no contexto educacional, destacam-se os mapas digitais interativos e os softwares de SIG, como o Google Earth e o ArcGIS. Segundo Castellar e Girotto (2021), essas plataformas proporcionam uma experiência de aprendizagem mais dinâmica e envolvente, ao estimular a exploração espacial por meio da interatividade e da visualização de fenômenos em múltiplas escalas. Tais ferramentas favorecem a compreensão do espaço geográfico como construção social, dinâmica e relacional.
Além disso, o uso de realidade aumentada e gamificação tem se mostrado eficaz para engajar os estudantes na aprendizagem cartográfica. Conforme apontam Moreira e Sugui (2020), essas estratégias tornam o ensino mais atrativo e lúdico, favorecendo a assimilação de conceitos espaciais. Jogos educativos baseados em mapas, como o Geoguessr, vêm sendo aplicados em sala de aula como forma de estimular o interesse pela Geografia e fortalecer o letramento cartográfico.
Apesar dos benefícios, a implementação dessas tecnologias ainda enfrenta desafios importantes. Almeida e Passini (2021) alertam que a escassez de infraestrutura tecnológica em muitas escolas públicas, aliada à ausência de formação continuada para os professores, compromete o uso pedagógico eficaz dessas ferramentas. Tal cenário evidencia a necessidade urgente de políticas públicas que contemplem a capacitação docente e a modernização dos recursos educacionais nas instituições de ensino básico.
Outro fator essencial para a efetividade do uso das tecnologias digitais é o desenvolvimento de estratégias metodológicas que integrem de maneira crítica esses recursos ao planejamento pedagógico. Montello e Friendly (2020) destacam que a simples adoção de ferramentas tecnológicas não assegura aprendizagens significativas. Para isso, é necessário que os docentes mobilizem metodologias ativas, como a aprendizagem baseada em problemas (ABP), promovendo a investigação e a análise crítica de temas socioespaciais relevantes.
Por fim, a inserção das tecnologias digitais no ensino da cartografia deve vir acompanhada de uma reflexão ética e política. Goodchild (2022) chama a atenção para os riscos de exclusão educacional gerados pelo acesso desigual às tecnologias, o que pode aprofundar ainda mais as disparidades no processo de ensino-aprendizagem. Dessa forma, torna-se indispensável que as políticas públicas garantam a universalização do acesso às ferramentas digitais, assegurando uma educação geográfica mais equitativa, crítica e inclusiva.
DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA A FORMAÇÃO DOCENTE EM CARTOGRAFIA
A formação de professores constitui um dos principais entraves para a consolidação de um ensino de cartografia significativo na educação básica. Muitos docentes de Geografia concluíram sua formação inicial com deficiências substanciais na área cartográfica, o que compromete diretamente a qualidade da mediação pedagógica em sala de aula. Essa lacuna, segundo Callai e Kaercher (2020), resulta da reduzida ênfase dada à cartografia nos cursos de licenciatura, que ainda privilegiam abordagens teóricas em detrimento das práticas pedagógicas voltadas ao ensino-aprendizagem do espaço geográfico.
A inexistência de políticas consistentes de formação continuada agrava esse cenário. Conforme apontam Almeida e Passini (2021), a maior parte dos professores enfrenta dificuldades para acompanhar as inovações metodológicas e tecnológicas no campo da cartografia, recorrendo, assim, a práticas convencionais centradas na memorização de conteúdos e na reprodução mecânica de mapas. Essa abordagem limita a autonomia dos alunos e restringe o desenvolvimento do pensamento geográfico crítico.
Uma alternativa promissora está na implementação de programas de capacitação específicos para a cartografia escolar. De acordo com Oliveira e Karnal (2021), cursos de formação continuada favorecem a adoção de metodologias mais ativas e a incorporação de tecnologias digitais, como softwares de georreferenciamento, plataformas de mapas interativos e jogos educativos. Além disso, iniciativas de colaboração entre universidades e escolas têm se mostrado eficazes na qualificação docente e no aprimoramento das práticas pedagógicas em Geografia.
