A atuação do enfermeiro como auditor interno em serviços hospitalares

THE ROLE OF THE NURSES AS INTERNAL AUDITOR IN HOSPITAL SERVICES

EL PAPEL DE LAS ENFERMERAS COMO AUDITORAS INTERNAS EN LOS SERVICIOS HOSPITALARIOS

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/C68941

DOI

doi.org/10.63391/C68941

Dambroz, Fernanda Jhenifer Simonelli. A atuação do enfermeiro como auditor interno em serviços hospitalares. International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O presente estudo tem por objetivo conhecer os aspectos da atuação do enfermeiro dentro da auditoria e no processo de acreditação hospitalar, com vista na qualidade da assistência prestada ao paciente e aos seus aspectos relevantes, além de esclarecer os benefícios da auditoria hospitalar. Para captação dos dados foi realizado uma pesquisa teórica, através de revisão de publicações disponibilizadas em artigos científicos publicado em revistas ou em sites com conteúdos confiável, dando sustentação e credibilidade a atuação do enfermeiro auditor em serviços hospitalares.
Palavras-chave
nfermeiro. auditoria. hospital.

Summary

The present study aims to understand the aspects of the nurse’s performance within the audit and in the hospital accreditation process, with a view to the quality of care provided to the patient and its relevant aspects, in addition to clarifying the benefits of hospital auditing. To collect the data, a theoretical research was carried out, through a review of publications made available in scientific articles published in journals or on websites with reliable content, giving support and credibility to the performance of the nurse auditor in hospital services.
Keywords
nurse. audit. hospital.

Resumen

El presente estudio tiene como objetivo comprender los aspectos de la actuación del enfermero dentro de la auditoría y en el proceso de acreditación hospitalaria, mirando a la calidad de la atención prestada al paciente y sus aspectos relevantes, además de esclarecer los beneficios de la auditoría hospitalaria. Para recolectar datos se realizó una investigación teórica, a través de la revisión de publicaciones disponibles en artículos científicos publicados en revistas o en sitios web con contenido confiable, que brinden respaldo y credibilidad a la actuación del enfermero auditor en los servicios hospitalarios.
Palavras-clave
enfermera. auditoría. hospital.

INTRODUÇÃO

A atuação do enfermeiro como auditor interno em serviços hospitalares é individualmente aproveitada para a racionalização dos custos envolvidos no exercício assistencial, age em estabelecimentos hospitalares avaliando a qualidade da assistência de enfermagem.

O enfermeiro auditor é um importante profissional, pois atua de forma avaliativa para que as falhas sejam corrigidas na instituição. Quando se fala em qualidade da assistência de enfermagem, como um fator fundamental para o benefício do cliente, é importante esclarecer o que se entende por qualidade da assistência e o que é esperado dos profissionais envolvidos no cuidado para atingi-la.

O objetivo desta pesquisa é conhecer os aspectos da atuação do enfermeiro dentro da auditoria e no processo de acreditação hospitalar, com vista na qualidade da assistência prestada ao paciente e os seus aspectos relevantes, além disso, esclarecer os objetivos e benefícios da auditoria hospitalar.

Para a captação dos dados deste trabalho foi realizada uma pesquisa teórica, através da revisão de publicações disponibilizadas em artigos científicos publicados em revistas ou em sites com conteúdo confiável, buscando assim, a sustentação e a credibilidade por meio de estudos existentes sobre a atuação do enfermeiro auditor em serviços hospitalares, além disso, buscamos sustentar esta pesquisa com relato de experiência de enfermeiros que atuam ou atuaram na auditoria hospitalar de Enfermagem.

É de grande importância a atuação do enfermeiro auditor numa instituição hospitalar, pois com a supervisão deste profissional a margem de erros por parte dos outros profissionais diminuirá havendo assim a satisfação dos pacientes.

Segundo Costa et al., (2004), historicamente a atividade de auditoria foi inserida pelos administradores de indústrias como auditoria contábil. No campo saúde, a primeira auditoria foi desempenhada em 1918 com a finalidade de avaliar a prática médica. A auditoria na área de saúde foi inserida no começo do século XX, como ferramenta de investigação da característica da assistência, por meio da apreciação de registros em prontuários. Recentemente, a auditoria é tomada como ferramenta de controle e regulação do uso de serviços de saúde (Pinto, Melo, 2010).

