O papel da comunicação escolar no fortalecimento do vínculo com as famílias de crianças com TEA

THE ROLE OF SCHOOL COMMUNICATION IN STRENGTHENING THE BOND WITH FAMILIES OF CHILDREN WITH ASD

EL PAPEL DE LA COMUNICACIÓN ESCOLAR EN EL FORTALECIMIENTO DEL VÍNCULO CON LAS FAMILIAS DE NIÑOS CON TEA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/F5406F

DOI

doi.org/10.63391/F5406F

Iocamura, Rosana Paula Cruz . O papel da comunicação escolar no fortalecimento do vínculo com as famílias de crianças com TEA. International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

A comunicação entre escola e família de crianças com Transtorno do Espectro Autista insere-se no contexto da educação inclusiva, sendo um dos principais desafios enfrentados pelas instituições que buscam promover o desenvolvimento integral desses alunos. Este trabalho teve como objetivo geral analisar como a comunicação escolar contribui para o fortalecimento do vínculo com as famílias de crianças com TEA. Justifica-se a pesquisa pela necessidade de compreender como a interação comunicacional pode influenciar positivamente o processo de inclusão escolar. A metodologia adotada foi a revisão bibliográfica narrativa, com base em produções acadêmicas publicadas entre os anos de 2021 e 2025, selecionadas por critérios de relevância temática e qualidade científica. Os resultados apontaram que práticas comunicacionais estruturadas, empáticas e contínuas fortalecem o envolvimento familiar e favorecem intervenções pedagógicas mais eficazes. A comunicação escolar é elemento central para consolidar a parceria entre escola e família, sendo para a efetivação da inclusão de crianças com TEA no ambiente educacional.
Palavras-chave
comunicação escolar; transtorno do espectro autista; inclusão; educação; família.

Summary

Communication between schools and families of children with Autism Spectrum Disorder is part of the context of inclusive education and is one of the main challenges faced by institutions that seek to promote the integral development of these students. The general objective of this study was to analyze how school communication contributes to strengthening the bond with families of children with ASD. The research is justified by the need to understand how communicational interaction can positively influence the process of school inclusion. The methodology adopted was a narrative bibliographic review, based on academic productions published between 2021 and 2025, selected by criteria of thematic relevance and scientific quality. The results indicated that structured, empathetic, and continuous communication practices strengthen family involvement and favor more effective pedagogical interventions. School communication is a central element in consolidating the partnership between school and family, and for the effective inclusion of children with ASD in the educational environment.
Keywords
school communication; autism spectrum disorder; inclusion; education; family.

Resumen

La comunicación entre escuelas y familias de niños con Trastorno del Espectro Autista se enmarca en el contexto de la educación inclusiva y constituye uno de los principales retos que enfrentan las instituciones que buscan promover el desarrollo integral de este alumnado. El objetivo general de este estudio fue analizar cómo la comunicación escolar contribuye a fortalecer el vínculo con las familias de niños con TEA. La investigación se justifica por la necesidad de comprender cómo la interacción comunicativa puede influir positivamente en el proceso de inclusión escolar. La metodología adoptada fue una revisión bibliográfica narrativa, basada en producciones académicas publicadas entre 2021 y 2025, seleccionadas según criterios de relevancia temática y calidad científica. Los resultados indicaron que las prácticas de comunicación estructuradas, empáticas y continuas fortalecen la participación familiar y favorecen intervenciones pedagógicas más efectivas. La comunicación escolar es un elemento central para consolidar la colaboración entre la escuela y la familia, y para la inclusión efectiva de los niños con TEA en el entorno educativo.
Palavras-clave
comunicación escolar; trastorno del espectro autista; inclusión; educación; familia

INTRODUÇÃO

A comunicação escolar tem se mostrado elemento no processo de ensino e aprendizagem, especialmente quando considerada sob a perspectiva das relações entre a instituição de ensino e a família dos estudantes. No contexto contemporâneo, marcado por uma diversidade crescente de perfis estudantis, torna-se indispensável o estabelecimento de um diálogo constante, claro e colaborativo entre escola e responsáveis, de modo a promover o sucesso acadêmico e o desenvolvimento integral do aluno. Quando se trata de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), essa dinâmica comunicativa adquire contornos ainda mais sensíveis, exigindo estratégias específicas, empatia institucional e mediação pedagógica que respeite as particularidades cognitivas, afetivas e sociais dessas crianças.

