Diálogo, inculturação e aplicações pastorais da devoção mariana em contextos de compromisso social

DIALOGUE, INCULTURATION, AND PASTORAL APPLICATIONS OF MARIAN DEVOTION IN CONTEXTS OF SOCIAL COMMITMENT

DIÁLOGO, INCULTURACIÓN Y APLICACIONES PASTORALES DE LA DEVOCIÓN MARIANA EN CONTEXTOS DE COMPROMISO SOCIAL

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/0262E3

DOI

doi.org/10.63391/0262E3

Jesus, Fabrício Manoel de . Diálogo, inculturação e aplicações pastorais da devoção mariana em contextos de compromisso social. International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este artigo examina o diálogo, a inculturação e as aplicações pastorais da devoção mariana em contextos de compromisso social. A pesquisa explora como a figura de Maria transcende fronteiras culturais e religiosas, fomentando o diálogo inter-religioso, especialmente com o Islã. Analisa-se a inculturação da devoção mariana em diferentes continentes, considerando os desafios e oportunidades desse processo. São propostas orientações pastorais para integrar a devoção mariana ao compromisso social, abordando temas emergentes como ecologia, tecnologias digitais e crises humanitárias. A pesquisa utiliza uma abordagem hermenêutica, baseada em documentos do Magistério, literatura teológica e estudos de caso, como o ativismo socioambiental da Arquidiocese de Belo Horizonte e a Missão Rosa Mística nas Filipinas, para destacar o potencial da devoção mariana em inspirar a transformação social.
Palavras-chave
devoção mariana; compromisso social; inculturação; diálogo inter-religioso; pastoral.

Summary

This article examines the dialogue, inculturation, and pastoral applications of Marian devotion in contexts of social commitment. The research explores how the figure of Mary transcends cultural and religious boundaries, fostering interreligious dialogue, especially with Islam. It analyzes the inculturation of Marian devotion across different continents, considering the challenges and opportunities of this process. Pastoral guidelines are proposed to integrate Marian devotion with social commitment, addressing emerging themes such as ecology, digital technologies, and humanitarian crises. The research employs a hermeneutical approach, drawing on Magisterium documents, theological literature, and case studies, such as the socio-environmental activism of the Archdiocese of Belo Horizonte and the Rosa Mystica Mission in the Philippines, to highlight the potential of Marian devotion to inspire social transformation.
Keywords
marian devotion; social commitment; inculturation; interreligious dialogue; pastoral care.

Resumen

Este artículo examina el diálogo, la inculturación y las aplicaciones pastorales de la devoción mariana en contextos de compromiso social. La investigación explora cómo la figura de María trasciende las fronteras culturales y religiosas, fomentando el diálogo interreligioso, especialmente con el Islam. Se analiza la inculturación de la devoción mariana en diferentes continentes, considerando los desafíos y oportunidades de este proceso. Se proponen orientaciones pastorales para integrar la devoción mariana al compromiso social, abordando temas emergentes como la ecología, las tecnologías digitales y las crisis humanitarias. La investigación utiliza un enfoque hermenéutico, basado en documentos del Magisterio, literatura teológica y estudios de caso, como el activismo socioambiental de la Arquidiócesis de Belo Horizonte y la Misión Rosa Mística en Filipinas, para destacar el potencial de la devoción mariana para inspirar la transformación social.
Palavras-clave
devoción mariana; compromiso social; inculturación; diálogo interreligioso; pastoral

INTRODUÇÃO

A devoção mariana, profundamente enraizada na tradição católica, tem sido uma força significativa na formação da identidade religiosa e cultural de milhões de fiéis ao longo dos séculos. Paralelamente, o compromisso com a transformação social tem se intensificado nas últimas décadas, desafiando as comunidades religiosas a articular suas tradições espirituais com as demandas contemporâneas por justiça, paz e dignidade humana. Neste contexto, emerge uma questão crucial: como a devoção mariana pode dialogar com diferentes tradições culturais e religiosas, e quais são suas aplicações pastorais em contextos de compromisso social?

A capacidade da figura de Maria de transcender fronteiras culturais e religiosas tem raízes profundas, remontando aos primeiros séculos do cristianismo. Phan (2017), destaca que a veneração de Maria no Islã, onde é a única mulher mencionada pelo nome no Corão, oferece um terreno fértil para o diálogo inter-religioso e a cooperação em iniciativas de promoção da paz e da justiça.

