Modulação sensorial nas intervenções baseadas na análise do comportamento aplicada em crianças autistas: Uma revisão integrativa

SENSORY MODULATION IN INTERVENTIONS BASED ON APPLIED BEHAVIOR ANALYSIS IN AUTISTIC CHILDREN: AN INTEGRATIVE REVIEW

MODULACIÓN SENSORIAL EN INTERVENCIONES BASADAS EN EL ANÁLISIS DE LA CONDUCTA APLICADO EN NIÑOS AUTISTAS: UNA REVISIÓN INTEGRADORA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/DBE666

DOI

doi.org/10.63391/DBE666

Oliveira, Charles Henrique Andrade de. Modulação sensorial nas intervenções baseadas na análise do comportamento aplicada em crianças autistas: Uma revisão integrativa. International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este artigo tem como objetivo fazer uma pesquisa integrativa buscando trabalhos científicos que aproximem as intervenções em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e a integração sensorial com o conceito de modulação sensorial, pesquisados nas bases de dados Lilacs – Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde/BVS, Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed/Medline e Google Acadêmico. Os descritores utilizados foram “intervenção ABA”, “ABA”, “integração sensorial”, “modulação sensorial” e “acomodação sensorial”, combinados ao operador booleano AND, considerando apenas artigos publicados no período de 2020 a 2025. A ausência de publicações que aproximem os temas alerta a necessidade de maiores estudos e pesquisas voltadas para uma visão interprofissional, ampliando e incentivando compartilhamento de práticas já vivenciadas e expertises adjuvantes entre essas intervenções e abordagens. Existe uma grande diversidade dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), as práticas de acompanhamento a essas crianças também devem englobar essa diversidade em suas estratégias de atuação.
Palavras-chave
modulação sensorial; análise do comportamento aplicada; crianças; autismo.

Summary

This article aims to conduct integrative research seeking scientific works that bring together interventions in Applied Behavior Analysis (ABA) and sensory integration with the concept of sensory modulation, researched in the Lilacs databases – Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences/BVS, Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed/Medline and Google Scholar. The descriptors used were “ABA intervention”, “ABA”, “sensory integration”, “sensory modulation” and “sensory accommodation”, combined with the Boolean operator AND, considering only articles published between 2020 and 2025. The lack of publications that bring these themes together highlights the need for further studies and research focused on an interprofessional perspective, expanding and encouraging the sharing of practices already experienced and adjuvant expertise between these interventions and approaches. There is great diversity within Autism Spectrum Disorder (ASD), and monitoring practices for these children must also encompass this diversity in their action strategies.
Keywords
sensory modulation; applied behavior analysis; children; autism.

Resumen

Este artículo tiene como objetivo realizar una investigación integradora buscando trabajos científicos que asocien intervenciones en Análisis Aplicado del Comportamiento (ABA) e integración sensorial con el concepto de modulación sensorial, investigados en las bases de datos Lilacs – Literatura Latinoamericana y del Caribe en Ciencias de la Salud/BVS, Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed/Medline y Google Scholar. Los descriptores utilizados fueron “intervención ABA”, “ABA”, “integración sensorial”, “modulación sensorial” y “acomodación sensorial”, combinados con el operador booleano AND, considerando únicamente los artículos publicados entre 2020 y 2025. La falta de publicaciones que integren estos temas resalta la necesidad de más estudios e investigaciones centrados en una perspectiva interprofesional, ampliando y fomentando el intercambio de prácticas ya experimentadas y la experiencia complementaria entre estas intervenciones y enfoques. Existe una gran diversidad dentro del Trastorno del espectro autista (TEA), y las prácticas de seguimiento para estos niños también deben incorporar esta diversidad en sus estrategias de acción.
Palavras-clave
modulación sensorial; análisis de conducta aplicado; niños; autismo

INTRODUÇÃO

Segundo o DSM – V (Manual Diagnóstico e Estatísticos de Transtornos Mentais) em sua mais recente revisão, apresenta como critérios de diagnóstico para o TEA (Transtorno do Espectro Autista) déficits persistentes na comunicação e interação social (em múltiplos contextos), padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, causando prejuízos significativos no funcionamento social, profissional, ou qualquer área importante no desenvolvimento do indivíduo (APA, 2014).