Os ofícios públicos igualmente se amoldam a este fato, de acordo com a legislação que normatiza o acompanhamento fiscal, o controle e a avaliação técnico–científica, contábil, financeira e patrimonial dos atos e serviços de saúde. Em 1999, o Ministério da Saúde reestruturou a nova disposição de atividades do Sistema Nacional de Auditoria (SNA), sendo que aquelas relacionadas ao controle e avaliação transpuseram a encargo da Secretaria de Assistência à Saúde (SAS) e, as relativas à auditoria, ao Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Ministério Da Saúde, 2014).

As primeiras divulgações sobre auditoria em enfermagem são da década de cinquenta, quando uma enfermeira e professora da Universidade do Estado de Detroit criou uma ferramenta de auditoria, o Phaneuf’s Nursing Audit (Auditoria de Enfermagem de Phaneuf). O padrão de auditoria de enfermagem crescido por Phaneuf era aplicado de maneira retrospectiva aos registros dos prontuários, permitindo que as enfermeiras analisassem a qualidade do cuidado de enfermagem por meio da aquisição e apreciação de informações quantitativas a respeito da assistência proporcionada (Pinto, Melo, 2010).

A cada dia que decorre, clientes assistidos nas instituições de saúde estão mais convencidos dos seus direitos e exigindo o grau elevado de excelência no seu atendimento, e para garanti-los é essencial o bom emprego da auditoria, em específico a auditoria em Enfermagem, pelas características típicas do profissional, para o redirecionamento das ações, que possam garantir efeitos positivos e clientes satisfeitos, que vá além do emprego de servir somente aos interesses das organizações onde operam, estando introduzida em uma política de saúde e numa conjuntura de organização de saúde cuja intenção especifique o que se acredita desta prática, tal como a aporte para a qualidade da assistência de Enfermagem e a atenção à saúde da população de uma maneira geral. (Scarparo et al., 2010). 

Pode ser definida ainda como um conjunto de medidas pelas quais, peritos internos ou externos revisam as atividades operacionais de determinados departamentos de um estabelecimento, com o intuito de mensurar as condições dos serviços fornecidos. Pode-se descrever que a auditoria é uma tática para aprimorar o cuidado por meio de levantamento precedente e identificação da carência na disposição e assistência oferecida (Caveião, 2013).

A auditoria é uma tendência de negócio, sendo uma divisão em ascensão com vertentes de aspectos distintos, como auditor de contas, qualidade da assistência na análise e processos (Caveião, 2013).

De acordo com o Manual De Auditoria (1998), a auditoria consiste no exame sistemático e independente dos fatos obtidos através da observação, medição, ensaio ou outras técnicas apropriadas, onde sua finalidade é aferir a preservação dos padrões estabelecidos e proceder ao levantamento de dados que permitam ao SNA conhecer a qualidade, a quantidade, os custos e os gastos da atenção à saúde; avaliar os elementos componentes dos processos da instituição, serviço ou sistema auditado, objetivando a melhoria dos procedimentos, por meio da detecção de desvios dos padrões estabelecidos; avaliar a qualidade, a propriedade e a efetividade dos serviços de saúde, visando à melhoria da assistência à saúde; produzir informações para subsidiar o planejamento das ações que contribuam para o aperfeiçoamento do SUS e para a satisfação do usuário.

Para melhor avaliação e conferência no trabalho do auditor a auditoria subdivide em auditoria operacional ou concorrente e auditoria analítica ou retrospectiva. A operacional é fundamentado na observação direta dos acontecimentos, documentos e circunstâncias, tendo seu objetivo na avaliação do atendimento das normas e diretrizes, por meio de constatação técnico-científica e contábil da documentação médica, bem como, se indispensável, o exame do paciente (Pais, Maia, 2005).

A analítica é fundamentada na análise dos documentos, relatórios e processos, com objetivo de identificar situações consideradas incomuns sendo passível a avaliação, bem como conferência quantitativa e qualitativa da conta hospitalar para que ocorra a adequação de valores. Auxilia no trabalho operacional e delineia o perfil da assistência e os seus controles (Pais, Maia, 2005).

