Sífilis gestacional: Dificuldades encontradas para o tratamento adequado na atenção primária aos desfechos neonatais em uma maternidade de alto risco do Espírito Santo

GESTATIONAL SYPHILIS: DIFFICULTIES ENCOUNTERED IN PROPER TREATMENT IN PRIMARY CARE FOR NEONATAL OUTCOMES IN A HIGH-RISK MATERNITY HOSPITAL IN ESPÍRITO SANTO

SÍFILIS GESTACIONAL: DIFICULTADES ENCONTRADAS EN EL TRATAMIENTO ADECUADO EN ATENCIÓN PRIMARIA PARA RESULTADOS NEONATALES EN UN HOSPITAL DE MATERNIDAD DE ALTO RIESGO EN ESPÍRITO SANTO

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/F36C81

DOI

doi.org/10.63391/F36C81

Dambroz, Fernanda Jhenifer Simonelli. Sífilis gestacional: Dificuldades encontradas para o tratamento adequado na atenção primária aos desfechos neonatais em uma maternidade de alto risco do Espírito Santo. International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

A sífilis gestacional, é definida como todo caso de sífilis adquirida, detectada durante o pré-natal, parto ou puerpério, e pode ser disseminada de forma vertical, quando não há tratamento prévio efetivo da genitora antes do nascimento do recém-nascido. Apesar de ser um agravo totalmente evitável, ela é um dos grandes problemas de saúde pública do Brasil. A pesquisa tem por objetivo identificar os motivos para o não cumprimento da terapêutica recomendada às gestantes. Trata-se, de um estudo descritivo, observacional e retrospectivo, realizado em puérperas e seus respectivos recém-nascidos que se mantiveram internados, sob terapia medicamentosa, ou investigação de sífilis congênita entre os anos de 2019/2021, em uma maternidade de alto risco do estado do Espírito Santo. As informações foram captadas, por meio de um roteiro de coleta de dados dos prontuários das genitoras, em um segundo momento, este direcionado aos recém-nascidos, buscaram-se informações sobre a internação e as principais complicações referentes.
Palavras-chave
sífilis gestacional; cuidado pré-natal; terapêutica. transmissão vertical de doenças infecciosas.

Summary

Gestational syphilis is defined as any case of acquired syphilis detected during prenatal care, childbirth or puerperium, and can be spread vertically when there is no effective prior treatment of the mother before the birth of the newborn. Despite being a completely preventable condition, it is one of the major public health problems in Brazil. The objective of the research was to identify the reasons for non-compliance with the recommended therapy for pregnant women. This is a descriptive, observational and retrospective study carried out in postpartum women and their respective newborns who remained hospitalized, under drug therapy, or investigation of congenital syphilis between the years 2019/2021, in a high-risk maternity hospital in the state of Espírito Santo. The information was collected through a data collection script from the mothers’ medical records. In a second stage, this one aimed at the newborns, information was sought about hospitalization and the main complications related to the condition.
Keywords
Gestational syphilis; Prenatal care; Therapy; Vertical transmission of infectious diseases.

Resumen

La sífilis gestacional se define como cualquier caso de sífilis adquirida detectada durante la atención prenatal, el parto o el puerperio, y puede propagarse verticalmente cuando no existe un tratamiento previo eficaz para la madre antes del nacimiento del recién nacido. A pesar de ser una enfermedad completamente prevenible, constituye uno de los principales problemas de salud pública en Brasil. El objetivo de la investigación fue identificar las razones del incumplimiento del tratamiento recomendado para las embarazadas. Se trata de un estudio descriptivo, observacional y retrospectivo realizado en puérperas y sus respectivos recién nacidos que permanecieron hospitalizados, bajo tratamiento farmacológico o en investigación de sífilis congénita, entre los años 2019 y 2021, en una maternidad de alto riesgo del estado de Espírito Santo. La información se recopiló mediante un formulario de recolección de datos a partir de las historias clínicas de las madres. En una segunda etapa, dirigida a los recién nacidos, se buscó información sobre la hospitalización y las principales complicaciones relacionadas con la enfermedad.
Palavras-clave
sífilis gestaciona;. atención prenatal; terapia. transmisión vertical de enfermedades infecciosas.