Dentro dos critérios de padrões restritos e repetitivos incluem: “hiper ou hipo reatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente” (APA, 2014, p. 50). Entende-se que a existência de disfunções de integração sensorial influencia déficits no desenvolvimento cognitivo, social, comportamental e afetivo, desta maneira é de extremamente importância oferecer estratégias que amenizem os prejuízos decorrentes dessas disfunções (Monteiro et. al, 2021).

A análise do comportamento aplicada (ABA) tem sido reconhecida mundialmente pelos resultados eficientes baseada em evidências científicas robustas no que tange o desenvolvimento de repertório de habilidades de crianças com TEA, diminuindo comportamento que interferem o desenvolvimento pleno da criança e dando maior qualidade de vida para esse público (Moraes et al, 2024)

Pode-se apontar como um dos objetivos desse tipo de intervenção sendo o aprendizado de comportamentos relevantes para seu desenvolvimento e a extinção de comportamentos disruptivos, considerando a singularidade de cada criança, promovendo comportamentos mais adaptativos em diferentes ambientes (Moraes et al, 2024). Tais intervenções necessariamente vão levar em consideração as possíveis alterações sensoriais, objetivando a generalização de comportamentos relevantes em qualquer ambiente da criança.

O presente artigo pretende aprofundar a compreensão da utilização do conceito da integração sensorial dentro das estratégias de intervenção com base ABA, buscando aprofundar de maneira a explorar e fazer uma análise sobre o que já fora publicado de conhecimento nessas áreas na literatura científica, caracterizando uma revisão integrativa de literatura (Nobre, Guerra e Carnut, 2022).

Ampliando a fundamentação de estratégias de intervenção considerando os temas apontados para aumentar o arcabouço teórico e prático de profissionais de diferentes áreas que tenham como público alvo, crianças dentro do espectro autista, incluindo até mesmo pais e ou cuidadores.

REFERENCIAL TEÓRICO

MODULAÇÃO SENSORIAL

Para entender o conceito de modulação sensorial, deve-se primeiro trazer o entendimento do processo inconsciente do cérebro que organiza as sensações captadas pelos órgãos dos sentidos, sendo eles: tátil, paladar, visão, audição, olfato, incluindo o vestibular (equilíbrio e orientação espacial) e proprioceptivo (posicionamento corporal), este é o processo de integração sensorial. Esse processo cerebral permite a seleção de informações relevantes, ou seja, fornece respostas adaptativas que interferem, diretamente, no comportamento emitido em diferentes ambientes (Furtuoso e Mori, 2022).

Nas palavras dos autores:

 

A pesquisadora e terapeuta ocupacional Anna Jean Ayres (1920 – 1988) foi a precursora nos estudos sobre a relação da integração sensorial e do comportamento das crianças. Ela desenvolve a Teoria da Integração Sensorial, na qual busca compreender a forma como o sistema nervoso central percebe e processa as sensações advindas do meio externo, e sua relação com o comportamento adaptativo pelas crianças. (Furtuoso e Mori, 2022, p. 420)

 

Sabendo que entre os critérios diagnósticos para TEA o processo sensorial é fator determinante, alguns autores apontam que crianças com TEA apresentam algum tipo de déficit nesse processamento, ou seja, são indivíduos que têm dificuldade de regular e organizar os estímulos recebidos, o sistema nervoso responde de formas extremas de interpretação, muito ou pouco, transparecendo em comportamentos atípicos, gerando estresse e ansiedade ao tentar perceber o ambiente (Bezerra et al, 2023).