O Ministério da Saúde (2011) explicam que as formas de operacionalização da auditoria estão definidas em três as quais são: Direta – auditoria realizada com a participação de técnicos de um mesmo componente do SNA; Integrada – auditoria realizada com a participação de técnicos de mais de um dos componentes do SNA; Compartilhada – auditoria realizada com a participação de técnicos do SNA, junto com os demais técnicos de outros órgãos de controle interno e externo.

Ainda segundo o Ministério Da Saúde (2011) os tipos de auditoria são classificadas conforme a Conformidade – examina a legalidade dos atos de gestão dos responsáveis sujeitos à sua jurisdição, quanto ao aspecto assistencial, contábil, financeiro, orçamentário e patrimonial; Operacional – avalia os sistemas de saúde, observados aspectos de eficiência, eficácia e efetividade.

Segundo Motta (2013) a auditoria interna é o serviço realizado por um profissional contratado pela instituição, seja registrado ou consultor, que será responsável pela auditoria realizada dentro das instalações da operadora, pela análise das contas hospitalares de hospitais, clínicas e laboratórios.

Sampaio (2012) explica que o acompanhamento das atuações de auditoria desenvolvidas pelas distintas instituições de saúde é efetivado principalmente por meio das equipes de auditores que procuram aferir os aspectos técnicos, científicos, financeiros, patrimoniais e estruturais.

Para evitar as glosas, várias organizações preferiram abranger a auditoria interna, que é abrangida como uma atividade de controle administrativo, com alto grau de independência, que averigua as concordâncias na essência desta organização, antes que o auditor externo possa recusar ou identificar as inconformidades. (Melo, Vaitsman, 2008).

Sua constituição antropológica e holística da assistência à saúde do ser humano, assim como os valores administrativos e organizacionais dos serviços de saúde, institui seus valores éticos em auditoria de Enfermagem que se solidifica tanto no setor público como no privado, abarcando instituições hospitalares, núcleos de saúde, e ainda, as operadoras de planos de saúde. (Costa, et al., 2004; Martini et al., 2009).

A auditoria hospitalar deve ser preventiva, por isso que desenvolve um trabalho em condutas e educação continuada, com isso torna-se proativo assegurando a qualidade no atendimento, economia e redução de custos.

De acordo com Silva e Casa (2006), na auditoria Hospitalar são averiguados os aspectos organizacionais, operacionais e financeiros sempre com relação com a qualidade da assistência oferecida ao paciente. A auditoria comumente é composta por distintos profissionais, que desempenham a análise qualitativa e quantitativa do prontuário antecipadamente ao faturamento e posterior a ele conferindo as glosas realizadas e redigindo relatórios finais para a tomada de decisão.

A Assistência Hospitalar demanda uma auditoria em três estados ou componentes: preliminar ou prospectiva, que está relacionada com a admissão; concorrente ou concomitante, que está voltada para o desenvolvimento da hospitalização e a retrospectiva que se pauta nos dados obtidos posteriormente a alta do paciente (Paes, Maia, 2005).

Para o exercício da auditoria é importante a edificação de instrumentos que devem considerar os alvos de acordo com a composição, processo e resultado da assistência, determinando o caminho a percorrer para a obtenção da qualidade (Blank, Sanches e Leopardi, 2013).

De maneira universal, os efeitos mostraram que a visão atual da auditoria está focada no espectro contábil e financeiro, tendo em vista a confirmação econômica do hospital e como ação de controladoria, visando identificar pagamentos indevidos relativos à conta hospitalar; no futuro, a essa concepção mencionada será coligada à avaliação da qualidade da assistência, com implicação em outras áreas que nela intervêm (Scarparo, Ferraz, 2008). 

No Brasil, a auditoria médica e de enfermagem nasceu de maneira primitiva na década de setenta. Desde então, tem-se expandido a técnica da auditoria em saúde, com uma progressiva assimilação da mão-de-obra de enfermeiras (Pinto, Melo, 2010). A auditoria em enfermagem (AE) representa o papel de controle do processo administrativo, examinando se os efeitos da assistência estão de acordo com as finalidades (Silva et al., 1990).

Os enfermeiros vêm assumindo um novo papel e tendo novas chances no sistema de saúde, nos hospitais e nas operadoras de saúde, catalogando à administração de serviços de saúde (Motta, 2003).