A inculturação da devoção mariana em diferentes contextos culturais demonstra a notável adaptabilidade desta expressão de fé. Granziera (2019, p. 17), observa que a figura de Maria, longe de impor-se como um modelo cultural único, adapta-se às diferentes realidades culturais, assumindo características locais que a tornam mais próxima e significativa para os fiéis. O processo de inculturação, como enfatiza a Comissão Teológica Internacional (1988), não é simplesmente uma adaptação externa da mensagem cristã, mas um processo pelo qual o Evangelho penetra no coração das culturas e se encarna nelas, transformando tanto a fé quanto a cultura.

As aplicações pastorais da devoção mariana em contextos de compromisso social constituem um campo fértil para a reflexão teológica e a prática eclesial. O Papa Francisco (2018, p. 176), destaca que “a piedade popular é uma maneira legítima de viver a fé, um modo de se sentir parte da Igreja e uma forma de ser missionário”. Esta dimensão missionária frequentemente se traduz em compromisso social concreto, inspirado pelos valores evangélicos encarnados na figura de Maria.

A integração entre devoção mariana e compromisso social encontra respaldo no próprio magistério da Igreja. A CELAM (2007, n. 265), Documento de Aparecida, afirma: “Com sua religiosidade característica [o povo] se agarra no imenso amor que Deus tem por eles e que lhes recorda permanentemente a própria dignidade. Também encontram a ternura e o amor de Deus no rosto de Maria. Nela veem refletida a mensagem essencial do Evangelho.” Esta visão de Maria como modelo de compromisso com os marginalizados oferece uma base sólida para explorar a relação entre devoção mariana e justiça social na pastoral contemporânea.

A relevância deste estudo reside na crescente necessidade de pontes entre a espiritualidade tradicional católica e o compromisso social. Em um mundo marcado por desigualdades persistentes, conflitos e crises ambientais, a pastoral católica é chamada a oferecer, além do conforto espiritual, também orientação ética e motivação para a ação transformadora. A figura de Maria, historicamente invocada como protetora e intercessora, apresenta um potencial significativo como inspiração para o diálogo, a inculturação e o compromisso social.

Diante deste panorama, o presente artigo tem como objetivo geral analisar como a devoção mariana se manifesta em diferentes contextos culturais e religiosos, e suas implicações para o compromisso social. Especificamente, busca-se: (1) examinar o papel da figura de Maria no diálogo inter-religioso, especialmente com o Islã, e suas contribuições para a promoção da paz e da justiça; (2) analisar as expressões culturalmente diversas da devoção mariana em diferentes continentes, avaliando os desafios e oportunidades da inculturação; e (3) propor orientações pastorais para integrar devoção mariana e compromisso social em diferentes contextos, incluindo respostas a temas emergentes como questões ecológicas, digitais e humanitárias.

Este estudo fundamenta-se em uma revisão crítica da literatura teológica e pastoral contemporânea, com ênfase em fontes que abordam a relação entre a devoção mariana, o diálogo inter-religioso, a inculturação e o compromisso social. A metodologia empregada segue os princípios da pesquisa bibliográfica sistemática, conforme delineada para estudos teológico-pastorais, que privilegia a análise hermenêutica de textos fundamentais e sua aplicação em contextos pastorais diversos.

O corpus analisado inclui: (1) estudos sobre a figura de Maria no diálogo inter-religioso, com destaque para as obras de Phan (2017) e Orobator (2018); (2) análises sobre a inculturação da devoção mariana em diferentes contextos culturais, como os estudos de Granziera (2019) e Schreiter (2005); (3) documentos do Magistério da Igreja que articulam a conexão entre devoção mariana e compromisso social; e (4) estudos pastorais contemporâneos que propõem aplicações concretas da devoção mariana em contextos de compromisso social.

A abordagem hermenêutica adotada busca identificar os fundamentos teológicos e pastorais que sustentam uma compreensão da figura de Maria como inspiração para o diálogo, a inculturação e o compromisso social, respeitando sempre o contexto histórico-cultural de cada fonte e sua aplicabilidade em realidades pastorais diversas. Particular atenção é dada às expressões contemporâneas da devoção mariana em diferentes contextos culturais e sociais.

A FIGURA DE MARIA NO DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO

A figura de Maria transcende as fronteiras do cristianismo, constituindo um potencial ponto de encontro entre diferentes tradições religiosas. Esta dimensão inter-religiosa da figura mariana oferece oportunidades significativas para o diálogo e a cooperação em iniciativas de promoção da paz e da justiça social.

