Violência verbal contra profissionais de enfermagem e seus impactos na saúde mental

VERBAL VIOLENCE AGAINST NURSING PROFESSIONALS AND ITS IMPACTS ON MENTAL HEALTH

VIOLENCIA VERBAL CONTRA LOS PROFESIONALES DE ENFERMERÍA Y SUS IMPACTOS EN LA SALUD MENTAL

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/E24D66

DOI

doi.org/10.63391/E24D66

Godoi, Samantha Pimenta. Violência verbal contra profissionais de enfermagem e seus impactos na saúde mental. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Os profissionais de saúde são a classe de trabalhadores que mais sofrem violência verbal por atuarem diretamente no contato com os pacientes. Este estudo tem por objetivo analisar a percepção dos profissionais de enfermagem sobre os impactos da violência verbal no ambiente de trabalho na sua saúde mental, descrevendo os tipos e formas de violência verbal mais comuns contra profissionais de enfermagem, sugerindo estratégias na literatura para prevenção e enfrentamento da violência verbal no ambiente de trabalho. Metodologia: Pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa e natureza exploratória, onde foi realizada a análise de artigos já publicados, fazendo uma reflexão crítica sobre o tema. Discussão: Percebe-se que ainda temos uma cultura de medo, onde as pessoas não contam que estão sofrendo violência verbal e um descaso dos próprios gestores, impactando no cuidado prestado aos pacientes devido ao adoecimento dos profissionais. Conclui-se que é necessário que medidas sejam tomadas para a melhoria desses serviços de escuta e acolhimento para o tratamento desses profissionais adoecidos, criando um ambiente saudável de trabalho.
Palavras-chave
violência verbal; enfermagem; sofrimento psicológico; saúde mental.

Summary

Healthcare professionals are the group of workers most affected by verbal violence due to their direct contact with patients. This study aims to analyze the perception of nursing professionals regarding the impacts of verbal violence in the workplace on their mental health, describing the most common types and forms of verbal violence against nursing staff, and suggesting strategies found in the literature for the prevention and management of verbal violence in the work environment. Methodology: This is a bibliographic research with a qualitative approach and an exploratory nature, based on the analysis of previously published articles and a critical reflection on the subject. Discussion: It is evident that there is still a culture of fear, in which individuals avoid reporting verbal violence, coupled with the negligence of managers, which negatively impacts the care provided to patients due to the mental health deterioration of healthcare workers. Conclusion: It is necessary to implement effective measures to improve listening and support services for affected professionals, promoting a healthy and safe work environment.
Keywords
verbal violence; nursing; psychological distress; mental health.

Resumen

Los profesionales de la salud son el grupo de trabajadores que más sufre violencia verbal, debido a su contacto directo con los pacientes. Este estudio tiene como objetivo analizar la percepción de los profesionales de enfermería sobre los impactos de la violencia verbal en el entorno laboral en su salud mental, describiendo los tipos y formas más comunes de violencia verbal contra estos profesionales, y sugiriendo estrategias presentes en la literatura para la prevención y el enfrentamiento de la violencia verbal en el ambiente de trabajo. Metodología: Investigación bibliográfica, con un enfoque cualitativo y de naturaleza exploratoria, basada en el análisis de artículos ya publicados y una reflexión crítica sobre el tema. Discusión: Se percibe que aún existe una cultura del miedo, donde las personas no denuncian que están siendo víctimas de violencia verbal, sumado a la negligencia de los propios gestores, lo que impacta negativamente en la atención brindada a los pacientes debido al desgaste y deterioro de la salud mental de los profesionales. Conclusión: Es necesario implementar medidas que mejoren los servicios de escucha y acogida para el tratamiento de estos profesionales afectados, promoviendo un ambiente laboral saludable y seguro.
Palavras-clave
violencia verbal. enfermería. sufrimiento psicológico. salud mental.

INTRODUÇÃO

O trabalho é parte fundamental da vida do indivíduo, pois, por meio dele, o ser humano se insere na sociedade e garante seu sustento. No entanto, o mundo do trabalho tem passado por constantes transformações, que impactam diretamente o ambiente laboral e a forma como as atividades são desenvolvidas. Tais mudanças podem contribuir para o desgaste físico, psicológico e o aumento dos níveis de estresse entre os trabalhadores (De Souza, 2025).