A AE surgiu nestas conjunturas e é definida como maneira de avaliação sistêmica da qualidade da assistência de enfermagem proporcionada ao enfermo, pela análise do prontuário, chamada de Auditoria Retrospectiva (ou pós-evento), ou pelo acompanhamento do enfermo in loco, definida como Auditoria Concorrente. Mais uma modalidade é a Auditoria Prospectiva, que incide em analisar antecipadamente os procedimentos antes de sua efetivação (Dias, 2008).

Há autores que a definem como a avaliação sistemática da qualidade de enfermagem prestada ao cliente pela análise dos prontuários, garantindo justa cobrança e pagamento adequado (Motta, 2003).

Para Seixas, Viana, Silva (2014) é a avaliação sistemática da qualidade da assistência de enfermagem, verificada por meio das anotações destes profissionais no prontuário do paciente e/ou das próprias condições deste, tendo surgido como uma ferramenta importante para mensuração da qualidade (Auditoria de cuidados) e custos (Auditoria de custos) das instituições de saúde. Desta forma, sua intenção consiste em identificar áreas deficientes do serviço de enfermagem, bem como da assistência de enfermagem, objetivando na melhoria dos programas e da qualidade do cuidado de enfermagem, permitindo a reciclagem e atualização dos profissionais de enfermagem como um todo. Além disso, diversos benefícios podem ser encontrados tanto para os clientes, através da melhoria da qualidade na assistência; quanto para a equipe de enfermagem, fornecendo dados para reflexão de sua própria prática profissional; e também para a instituição, por permitir verificar o alcance de objetivos, dando continuidade a programação e auxiliando no controle de custos.

Portanto, a auditoria pode ser vista como um processo educativo onde não se busca o responsável pela falha, mas sim se questiona o porquê do resultado adverso. Essa mudança de referencial estimula a participação da equipe na detecção e busca de soluções (Seixas, Viana, Silva, 2014).

Com a uniformização dos processos da assistência de enfermagem, a avaliação a ser desempenhada por meio da auditoria passa a ter uma base de forma que a prática assistencial apresente condições de analisar seus saldos (Scarparo, Ferraz, 2008).

As atividades de Auditoria em Enfermagem são regulamentadas por lei onde o enfermeiro realiza atividades privativas. Dentre essas leis pode-se citar: 

  • Decreto 94.406/87 que regulamenta a Lei nº 7498 de 25 de junho de 1986: Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e dá outras providências. Institui como atividades privativas do enfermeiro a consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de enfermagem. Em seu artigo 8º, inciso I, alínea D: “ao enfermeiro incumbe privativamente, consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de enfermagem”. (BRASIL art 11, Lei nº 7.498/86);
  • Resolução do COFEN – 266/2001: Aprova atividades de Enfermeiro Auditor. Fixa normas para registro de enfermeiro com pós graduação (COFEN – 266/2001). 
  • Resolução nº 290/2004: fixa as especialidades de enfermagem.

A Resolução CFC nº 828/1998, aprova a NBC T 11 IT – 02, que trata de Papéis de Trabalho e Documentação de Auditoria, e compreende um conjunto de formulários e documentos que constituem o suporte do trabalho desenvolvido pelo auditor, contendo o registro de todas as informações utilizadas, das verificações a que procedeu e das conclusões a que chegou, formando a evidência do seu trabalho. O Tribunal de Contas da União considera como papéis de trabalho, entre outros, planilhas, formulários, questionários preenchidos, fotografias, vídeos, áudios, arquivos magnéticos, ofícios, memorandos, portarias, cópias de contratos e outros documentos, matrizes de planejamento e de procedimentos, de achados de auditoria e de responsabilização.

A atividade de auditoria de Enfermagem vem se solidificando tanto no âmbito público como no privado, envolvendo instituições hospitalares, centros de saúde, e também, as operadoras de planos de saúde (Costa et al., 2004). 

Segundo Motta (2013) na auditoria em saúde há algumas condutas a serem seguidas por todos os profissionais que atuam na função de auditor como médicos, enfermeiros, dentista entre outros. As condutas a ser seguidas para o melhor desempenho no trabalho são:

  • Conhecer e identificar os aspectos que envolvem o ambiente no qual está inserido;
  • Conhecer os aspectos técnico-científicos da área que audita;
  • Conhecer os acordos e situações que envolvem as diversas questões de trabalho; trabalhar com honestidade, ponderação e bom senso;
  • Não fazer julgamentos prévios sem ter pleno conhecimento dos fatos;
  • Trabalhar em parceria, buscando novas informações;
  • Orientar os demais colegas de trabalho quanto às novas situações;
  • Discutir e aprender com isso;
  • Agir sempre dentro dos preceitos éticos de sua profissão.

