MEMÓRIA HISTÓRICA DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL: SILENCIAMENTOS, APAGAMENTOS E DISPUTAS NARRATIVAS
DOI:
https://doi.org/10.63391/4pbgys11Palavras-chave:
Memória Histórica, Silenciamento, ApagamentoResumo
Este artigo analisa a construção da memória histórica da escravidão no Brasil e os processos de silenciamento que marcaram sua consolidação narrativa. Parte-se do pressuposto de que a memória social não constitui registro neutro do passado, mas resultado de enquadramentos seletivos que definem o que deve ser preservado ou marginalizado. O objetivo geral consiste em examinar como a memória oficial da escravidão foi estruturada e de que modo suas lacunas contribuíram para a naturalização de desigualdades raciais no período pós-abolição. Como objetivos específicos, investigam-se a formação da narrativa oficial, o papel do mito da democracia racial na neutralização do conflito histórico e as disputas contemporâneas pela interpretação do passado escravocrata. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa de natureza teórico-bibliográfica, fundamentada na articulação entre estudos sobre memória coletiva, mal de arquivo e racismo estrutural. Os resultados indicam que o apagamento da violência escravocrata não se deu pela ausência de registros, mas por sua reorganização simbólica, produzindo uma narrativa de encerramento histórico. Conclui-se que a memória da escravidão permanece campo de disputa interpretativa e que seus silenciamentos desempenham papel relevante na sustentação simbólica das hierarquias raciais contemporâneas.
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