INTRODUÇÃO 

 Segundo o último boletim epidemiológico divulgado pelo Sistema Nacional de Notificação de Agravos em 2020, a sífilis gestacional demonstrou uma queda no número de novos infectados de 3,3% em relação ao ano anterior. Porém, este fato não diminuiu a continuidade dos esforços para se combater este grande problema de saúde pública, uma vez em que, não realizada sua detecção ou tratamento durante o período premonitório, a infecção além de ocasionar danos à saúde da gestante, desencadeia a sua forma congênita, transferindo a doença que ultrapassa a barreira transplacentária ou se houverem lesões ativas no canal de parto, para o feto. Sendo observadas algumas de suas consequências: aborto, natimorto, parto prematuro, óbito neonatal, além de manifestações congênitas precoces e tardias para o neonato (Brasil, 2020).

Para que se tenha um bom desfecho quanto ao melhor prognóstico e adesão ao tratamento de sífilis gestacional, o trabalho desenvolvido na atenção primária deve ser evidenciado, uma vez em que a maior parte dos casos são, devido a falhas na testagem durante o pré-natal, e de tratamento inadequado ou, ausente de sífilis materna (Domingues et al., 2021). 

O diagnóstico de sífilis durante a gestação, deve ser realizado preferencialmente durante os atendimentos das consultas de pré-natal e o mais precocemente possível. Sabe-se que quanto mais recente a infecção e menor a idade gestacional, os riscos de transmissão feto-placentária, aumentam consideravelmente, e concomitante a isso, faz com que esse quadro se agrave, e transpasse a chance de complicações para a mãe infectada ao feto serem ainda maiores (Macedo et al., 2021). 

De acordo com o Ministério da Saúde (2020), mulheres que não são tratadas elevam em 70 a 100 % as chances de o feto ser infectado, nas fases primária e secundária da doença. Porcentagem esta que cai para 30% nas fases, latente tardia e terciária da infecção. 

A triagem e o monitoramento devem acontecer já na primeira consulta de pré-natal com o auxílio de testes sorológicos, no terceiro trimestre e no momento de internação para o parto ou perda fetal. Porém, vale ressaltar, que alguns estados brasileiros realizam este monitoramento de forma particular. Como é o caso da nota divulgada pela Secretária de Saúde do governo do estado do Espiríto Santo 2021, que dispõe dentre as particularidades, que as gestantes devem ser testadas também durante o segundo trimestre de gestação e, que perante titulação de VDRL positivo, independente de tratamento prévio comprovado da gestante, esta deve ser tratada novamente. Ainda, cabe a toda paciente no período gestacional uma vez positivada, ser tratada como caso de sífilis tardia devido à difícil identificação da manifestação clínica da doença (Brasil, 2021).

De modo geral, o Teste Rápido (TR) treponêmico, é utilizado para confirmar a infecção pelo Treponema pallidum, porém a gestante infectada, permanece com anticorpos detectáveis mesmo se já houver sido tratada, a chamada cicatriz sorológica. Diferente dos testes classificados como não treponêmicos como é o caso do VDRL e RPR, que tem, como principal função o monitoramento da doença através da sua expressão em título, e devem ser solicitados a nível laboratorial também, nas ocasiões acima citadas (Macedo et al., 2021).

Cabe ainda citar que em cerca de 85% dos casos de pacientes infectados com sífilis, os TR permanecerão reagentes independente do tratamento. Salientando a importância e a utilidade dos TNT, para que seja possível a realização da monitoração do tratamento através da titulação em que o VDRL mostra. Casos em que a gestante possuir TR positivo, deve ser solicitado um teste quantitativo, para avaliar a titulação (Conceição, 2019). 

Além disso, vale ressaltar que nos casos de TR positivo, o teste não treponêmico, deve ser solicitado a fim de monitorar a resposta ao tratamento mensalmente. E o caso deve ser notificado por meio da Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública (Franzoloso, 2018). 

