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Resumo
INTRODUÇÃO
O trabalho é parte fundamental da vida do indivíduo, pois, por meio dele, o ser humano se insere na sociedade e garante seu sustento. No entanto, o mundo do trabalho tem passado por constantes transformações, que impactam diretamente o ambiente laboral e a forma como as atividades são desenvolvidas. Tais mudanças podem contribuir para o desgaste físico, psicológico e o aumento dos níveis de estresse entre os trabalhadores (De Souza, 2025).
A violência no trabalho é um problema global de saúde pública, especialmente no setor da saúde, onde os profissionais enfrentam ameaças, ataques físicos e psicológicos. Esses incidentes incluem agressões físicas e verbais, humilhação, desrespeito, intimidação e discriminação. No entanto, a violência enfrentada pelos profissionais de enfermagem é difícil de quantificar e, muitas vezes, subnotificada. O assédio moral constitui-se de uma grave violação dos direitos humanos que causam danos emocionais e psicológicos aos profissionais (Sena, 2024).
Considerando que o trabalho desempenha papel fundamental na organização social e psíquica do indivíduo, torna-se evidente que os riscos presentes no ambiente físico e social, quando não prevenidos, podem provocar doenças físicas, sofrimento mental e acidentes. É notório que ambientes de trabalho marcados por tristeza, raiva, humilhação, medo, insegurança, estresse, ansiedade, nervosismo, cansaço, tensão e desânimo sempre levam à perda da satisfação pelo trabalho e ao sofrimento psicológico, interferindo na dinâmica das unidades, acarretando a queda da produtividade e afetando a oferta de serviços em função do baixo comprometimento do trabalhador devido a problemas de saúde (Galvão; Giuliani, 2023).
Diante desse contexto, surge uma pergunta essencial: Quais são os impactos da violência verbal no ambiente de trabalho na saúde mental dos profissionais de enfermagem, segundo a literatura?
Este estudo tem por objetivo analisar, por meio de uma revisão bibliográfica, a percepção dos profissionais de enfermagem sobre os impactos da violência verbal no ambiente de trabalho na sua saúde mental, descrevendo os tipos e formas de violência verbal mais comuns contra profissionais de enfermagem, sugerindo estratégias na literatura para prevenção e enfrentamento da violência verbal no ambiente de trabalho.
DESENVOLVIMENTO
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a violência no âmbito laboral é caracterizada por incidentes envolvendo agressões físicas e psicológicas, abusos, insultos, ameaças ou ataques em ambiente de trabalho. Tais manifestações comprometem a segurança, o bem-estar e, consequentemente, a saúde do colaborador (Nebesniak, 2020).
Dados da literatura apontam que pelo menos um quarto de todas as causas de episódios violentos contra trabalhadores são efetuadas contra profissionais de enfermagem. Soma-se a este fato que esses profissionais atuam diretamente em contato com pacientes e acompanhantes e, em casos precários de recursos humanos para o atendimento da população, os agravos violentos se tornam mais incidentes (Nebesniak, 2020).
Conforme Oliveira, Camargo e Soares (2023), nos últimos anos, muitos estudiosos têm pesquisado sobre a saúde e sua relação com o trabalho, o bem-estar físico e mental como temas associados às percepções subjetivas sob a luz do conceito do estresse. Não é comum a observação e preocupação com a saúde do trabalhador, principalmente quando relacionado à área da saúde como um todo. Há uma forte tendência dos estudos em pesquisar a semiologia biológica, enquanto se evidenciam questões de natureza psíquica.
A violência contra os profissionais da saúde, em especial os da enfermagem, vivem um problema expressivo em nível nacional e internacional, com implicações à sua saúde física e mental, inclusive estendendo-se a colegas da equipe, familiares e sociedade, além das consequências no âmbito do trabalho. Esse ato pode ser consumado pela pessoa cuidada (usuário do serviço de saúde), por outros trabalhadores, pela própria equipe, pelos gestores ou, ainda, por pessoas externas, quando a atividade laboral é exercida extramuros (Duarte; Camargo, 2025).