O papel das políticas públicas também merece destaque nesse debate. A formulação de diretrizes curriculares que reconheçam a importância do ensino cartográfico pode contribuir significativamente para o fortalecimento da formação inicial dos professores. Castellar e Girotto (2021), ressaltam que medidas como a produção e distribuição de materiais didáticos específicos e o fomento à pesquisa sobre ensino de cartografia são fundamentais para a valorização da área e para a consolidação de uma educação geográfica mais robusta.
Outro aspecto essencial refere-se à adaptação dos cursos de licenciatura às exigências da cultura digital contemporânea. Para Montello e Friendly (2020), é imprescindível que a formação docente contemple o uso pedagógico das tecnologias digitais e o domínio de metodologias ativas que promovam a aprendizagem investigativa e colaborativa. O professor, nesse contexto, deve atuar como mediador de processos interativos e significativos de construção do saber geográfico.
Por fim, é necessário que a formação em cartografia transcenda os limites técnicos e seja orientada por uma abordagem crítica e emancipadora. Conforme argumenta Goodchild (2022), a alfabetização cartográfica deve estimular nos alunos a leitura dos mapas como representações políticas e culturais, capazes de revelar disputas territoriais e desigualdades socioambientais. Assim, investir na qualificação docente é também apostar em uma educação geográfica transformadora, capaz de formar sujeitos conscientes de seu lugar no mundo.
METODOLOGIA
A presente pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com ênfase em revisão bibliográfica, tendo como objetivo analisar criticamente as contribuições teóricas sobre o letramento cartográfico e seu impacto no aprendizado e desempenho escolar no ensino de Geografia. Segundo Minayo (2022), os estudos qualitativos são indicados para compreender fenômenos sociais e educacionais em profundidade, considerando suas múltiplas dimensões interpretativas. Nesse sentido, o estudo está alicerçado na análise de publicações acadêmicas atuais, que discutem a integração entre cartografia escolar, metodologias pedagógicas e uso de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).
A coleta de dados foi realizada por meio da seleção criteriosa de artigos científicos, livros, dissertações e teses publicados entre os anos de 2020 e 2025, priorizando fontes indexadas em bases reconhecidas como SciELO, Google Acadêmico, CAPES Periódicos e Web of Science. Os critérios de inclusão envolveram a atualidade, a relevância para o campo da Educação Geográfica, a autoria reconhecida e o alinhamento temático com os objetivos do estudo. Foram excluídas publicações sem rigor metodológico ou que apresentassem dados desatualizados ou não aplicáveis à realidade da educação básica brasileira.
A amostra documental não é probabilística, mas intencional, conforme o escopo da pesquisa qualitativa. A análise do material bibliográfico foi conduzida por meio de leitura exploratória, leitura analítica e organização em categorias temáticas emergentes, conforme orientações de Gil (2023). Tais categorias permitiram identificar aspectos recorrentes sobre os desafios da formação docente, a aplicação das TICs no ensino cartográfico, as práticas interdisciplinares e o uso de metodologias ativas como a gamificação e a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP).
Embora a pesquisa não envolva sujeitos humanos, respeitaram-se os princípios éticos da pesquisa científica, especialmente no que se refere à integridade, à fidedignidade das fontes e à correta citação dos autores, conforme a NBR 6023:2023 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A utilização de fontes confiáveis visa garantir a validade e a replicabilidade dos resultados apresentados, além de permitir que futuros pesquisadores possam retomar ou aprofundar as análises desenvolvidas neste estudo.