Nesta perspectiva é importante enfatizar que crianças com TEA, por terem uma dificuldade de interpretação dos estímulos recebidos pelos órgãos dos sentidos, vão apresentar comportamento inadequados nas atividades cotidianas, por essas informações não serem devidamente organizadas pelo cérebro, causando prejuízos significativos na aprendizagem, coordenação motora, autorregulação, autocuidados, atenção e concentração, simbólico/lúdico, no desenvolvimento afetivo emocional e interação social (Monteiro et al, 2021).

Como alterações sensoriais incluem todos os sentidos da criança, é chamada de disfunção de integração sensorial, e podem ser apresentadas em três categorias: transtorno de modulação sensorial, transtorno de discriminação sensorial e transtornos motores com bases sensoriais (Furtuoso e Mori, 2022).  Ainda segundo os autores, crianças com TEA apresentam uma dificuldade maior no transtorno de modulação sensorial, pois está relacionado à regulação sensorial.

A modulação sensorial está relacionada à duração, à intensidade e à frequência dos estímulos sensoriais percebidos pelo sujeito, e ocorre quando o sistema nervoso central não está conseguindo organizar as informações sensoriais provenientes do meio por uma hiperresposta (reação excessiva), hiporresposta ou busca sensorial (reações insuficientes) aos estímulos recebidos. (Furtuoso e Mori, 2022, p. 420)

 

Autores como Bezerra et al (2023) corroboram essa citação tendo em vista a necessidade de diferenciar alterações no processamento e na modulação sensorial, pois na modulação existe uma dificuldade de regulação do grau, da intensidade e da natureza e as respostas vêm através de comportamentos não adaptativos, causando impacto no desenvolvimento de habilidades necessárias para a criança.

Essa disfunção tem diferentes formas de manifestação, particular para cada criança, podendo ter respostas hipo-reativo ou hipo-sensível (baixa ou ausente), hiper-reativo ou hipersensível (excessos) ou ainda procura ou busca excessiva por estímulos (busca sensorial). Dentro deste contexto, o indivíduo terá dificuldade na experimentação com novos estímulos acarretando funções de autorregulação promovendo padrões de comportamentos disruptivos (Furtuoso e Mori, 2022).

A importância de fazer essa diferenciação dos subtipos de disfunção sensorial é uma condição sine qua non no que tange às estratégias de intervenção para o desenvolvimento pleno de pessoas dentro do TEA.

Para os indivíduos hipo-reativos, faz-se necessário muito estímulo sensorial para se atingir um limiar de excitabilidade que gere uma resposta comportamental. Os hiper-reativos, tem um limite muito baixo de excitabilidade, tendo respostas rápidas e intensas, muitas vezes excessivas e negativas prejudicando o seu contato com o ambiente. Ainda apresentam desordens emocionais e comportamentais, como: “impulsividade, agressividade, irritabilidade, intolerância às frustrações, dificuldade na socialização, ansiedade, desatenção e alto nível de atividade” (Monteiro et al, 2021, p. 134).

Entendendo que existe um “espectro” autista, cada criança vai apresentar características, sintomas, comportamentos muito particulares, mas são únicos. Esse termo refere-se a uma variação de sintomas, níveis de desenvolvimento, grau de gravidade e idade cronológica que sua condição apresenta. Desta forma, o processamento sensorial refere-se às informações recebidas pelos órgãos do sentido, quando existe uma falha, a criança tem dificuldade de compreensão e entendimento do que acometem ao seu próprio corpo, o que sente, como interpretar, o que está acontecendo em sua volta. Em algumas situações podem não sentir dor, sons diários podem ser dolorosos ou até mesmo sons que normalmente não se percebem, essas crianças percebem de maneira exacerbada, evitação de toque humano, tipos de texturas podem causar irritabilidade, ou até mesmo não saber diferenciar texturas (Furtuoso e Mori, 2022).

