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Resumo
INTRODUÇÃO
O ambiente escolar é um espaço complexo onde as interações humanas e profissionais desempenham um papel crucial, considerando que as atitudes e posturas de gestores impactam na eficácia das decisões pedagógicas e administrativas. No contexto do ensino técnico nas escolas públicas paulistas, essas relações apresentam desafios significativos que podem tanto limitar quanto potencializar o impacto das ações educacionais.
O relacionamento humano e profissional com a equipe escolar apresenta desafios significativos, os quais podem tanto limitar quanto potencializar o impacto das decisões pedagógicas e administrativas. Esses desafios tornam indispensável uma análise aprofundada e sistemática das interações no ambiente escolar, especialmente no contexto do ensino técnico da escola pública paulista, pois compreende além da formação geral do cidadão, como o desenvolvimento de competências de um profissional técnico.
Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que guia a educação básica nas escolas do Brasil, melhorando a aprendizagem, a qual todos os alunos têm direito, refere-se que as competências são definidas como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para que o estudante esteja preparado para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.
Ao definir essas competências, a BNCC reconhece que a “educação deve afirmar valores e estimular ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza” (Brasil, 2013).
Considerando que este estudo trata de escolas paulistas, não podemos desvincular o Currículo Paulista, documento orientador que estabelece as diretrizes e os conteúdos a serem abordados nas escolas da rede pública do estado de São Paulo. Ele foi desenvolvido com o objetivo de garantir uma educação de qualidade, promovendo a formação integral dos alunos e respeitando a diversidade cultural e social do estado. O currículo abrange diferentes áreas do conhecimento, incluindo linguagens, matemática, ciências, humanidades e educação física, e busca integrar competências e habilidades que preparem os estudantes para os desafios do século XXI, enfatiza a importância da interdisciplinaridade e da contextualização dos conteúdos, promovendo uma aprendizagem significativa e relevante para os estudantes paulistanos.
O Currículo Paulista considera a Educação Integral como a base da formação do estudante no Estado, independentemente da rede de ensino que frequenta e da jornada que cumpre. Dessa maneira, afirma o compromisso com o desenvolvimento do estudante em suas dimensões intelectual, física, socioemocional e cultural, elencando as competências e as habilidades essenciais para sua atuação na sociedade contemporânea e seus cenários complexos, multifacetados e incertos (Currículo Paulista, 2020. p.23).
Viver, aprender e se relacionar nesse novo contexto tem exigido, cada vez mais, maior autonomia e mobilização de competências dos sujeitos para acessar, selecionar e construir pontos de vista frente ao volume substancial de informações e conhecimentos disponíveis, para buscar soluções criativas e fazer escolhas coerentes com seus projetos de vida e com o impacto dessas escolhas. (Currículo Paulista, 2020. p.23)
Nesse contexto, em um ambiente educacional, gestores e suas equipes desempenham um papel fundamental na criação de um espaço acolhedor que favoreça o ensino e a aprendizagem. Suas responsabilidades vão além da administração e incluem a criação de condições que possibilitem uma educação de qualidade, promovendo um ambiente propício ao aprendizado, liderando com visão, apoiando os educadores, envolvendo a comunidade e promovendo a melhoria contínua.
Para garantir o desenvolvimento educacional alinhado aos preceitos de cada instituição, é fundamental a presença do Supervisor Escolar, cujo papel é acompanhar e propor estratégias para a implementação de práticas pedagógicas eficazes. Seu foco está em desenvolver propostas construtivas junto aos diretores de escola na busca contínua por melhores índices de satisfação, sempre com o objetivo de assegurar a qualidade do ensino.
Cabe destacar que tanto a dimensão pedagógica quanto a técnico-administrativa são importantes para a atuação da Supervisão Escolar e devem ser trabalhadas de forma integrada e complementar. Dessa forma, busca-se garantir a qualidade do ensino e o cumprimento das normas e regulamentações educacionais de maneira efetiva e consistente (Silva Neta, 2024).