A principal limitação desta pesquisa consiste na natureza secundária dos dados, uma vez que não foram aplicados instrumentos empíricos de coleta direta com professores ou estudantes. Contudo, a profundidade e diversidade das fontes analisadas permitem traçar um panorama abrangente sobre os desafios e as possibilidades do ensino cartográfico na contemporaneidade, fundamentando propostas e reflexões consistentes sobre práticas pedagógicas mais eficazes e inclusivas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos a partir da revisão bibliográfica qualitativa revelam que o ensino de cartografia na educação básica enfrenta desafios estruturais e metodológicos que comprometem significativamente a aprendizagem dos estudantes. De acordo com o relatório mais recente do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), aproximadamente 60% dos estudantes brasileiros apresentam dificuldades na leitura e interpretação de representações espaciais, o que impacta diretamente seu desempenho em disciplinas que exigem raciocínio espacial, como Geografia e Matemática (OECD, 2022). Corroborando esse dado, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) também aponta baixos índices de acerto em questões relacionadas à análise cartográfica (INEP, 2023), evidenciando a fragilidade da alfabetização cartográfica no currículo escolar.
Um dos principais entraves identificados refere-se à insuficiência da formação docente específica na área de cartografia. Callai (2019) argumenta que muitos professores de Geografia não são devidamente preparados para trabalhar com leitura e interpretação de mapas, o que resulta em práticas fragmentadas e pouco contextualizadas. Além disso, como apontam Castrogiovanni e Kato (2020), a carência de materiais didáticos atualizados, bem como a ausência de abordagens interdisciplinares e metodologias ativas, limita o engajamento dos estudantes e restringe o desenvolvimento de habilidades espaciais.
Nesse contexto, a inserção das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) tem se mostrado uma estratégia eficaz para superar parte dessas limitações. Estudos de Almeida e Passini (2021) demonstram que o uso de plataformas como Google Earth e softwares de georreferenciamento, quando bem aplicados, promovem maior interatividade e contextualização no ensino cartográfico. O programa Escola Interativa e o projeto Mapas Digitais na Educação são exemplos de iniciativas que ampliaram o acesso dos estudantes ao conhecimento geográfico por meio da tecnologia. Contudo, Montello e Friendly (2020) alertam que o sucesso dessas ferramentas depende diretamente da infraestrutura escolar disponível e da formação técnica e pedagógica dos professores.
A aplicação de metodologias ativas, como a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) e a gamificação, também apresentou resultados positivos. Pontuschka, Paganelli E Cacete (2017) evidenciam que jogos digitais e atividades lúdicas baseadas em mapas interativos favorecem a assimilação de conceitos cartográficos de maneira mais significativa. Moreira e Sugui (2020), destacam que essas estratégias contribuem para a motivação dos alunos, promovendo a aprendizagem por meio da experimentação e do protagonismo estudantil. Ferreira e Silva (2023), reforçam que o ensino híbrido e a aprendizagem cooperativa podem ampliar a autonomia dos discentes no processo de construção do saber geográfico.
Outro ponto de destaque diz respeito à interdisciplinaridade como potencializadora do ensino cartográfico. A iniciativa “Cartografia Integrada no Ensino Fundamental”, analisada por Cavalcanti (2022), demonstrou que a articulação entre as disciplinas de Geografia, Matemática e História permite uma compreensão mais ampla das relações espaciais e temporais. Oliveira e Karnal (2021), também defendem que a integração curricular favorece a formação de um pensamento crítico e contextualizado, além de melhorar o desempenho acadêmico por meio de conexões significativas entre conteúdos.
Apesar dos avanços observados, persistem desafios importantes, como a falta de políticas públicas voltadas à valorização da formação docente e à modernização da infraestrutura escolar. Castellar e Girotto (2021), enfatizam a necessidade de investimentos em cursos de capacitação continuada, produção de materiais didáticos contextualizados e criação de diretrizes curriculares que reconheçam a centralidade da cartografia na formação cidadã. Além disso, Rezende e Lima (2023), ressaltam a importância de ampliar o acesso a bibliotecas cartográficas digitais e plataformas de dados geoespaciais, promovendo maior equidade na apropriação desses saberes.
Os achados desta pesquisa indicam que o fortalecimento do letramento cartográfico requer a reformulação das práticas pedagógicas tradicionais, a inserção crítica de tecnologias digitais e a promoção de metodologias inovadoras que dialoguem com as realidades socioculturais dos alunos. O aprimoramento dessas práticas pode não apenas melhorar o desempenho acadêmico, mas também contribuir para a formação de sujeitos mais conscientes, capazes de interpretar o espaço geográfico e intervir de forma crítica na sociedade (Goodchild, 2022).