Os desfechos irão depender, pois, se a gestante não obtiver histórico de sífilis em nenhum momento da vida, ou se obtiver relatos da doença em outro momento, porém sem comprovação de tratamento, esta deverá ser submetida à terapêutica. Em outro caso, se, a gestante apresentar TR positivo e VDRL com até duas titulações menores do que a da primeira infecção e com comprovação de que o esquema terapêutico tenha sido realizado, neste caso deverá ser considerado como cicatriz sorológica e não ser submetida ao tratamento (Rigo, 2019).

Em um outro cenário, no caso de divergência no resultado dos testes, um terceiro teste com análise diferente dos dois últimos deve ser realizado, usualmente o FTA-bs é o de escolha. Somente nestas circunstâncias, uma vez em que eles apresentam especificidade mais baixa se comparado com os métodos de testagem anteriormente citados (Sadeck, 2020).  

O único medicamento que atravessa a barreira transplacentária e trata respectivamente a gestante e o feto é a benzilpenicilina benzatina. A sua administração pode ser realizada nos âmbitos de saúde e inclusive nas unidades básicas. Cerca de 0,002 % das pacientes expostas a essa droga, podem desenvolver uma reação anafilática, considerando este, um evento raro (Borba et al, 2020).

 A terapêutica é considerada adequada quando, realizada em até 30 dias antes do parto, se o ciclo completo para o estágio clínico administrado obedeceu ao número correto de doses, o intervalo preferencialmente de uma semana entre as doses e se ultrapassado quatorze dias deve ser reiniciado, e ainda o tratamento comprovado com registro das doses realizadas (Brasil, 2020). 

É importante lembrar, que as gestantes tratadas, devem ser submetidas a um controle, sendo que a resposta imunológica adequada é quando acontece diminuição da titulação em até duas titulações do VDRL em 3 meses ou de quatro diluições em 6 meses após o fim da terapêutica. Se, houverem ausência da queda esperada da titulação, ou aumento da titulação em duas diluições em qualquer momento do seguimento ou persistência e recorrência de sinais e sintomas de sífilis em qualquer momento do seguimento, esta gestante, deve ser considerada como caso de reativação ou reinfecção, cabendo a ela o retratamento (Sarno, 2016).

Lembrando, que na grande maioria das vezes a fase em que se encontra a doença é de difícil identificação, dificultando o reconhecimento de sua fase clínica, sendo por este motivo é aconselhado tratar as gestantes como caso de  sífilis de duração ignorada. Uma vez que as lesões surgem e desaparecem com a Benzilpenicilina benzatina, na dose de 2,4 milhões de UI (1,2 milhões de UI em cada nádega), intramuscular, semanal com duração total de 3 semanas, com total de 7,2 milhões de UI (Domingues et al., 2021).

A sífilis congênita é uma morbidade em que cerca de 60% a 90% dos recém-nascidos manifestam a sua forma assintomática, o que reforça a importância do rastreamento sorológico das gestantes. Tais complicações podem ser observadas a qualquer período que antecede os 2 anos de idade, mas geralmente surgem no período neonatal, entre três a oito semanas, após o nascimento, e com menos frequência mas também podem surgir após três a quatro meses de idade (Borba et al., 2020).

Consoante Junior et al., (2018), para que seja possível identificar essas alterações precocemente, se faz necessário a realização de exames complementares, tais como hemograma completo, transaminases, radiografia de tórax e ossos longos, exame de líquor e de imagens quando necessários. Dentre algumas das alterações que podem surgir estão alterações clínicas da sífilis congênita tais como: baixo peso e prematuridade. Alterações laboratoriais e radiológicas, e manifestações precoces como é o caso de neurossífilis, sepse neonatal, icterícia, alterações musculoesqueléticas, peribucais, alterações visuais, cardíacas, respiratórias, neurológicas (Rocha et al., 2021).  

O objetivo do estudo é o de identificar os desfechos do não cumprimento da terapêutica recomendada durante o pré-natal, observados àquelas puérperas e recém-nascidos que se encontram internados sob terapia medicamentosa de sífilis congênita nos últimos dois anos em uma maternidade de alto risco do Estado do Espírito Santo.