No Islã, Maria (Maryam) ocupa um lugar de destaque, sendo a única mulher mencionada pelo nome no Corão, onde é citada mais vezes que na própria Bíblia. O Corão dedica uma surata inteira a ela (Surata 19), reconhecendo sua pureza e a concepção virginal de Jesus. Como observa Phan (2017), a veneração de Maria no Islã constitui uma base comum para o diálogo islâmico-cristão, permitindo explorar valores compartilhados como a devoção, a pureza e a submissão à vontade divina.

Experiências concretas de cooperação inter-religiosa inspiradas pela figura de Maria têm surgido em diversos contextos. Na Jordânia, por exemplo, o Santuário de Nossa Senhora da Montanha em Anjara tornou-se um local de peregrinação tanto para cristãos quanto para muçulmanos, promovendo encontros de oração pela paz e iniciativas conjuntas de assistência a refugiados. Como relata Orobator (2018), estes espaços compartilhados de devoção tornam-se laboratórios de diálogo e cooperação, onde as diferenças religiosas não são negadas, mas transcendidas em função de um compromisso comum com valores humanos fundamentais.

No Líbano, a festa da Anunciação (25 de março) foi declarada feriado nacional islão-cristão em 2010, um evento singular que reconhece a importância de Maria para ambas as tradições religiosas (Khatlab, 2010). O autor afirma que este marco no diálogo inter-religioso foi resultado de anos de conversações entre líderes cristãos e muçulmanos, como Cheikh Mohammad Nokkari e Nagy el-Khoury. A celebração conjunta, que inclui cantos, salmos e a participação de autoridades religiosas e civis de ambas as fés, demonstra o potencial da figura de Maria para unir comunidades e promover a paz em um contexto marcado pela diversidade religiosa. Como destacou Nokkari, 

Este encontro não tem como objetivo criar uma nova festa religiosa aos muçulmanos. Não se trata, também, de acrescentar uma nova festa ao calendário litúrgico cristão. Não existe em nosso encontro nenhuma prática religiosa comum. Por esta razão que nós desejamos, desde o início, que ele se tornasse uma festa nacional e não religiosa. Este encontro criou um novo fenômeno mundial cultural, de interesse tanto do Islã quanto do cristianismo (Khatlab, 2010, p. 1).

O autor afirma que a escolha da praça do Museu Nacional em Beirute, antigo campo de batalha durante a guerra civil, para a inauguração de uma placa comemorativa, simboliza a superação de divisões e a construção de um futuro compartilhado.

Estas experiências demonstram como a figura de Maria pode contribuir para a promoção da paz e da justiça através do diálogo inter-religioso. Como afirma o Documento sobre a Fraternidade Humana (2019), assinado pelo Papa Francisco e pelo Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, “a fé leva o crente a ver no outro um irmão que deve ser apoiado e amado”. A figura de Maria, venerada tanto por cristãos quanto por muçulmanos, pode facilitar esta percepção do outro como irmão, inspirando iniciativas conjuntas de solidariedade e promoção da paz.

EXPRESSÕES CULTURAIS DA DEVOÇÃO MARIANA EM DIFERENTES CONTEXTOS

A devoção mariana manifesta-se de maneiras culturalmente diversas ao redor do mundo, demonstrando uma notável capacidade de adaptação sem perder sua essência. Como observa Granziera (2019), a figura de Maria adapta-se às diferentes realidades culturais, assumindo características locais que a tornam mais próxima e significativa para os fiéis.

No México, a devoção a Nossa Senhora de Guadalupe incorpora elementos da cultura indígena, como a representação de Maria com traços mestiços e símbolos astecas em seu manto. Esta inculturação permitiu que os povos indígenas reconhecessem em Maria não uma figura estrangeira, mas uma mãe que falava sua linguagem e compreendia sua realidade. Guadalupe representa um caso exemplar onde a mensagem evangélica encontrou expressão em categorias culturais locais (Granziera, 2019).

Na Índia, o Santuário de Nossa Senhora da Boa Saúde em Velankanni, conhecido como o “Lourdes do Oriente”, atrai anualmente cerca de 3 milhões de peregrinos de diversas religiões, incluindo hindus e muçulmanos (Biblioteca Católica, 2023). As práticas devocionais no santuário refletem uma inculturação autêntica, incorporando elementos das tradições hindus e cristãs, como “a prática de tonsurar a cabeça como oferenda, cerimônias de perfuração de ouvido, banhos de mar, caminhar de joelhos ou rolar no santuário como ritual” (Velangkanni, s.d., p. 1).