A presença de crianças com TEA nas instituições escolares, decorrente de políticas públicas de inclusão e diretrizes legais como a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, revela a necessidade de reconfiguração de práticas escolares e administrativas. O envolvimento familiar, quando estimulado por meio de uma comunicação eficaz, pode representar elemento facilitador para a adaptação da criança ao ambiente escolar, contribuindo para seu desenvolvimento educacional. A comunicação entre escola e família precisa ser construída sobre bases dialógicas, com atenção às especificidades das necessidades comunicacionais das famílias, e deve visar tanto à troca de informações relevantes quanto à criação de um ambiente de confiança mútua.

A partir dessa realidade, delimita-se como tema da revisão da comunicação escolar no fortalecimento do vínculo com as famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista. A problemática que orienta a investigação está centrada em compreender de que forma a comunicação estabelecida pela escola pode contribuir para o fortalecimento do vínculo com as famílias de crianças com TEA, considerando os desafios inerentes às relações interpessoais, às barreiras comunicacionais e às especificidades do transtorno. A análise parte da premissa de que esse vínculo é para a eficácia dos processos pedagógicos voltados à inclusão.

O objetivo geral do trabalho é analisar como a comunicação escolar pode fortalecer o vínculo com as famílias de crianças com TEA. Os objetivos específicos consistem em identificar práticas comunicativas adotadas por instituições escolares com foco em crianças com TEA, compreender os impactos dessas práticas sobre a participação familiar no contexto escolar e investigar os desafios enfrentados por profissionais da educação e familiares na construção dessa comunicação. A proposta é sistematizar conhecimentos e apontar caminhos que favoreçam práticas comunicacionais mais inclusivas e eficientes.

A relevância da pesquisa se justifica diante da crescente demanda por práticas educacionais que contemplem a inclusão efetiva de crianças com TEA, o que exige das instituições escolares adaptações curriculares e transformações nas formas de se comunicar com as famílias. A comunicação, quando pautada por respeito, clareza e reciprocidade, pode ser um instrumento potente para o fortalecimento das relações entre escola e responsáveis, impactando positivamente os processos de aprendizagem e o desenvolvimento social das crianças. Tal abordagem é de interesse tanto para a comunidade acadêmica quanto para os profissionais da educação e responsáveis legais, contribuindo para o avanço do debate sobre inclusão e qualidade das relações escolares.

MARCO TEÓRICO

A comunicação entre a escola e a família de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) constitui uma dimensão na construção de uma educação verdadeiramente inclusiva, sendo responsável por garantir o alinhamento entre as práticas pedagógicas e as necessidades específicas da criança, a efetivação da inclusão escolar não depende apenas da adaptação do currículo ou da presença de recursos de acessibilidade, mas também da qualidade do diálogo estabelecido entre os agentes educacionais e os familiares, que são detentores de saberes imprescindíveis sobre as singularidades do desenvolvimento infantil, o elo comunicacional influencia diretamente o processo de aprendizagem, pois contribui para a compreensão conjunta de comportamentos, interesses e estratégias eficazes de ensino (Moura; Conceição; Oliveira, 2023)

A mediação comunicativa promovida pela escola funciona como ferramenta de apoio à construção de vínculos, permitindo que a família compreenda e acompanhe o percurso escolar da criança com TEA. Quando esse canal de comunicação é aberto, contínuo e respeitoso, a participação familiar tende a se intensificar, o que favorece o envolvimento em atividades escolares, reuniões pedagógicas e intervenções que requerem continuidade no ambiente doméstico, o envolvimento é condição para o avanço de práticas pedagógicas, pois a parceria efetiva entre os contextos familiar e escolar amplia as possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento (Silva et al., 2025).