A respeito da violência laboral, observa-se que uma parcela dos profissionais é vítima de diferentes formas de agressão durante a realização de suas atividades. Entre os principais tipos podemos citar: agressão física, agressão verbal, agressão psicológica, assédio moral e sexual, e isso traz grandes preocupações no que se refere a saúde mental do trabalhador. Os principais agressores desses trabalhadores são: a família do paciente, o próprio paciente, os colegas de trabalho, a chefia imediata, dessa forma é viável que o serviço de saúde proporcione boas condições de trabalho e um ambiente repleto de harmonia e bons relacionamentos. Diante da violência vivenciada pelos trabalhadores, a assistência que deveria ser mais humanizada acaba sendo afetada, resultando no cuidado precário e ineficaz, favorecendo um atendimento desumano (Tavares et al., 2021).
Todos os profissionais estão sujeitos à violência, porém, o ambiente de atuação dos profissionais de saúde é um dos mais propensos à sua ocorrência, principalmente, os da enfermagem. Sofrer violência interfere na qualidade de vida profissional, que, por sua vez, é entendida sobre dois aspectos: o positivo, a satisfação por compaixão, quando o profissional experimenta alegria por ajudar outrem, e o negativo, a fadiga por compaixão, que envolve sentimentos de esgotamento emocional e frustração com o trabalho, típicos do burnout, como também traumas relacionados ao trabalho, característicos do estresse traumático secundário (Fabri et al.,2022).
METODOLOGIA
Este estudo é classificado como uma pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa e natureza exploratória, que busca analisar a percepção dos profissionais de enfermagem em relação aos traços de violência verbal no local de trabalho sobre a saúde mental pessoal.
De acordo com Gil (2019), a pesquisa bibliográfica consiste no levantamento e na análise de produções já publicadas, permitindo ao pesquisador aprofundar o conhecimento sobre determinado tema por meio da reflexão teórica, sem a necessidade de coleta de dados diretos com sujeitos.
Os seguintes descritores foram utilizados: “violência verbal”, “enfermagem”, “sofrimento psicológico” e “saúde mental”, com base nos operadores booleanos AND e OR nas bases de dados SciELO, LILACS, BDENF, PUBMED e Google Scholar.
Os seguintes critérios de seleção foram definidos: artigos científicos, dissertações, teses e publicações oficiais de 2018 a 2025, na íntegra e disponíveis em português, inglês ou espanhol, abordando violência verbal contra profissionais de enfermagem e seu efeito na saúde mental. Como critério de exclusão, foram excluídos os artigos que focavam exclusivamente em violência física, bem como os que não eram relacionados ao campo de interesse.
Após o levantamento, os materiais selecionados foram lidos atentamente, e uma análise qualitativa foi realizada a fim de trazer à tona categorias temáticas, refletindo os principais efeitos da violência verbal na saúde mental dos profissionais de enfermagem, conforme descrito na literatura
DISCUSSÃO
A violência verbal no ambiente de trabalho da enfermagem se configura como uma realidade alarmante, que compromete tanto a saúde mental dos profissionais quanto a qualidade dos serviços prestados. De acordo com Galvão e Giuliani (2023), o ambiente hospitalar, muitas vezes marcado por sobrecarga de trabalho, relações hierárquicas rígidas e pressão constante, favorece a ocorrência de episódios de violência, especialmente a verbal, que muitas vezes é subnotificada e até naturalizada.
A baixa satisfação entre os enfermeiros está relacionada à vivência de assédio moral, e muitas vezes a falta de coragem para relatar esses episódios. A sobrecarga na rotina de trabalho, somada ao silenciamento sobre a violência sofrida, contribui significativamente para o esgotamento profissional, o adoecimento psicológico, acarretando a queda na qualidade do cuidado prestado ao paciente. É necessária a criação de ambiente de trabalho em que gestores e trabalhadores tenham diálogos abertos sobre a violência laboral, tentando reduzir tanto a ocorrência quanto os riscos associados a esses episódios (Fabri et al., 2022).
No meio dos trabalhadores de saúde, os profissionais de enfermagem juntamente com a sua equipe, estão mais expostos a sofrerem algum tipo de agressão, seja física ou verbal, talvez devido a ser uma classe com grande quantitativo de pessoal e estarem em constante contato com os pacientes e acompanhantes, o que os tornam alvos de inúmeras injúrias motivadas pela insatisfação com o atendimento (Da Silva Tavares, 2021).