Essas considerações devem ser levadas em conta quanto se pensa em intervenções ou treinos de habilidades para o desenvolvimento infantil, em diferentes áreas de atuação, tendo uma visão integral da criança e a verdadeira atuação interprofissional. Nas palavras dos autores: “a capacidade de aprender está relacionada à capacidade da pessoa em perceber e em processar as informações do corpo, do movimento e do ambiente, e por meio disso planejar e organizar seu comportamento” (Furtuoso e Mori, 2022, p. 422).

Crianças com TEA devem ter condições favoráveis para integrar e organizar todas as sensações para gerar um comportamento significativo para o seu desenvolvimento, e adequado ao contexto inserido. Essa deve ser a base considerada das intervenções que tem como premissa a análise do comportamento aplicada – ABA. 

ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA – ABA

A Análise do Comportamento Aplicada é conhecida no contexto brasileiro sob a sigla em inglês ABA (Applied Behavioral Analysis). Diante da diversidade do espectro autista, existem várias formas de atuação, diferentes abordagens e métodos distintos, contudo a ABA atualmente a ciência com uma metodologia de ensino intensivo e sem erro, tem um repertório robusto de trabalhos científicos, uma extensa investigação de sua eficácia e adotada por diferentes países, em especial Estados Unidos e Canadá, tendo como objetivo primordial a melhora na qualidade de vida de pessoas dentro do espectro autista (Araújo, Araújo e Rocha, 2024).

ABA tem o behaviorismo como sua fundamentação teórica, nome da teoria cujo foco é o comportamento, seus pressupostos alicerçados na Psicologia Comportamento, compreendendo que o comportamento humano são frutos das diferentes formas de interação com o ambiente, desta maneira podem ser apreendidos, modificados e até mesmo extintos (Penha et al. 2024). Intervenções nessa perspectiva “se dedica a avaliar, elucidar e modificar comportamentos, alinhando-se com os princípios da Análise do Comportamento” (Araújo, Araújo e Rocha, 2024, p. 03). Através do comportamento pode-se atuar com um indivíduo com TEA de forma singular, respeitando suas singularidades, promovendo o seu desenvolvimento e aprendizagem plena, sua inclusão escolar, suas interações sociais, proporcionando autonomia e independência. (Araújo, Araújo e Rocha, 2024).

Diante das singularidades de cada indivíduo dentro do espectro, não se pode desconsiderar o seu processamento sensorial, uma vez que, para melhor qualidade de vida se faz necessário considerar esse processamento nas estratégias de ensino de habilidades. O processamento sensorial, pontuado anteriormente neste artigo, diz respeito a ações no sistema nervoso, que permitirá o sujeito fazer uma interpretação dessas informações do meio inserido e do seu próprio corpo, resultando em uma resposta motora ou comportamental (Bezerra et al, 2023).

A análise funcional é um dos pilares da ABA, através dela é possível identificar antecedentes e consequências que mantém um determinado comportamento, podendo este ser disfuncional ou problemático, como: agressões, autolesões, birras, e movimentos estereotipados disfuncionais. Através das intervenções pode-se promover a transformação desses comportamentos em adaptativos de acordo com o tipo de ambiente (Pereira Jr, Oliveira e Silveira, 2024).

Nas palavras das autoras:

Essa abordagem se fundamenta em princípios comportamentais que ressaltam a significativa contribuição da aprendizagem por meio do reforçamento, trabalhando com a ideia de que todo comportamento é resultado de um estímulo que gera uma resposta e que essa resposta tem uma consequência que a mantém ou a elimina. Dessa forma, durante o processo de intervenção em ABA, os comportamentos podem sofrer modificações, adaptações ou exclusões, e novos comportamentos considerados mais funcionais são introduzidos (Pereira Jr, Oliveira e Silveira, 2024, p. 09).

 

Entende-se como o objetivo das intervenções ABA a expansão do repertório de habilidades do indivíduo, não somente comportamental, mas habilidades sociais, competências pedagógicas/acadêmicas, linguagem/comunicação, independência e autonomia, promovendo seu desenvolvimento para melhor qualidade de vida. Portanto ABA é uma intervenção que se alinha ao entendimento de uma visão integral, multidimensional e interprofissional fundamental quando se pensa em acompanhamento de pessoas com TEA (Pereira Jr, Oliveira e Silveira, 2024).