Na África, destacam-se as aparições de Nossa Senhora de Kibeho em Ruanda, reconhecidas oficialmente pela Igreja em 2001. Estas aparições, ocorridas entre 1981 e 1982, têm um caráter profundamente profético e social, pois Maria alertou sobre a violência que viria a assolar o país, profecia que se cumpriu tragicamente com o genocídio de 1994 (Biblioteca Católica, 2024). Outros importantes centros incluem o Santuário de Nossa Senhora da Conceição em Muxima, Angola, onde a Virgem é chamada carinhosamente de “Mama Muxima” (Canção Nova, 2023b), e o Santuário Mariano de Abidjan, na Costa do Marfim, onde o movimento “Equipes do Rosário” promove orações pela reconciliação e justiça social (Vatican News, 2021).

Na Europa, as aparições de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal (1917), tiveram um profundo impacto na religiosidade popular e na geopolítica global. Como analisa Maunder (2018), a mensagem de Fátima ressoou em um mundo marcado pela violência e instabilidade política. Jaki (1999), documenta como a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria teve implicações geopolíticas significativas, especialmente durante a Guerra Fria.

Na América do Norte, a devoção mariana reflete a diversidade cultural da região. Matovina (2005), destaca a capela de Nossa Senhora de Guadalupe na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição em Washington, D.C., que serve como ponto de encontro para a comunidade latina. Orsi (2010), demonstra como a devoção mariana frequentemente serve como veículo para a preservação das identidades culturais em contextos de migração.

Na China, a devoção a Nossa Senhora da China, reconhecida oficialmente pela Igreja em 1924, persiste como símbolo de resistência e esperança para os católicos chineses, apesar das restrições religiosas (IDE+, 2024). Na América Latina, Nossa Senhora de Guadalupe representa um símbolo de unidade continental (Diocese de Juína, s.d.), enquanto Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina, tem uma história que conecta Brasil e Argentina (Canção Nova, 2023a; BBC, 2020).

O Diretório sobre Piedade Popular e Liturgia (2002, n. 66), reconhece a legitimidade destas adaptações culturais, afirmando que “a piedade popular é uma realidade viva na Igreja e da Igreja”, que deve ser “valorizada e favorecida”. Esta visão está em consonância com os princípios de inculturação estabelecidos pela Comissão Teológica Internacional (1988).

Estas expressões culturalmente diversas da devoção mariana, quando autenticamente inculturadas, podem tornar-se poderosos instrumentos de transformação social, adaptados às necessidades específicas de cada contexto. Como observa Schreiter (2005), este processo não se limita a adaptações externas, mas tem o potencial de transformar as estruturas sociais à luz dos valores evangélicos.

ORIENTAÇÕES PASTORAIS PARA INTEGRAR DEVOÇÃO MARIANA E COMPROMISSO SOCIAL

A integração entre devoção mariana e compromisso social requer orientações pastorais específicas, adaptadas a diferentes contextos e agentes. Estas orientações devem buscar um equilíbrio entre a dimensão espiritual da devoção e seu potencial para inspirar a transformação social.

Para líderes religiosos e formadores, é fundamental promover uma compreensão teologicamente sólida da figura de Maria, que evite tanto o sentimentalismo desencarnado quanto o ativismo sem fundamentação espiritual. Como sugere o Papa Francisco na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate (2018, n. 174), é necessário cultivar “uma espiritualidade que transforme o coração”, reconhecendo que “não há plena identidade sem pertença a um povo”. Neste sentido, os líderes religiosos devem ajudar os fiéis a compreenderem como a devoção mariana pode inspirar um compromisso concreto com a transformação das realidades sociais injustas.

Para educadores católicos em diferentes níveis, é importante desenvolver programas formativos que apresentem Maria não apenas como modelo de virtudes individuais, mas também como inspiração para o compromisso social. Estes programas podem incluir estudos bíblicos sobre o Magnificat como cântico de libertação, reflexões sobre as aparições marianas em contextos de opressão e injustiça, e exemplos concretos de como a devoção mariana tem inspirado movimentos de transformação social ao longo da história. Como observa a CELAM, (2007, n. 266), “na piedade popular, os fiéis encontram a ternura e o amor de Deus no rosto de Maria. Nela veem refletida a mensagem essencial do Evangelho”.