MATERIAIS E MÉTODOS

Este estudo é descritivo, observacional e retrospectivo, realizado com puérperas que se encontram internadas com seus recém-nascidos sob tratamento de sífilis congênita em uma maternidade de alto risco, da cidade de Colatina-ES. O período estabelecido para coleta de dados foi de dois anos, entre junho de 2019 à junho de 2021. As barreiras encontradas para a conclusão da terapia de Sífilis gestacional, e os principais desfechos neonatais observados. Os dados serão tratados, após a aplicação de um roteiro para coleta de dados.

A amostra a ser estudada, consiste no tipo sistemática, onde foram incluídas na pesquisa um total de 121 puérperas e 125 neonatos respectivos com 2 pares de gêmeos, admitidos na maternidade de alto risco, e que durante sua internação foram consideradas como tendo o tratamento de sífilis durante a gestação inadequado. Foram excluídas àquelas que tenham outra infecção sexualmente transmissível (IST) associada ou que após a internação conseguiram comprovar o tratamento, não sendo necessário a submissão de seus conceptos a internação ou a nenhum tipo de terapia medicamentosa. 

O instrumento de pesquisa utilizado, consistiu em um questionário semi-estruturado, por meio de uma revisão de prontuário para coleta de dados da puérpera e recém-nascido, reforçando que suas respectivas identidades e nomes foram mantidas em sigilo absoluto, e seus dados usados exclusivamente para fins científicos e coletados, após assinatura de uma declaração da instituição co-participante autorizando sua, e após assinatura do termo de confidencialidade dos pesquisadores envolvidos no projeto. 

Durante o preenchimento deste questionário foram levantados tópicos tais como: idade, paridade, número de consultas de pré-natal, motivo considerado para que o tratamento não fosse efetivo (falta de comprovação de tratamento, esquema terapêutico ineficaz), entre outros. Além do quadro clínico atual dos neonatos, procurando identificar as complicações associadas, idade gestacional ao parto, número de dias de internação, tipo de medicação utilizada para o tratamento, entre outros.

As informações coletadas, foram submetidas para análise estatística granular uni e multivariadas, proporcionando um estudo de tabulação cruzada, para melhor entender e identificar as correlações entre as vertentes levantadas. Os dados serão analisados através do software IBM SPSS Statistics versão 25, e após, será realizada, uma discussão associando a ligação entre os achados, sobre o não cumprimento da terapêutica proposta para o tratamento de sífilis congênita, elencado aos dados socioeconômicos, e aos desfechos neonatais. 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Das puérperas internadas para resolução do parto em uma maternidade de alto risco da cidade de Colatina do estado do Espírito Santo entre junho de 2019 a junho de 2021, se estabeleceram com uma amostra de 121 pacientes. Dentre elas observou-se que a idade materna com maior prevalência foram as de 22 a 29 anos com 55 mulheres, totalizando 45,45 % da amostra, e com menor relação à sífilis durante a gestação está a classificação de menos do que 15 anos, com apenas 1 paciente sendo 0,83% das participantes.

Quanto ao histórico reprodutivo, houve a associação de sífilis gestacional a mulheres multíparas, sendo que a maior parte dessas mulheres foram partos vaginais,  com 51,24 % e que não houveram aborto prévio/perdas fetais com 76,86 %. Dentre os casos de sífilis gestacional com tratamento inadequado, 42,15 % das pacientes foram diagnosticadas em gestação prévia, e, 45,45% desenvolveram a doença em outro momento a quem da gestação atual.  46,28 % das pacientes, apresentaram teste não treponêmico reagente, e teste treponêmico com 78% reagentes durante o pré-natal atual. Durante a admissão hospitalar 66,46 % das parturientes tiveram teste não treponêmico como resultado positivo e 100% delas obtiveram resultado reagente para o teste treponêmico, estabelecendo a eficácia deste tipo de testagem.