A escola, ao assumir o compromisso com a educação inclusiva, necessita desenvolver uma escuta qualificada e ativa em relação às famílias, valorizando o saber cotidiano que essas famílias acumulam ao longo do processo de acompanhamento do desenvolvimento da criança. Segundo Fagundes, Farias e Andrade (2024), essa escuta deve integrar uma abordagem multidisciplinar, em que professores, terapeutas e demais profissionais dialogam continuamente com os responsáveis para garantir uma intervenção pedagógica coerente com as necessidades da criança. A construção dessa parceria só se consolida quando a comunicação é baseada na confiança e na horizontalidade.

De acordo com Felippe et al. (2025), quando a escola reconhece e acolhe as narrativas familiares, ela amplia seu potencial de atuação educativa, fortalecendo o compromisso com a inclusão, a postura reduz resistências, facilita adaptações pedagógicas e viabiliza ações preventivas frente a dificuldades de comportamento ou aprendizagem. A ausência de práticas comunicativas eficazes entre escola e família pode contribuir para a fragilização do vínculo afetivo e pedagógico da criança com o ambiente escolar. O distanciamento familiar, muitas vezes provocado por experiências anteriores de exclusão, estigmatização ou incompreensão, pode ser superado por meio da criação de espaços sistemáticos de escuta e troca de informações. 

O processo de inclusão exige que a comunicação vá além da informação técnica e burocrática, sendo permeada por empatia, linguagem acessível e respeito às particularidades socioculturais das famílias. Conforme Valle e Mietto (2024), fatores socioculturais atua na forma como a família compreende e participa da vida escolar da criança, de modo que o discurso escolar precisa considerar essas especificidades para evitar julgamentos e promover a corresponsabilidade no processo educativo, a mediação cultural fortalece a aliança pedagógica e contribui para a construção de práticas escolares anticapacitistas.

A relevância da comunicação na identificação precoce de comportamentos atípicos, o que impacta diretamente na elaboração de estratégias pedagógicas eficazes, o diagnóstico precoce favorece o planejamento de ações educativas mais alinhadas às necessidades da criança com TEA, e isso só é possível quando há cooperação estreita entre os diferentes agentes envolvidos na educação da criança. Nessa lógica, a comunicação escolar representa elo entre o saber clínico, o saber pedagógico e o saber familiar, sendo mediadora de práticas interdisciplinares (Soares et al., 2025)

O apoio emocional às famílias também passa pelo modo como a escola se comunica, pois o acolhimento institucional pode reduzir o estresse parental e aumentar a sensação de pertencimento. Segundo Bonfim et al. (2023), a escuta institucional e o compartilhamento de informações confiáveis promovem maior segurança nas decisões parentais e ampliam a confiança na escola como parceira no processo de desenvolvimento da criança. A ausência dessa escuta gera insegurança e compromete a construção de vínculos efetivos entre os atores envolvidos.

A formação dos profissionais da educação, nesse contexto, torna-se componente estratégico para o desenvolvimento de competências comunicacionais que favoreçam o diálogo com as famílias, o despreparo docente para lidar com a diversidade, somado à ausência de estratégias de comunicação inclusivas, constitui um dos principais obstáculos à efetivação da educação para todos. A qualificação dos educadores precisa incluir conteúdos sobre relações interpessoais, escuta empática e abordagem colaborativa, como forma de superar barreiras relacionais e promover o envolvimento da família como sujeito ativo no processo educativo (Silva; Menezes, 2022).