Além disso, o impacto da violência verbal não se restringe ao âmbito profissional. Segundo Fabri et al. (2022), os profissionais de enfermagem que sofrem esses tipos de violências desenvolvem sintomas associados ao estresse traumático, como ansiedade, insônia, esgotamento emocional e até quadros depressivos. Esse adoecimento psicológico impacta diretamente na qualidade da assistência e nas relações interpessoais dentro e fora do ambiente laboral.
A violência relacionada ao trabalho apresenta como consequência: aumento do absenteísmo, maior insatisfação com o trabalho e alterações na saúde mental dos trabalhadores de enfermagem. Muitas vezes, não é dada a devida importância a esse problema, dificultando o diagnóstico, o planejamento, a implementação e a avaliação das ações de prevenção e controle desse agravo à saúde do trabalhador (Santos et al.,2021).
Apesar da crescente discussão sobre os fatores estressores no ambiente de trabalho, as ações de suporte psicológico aos profissionais de enfermagem ainda são irrelevantes. A falta de apoio institucional e a ausência de estratégias de promoção da saúde mental aumentam o risco de burnout e outros transtornos relacionados ao estresse crônico.
Sena, Oliveira e Malagutti (2024) trazem à tona a percepção dos próprios profissionais de enfermagem sobre o assédio moral, frequentemente manifestado através da violência verbal. Esse tipo de violência, além de causar sofrimento e medo, o silêncio impede que haja avanços na qualidade do ambiente de trabalho e no cuidado em saúde.
Diante desse contexto, tornam-se necessárias medidas de intervenções institucionais que envolvam o acolhimento das vítimas, a denúncia dos casos e programas contínuos de promoção da saúde mental para o fortalecimento das relações interpessoais no ambiente de trabalho, prevenindo o adoecimento desses profissionais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A violência verbal contra profissionais de enfermagem no ambiente hospitalar é um problema de grande proporção, que impacta diretamente tanto a saúde mental desses trabalhadores quanto a qualidade da assistência prestada aos pacientes. Nota-se que a exposição constante a situações de agressão verbal gera consequências graves, como estresse, ansiedade, esgotamento emocional, síndrome de burnout, além de outros agravos psicossociais.
Os dados levantados na literatura indicam que a violência verbal é, muitas vezes, naturalizada nos ambientes de trabalho em saúde, sendo subnotificada, às vezes por medo do funcionário de sofrer alguma punição e, consequentemente, negligenciada por gestores e instituições. Essa realidade favorece o adoecimento dos profissionais, o aumento do absenteísmo, a rotatividade de trabalhadores e a precarização do cuidado em saúde.
Diante disso, é fundamental que as instituições adotem medidas efetivas para prevenção e enfrentamento dos casos de violência verbal no ambiente hospitalar. Isso inclui o fortalecimento de políticas institucionais de combate à violência, a promoção de espaços de acolhimento, além da oferta de suporte psicológico aos profissionais de enfermagem. Também se faz necessário criar um ambiente de trabalho baseado no respeito, na empatia e na valorização do trabalhador da saúde.
Portanto, precisamos criar estratégias educativas, capacitações regulares, bem como a criação de canais para denúncia e acompanhamento dos casos de violência. Tais ações não apenas contribuem para a proteção da saúde mental dos profissionais de enfermagem, mas também impactam diretamente na qualidade do cuidado prestado aos usuários dos serviços de saúde.
Por fim, recomenda-se que novas pesquisas sejam realizadas, abrangendo diferentes contextos de atuação dos profissionais de enfermagem, com o objetivo de melhorar a compreensão sobre os impactos da violência verbal, implementando práticas mais saudáveis e seguras no ambiente de trabalho. Por fim, recomenda-se que novas pesquisas sejam realizadas, abrangendo diferentes contextos de atuação dos profissionais de enfermagem, com o objetivo de melhorar a compreensão sobre os impactos da violência verbal, implementando práticas mais saudáveis e seguras no ambiente de trabalho.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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