Segundo os autores Sepúlvida et. al. (2024) apontam para uma tendência promissora ao utilizar a ABA associado, de forma adjuvante a um conjunto de outras terapias, mantendo a visão de um cuidado integral da pessoa com TEA, e ampliando estudos e intervenções promissores na eficácia do tratamento mesmo considerando os desafios e limitações possíveis. Equipe multi e interprofissional garantem o sucesso das estratégias, pois a ABA avalia diversas áreas de habilidades e comportamentos, é essencial que se inclua a visão de diferentes profissionais, como psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, fisioterapeutas, psicomotricistas, nutricionistas e terapeutas ocupacionais, permitindo estratégias mais abrangentes e personalizadas.

Outra limitação na implementação desse método é a falta de regulamentação e padronização da terapia no Brasil.  Embora a terapia ABA seja reconhecida como uma abordagem eficaz para o tratamento do autismo, ainda não existe uma regulamentação clara sobre a qualificação e formação dos profissionais que realizam a terapia.  Por ora, isso pode levar a uma variação na qualidade da terapia oferecida, o que pode afetar os resultados para as crianças e suas famílias (Sepúlvida et al, 2024, p. 05).

 

Dentro desta perspectiva, este artigo tem como objetivo associar as intervenções ABA à profissionais da terapia ocupacional atuantes com integração sensorial, reduzem sintomas do TEA além de aumentar o bem estar de mães. Nas palavras dos autores: “a combinação de terapia ABA com terapia ocupacional é eficaz na promoção do desenvolvimento motor e da independência funcional em crianças com autismo” (Sepúlvida et al, 2024, p. 06).

Um grande desafio a ser superado é o número baixo de estudos que envolvem e levem em consideração a associação dos pressupostos da Análise de Comportamento Aplicada a outras terapias combinadas, não na ideia de complementação, mas de amplitude de atuação e maior eficácia das intervenções.

METODOLOGIA

A metodologia escolhida para este artigo foi a revisão integrativa, trata-se de um artigo de revisão integrativa, por esta permitir realizar pesquisas de estudos científicos já desenvolvidos e apresentados, podendo realizar uma síntese da combinação de diferentes abordagens e fundamentações, que amplia a visão sobre um assunto específico através de evidências científicas (Soares et al, 2022).

O tema norteador desta pesquisa é encontrar trabalhos que associam ou aproximam as intervenções baseadas na ABA com a integração sensorial, podendo ser variado entre modulação ou acomodação sensorial. As bases de dados pesquisadas foram Lilacs – Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde/BVS, Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed/Medline e Google Acadêmico. Os descritores utilizados foram “intervenção ABA”, “ABA”, “integração sensorial”, “modulação sensorial” e “acomodação sensorial” , esses combinados ao operador booleano AND em todas as bases, no período de 2020 a 2025. Os bancos de dados só foram considerados artigos publicados, descartando publicação de teses e/ou dissertações.

Não foi encontrado nenhum artigo no qual estivessem associando essas duas práticas. Sendo possível fazer uma análise dos trabalhos encontrados que tendem a apresentar práticas de uma abordagem específica não associando a outras abordagens, nem tão pouco a práticas multi ou interdisciplinares.

A revisão integrativa permite fazer uma síntese dos achados em uma pesquisa e fazer uma análise objetiva acerca dos temas, permitindo analisar não apenas dados científicos, mas a ausência de estudos associados aos temas e levantamento dos possíveis fatos que levem a essa escassez de trabalhos (Dantas et al, 2022).