A construção de redes de apoio escolar com participação familiar implica em processos comunicativos que valorizem o conhecimento, a tomada de decisão coletiva e o planejamento colaborativo de intervenções pedagógicas, a tríade família, escola e equipe multiprofissional forma uma base de sustentação para o desenvolvimento de crianças com TEA, sendo a comunicação o elemento integrador. A valorização de práticas comunicacionais dialógicas contribui para a transformação do ambiente escolar em um espaço de pertencimento, aprendizagem e desenvolvimento integral para todas as crianças (Chida; Shaw, 2022)

MARCO METODOLÓGICO

A pesquisa é de natureza qualitativa, com delineamento exploratório, fundamentada em uma revisão bibliográfica narrativa, a abordagem metodológica foi adotada com o objetivo de reunir, examinar e interpretar criticamente a produção científica recente relacionada a comunicação escolar no fortalecimento do vínculo com as famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A revisão narrativa permite uma análise ampla e reflexiva sobre o tema, viabilizando a articulação entre diferentes abordagens teóricas e empíricas já publicadas. A escolha dessa metodologia se justifica pela complexidade do objeto de estudo, que envolve aspectos educacionais, comunicacionais e psicossociais.

A busca pelos materiais foi realizada em bases de dados reconhecidas na área das Ciências Humanas e da Educação, entre elas a Scielo, Google Acadêmico, Redalyc, LILACS e Portal de Periódicos da CAPES. O levantamento bibliográfico priorizou artigos científicos publicados entre os anos de 2021 e 2025, respeitando a contemporaneidade da produção sobre o tema, de modo a garantir a relevância e atualização dos dados coletados. Foram utilizadas combinações de descritores controlados e não controlados, como “Comunicação escolar”, “Transtorno do Espectro Autista”, “Inclusão”, “Educação”, “Família”, sempre cruzados por operadores booleanos “AND” e “OR” para refinar os resultados.

Como critério de inclusão, foram selecionadas publicações que abordassem direta ou indiretamente as relações comunicacionais entre escola e família no contexto da educação de crianças com TEA, especialmente aquelas que evidenciam o impacto dessa comunicação na inclusão escolar e no processo de aprendizagem. Também foram considerados os estudos que discutem a atuação de profissionais da educação, a escuta ativa e a participação dos familiares como elementos centrais para a construção de um ambiente escolar mais inclusivo. Os textos deveriam estar disponíveis integralmente, em português, espanhol ou inglês, e apresentar vínculo com instituições de ensino superior ou com periódicos reconhecidos na área educacional e psicossocial.

Foram excluídas da análise publicações que não apresentavam interface direta com o tema proposto, como estudos centrados exclusivamente na abordagem médica ou neurológica do autismo, sem articulação com a dimensão educativa. Também foram descartados trabalhos repetidos, com dados duplicados ou de procedência duvidosa, além de resumos, editoriais e produções que não apresentavam fundamentação teórica consistente. A análise dos títulos, resumos e palavras-chave foi a etapa inicial para o processo de triagem dos materiais, seguida pela leitura integral dos textos selecionados, respeitando os critérios definidos previamente.

A sistematização do corpus teórico foi realizada com base em leitura crítica e fichamento analítico dos conteúdos, organizados de forma a evidenciar os eixos temáticos recorrentes nas discussões. Entre os principais temas observados estão a importância da escuta ativa, as práticas colaborativas entre escola e família, a formação docente para a comunicação inclusiva e a mediação pedagógica na construção do vínculo afetivo com a criança autista. As análises procuraram identificar convergências e divergências, bem como os limites e possibilidades apontados para a comunicação escolar no contexto da inclusão.

ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

A análise dos dados obtidos por meio da revisão bibliográfica evidência que a comunicação escolar é uma ferramenta estratégica para promover o vínculo entre família e escola no processo de inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista. Moura, Conceição e Oliveira (2023) destacam que a cooperação entre esses dois contextos amplia a compreensão sobre o desenvolvimento da criança e fortalece a atuação conjunta em favor da aprendizagem, a perspectiva encontra ressonância em Silva et al. (2025), que apontam a comunicação como mediadora entre os saberes da família e as práticas escolares, favorecendo intervenções pedagógicas mais coerentes com as necessidades do aluno com TEA.

A escuta ativa aparece como elemento central em diversos estudos analisados. Para Fagundes, Farias e Andrade (2024), a escuta das famílias por parte da escola deve ser qualificada e constante, promovendo acolhimento e confiança. O aspecto é complementado por Bonfim et al. (2023), que demonstram como o suporte comunicacional dado às famílias por profissionais de diferentes áreas contribui para a redução de inseguranças e estresse. Ambos os estudos indicam que a escuta vai além de um procedimento técnico, sendo um componente relacional que estabelece a base para um vínculo e colaborativo entre escola e família.