A violência no trabalho é um problema global de saúde pública, especialmente no setor da saúde, onde os profissionais enfrentam ameaças, ataques físicos e psicológicos. Esses incidentes incluem agressões físicas e verbais, humilhação, desrespeito, intimidação e discriminação. No entanto, a violência enfrentada pelos profissionais de enfermagem é difícil de quantificar e, muitas vezes, subnotificada. O assédio moral constitui-se de uma grave violação dos direitos humanos   que causam danos emocionais e psicológicos aos profissionais (Sena, 2024).

Considerando que o trabalho desempenha papel fundamental na organização social e psíquica do indivíduo, torna-se evidente que os riscos presentes no ambiente físico e social, quando não prevenidos, podem provocar doenças físicas, sofrimento mental e acidentes.  É notório que ambientes de trabalho marcados por tristeza, raiva, humilhação, medo, insegurança, estresse, ansiedade, nervosismo, cansaço, tensão e desânimo sempre levam à perda da satisfação pelo trabalho e ao sofrimento psicológico, interferindo na dinâmica das unidades, acarretando a queda da produtividade e afetando a oferta de serviços em função do baixo comprometimento do trabalhador devido a problemas de saúde (Galvão; Giuliani, 2023).

Diante desse contexto, surge uma pergunta essencial: Quais são os impactos da violência verbal no ambiente de trabalho na saúde mental dos profissionais de enfermagem, segundo a literatura?

Este estudo tem por objetivo analisar, por meio de uma revisão bibliográfica, a percepção dos profissionais de enfermagem sobre os impactos da violência verbal no ambiente de trabalho na sua saúde mental, descrevendo os tipos e formas de violência verbal mais comuns contra profissionais de enfermagem, sugerindo estratégias na literatura para prevenção e enfrentamento da violência verbal no ambiente de trabalho.

DESENVOLVIMENTO

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a violência no âmbito laboral é caracterizada por incidentes envolvendo agressões físicas e psicológicas, abusos, insultos, ameaças ou ataques em ambiente de trabalho. Tais manifestações comprometem a segurança, o bem-estar e, consequentemente, a saúde do colaborador (Nebesniak, 2020).

Dados da literatura apontam que pelo menos um quarto de todas as causas de episódios violentos contra trabalhadores são efetuadas contra profissionais de enfermagem. Soma-se a este fato que esses profissionais atuam diretamente em contato com pacientes e acompanhantes e, em casos precários de recursos humanos para o atendimento da população, os agravos violentos se tornam mais incidentes (Nebesniak, 2020). 

Conforme Oliveira, Camargo e Soares (2023), nos últimos anos, muitos estudiosos têm pesquisado sobre a saúde e sua relação com o trabalho, o bem-estar físico e mental como temas associados às percepções subjetivas sob a luz do conceito do estresse. Não é comum a observação e preocupação com a saúde do trabalhador, principalmente quando relacionado à área da saúde como um todo. Há uma forte tendência dos estudos em pesquisar a semiologia biológica, enquanto se evidenciam questões de natureza psíquica.

A violência contra os profissionais da saúde, em especial os da enfermagem, vivem um problema expressivo em nível nacional e internacional, com implicações à sua saúde física e mental, inclusive estendendo-se a colegas da equipe, familiares e sociedade, além das consequências no âmbito do trabalho. Esse ato pode ser consumado pela pessoa cuidada (usuário do serviço de saúde), por outros trabalhadores, pela própria equipe, pelos gestores ou, ainda, por pessoas externas, quando a atividade laboral é exercida extramuros (Duarte; Camargo, 2025).

A respeito da violência laboral, observa-se que uma parcela dos profissionais é vítima de diferentes formas de agressão durante a realização de suas atividades. Entre os principais tipos podemos citar: agressão física, agressão verbal, agressão psicológica, assédio moral e sexual, e isso traz grandes preocupações no que se refere a saúde mental do trabalhador. Os principais agressores desses trabalhadores são:  a família do paciente, o próprio paciente, os colegas de trabalho, a chefia imediata, dessa forma é viável que o serviço de saúde proporcione boas condições de trabalho e um ambiente repleto de harmonia e bons relacionamentos. Diante da violência vivenciada pelos trabalhadores, a assistência que deveria ser mais humanizada acaba sendo afetada, resultando no cuidado precário e ineficaz, favorecendo um atendimento desumano (Tavares et al., 2021).