Para agentes pastorais em contextos de vulnerabilidade social, é crucial desenvolver uma sensibilidade especial para as necessidades concretas das comunidades, evitando tanto o assistencialismo paternalista quanto a instrumentalização política da religião. A devoção mariana pode oferecer recursos espirituais valiosos para estas comunidades, inspirando a resistência pacífica diante da opressão e a construção de alternativas solidárias. Como sugere o Papa Francisco em sua Mensagem para o V Dia Mundial dos Pobres (2021, p.1), “os pobres não são pessoas ‘externas’ à comunidade, mas irmãos e irmãs cujo sofrimento é compartilhado”.

Para comunidades paroquiais, recomenda-se integrar a dimensão social nas celebrações e devoções marianas, através de gestos concretos de solidariedade, reflexões sobre a realidade social à luz do Magnificat, e projetos comunitários inspirados pelos valores marianos. Como afirma o Diretório sobre Piedade Popular e Liturgia (2002, n. 61), “a piedade popular, quando autenticamente vivida, alimenta a fé e o compromisso com a transformação do mundo segundo os valores evangélicos”.

Estas orientações pastorais devem ser adaptadas às realidades específicas de cada contexto, respeitando as tradições locais e respondendo às necessidades concretas das comunidades. Como observa Schreiter (2005), a pastoral inculturada não consiste em aplicar modelos pré-fabricados, mas em desenvolver respostas criativas aos desafios específicos de cada realidade.

A integração entre devoção mariana e compromisso social encontra expressão significativa no magistério papal contemporâneo, que articula esta relação em diversos contextos culturais. Em seu histórico discurso aos pobres do bairro de Tondo em Manila (1981), São João Paulo II estabeleceu uma conexão profunda entre a figura de Maria, a opção preferencial pelos pobres e a transformação social:

Quando pensamos nos muitos problemas que enfrentais quotidianamente […] então pensamos em Cristo. Nos rostos dos pobres vejo o rosto de Cristo. Na vida dos pobres vejo refletida a vida de Cristo. […] Precisamente desde o início da Sua vida, no momento feliz do Seu nascimento como Filho da Virgem Maria, Jesus não tinha casa, por não haver para Ele lugar na hospedaria (João Paulo II, 1981, p. 1).

Neste discurso, proferido na Paróquia de Nossa Senhora da Paz e da Boa Viagem, o pontífice não apenas reconhece a centralidade da devoção mariana na vida espiritual dos filipinos, mas também a conecta diretamente com o compromisso social, concluindo sua mensagem com uma invocação que sintetiza esta integração: “E peço que O encontreis juntos e O adoreis — o Filho eterno de Deus — nos braços de Sua Mãe, Maria. E Nossa Senhora da Paz e da Boa Viagem seja para todos vós Mãe carinhosa!” (João Paulo II, 1981).

Esta articulação teológica entre a devoção mariana e o compromisso com os pobres fundamenta-se na compreensão de Maria como aquela que, no Magnificat, proclama um Deus que “derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes” (Lc 1,52). A figura de Maria, em sua dupla dimensão de mãe de Deus e mãe dos pobres, oferece um paradigma para uma espiritualidade encarnada que une contemplação e ação transformadora.

TEMAS EMERGENTES NA PASTORAL MARIANA CONTEMPORÂNEA

A pastoral mariana contemporânea enfrenta novos desafios e oportunidades, que exigem respostas criativas e fiéis à tradição. Entre os temas emergentes, destacam-se a relação entre devoção mariana e ecologia integral, as expressões digitais da devoção, o papel de Maria na resposta a crises humanitárias, e sua inspiração para o acompanhamento pastoral dos marginalizados.

A relação entre devoção mariana e cuidado com a casa comum, tema central da encíclica Laudato Si’ (LS, 2015), representa um campo fértil para a pastoral contemporânea. Maria, como “Mãe e Rainha de toda a criação” (LS, n. 241), inspira uma espiritualidade ecológica que reconhece a interconexão entre o cuidado com os pobres e o cuidado com o planeta. Como observa o Papa Francisco, “assim como [Maria] chorou com o coração trespassado a morte de Jesus, assim também agora se compadece do sofrimento dos pobres crucificados e das criaturas deste mundo exterminadas pelo poder humano” (LS, n. 241).