Silva e Menezes (2022) trazem à tona a importância da formação docente voltada para práticas de comunicação inclusiva, afirmando que a ausência de preparo pode comprometer o diálogo com os familiares e prejudicar a construção de parcerias pedagógicas, a análise converge com os apontamentos de Chida e Shaw (2022), que destacam a tríade escola, família e equipe multiprofissional como sustentação para o desenvolvimento de crianças com TEA. A interdependência entre os saberes docentes, familiares e clínicos requer articulações comunicacionais complexas, que só se tornam viáveis quando há intencionalidade e capacitação adequada por parte dos profissionais da educação.

Felippe et al. (2025) enfatizam a necessidade de práticas comunicacionais adaptadas à realidade de cada família, sobretudo no que se refere às estratégias para lidar com comportamentos desafiadores, a abordagem dialoga com Valle e Mietto (2024), que problematizam o impacto dos fatores socioculturais nas interações escolares, sugerindo que a linguagem utilizada pelos educadores deve considerar as referências e os repertórios familiares. A integração entre essas duas dimensões práticas comunicacionais e mediações culturais é vista como condição para o fortalecimento do vínculo e para o sucesso da inclusão escolar.

Bonfim et al. (2023) reforçam a importância da comunicação contínua entre a escola e a família, destacando que essa relação precisa ser construída com base em trocas frequentes, transparentes e acessíveis, a proposta vai ao encontro da análise feita por Moura, Conceição e Oliveira (2023), que demonstram que a ausência de diálogo pode levar ao afastamento da família e à fragmentação do processo educativo. As duas análises apontam que a comunicação não deve ser eventual nem restrita a momentos de crise, mas parte integrante do cotidiano escolar, promovendo alinhamento entre as práticas pedagógicas e as expectativas familiares.

A comunicação escolar também deve estar articulada às políticas públicas de inclusão, conforme salientado por Silva et al. (2025), destacam que o vínculo entre escola e família deve ser fomentado institucionalmente, por meio de normativas e orientações que legitimem a participação dos responsáveis nos processos educativos, a perspectiva é fortalecida por Pelissari (2024), que demonstra como experiências pedagógicas com caráter lúdico, quando planejadas em consonância com a família, apresentam melhores resultados em termos de engajamento da criança com TEA. O envolvimento familiar, nesse caso, é facilitado por práticas comunicacionais abertas e colaborativas.

A comunicação escolar também tem função preventiva, especialmente no enfrentamento de comportamentos desafiadores e dificuldades de aprendizagem. Freitas (2023) aponta que a intervenção precoce em linguagem, articulada com os relatos familiares, possibilita o planejamento de estratégias mais eficazes, a análise complementa os achados de Lôbo et al. (2025), ao indicar que a comunicação entre os diferentes agentes educacionais, incluindo professores e terapeutas, viabiliza a atuação integrada no acompanhamento da criança. A sinergia entre esses atores só é possível quando há um fluxo comunicativo estruturado e contínuo.

A análise dos estudos revela que a comunicação eficaz depende de uma cultura institucional comprometida com a inclusão e com a escuta da diversidade. Oliveira et al. (2025) apontam que o acolhimento das mães atípicas está diretamente relacionado à forma como são tratadas nos espaços escolares, sendo a linguagem institucional um fator determinante para a permanência e participação dessas famílias, a análise reforça a necessidade de ações escolares que ultrapassem o discurso e incorporem práticas comunicacionais efetivamente humanizadas, valorizando a diversidade de experiências e realidades familiares.