Contudo foi essencial a busca por artigos onde a intervenção ABA foi aplicada com outras abordagens, em diferentes contextos. As autoras Araújo, Araújo e Rocha (2024) trazem uma pesquisa de revisão de artigos relacionando a utilização da ABA em associação a outras abordagens e áreas diferentes, no acompanhamento de crianças com TEA, envolvendo temas como seletividade alimentar, atendimento virtual estruturado, terapia familiar estruturada, modificação de comportamentos disruptivos, habilidades sociais, acadêmicas e de atividades de vida diária, publicadas entre os anos de 2014 a 2020. As autoras afirmam:

A discussão sobre ABA experimenta uma mudança significativa, evoluindo de uma ênfase exclusiva em sua eficácia para a exploração de sua aplicação em contextos diversos, enfrentando potenciais desafios e integrando-a a outras disciplinas. O crescente corpo de pesquisa apresenta propostas valiosas para aprimorar a eficácia e a acessibilidade das intervenções ABA, assegurando práticas éticas e culturalmente sensíveis (Araújo, Araújo e Rocha, 2024, p. 08).

 

Outro trabalho que chamou a atenção associa a prática da ABA aos princípios teóricos do exercício e movimento e aos sistemas sensoriais associados à prática da equoterapia, que se utiliza do cavalo como um recurso em uma prática interdisciplinar para crianças com TEA (Silva et al, 2021).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com a pesquisa realizada fica claro a necessidade de ter-se um maior número de publicações científicas voltadas para o acompanhamento de crianças com TEA, devido a diversidade do espectro que engloba diferentes necessidades em diferentes áreas do desenvolvimento infantil, uma visão integral do cuidado com esse público para garantir sua melhor qualidade de vida.

Tendo em comum a qualidade de vida pode-se constatar que todas as pesquisas e estudos envolvendo diferentes abordagens, ferramentas e métodos, têm como objetivo equivalente qualidade de vida.

Nas palavras das Autoras:

ABA não é uma solução única para todos. Embora a ABA demonstre eficácia, os estudos revisados destacam a importância de adaptar as intervenções às necessidades e preferências individuais, enfatizando a tomada de decisão colaborativa e o envolvimento da família no planejamento do tratamento (Araújo, Araújo e Rocha, 2024, p. 09)

.

É fato que há uma necessidade de um maior compartilhamento de profissionais de áreas e abordagens diferentes, mostrarem que é possível através de práticas e expertises um melhor cuidado quando se há uma intervenção interdisciplinar.

No caso das intervenções ABA em conjunto com a integração sensorial, os autores Bezerra et al. (2023) nos trazem que pode haver essa colaboração interdisciplinar, já que a Terapia Ocupacional trabalha atividades de vida diária em diferentes ambientes casa, escola, ambientes coletivos) identificando habilidades e desafios que podem ser adaptados e modificados para melhor participação no seu cotidiano, buscando maior autonomia e independência.

Toda e qualquer estratégia construída baseadas em avaliações de diferentes áreas, tendem a proporcionar maior cuidado e acompanhamento mesmo em abordagens diferentes. Não há um método único, ou um modelo único, existem sim diferentes ciências comprovadas que são eficazes. A construção de uma visão de cuidado baseado em intervenções interprofissionais tende a ser mais eficazes devido o seu amplo campo de atuação, reforçando que cada pessoa é única, com suas particularidades e singularidades, não é o indivíduo que se adequa as estratégias e intervenções, são as estratégias e intervenções que devem ser adequadas a cada pessoa, respeitando sua singularidade.

É necessário que diferentes áreas possam se permitir de atuar e pesquisar junto, divulgando o maior número de intervenções interprofissionais, ampliando o leque de possibilidades e promovendo maior aproximação de intervenções muitas vezes vistas como opostas, mas com objetivos comuns: melhorar a qualidade de vida daqueles que estão dentro do espectro autista.

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Oliveira, Charles Henrique Andrade de. Modulação sensorial nas intervenções baseadas na análise do comportamento aplicada em crianças autistas: Uma revisão integrativa.International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
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v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Modulação sensorial nas intervenções baseadas na análise do comportamento aplicada em crianças autistas: Uma revisão integrativa

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