Dessas mulheres 35,54 % não realizaram acompanhamento de pré-natal adequado, totalizando no registro do cartão de pré-natal menos do que 6 consultas e dessas 5,79 % não realizou nenhuma consulta de acompanhamento durante a gestação, demonstrando que o acompanhamento de pré-natal ainda encontra muitos desafios para que seja efetivo. A maioria das puérperas entrantes no artigo realizaram mais do que 6 consultas de pré-natal com (55,37%) e 9,10% delas realizaram pelo menos 6 consultas, evidenciando que mesmo a maioria demonstrando efetividade nas quantidades de atendimento, são as que possuem maior relação com tratamento inadequado de sífilis gestacional. 

A maior causa para o tratamento de sífilis gestacional ter sido considerado inadequado, foi o de que a gestante alega ter realizado, porém não obtinha em mãos nenhuma documentação do esquema terapêutico como comprovação, totalizando nesses casos 36,36 % dos casos de tratamento falho. Outros motivos registrados nos prontuários eletrônicos foram a falta de tratamento com 28,10%, o número incorreto de doses com 16,53%, reinfecção com 13,22%, intervalo inadequado entre as doses com 4,96% e por último, ter realizado o tratamento com outra medicação que não havia sido a penicilina G benzatina com 0,83 %.

Quanto às características dos neonatos relacionados à sífilis congênita ou caso suspeito, os conceituados à termo de acordo com a idade gestacional detiveram o maior número, com porcentagem de 80%. E os classificados como adequados para idade gestacional (AIG) com 81,6 %. O período de internação desses recém-nascidos em sua grande maioria foi de acima de 10 dias com 63,2 % dos casos e, a medicação de escolha para o tratamento foi a penicilina G benzatina, prescrita em 57,6% dos esquemas terapêuticos e foram considerados casos de sífilis congênita. Aos que permaneceram até 5 dias de internação hospitalar, o caso foi considerado como suspeita de sífilis congênita.

Ainda sobre a variante dias de internação hospitalar entre 6 a 10 dias, 19,2% de recém-nascidos, permaneceram internados até que se estabelecesse a confirmação de que não eram casos de sífilis congênita, porém com demora de resultados dos exames solicitados, ou, mães que tardiamente encontraram seus comprovantes de tratamento.

Em 100 % dos exames solicitados para confirmação dos casos, estiveram o VDRL, exames laboratoriais e o hemograma. A punção liquórica foi realizada em 68,8 %, a Radiografia de ossos longos em 96 %, radiografia de tórax 64% e ultrassonografia transfontanela em 77,6% desses recém-nascidos.

Dentre as complicações observadas nos neonatos submetidos a internação hospitalar para tratamento de sífilis congênita, a icterícia foi a de maior vezes diagnosticada com 22,4 %, seguida por, alterações hematológicas encontradas em hemograma com 19,2%, baixo peso com 16%, alterações visuais com 13,6%, prematuridade com 12%, e sepse neonatal com 6,4 %.

Levando em consideração os resultados obtidos através do estudo, assimilou-se que as gestantes com a faixa etária entre 22 a 29 anos apresentaram maior risco para adquirir a infecção na gestação. Isso pode ser relacionado a vulnerabilidade em que mulheres jovens colocam-se expostas a doenças sexualmente transmissíveis uma vez em que, segundo o último Boletim Epidemiológico divulgado no ano de 2020, mulheres entre a faixa etária de 20 a 29 anos possuem uma tendência mais acentuada dentre as taxas de detecção de sífilis adquirida no Brasil (Boletim Epidemiológico, 2020).

Assim como citado em Conceição et al., (2019), a caracterização do perfil das genitoras nos casos de sífilis congênita deteve uma porcentagem de maioria com a prevalência de 27,8 % das mães com idade entre 20 a 24 anos. Ainda sobre o tabu e resistência pela população jovem, relacionado ao tratamento das ISTs (Filho et al., 2020).

O que remete a importância que o rastreio realizado durante os atendimentos de pré-natal tem, para que seja possível a detecção precoce da doença e com isso a diminuição dos casos de sua forma congênita, pois ainda de acordo com Mascarenhas et al., (2016), a maioria dos infectados com sífilis adquirida, não possuem conhecimento prévio da doença, transmitindo desta maneira a infecção para seus parceiros sexuais, devido está, ser uma doença com escassez ou ausência de sintomas.