O SUPERVISOR ESCOLAR NA HISTÓRIA
Segundo Demerval Saviani (2010), a partir da constatação da dimensão política que abarca a função do supervisor, surge o movimento de reformulação dos cursos de Pedagogia no final dos anos 70, uma vez que as habilitações técnicas passam a ser entendidas como mera divisão de tarefas. “A nova estrutura do curso de Pedagogia, organizado na forma de habilitações, abria a perspectiva de profissionalização da supervisão escolar. Com isso, o supervisor ganha identidade própria, que o distinguia das demais atividades profissionais, devido à “dimensão política” de suas atividades” (Saviani in Ferreira, 2010).
Saviani discute a evolução da supervisão escolar, destacando que, com a mudança na estrutura do curso de Pedagogia, a supervisão passou a ter uma identidade própria, com uma forte dimensão política. Nos anos 70, houve um movimento para que os cursos de Pedagogia formassem profissionais completos, capazes de atuar em administração, orientação e supervisão, não apenas em tarefas técnicas. Essa discussão ganhou destaque na Primeira Conferência Brasileira de Educação em 1980.Ele também analisa a história da profissão de supervisor, mostrando como ela buscou reconhecimento ao longo do tempo. Atualmente, Saviani aponta que estamos na Era da Automatização, onde o trabalho do supervisor envolve manter e ajustar sistemas automatizados, além de promover a potencialização das capacidades dos estudantes, em um contexto de transformação social e superação do capitalismo. Ele conclui que o grande desafio da supervisão hoje é construir ações coletivas, conscientes da situação social, para promover mudanças necessárias na educação.
Com o avanço da tecnologia, o mercado de trabalho passa a exigir novas competências e perfis profissionais. Nesse contexto, a escola, enquanto instituição social responsável pelo processo educativo, assume um papel fundamental na formação dos estudantes. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), reforça essa responsabilidade ao estabelecer que a educação deve estar vinculada ao mundo do trabalho e às práticas sociais (Art. 1º, §2º). Além disso, a lei destaca a importância de respeitar os princípios e objetivos do sistema educacional. No seu artigo 64, a lei especifica que a formação dos profissionais da educação deve ocorrer por meio de cursos superiores de Pedagogia ou pós-graduação, preparando-os para funções como administração, inspeção, planejamento, supervisão e orientação na educação básica. Ainda, o artigo 67 reforça que a experiência docente é um requisito fundamental para o exercício de qualquer função de magistério, garantindo a qualificação e a preparação adequada dos profissionais da educação.
Segundo Almada, C. (2018) emerge, portanto, novo perfil de profissional de supervisão pedagógica, responsável pelo “controle necessário” do trabalho educacional, capaz de fazer da supervisão uma prática de constante debate e avaliação em torno da concretização de projeto educacional que atenda às necessidades da comunidade.
A IDENTIDADE DO SUPERVISOR ESCOLAR
A identidade do supervisor escolar desempenha um papel essencial na promoção de uma dinâmica contínua de reflexão, ação e reconstrução, elementos fundamentais para assegurar uma educação de qualidade e melhorar os indicadores de sucesso escolar. As ações do supervisor escolar impactam na gestão e na qualidade de uma instituição de ensino, pois colabora para um ambiente de aprendizado positivo e eficaz.
A palavra “supervisão” indica a atitude de “ver o geral”, olhar a ação a ser executada diante de um aspecto global. Constitui pela articulação entre atividades específicas que se desenvolvem na escola. Desse modo, “[…] ‘super’, superior, não em termos de hierarquia, mas em termos de perspectiva, de ângulo de visão, para que o supervisor possa ‘olhar’ o conjunto de elementos e seus elos articuladores” (Rangel, 2000, apud Luz, 2011).