Todos os profissionais estão sujeitos à violência, porém, o ambiente de atuação dos profissionais de saúde é um dos mais propensos à sua ocorrência, principalmente, os da enfermagem. Sofrer violência interfere na qualidade de vida profissional, que, por sua vez, é entendida sobre dois aspectos: o positivo, a satisfação por compaixão, quando o profissional experimenta alegria por ajudar outrem, e o negativo, a fadiga por compaixão, que envolve sentimentos de esgotamento emocional e frustração com o trabalho, típicos do burnout, como também traumas relacionados ao trabalho, característicos do estresse traumático secundário (Fabri et al.,2022).

METODOLOGIA

Este estudo é classificado como uma pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa e natureza exploratória, que busca analisar a percepção dos profissionais de enfermagem em relação aos traços de violência verbal no local de trabalho sobre a saúde mental pessoal.

De acordo com Gil (2019), a pesquisa bibliográfica consiste no levantamento e na análise de produções já publicadas, permitindo ao pesquisador aprofundar o conhecimento sobre determinado tema por meio da reflexão teórica, sem a necessidade de coleta de dados diretos com sujeitos.

Os seguintes descritores foram utilizados: “violência verbal”, “enfermagem”, “sofrimento psicológico” e “saúde mental”, com base nos operadores booleanos AND e OR nas bases de dados SciELO, LILACS, BDENF, PUBMED e Google Scholar.

Os seguintes critérios de seleção foram definidos: artigos científicos, dissertações, teses e publicações oficiais de 2018 a 2025, na íntegra e disponíveis em português, inglês ou espanhol, abordando violência verbal contra profissionais de enfermagem e seu efeito na saúde mental. Como critério de exclusão, foram excluídos os artigos que focavam exclusivamente em violência física, bem como os que não eram relacionados ao campo de interesse.

Após o levantamento, os materiais selecionados foram lidos atentamente, e uma análise qualitativa foi realizada a fim de trazer à tona categorias temáticas, refletindo os principais efeitos da violência verbal na saúde mental dos profissionais de enfermagem, conforme descrito na literatura

DISCUSSÃO

A violência verbal no ambiente de trabalho da enfermagem se configura como uma realidade alarmante, que compromete tanto a saúde mental dos profissionais quanto a qualidade dos serviços prestados. De acordo com Galvão e Giuliani (2023), o ambiente hospitalar, muitas vezes marcado por sobrecarga de trabalho, relações hierárquicas rígidas e pressão constante, favorece a ocorrência de episódios de violência, especialmente a verbal, que muitas vezes é subnotificada e até naturalizada.

A baixa satisfação entre os enfermeiros está relacionada à vivência de assédio moral, e muitas vezes a falta de coragem para relatar esses episódios. A sobrecarga na rotina de trabalho, somada ao silenciamento sobre a violência sofrida, contribui significativamente para o esgotamento profissional, o adoecimento psicológico, acarretando a queda na qualidade do cuidado prestado ao paciente. É necessária a criação de ambiente de trabalho em que gestores e trabalhadores tenham diálogos abertos sobre a violência laboral, tentando reduzir tanto a ocorrência quanto os riscos associados a esses episódios (Fabri et al., 2022).

No meio dos trabalhadores de saúde, os profissionais de enfermagem juntamente com a sua equipe, estão mais expostos a sofrerem algum tipo de agressão, seja física ou verbal, talvez devido a ser uma classe com grande quantitativo de pessoal e estarem em constante contato com os pacientes e acompanhantes, o que os tornam alvos de inúmeras injúrias motivadas pela insatisfação com o atendimento (Da Silva Tavares, 2021).

Além disso, o impacto da violência verbal não se restringe ao âmbito profissional. Segundo Fabri et al. (2022), os profissionais de enfermagem que sofrem esses tipos de violências desenvolvem sintomas associados ao estresse traumático, como ansiedade, insônia, esgotamento emocional e até quadros depressivos. Esse adoecimento psicológico impacta diretamente na qualidade da assistência e nas relações interpessoais dentro e fora do ambiente laboral.

A violência relacionada ao trabalho apresenta como consequência: aumento do absenteísmo, maior insatisfação com o trabalho e alterações na saúde mental dos trabalhadores de enfermagem. Muitas vezes, não é dada a devida importância a esse problema, dificultando o diagnóstico, o planejamento, a implementação e a avaliação das ações de prevenção e controle desse agravo à saúde do trabalhador (Santos et al.,2021).