A comunicação escolar atua na constituição de um ambiente educativo inclusivo e na promoção do vínculo com as famílias de crianças com TEA, práticas comunicativas fundamentadas na escuta ativa, na empatia e na cooperação entre os diferentes agentes envolvidos favorecem o engajamento familiar e fortalecem as ações pedagógicas voltadas ao desenvolvimento integral da criança (Moura et al., 2023; Bonfim et al., 2023). A articulação entre escola, família e equipe multiprofissional, quando mediada por uma comunicação contínua e respeitosa, contribui para o bem-estar e a adaptação da criança com TEA no espaço escolar (Fagundes et al., 2024; Chida; Shaw, 2022). Com base nas contribuições a comunicação escolar inclusiva deve ser compreendida como uma prática institucional estruturante, que impacta diretamente a efetividade das estratégias educacionais e a consolidação dos direitos das crianças autistas no contexto da educação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A comunicação escolar é determinante no fortalecimento do vínculo entre a instituição de ensino e as famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista. Verificou-se que quando esse processo comunicacional é construído com base em escuta ativa, respeito às especificidades familiares e diálogo contínuo, há maior efetividade na inclusão escolar. A comunicação, nesse contexto, não se limita à troca de informações, mas assume função estruturante na consolidação de práticas pedagógicas mais coerentes com as necessidades do aluno com TEA.

A presença de canais comunicativos eficientes favorece o envolvimento dos responsáveis no cotidiano escolar, permitindo a construção de parcerias entre docentes, equipes multiprofissionais e familiares. A escuta das experiências familiares, articulada ao conhecimento pedagógico, promove intervenções mais consistentes e centradas na realidade da criança, confirmando as hipóteses do estudo quanto à importância da comunicação para o sucesso das estratégias educacionais inclusivas. A ausência dessa mediação comunicacional foi apontada como fator de risco para o distanciamento dos responsáveis e para o enfraquecimento das ações inclusivas.

A pesquisa alcançou seu objetivo geral ao demonstrar como a comunicação escolar pode fortalecer os vínculos com as famílias de crianças com TEA, destacando ainda a necessidade de formação docente contínua para lidar com a diversidade de perfis familiares e demandas específicas do transtorno. Também foram atendidos os objetivos específicos, ao identificar as práticas comunicacionais existentes, seus impactos na participação familiar e os desafios enfrentados por educadores e famílias no processo de articulação entre escola e domicílio. A produção analisada aponta para a necessidade de ações institucionais mais estruturadas que garantam esse vínculo comunicativo como parte das políticas de inclusão.

Diante do exposto, o investimento em práticas comunicacionais inclusivas constitui elemento para a construção de um ambiente escolar mais acolhedor e participativo. A valorização da escuta, a construção de relações de confiança e o reconhecimento das famílias como parceiras no processo educativo são condições necessárias para promover o desenvolvimento integral da criança com TEA. A comunicação eficaz entre escola e família emerge, assim, como um dos pilares da educação inclusiva, sendo imprescindível para o êxito das ações pedagógicas voltadas à inclusão de alunos com transtornos do espectro autista.

RECOMENDAÇÕES

Recomenda-se que as instituições de ensino desenvolvam políticas internas voltadas à formação contínua dos profissionais da educação para o aprimoramento das práticas comunicacionais com famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista, a formação deve contemplar temas como escuta ativa, mediação de conflitos, linguagem acessível e sensibilidade cultural, visando à construção de um ambiente escolar mais receptivo e colaborativo. Também se sugere a criação de espaços institucionais formais e informais que favoreçam o diálogo constante entre escola e responsáveis, como reuniões participativas, encontros pedagógicos e canais de comunicação digital acessíveis.

É indicado que gestores escolares incentivem a atuação integrada de equipes multidisciplinares no planejamento das ações comunicativas, garantindo que as informações relevantes sobre o desenvolvimento da criança circulem de forma clara entre todos os envolvidos. A implementação de práticas comunicacionais sistematizadas deve ser articulada ao projeto político-pedagógico da escola, incorporando a comunicação como um eixo transversal das estratégias de inclusão.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Iocamura, Rosana Paula Cruz . O papel da comunicação escolar no fortalecimento do vínculo com as famílias de crianças com TEA.International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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O papel da comunicação escolar no fortalecimento do vínculo com as famílias de crianças com TEA

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