Conforme Pereira (2010), o Auditor tem que ser um eminente negociador nas distintas circunstâncias, sabendo abordar as pessoas abrangidas no procedimento, fazendo-se respeitar como profissional técnico que é sempre indicando domínio de sua atividade. Ter visão, direção e ponderação de realidade, sabendo relacionar-se com colaboradores e usuários, impedindo atritos supérfluos. Desta forma, o perfil ideal do enfermeiro para operar nesta área necessitará ser alguém metódico, ético, detalhista, com bom nível de cautela e de conhecimento, grande senso de humor, habilidade de liderança, desejo por desafios e competência de se comunicar.

A qualidade dos serviços de enfermagem abarca não só a formação do enfermeiro, o método de reparo da saúde do cliente ou, quando isto não é plausível, a melhoria das condições de vida, as orientações quanto ao autocuidado, a facilitação e a garantia nos processos de enfermagem, mas também os efeitos do produto hospitalar, avaliado por meio da qualidade da documentação e do registro de todos os atos de enfermagem (Fonseca, 2005).

É inegável a valorização do enfermeiro auditor no processo de avaliação e implementação de medidas que aprimoram a qualidade da assistência à saúde do paciente, principalmente dentro do espaço hospitalar, mediante a análise dos prontuários, uma vez que boa parte de seu preenchimento deve-se a equipe dos profissionais de Enfermagem, e assim responsáveis pelo maior número de glosas hospitalares, por depararem informações incompletas, o que também afeta a assistência oferecida ao paciente assim como a instituição e a equipe multiprofissional. (Godoi et al., 2008).

Por meio da AE, é plausível analisar importantes aspectos da assistência, sejam implicados com a qualidade do procedimento desenvolvido, seu registro ou os custos abrangidos. Na prática, procura-se compreender os gastos originados pela assistência, nos padrões instituídos em convênios hospitalares. Para isto, é indispensável analisar, principalmente, os protocolos de utilização de materiais descartáveis e medicamentos instituídos pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), além da prescrição médica e prescrição de enfermagem sobrevinda da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), bem como os registros da evolução dos enfermos e aqueles desempenhados pela equipe multiprofissional. Desta maneira, é imprescindível uma leitura crítica de todos os dados impressos que compõem o prontuário ou qualquer recepção ambulatorial para içar elementos para a atuação em Educação Continuada e/ou do próprio SCIH (COFEN, 2000; Motta, 2010).

A auditoria permite através dos relatórios de avaliação, a direção para a equipe e a instituição, quanto ao registro apropriado das atuações profissionais e o respaldo ético e legal, frente aos conselhos, às assembléias de classe e à justiça. (Setz, D’innocenzo, 2009; Kobayashi, Leite, 2010). 

A auditoria em enfermagem tem por objetivos à análise de registros de enfermagem e de contas hospitalares, a interpretação dos dados analisados e as críticas após a análise – glosa (Fontinele Júnior, 2002).

O enfermeiro em sua formação tem quatro papéis importantes: educacional, assistencial, de planejamento e administrativa. Como gerente do serviço de enfermagem ou como responsável por uma unidade de serviço, o enfermeiro inserido neste sistema tem que se arranjar cada vez mais como gerenciador de uma unidade que suscita gastos e envolver-se nas ações referentes a ela: consumo, falhas e táticas (Fonseca, 2005).

O enfermeiro auditor tem as responsabilidades de dominar a legislação vigente; operar em concordância da mesma; atuar com ética, dentro dos princípios do exercício da profissão; apreciar os convênios entre prestadores de serviços e operadoras de planos de saúde; conservar-se atualizado sobre os aspectos científicos da enfermagem; dominar o teor da composição da conta hospitalar. A valorização do enfermeiro auditor é uma fato nas instituições hospitalares que procuram neste profissional a materialização do atendimento proporcionado por suas equipes (Caveião, 2013).

As medidas designadas à qualidade da assistência à saúde demandam visão expandida dos gestores dos serviços de saúde, como finalidade constante de mudança e melhorias no método de trabalho diário. A enfermagem incumbe acolher as demandas por cuidado, potencializando a atividade para além do empenho técnico, colaborando, portanto, com a qualidade da assistência (Adami, 2000). 