Apesar da crescente discussão sobre os fatores estressores no ambiente de trabalho, as ações de suporte psicológico aos profissionais de enfermagem ainda são irrelevantes. A falta de apoio institucional e a ausência de estratégias de promoção da saúde mental aumentam o risco de burnout e outros transtornos relacionados ao estresse crônico.

Sena, Oliveira e Malagutti (2024) trazem à tona a percepção dos próprios profissionais de enfermagem sobre o assédio moral, frequentemente manifestado através da violência verbal. Esse tipo de violência, além de causar sofrimento e medo, o silêncio impede que haja avanços na qualidade do ambiente de trabalho e no cuidado em saúde.

Diante desse contexto, tornam-se necessárias medidas de intervenções institucionais que envolvam o acolhimento das vítimas, a denúncia dos casos e programas contínuos de promoção da saúde mental para o fortalecimento das relações interpessoais no ambiente de trabalho, prevenindo o adoecimento desses profissionais. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A violência verbal contra profissionais de enfermagem no ambiente hospitalar é um problema de grande proporção, que impacta diretamente tanto a saúde mental desses trabalhadores quanto a qualidade da assistência prestada aos pacientes. Nota-se que a exposição constante a situações de agressão verbal gera consequências graves, como estresse, ansiedade, esgotamento emocional, síndrome de burnout, além de outros agravos psicossociais.

Os dados levantados na literatura indicam que a violência verbal é, muitas vezes, naturalizada nos ambientes de trabalho em saúde, sendo subnotificada, às vezes por medo do funcionário de sofrer alguma punição e, consequentemente, negligenciada por gestores e instituições. Essa realidade favorece o adoecimento dos profissionais, o aumento do absenteísmo, a rotatividade de trabalhadores e a precarização do cuidado em saúde.

Diante disso, é fundamental que as instituições adotem medidas efetivas para prevenção e enfrentamento dos casos de violência verbal no ambiente hospitalar. Isso inclui o fortalecimento de políticas institucionais de combate à violência, a promoção de espaços de acolhimento, além da oferta de suporte psicológico aos profissionais de enfermagem. Também se faz necessário criar um ambiente de trabalho baseado no respeito, na empatia e na valorização do trabalhador da saúde.

Portanto, precisamos criar estratégias educativas, capacitações regulares, bem como a criação de canais para denúncia e acompanhamento dos casos de violência. Tais ações não apenas contribuem para a proteção da saúde mental dos profissionais de enfermagem, mas também impactam diretamente na qualidade do cuidado prestado aos usuários dos serviços de saúde.

Por fim, recomenda-se que novas pesquisas sejam realizadas, abrangendo diferentes contextos de atuação dos profissionais de enfermagem, com o objetivo de melhorar a compreensão sobre os impactos da violência verbal, implementando práticas mais saudáveis e seguras no ambiente de trabalho. Por fim, recomenda-se que novas pesquisas sejam realizadas, abrangendo diferentes contextos de atuação dos profissionais de enfermagem, com o objetivo de melhorar a compreensão sobre os impactos da violência verbal, implementando práticas mais saudáveis e seguras no ambiente de trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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DUARTE, Lúcia Rondelo; CAMARGO, Lívia de Campos; SOARES, Nicole Trevisan. Violência no trabalho de profissionais de enfermagem na Estratégia Saúde da Família. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, São Paulo, v. 48, e13, 2023. ISSN 2317-6369. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2317-6369/25221pt2023v48e13. Acesso em: 24 maio 2025.

FABRI, Natalia Violim; MARTINS, Júlia Trevisan; GALDINO, Maria José Quina; RIBEIRO, Renata Perfeito; MOREIRA, Aline Aparecida Oliveira. Violência laboral e qualidade de vida profissional entre enfermeiros da atenção primária. Acta Paul Enferm, v. 35, eAPE0362345, maio. 2022.

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GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019.

NEBESNIAK, Eleticia. Violência psicológica contra profissionais de enfermagem: percepções antes e após a pandemia COVID-19. 2020.

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Godoi, Samantha Pimenta. Violência verbal contra profissionais de enfermagem e seus impactos na saúde mental.International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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v. 5
n. 49
Violência verbal contra profissionais de enfermagem e seus impactos na saúde mental

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