Outro fator importante a se levar em conta, é a variável de mulheres multíparas, estar relacionada com a maior detenção de sífilis durante a gestação, fato esse que corrobora com a falta de planejamento reprodutivo e de prevenção a ISTs, tais como os métodos contraceptivos e o uso de preservativos (Mascarenhas et al., 2016). Referente ao explanado, Trindade et al., (2021), traz que mais da metade das gestações que acontecem no Brasil, não são planejadas. 

Com relação ao tipo de parto, a sífilis foi mais vista em parturientes que tiveram seus filhos por via vaginal (Padovani, 2018). Isso pode estar relacionado a condição socioeconômica, sendo que historicamente no Brasil, as maiores taxas de detenção de cesariana estão destinadas a mulheres com situações financeiras mais favoráveis, uma vez em que o hospital de referência da pesquisa é de âmbito filantrópico, onde a maioria das internações dessas mulheres foram pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Quanto ao momento de detecção de sífilis gestacional, a maior parcela das puérperas do estudo, descobriu a doença durante o pré-natal em gestação anterior, dado que vem em conjunto com o achado em que 45,45% dessas mulheres, desenvolveram a doença em outro momento a quem da gestação atual. O desenvolvimento de ações que visem manter essas pacientes informadas sobre a gravidade que as ISTs possuem, desenvolver no âmbito da comunidade atividades que visem estimular o uso de métodos de prevenção de doenças sexuais e gestações indesejadas, deveriam ser um dos caminhos a se seguir, evidenciando cada vez mais a relevância em que a educação em saúde possui e ainda fortalecendo laços entre paciente e profissional (Padovani, 2018).

Informação que nos mostra, a importância do seguimento dessas mulheres e de suas parcerias sexuais após o puerpério. Mesmo que, segundo Domingues (2020), para que o tratamento de sífilis gestacional fosse considerado adequado, tratar o parceiro tenha sido retirado dos critérios que definem tal exigência. Isso não descarta a importância deste seguimento, uma vez que as chances de reinfecção quando os cônjuges não são devidamente tratados aumentam. O artigo trouxe que 13,22% das gestantes tiveram tratamento considerado inadequado, devido reinfecção, por essa razão, se faz importante alertar as gestantes, uma vez diagnosticadas, a orientarem o parceiro a realizar também o rastreamento, de modo à não perder nenhuma oportunidade de diminuírem-se as possibilidades de futuras transmissões verticais em possíveis novas gestações (Padovani, 2018).

Explanando agora, pelas ações de rastreamento da sífilis gestacional o Ministério da Saúde (2006), preconiza que a melhor maneira de se estabelecer o diagnóstico precoce da infecção, é através de testes considerados sorológicos tais como os treponêmicos TPHA, FTA-Abs e ELISA, e os não treponêmicos VDRL e RPR. Ressalta ainda, que para uma excelência no seguimento o ideal é que sejam realizados de rotina, durante a primeira consulta de pré-natal, no terceiro trimestre e no momento da internação do parto ou também nos casos de aborto/perdas fetais. Preferencialmente a investigação deve ser iniciada através do teste treponêmico, mais especificamente, os testes rápidos (Domingues, 2020).

Os achados através da pesquisa, demonstram que se comparados com os testes não treponêmicos (TNT), os testes rápidos (TR) treponêmicos, apresentaram uma maior positivação, tanto durante o pré-natal, quanto na internação hospitalar. Este achado, reafirma o citado em Brasil (2021), sobre a maior especificidade dos TR, pois além detectarem anticorpos específicos para o T. pallidum, eles também apresentam menos chances de resultados falsos-positivos se comparados com os testes não treponêmicos, e são ainda, os primeiros testes a positivar nos casos dos portadores de sífilis, levando aproximadamente 10 dias a partir do contato com a bactéria.