A análise do prontuário ou de algum procedimento, sob o olhar da AE é um desafio que estabelece questionamentos importantes em analogia à qualidade da assistência à saúde. Múltiplos são os assuntos na atualidade que impactam na saúde, pelo preço da tecnologia ou pela própria qualidade do serviço oferecido. Este episódio fica confirmado no Sistema Único de Saúde e nas Operadoras de Planos e Seguradoras de Saúde e Hospitais (Blank, Sanches, Leopardi, 2013).

Na literatura há numerosas recomendações da importância de se estudar a AE, para qualificar a assistência proporcionada ao cliente e atentar à reflexão dos enfermeiros com relação ao seu papel no método de auditoria (Adami, 2000). 

No trabalho de auditoria, pode-se notar pouca preocupação formal com a avaliação do cuidado proporcionado ao paciente, circunstância esta que causa inquietação, pois é pertinente a conveniência de realizá-la simultaneamente à análise contábil. Acontecem também erros mais frequentes que geram glosas na conta hospitalar, que muitas vezes são de responsabilidade da enfermagem (Scarparo, Ferraz, 2008).

De acordo com Kurcgant (2005) o processo de trabalho na enfermagem organiza-se em subprocessos, que podem ser denominados cuidar ou assistir, administrar ou gerenciar, pesquisar e ensinar, sendo que cada um destes possui seus próprios objetos, meios/instrumentos e atividades, coexistindo em um mesmo momento e instituição, além de ter os seus agentes, os trabalhadores de enfermagem, inseridos de forma heterogênea e hierarquizada, expressando a divisão técnica e social do trabalho.

RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ENFERMEIROS NA AUDITORIA INTERNA HOSPITALAR

Algumas questões não foram respondidas por falta de conhecimentos necessários por parte dos profissionais sobre o trabalho da auditoria hospitalar interna de enfermagem. Observou-se que apenas um dos hospitais realiza uma auditoria de enfermagem de forma mais organizada e complexa. Os demais, apenas revisão de prontuários, sendo que alguns têm uma equipe mínima que não é especializada, mas que tem alguns conhecimentos práticos voltados para a atuação do auditor. Os hospitais que realizam auditoria são de grande porte, particular e filantrópico que prestam serviço ao SUS.

Apenas os enfermeiros auditores dos hospitais privados são especializados em auditoria, sendo que, apenas um destes soube responder às questões voltadas para a área de auditoria hospitalar.

Nas respostas, onde os atores atuam com auditoria interna hospitalar, esta é realizada com objetivo de revisar prontuários, apontar falhas e diminuir custos/gastos. Nenhum dos hospitais realiza auditoria visando melhoria da qualidade da assistência prestada ao paciente (não diretamente).

Basicamente, a função do enfermeiro auditor, com base nas respostas dos entrevistados, é: “Auditar, fiscalizar, gerenciar controle de custos e qualidade dos serviços prestados”, “avaliar a veracidade das informações, assinaturas, carimbos, procedimentos realizados”. As análises do EA são baseadas em custos e gastos, glosas que são realizadas através da análise/revisão de prontuários e anotações de enfermagem.

O perfil do enfermeiro auditor citado pelos entrevistados deve ser baseado em: possuir conhecimentos técnico-científicos, ser discreto, respeitar os outro, saber impor determinados limites; ser educador, honesto, atencioso e gostar da parte burocrática; agir como educador, ser tolerante, ter conhecimento dos aspectos legais que regem a profissão, manter um comportamento ético e sigiloso a respeito das informações confidenciais, expressar sua opinião sempre baseada em evidências e acompanhar o desenvolvimento tecnológico na saúde.

Ao serem indagados sobre os cuidados que o enfermeiro deve ter ao exercer a auditoria disseram que este deve ser justo, honesto e incorruptível, zelando pelos preceitos éticos, ser criterioso, observador, fundamentando a auditoria em evidências, prezar pelo bom relacionamento com a equipe, nunca escrever, evoluir ou alterar evoluções e ou informações no prontuário do paciente”. Para superar esses desafios, na visão destes, é necessário investir em capacitações e atualizações para os profissionais que atuam nessa área, é necessário que o auditor saiba impor respeito, ter conhecimentos técnico-científicos, saber realizar seus relatórios/ trabalhos.