Segundo Almada, C. (2018), das atribuições do supervisor, dá-se ênfase à ação supervisora como corresponsável pela formação do professor, capaz de coordenar o coletivo e promover a integração. Com um olhar holístico, o Supervisor Pedagógico identifica e esclarece à gestão escolar as possibilidades de ações que contribuam para melhorias, entre elas podemos destacar:
Orientação pedagógica: a qual consiste em apoiar a elaboração planos de ensino, além de implementar práticas pedagógicas que estejam em sintonia com as diretrizes curriculares, e busca aprimoramento dos processos de ensino e aprendizagem, além de propor intervenções que ajudem os alunos a superar desafios. O trabalho do supervisor pedagógico na instituição escolar está relacionado, à formação continuada dos professores, ao planejamento escolar, à avaliação e à gestão democrática (Da Silva, 2013).
Avaliação e Acompanhamento: compreende o acompanhamento do desempenho dos alunos e a eficácia das metodologias de ensino, por meio de análise de relatórios gerenciais, indicadores de permanência de alunos e monitoramento do currículo em ação.
Aprimoramento de processos de ensino e aprendizagem, fomentando a continuidade das boas práticas existentes e implementando estratégias para a permanência discente qualificada, por meio do monitoramento do currículo em ação, da busca ativa, escuta ativa, observação direta das aulas, aproveitamento de vagas remanescentes, otimização dos espaços pedagógicos ociosos. Segundo Da Silva (2013), na avaliação institucional, que analisa as dimensões pedagógica, comunitária e administrativa, o supervisor será um dos articuladores, criando dispositivos que possibilitem a sua articulação.
Formação Continuada: O supervisor organiza programas de formação continuada para os professores, promovendo o aprimoramento profissional e a atualização das práticas educativas. As atribuições do supervisor remetem a uma prática dimensionada para além da ‘inspeção’, da ‘supervisão’ enquanto um ‘olhar superior sobre’, colocando o Supervisor como alguém que coordena um trabalho coletivo, um líder que viabiliza o planejamento, a formação continuada, de investigação acerca da prática pedagógica (Rolla, L. 2006).
Gestão de Conflitos: O supervisor atua como mediador, buscando soluções que promovam um clima harmonioso entre alunos, professores e pais, sempre com empatia e compreensão. De acordo, com Rolla, L. (2006) com as atribuições do Supervisor Escolar, a essência de sua função reside no relacionamento que mantém com os professores individual e coletivamente, e quando se fala em ‘relação entre sujeitos’, existe, além de questões epistemológicas, questões de subjetividade.
Planejamento Escolar: A participação do supervisor no planejamento estratégico da escola, ajuda a definir metas e objetivos educacionais que guiarão a instituição em sua missão de educar. Souza, M. et al., (2017), cita que o supervisor escolar está ligado ao planejamento do currículo escolar, o qual deve se dar de forma participativa, a fim de promover a melhoria da qualidade da aprendizagem, assim como do ensino, trazendo a realidade para debate em sala de aula, bem como levando a escola para o meio familiar desses estudantes.
Articulação com a Comunidade: O supervisor busca estabelecer e fortalecer parcerias com a comunidade e outras instituições, promovendo a integração entre a escola e o entorno, buscando a integração escola-comunidade externa, enriquecendo o ambiente educacional e ampliando as oportunidades de aprendizado para os alunos. O supervisor educacional tem como uma de suas funções exercer o papel de articulador entre equipe diretiva, professores, funcionários, estudantes e seus familiares (Alves, M. et al 2012).
Supervisão de Projetos: como responsável por supervisionar a implementação de projetos pedagógicos e atividades extracurriculares, o que assegura uma consonância com os objetivos educacionais da escola, contribuindo com uma formação integral e enriquecedora para os alunos. Segundo Almada, C. (2018), o supervisor escolar torna-se “mediador”, à medida que articula os Projetos Pedagógicos com o coletivo de professores e gestores, capaz de propagar educação satisfatória, já que está fundamentado pela profissão e atribuições a proporcionar constante atualização do ensino e estudos em grupo, periódicas interações com alunos e sua família, mediante audição de suas necessidades, curiosidades e anseios.