Ainda de acordo com Mascarenhas (2016), a utilização destes testes, visam garantir que o tempo de diagnóstico e início de tratamento das gestantes, sejam mais oportunos. Uma vez que eles podem ser realizados nas próprias unidades de saúde, permitindo dessa maneira, intervenções mais precoces. Domingues et al., (2020), traz que gestantes que possuírem testes rápidos reagentes para sífilis, e com ausência de comprovação de tratamento adequado e prévio, devem ser consideradas portadoras de sífilis gestacional, e deverão ser tratadas.

Agora explanando sobre efetividade do pré-natal, a maioria das puérperas   realizaram mais de 6 consultas de pré-natal, que é o mínimo preconizado pelo Ministério da saúde, mas apesar disso 26,45% descobriram, estarem infectadas somente durante a admissão hospitalar e, os dois fatores em que mais aparecem dentre os resultados como tratamento inadequado estão com 36,36% as que alegam ter realizado tratamento porém sem comprovação e 28,10% para as que não realizaram tratamento, o que corrobora, com o publicado em Padovani (2020),  referindo, que apesar das taxas de cobertura dos atendimentos de pré-natal no Brasil serem de 95% efetivo em quantidade de consultas, este fato não compreende ser como adequação e qualidade no serviço e não exclui a exposição do feto a infecção e o tratamento da manifestação congênita de sífilis.

Uma vez que, são inúmeras as circunstâncias que classificam um pré-natal como qualificado, tais como início precoce sendo ele dentro do primeiro trimestre, mais precisamente até as 12 semanas, conforme o estabelecido pelo ministério da saúde, quantidade de consultas que devem ser de no mínimo de seis, e a solicitação de exames de rotina conforme o período gestacional com que a gestante se encontra (Padovani, 2020). 

Ainda sobre seguimento de pré-natal, os dados trazem que, 5,79% das gestantes não realizaram nenhuma consulta de pré-natal e 29,75% realizaram menos do que seis consultas. Com isso, Rosa (2020), traz que no âmbito da atenção primária os profissionais responsáveis por estas pacientes, devem fortalecer ações para triagem e monitoramento, e retrata ainda sobre, a baixa qualidade de ações desenvolvidas durante o período pré-gestatório, o que estabiliza este manejo inadequado, como sendo o maior impasse frente à prevenção da transmissão vertical.

É imprescindível ressaltar, que se tratando de manejo, rastreio e condutas frente a sífilis gestacional os profissionais que estão a frente destas responsabilidades, sejam capacitados para tal incumbência. Priorizando ações de captação precoce das gestantes, solicitando exames de VDRL mensalmente para monitoramento do quadro clínico, orientando as gestantes e seus respectivos parceiros, sobre tratamento, prevenção e, estarem aptos à desenvolver atividades educativas acerca da sífilis (Rosa, 2020).

Inúmeros podem ser os desfechos para os neonatos expostos à sífilis durante a gestação. Neste estudo foram encontrados três pacientes com alterações neurológicas, oito casos sepse neonatal, dois casos de alterações musculoesqueléticas, um caso de fissura peribucal, seis casos de alterações cardíacas relacionados a sífilis e três casos de neurossífilis. Assim como o citado em Domingues et al., (2020), mesmo que sejam analisados quantitativamente os números, não serem expressivos, são de extrema importância. Sinalizando que poderiam ter sido evitados, se atribuídos a uma assistência materno-fetal de qualidade.

Estudos demonstram que a sífilis congênita, expõe o feto a prematuridade, baixo peso e outros agravos à saúde (Rosa, 2020). O que vem confirmando o achado nesta pesquisa, sendo que, 16% deles continham a complicação baixo peso e 12% como nascimento prematuro. A icterícia neonatal acometeu 22,4% dos recém nascidos da pesquisa, afirmando o que Rocha et al., (2021), trouxe como sendo uma das manifestações clínicas mais observadas diante a infecção vertical passada ao neonato.