Tabela 1 – Desafios e estratégias para o ensino da cartografia na educação básica

Fonte: Elaborado pela autora com base em revisão bibliográfica (2020–2025).
A Tabela 1 sintetiza os principais desafios enfrentados no ensino da cartografia na educação básica e as estratégias identificadas na literatura para enfrentá-los. Observa-se que muitos dos entraves estão relacionados à formação inicial e continuada dos docentes, à carência de recursos didáticos atualizados e à limitada integração entre cartografia e tecnologias digitais. Esses fatores comprometem significativamente a qualidade do ensino geográfico, restringindo o desenvolvimento de competências espaciais essenciais para a leitura crítica do mundo.
As soluções apresentadas, fundamentadas em estudos recentes, destacam a importância da adoção de metodologias ativas, como a gamificação e a aprendizagem baseada em problemas, além do uso de tecnologias como softwares de SIG e mapas digitais interativos. A literatura também evidencia que projetos interdisciplinares e políticas públicas de investimento em infraestrutura escolar são fundamentais para uma educação cartográfica mais inclusiva e eficaz. Dessa forma, os dados sistematizados reforçam a necessidade de ações estruturais e pedagógicas que favoreçam a transformação das práticas docentes e a promoção do letramento cartográfico como eixo integrador no ensino de Geografia.
Por fim, ressalta-se a importância de futuras investigações que analisem a eficácia de estratégias didáticas inovadoras em diferentes contextos escolares, incluindo ambientes com recursos limitados e populações em situação de vulnerabilidade. Estudos comparativos entre abordagens tradicionais e metodologias ativas no ensino da cartografia podem ampliar a compreensão sobre o impacto dessas práticas na aprendizagem e no desenvolvimento das competências geográficas dos estudantes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente pesquisa evidenciou a relevância do letramento cartográfico como componente essencial para o desenvolvimento do pensamento espacial e para a construção de uma educação geográfica mais crítica, contextualizada e formativa. O estudo demonstrou que a capacidade de interpretar mapas está diretamente relacionada ao desempenho acadêmico e à formação de sujeitos capazes de compreender e intervir no espaço em que vivem.
Entre os principais desafios identificados estão a insuficiência da formação docente específica, a carência de recursos didáticos atualizados e a limitada integração entre cartografia e tecnologias educacionais. Tais fatores comprometem a eficácia do processo de ensino-aprendizagem, evidenciando a necessidade de investimentos em formação continuada, políticas públicas específicas e ampliação da infraestrutura tecnológica nas escolas.
As estratégias analisadas apontam para a eficácia da utilização de metodologias ativas, como a aprendizagem baseada em problemas e a gamificação, bem como o uso de ferramentas digitais interativas. Essas abordagens contribuem para o engajamento dos estudantes, facilitam a assimilação de conceitos e promovem um aprendizado mais significativo e duradouro.
A interdisciplinaridade também se destacou como elemento potencializador do ensino cartográfico, ao possibilitar conexões entre saberes geográficos, matemáticos, históricos e sociais. A articulação curricular entre diferentes áreas do conhecimento amplia a compreensão dos fenômenos espaciais e fortalece a formação integral dos alunos.
Com base nas evidências levantadas, conclui-se que o fortalecimento do ensino de cartografia exige uma reformulação nas práticas pedagógicas, aliada à valorização docente, ao uso intencional das tecnologias digitais e à construção de currículos que considerem a cartografia como ferramenta indispensável para a leitura crítica do território.
Sugere-se que futuras investigações explorem a aplicação das metodologias discutidas em diferentes contextos escolares, com ênfase na inclusão digital, no atendimento a estudantes com necessidades específicas e na formação de profissionais de áreas estratégicas como Engenharia, Arquitetura e Planejamento Urbano. Ampliar o debate sobre a alfabetização cartográfica é, portanto, um passo fundamental para a consolidação de uma educação geográfica transformadora e socialmente relevante.
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