Apoio à Inclusão: O supervisor desempenha um papel fundamental na promoção da inclusão, implementando práticas que asseguram que todos os alunos, independentemente de suas diversidades e necessidades, tenham acesso a uma educação de qualidade. Essa abordagem visa criar um ambiente educacional acolhedor e equitativo, onde cada estudante possa desenvolver seu potencial ao máximo.
DESAFIOS NA ATUALIDADE
Segundo Silva Neta (2024), no que se refere aos problemas enfrentados pelas escolas, acrescenta-se às atribuições do Supervisor Escolar, sua colaboração na resolução de conflitos dentro das unidades. Os relacionamentos interpessoais estão cada vez mais difíceis, muitas vezes a desarmonia está dentro da própria equipe gestora. Assim, o Supervisor assume o papel de mediador de conflitos, de resolução de problemas internos que dificultam as ações dentro da escola.
O planejamento escolar é o processo de organizar e definir as ações, metas e estratégias que a escola deve seguir para oferecer uma educação de qualidade. Ele envolve a elaboração de planos que orientam o trabalho pedagógico, administrativo e financeiro, garantindo que os recursos sejam utilizados de forma eficiente e que os objetivos educacionais sejam alcançados. É uma ferramenta fundamental para promover a organização, a continuidade e a melhoria do ensino na escola.
Neste contexto, o supervisor escolar tem uma importância muito grande no planejamento escolar, pois ele atua como um apoio fundamental para garantir que as ações planejadas sejam bem executadas. Ele ajuda a direção da escola na orientação dos professores, acompanha o desenvolvimento das atividades, identifica necessidades e propõe melhorias. Além disso, o supervisor contribui para que o planejamento seja alinhado às realidades da escola, promovendo uma gestão mais eficiente e colaborativa. Assim, ele ajuda a transformar o planejamento em ações concretas que melhoram a qualidade do ensino e o ambiente escolar.
É de relevância o fato de que o supervisor escolar atue com visão coletiva, mostrando a importância (que detêm as relações interpessoais) aos professores, alunos e a todos os indivíduos que fazem parte da comunidade escolar. Para isso é importante que tal profissional detenha as habilidades de olhar, ouvir, falar e cuidar. Somente assim, o planejamento será, de fato, coletivo (Souza, 2017).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O supervisor escolar desempenha um papel fundamental no processo de gestão e desenvolvimento das instituições de ensino. Suas atribuições vão além da simples supervisão, envolvendo a coordenação de equipes, a implementação de políticas educacionais, a promoção de um ambiente de aprendizagem saudável e a garantia da qualidade do ensino. A atuação do supervisor é essencial para fortalecer a prática pedagógica, apoiar a equipe de direção e professores e assim, contribuir para o sucesso dos estudantes.
Além disso, o supervisor escolar atua como um elo entre a gestão escolar, os professores, os estudantes e a comunidade, promovendo uma comunicação eficaz e facilitando a resolução de conflitos. Sua presença é vital para criar um clima de colaboração, inovação e melhoria contínua na escola. É importante destacar que esse profissional deve estar sempre atualizado, buscando novas metodologias, tecnologias e estratégias que possam enriquecer o processo de ensino-aprendizagem.
Reconhecer e valorizar o trabalho do supervisor escolar é fundamental para o fortalecimento do sistema educacional. Sua atuação impacta diretamente na formação de cidadãos críticos, conscientes e preparados para os desafios do mundo contemporâneo. Portanto, investir na formação, na valorização e no reconhecimento desse profissional é investir na qualidade da educação como um todo, contribuindo para o desenvolvimento social, cultural e econômico da nossa sociedade.
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