Entrando no contexto de diagnóstico de sífilis congênita, a pesquisa demonstra que 17,6% dos neonatos foram considerados como caso suspeito da infecção, conferindo a eles permanecerem em internação hospitalar por até 5 dias, onde o caso foi descartado, através da investigação com exames laboratoriais complementares, falta de alterações neles realizados ou clínicos e ainda, genitoras que conseguiram comprovar o tratamento durante o pré-natal. O ideal, é que os fetos expostos a sífilis durante a gestação, sejam investigados considerando o histórico e exames maternos de sífilis, e dados e resultados de exames laboratoriais e de imagem do recém-nascido. É de suma importância a distinção adequada de crianças expostas a sífilis, das infectadas com sífilis congênita, para que sejam evitadas condutas e intervenções desnecessárias (Domingues et al., 2020).

O que demonstrou que 82,4% dos recém-nascidos inertes no artigo, foram classificados como quadro de sífilis congênita, através da variante dias de internação hospitalar, sendo que o tratamento consiste em pelo menos 10 dias (Sadeck, 2017; Tesini, 2020). 

Para a exclusão do caso de sífilis congênita, a mãe deve preencher todos os critérios de tratamento adequado, e com registro em prontuário ou caderneta da gestante, e exame físico do neonato normal. A partir do momento que se encontrem qualquer sinal ou sintoma, deve-se realizar à investigação complementar para confirmação do diagnóstico, que consiste em VDRL de todo recém-nascido exposto (Domingues et al., 2020). Reforçando o que trouxe a pesquisa, 100% dos neonatos foram submetidos a realização de testes não treponêmicos para sífilis (VDRL), hemograma completo e exames laboratoriais. 


CONSIDERAÇÕES FINAIS

O tratamento adequado de sífilis gestacional, ainda é um grande desafio para a esfera de saúde pública no Brasil. Com base nos índices atuais, o número de detecção de sífilis em gestantes na região sudeste e sul do país tiveram taxas superiores se comparadas as demais regiões, com isso também se encontram superiores às taxas de sífilis congênita. Conduto, o Sistema de Informação de Agravos de notificação (Sinan) do ano de 2020, traz que o estado do Espírito Santo, é o quinto estado da federação que apresenta taxa de detecção superior à média nacional, já, se tratando de sífilis congênita, ele está entre os estados que detiveram taxas de incidência menores do Brasil.

Destarte, é de extrema importância que o trabalho realizado na atenção básica de saúde, através do seguimento adequado do pré-natal, de acordo com diretrizes do ministério da saúde, seja efetivado. Evidenciando que apesar de o Brasil deter uma alta cobertura nos atendimentos a gestantes, apesar da grande maioria das participantes do estudo ter uma quantidade de consultas considerada ideais, foram as que mais estavam relacionadas com tratamento inadequado de sífilis gestacional. Afirmando, serem inúmeros os desafios frente à prevenção, detecção, tratamento adequado e manejo de infecções sexualmente transmissíveis, o que não deixa de ser diferente, quando se trata de sífilis gestacional.

Diante disso, entende-se que, ações por parte de políticas públicas, que visem a educação em saúde principalmente as gestantes e suas respectivas parcerias sexuais, a fim de obter conhecimento sobre a gravidade de sífilis se tornam ainda mais evidentes no cenário da saúde do Brasil. Acerca do abordado, estima se que, o domínio do manejo correto por parte dos profissionais envolvidos nesta conjuntura possa ser possível para que realizem de maneira assertiva, a detecção e o tratamento precoces, visando ser este o desfecho mais categórico para a diminuição da manifestação congênita de sífilis.  Trazendo inúmeros benefícios, e contando com estratégias, os profissionais envolvidos mediantes suas atribuições devem cada vez mais serem propagadores do desenvolvimento e das boas práticas dessas elucidações, contribuindo para uma melhor abrangência e controle de agravos, com altos índices de cerácea relacionados a detecção precoce.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Boletim Epidemiológico Especial de Sífilis. 2020. Disponível em:< https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2020/outubro/29/BoletimSfilis2020especial.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2021.

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Referencias

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v. 5
n. 48
Sífilis gestacional: Dificuldades encontradas para o tratamento adequado na atenção primária aos desfechos neonatais em uma maternidade de alto risco do Espírito Santo

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