Os benefícios desse tipo de auditoria, segundo entrevistados é a redução de custos, otimização do tempo, ordem e disciplina da equipe, planejamento, monitorização, elaboração e avaliação dos prontuários e da assistência prestada ao cliente com melhora na composição final do prontuário e permitindo avaliação da qualidade da assistência prestada na Instituição, bem como sugerir medidas para melhorar aspectos envolvendo a equipe multidisciplinar”. Para o hospital pode significar melhoria na qualidade com redução significativa dos custos, servir para rastrear possíveis problemas e para elaboração de medidas preventivas, minimizando os danos que podem ser causados nos pacientes durante a internação, permitindo uma melhora na qualidade das informações contidas nos prontuários.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste trabalho pode-se perceber que no âmbito da saúde, ainda permanecem numerosos desfalques na área da gestão, sobretudo nas instituições públicas de saúde, compondo um desafio da mudança a ser atingida, que diz respeito ao gerenciamento do campo da saúde. É preciso criar um novo ambiente para a gerência, empenhada com o aumento da eficácia do sistema e com a geração de equidade. Mediante a isso, no presente estudo foi possível identificar uma grande dificuldade na prestação de serviços de auditoria interna hospitalar. Esse fato deve-se principalmente à pequena quantidade de enfermeiros capacitados em exercer a profissão de auditoria em enfermagem; e ao pouco conhecimento por parte da equipe e dos gestores, sobre a importância do trabalho do enfermeiro auditor e os benefícios que o trabalho deste pode vir a trazer para a instituição hospitalar. 

Um grande problema, enfrentado pelas equipes de auditoria interna, é a falta de registros de enfermagem nos prontuários, dificultando e até inviabilizando o trabalho do auditor de enfermagem.

Outro problema é na execução dos serviços de auditoria de Enfermagem estar muito voltada para a prestação de conta e pouco preocupada com a excelência da prestação de cuidados. Há, ainda no momento, pouco interesse por parte da gestão em procurar a verificação de falhas na prestação de serviços aos pacientes. É notável ainda que os estabelecimentos de saúde convivam com problemas ou com efeitos ineficientes, muitas vezes sem domínio, e gerando assim reivindicações e insatisfação de usuários.

Ainda foi possível concluir que, a auditoria interna prevalece em hospitais de médio e grande porte, privados e filantrópicos que prestam serviços para os hospitais públicos e privados. Este fato vem a causar grande dificuldade, por parte dos gestores em hospitais de pequeno porte, em realizar a gestão de contar dos serviços hospitalares, causando grandes perdas no setor econômico do hospital, o que acontece por falta de conhecimento na execução da avaliação dos serviços prestados.

Para que esses problemas sejam sanados, é necessário investir em capacitações das equipes de auditoria hospitalar visando o maior conhecimento por parte dos profissionais que realizam esse tipo de serviço e a valorização de seu trabalho visto que este pode vir a melhorar na qualidade da prestação de serviços hospitalares diminuindo assim os custos indesejáveis e/ou glosas nos pagamentos de contas hospitalares.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Edição

v. 5
n. 48
A atuação do enfermeiro como auditor interno em serviços hospitalares

Área do Conhecimento

Análise do comportamento aplicada – ABA
autismo; crianças; intervenções; habilidades sociais; comportamentais.
A psicologia das pessoas da melhor idade no contexto da ansiedade, depressão e tristeza: Uma perspectiva psicanalítica
psicologia; ansiedade; depressão; tristeza; saúde mental.
Abordagem da leishmaniose tegumentar americana em Laranjal do Jari/Amapá: Uma análise por faixa etária de 2009 a 2015
leishmaniose; região Amazônica; Amapá.
Levantamento de metabólitos secundários com alguma aplicabilidade produzidos por fungos
metabólitos bioativos; bioprospecção fúngica; aplicações farmacológicas; diversidade química; produção sustentável.
Acessibilidade à saúde bucal em comunidades ribeirinhas: Obstáculos e soluções
comunidades ribeirinhas; saúde bucal; pesquisa-ação; acessibilidade; políticas públicas.
Edentulismo no Brasil: Determinantes socioculturais, informacionais e perspectivas futuras
edentulismo; saúde bucal; políticas públicas; prevenção; cultura e saúde.

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