Iniciativas concretas que integram devoção mariana e cuidado com a criação têm surgido em diversos contextos eclesiais, especialmente em resposta aos desafios ambientais contemporâneos. No Brasil, um exemplo notável é o ativismo da Arquidiocese de Belo Horizonte em defesa da Serra da Piedade, onde se localiza o Santuário Basílica de Nossa Senhora da Piedade. Este estudo de caso demonstra como a devoção mariana, centrada no Santuário dedicado à Padroeira de Minas Gerais, inspira e fundamenta ações concretas de proteção ambiental contra a exploração minerária, mobilizando estruturas internas da Arquidiocese, figuras episcopais e instrumentos jurídicos para a defesa da “casa comum” (Piantino, 2025). Segundo a autora, a Arquidiocese articula a relevância religiosa do Santuário com a importância ecológica e cultural da Serra, promovendo a “ecologia integral” proposta pelo Papa Francisco na Carta Encíclica Laudato Si’ e engajando diversas audiências na causa ambiental.

Nas Filipinas, a “Missão Rosa Mística”, organizada pela Associação Católica de Enfermeiros e Médicos (ACIM), exemplifica como a devoção mariana pode inspirar e sustentar o trabalho missionário em contextos de extrema vulnerabilidade social. Este projeto integra assistência médica, apoio material e evangelização entre os Negritos, considerados os habitantes mais antigos das Filipinas e frequentemente marginalizados pela sociedade dominante. A distribuição de medalhas marianas e terços, acompanhada de catequese adaptada à realidade local, demonstra um processo cuidadoso de inculturação que respeita as tradições culturais enquanto introduz elementos da devoção católica. Como relata Vençay (2021), mesmo em meio à pandemia de COVID-19, voluntários inspirados pela devoção mariana continuaram a oferecer assistência a estas comunidades isoladas, estabelecendo vínculos de confiança que permitiram superar resistências iniciais à evangelização.

As expressões digitais da devoção mariana representam outro tema emergente, com potencial para promover solidariedade e compromisso social. Aplicativos de oração mariana, comunidades virtuais dedicadas a Nossa Senhora, e campanhas de solidariedade inspiradas por valores marianos nas redes sociais têm surgido como novas formas de vivenciar e compartilhar a devoção. Como observa Phan (2017, p. 203), “o ambiente digital não substitui a experiência comunitária da fé, mas pode complementá-la e ampliá-la, alcançando pessoas que de outra forma estariam excluídas”.

A figura de Maria como inspiração para resposta a crises humanitárias também emerge como tema relevante para a pastoral contemporânea. Em contextos de guerra, deslocamento forçado e catástrofes naturais, a devoção mariana frequentemente oferece conforto espiritual e inspira ações concretas de solidariedade. Como relata Orobator (2018), em campos de refugiados na África, a imagem de Maria com o Menino Jesus nos braços torna-se símbolo de esperança e proteção para famílias deslocadas, inspirando também iniciativas de acolhimento e assistência por parte das comunidades locais.

O acompanhamento pastoral dos pobres e marginalizados, inspirado pela figura de Maria, constitui outro tema emergente. Como afirma o Papa Francisco em sua Mensagem para o V Dia Mundial dos Pobres (2021), “os pobres estão no centro do caminho da Igreja”. A figura de Maria, que no Magnificat proclama a predileção de Deus pelos humildes e famintos, inspira uma pastoral que coloca os marginalizados no centro de suas preocupações. Como aponta a CELAM (2007, n. 393), “Maria é a discípula mais perfeita do Senhor” e seu exemplo inspira uma Igreja “samaritana e missionária”.

Estes temas emergentes apontam para novos caminhos na pastoral mariana contemporânea, que busca responder aos desafios de um mundo em rápida transformação sem perder a fidelidade à tradição. Como afirma Schreiter (2005, p. 217), a tradição autêntica não é estática, mas dinâmica, capaz de encontrar novas expressões em resposta a novos desafios.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise da devoção mariana em seus múltiplos diálogos inter-religiosos, processos de inculturação e aplicações pastorais revela sua força transformadora em contextos de compromisso social. Longe de ser uma prática meramente devocional, a devoção a Maria demonstra um potencial singular para inspirar a ação social e promover a dignidade humana, transcendendo fronteiras culturais e religiosas.

Esta pesquisa permitiu identificar três dimensões fundamentais da devoção mariana socialmente engajada. Primeiramente, como ponto de convergência no diálogo inter-religioso, especialmente com o Islã, onde a veneração comum a Maryam abre caminhos para a colaboração em iniciativas de paz e justiça, exemplificadas por experiências como o feriado nacional Islam-cristão no Líbano e os santuários compartilhados na Jordânia. Em segundo lugar, como expressão culturalmente diversificada que se adapta a diferentes contextos sem perder sua essência, manifestando-se em devoções como Nossa Senhora de Guadalupe no México, Nossa Senhora da Boa Saúde na Índia e Nossa Senhora de Kibeho em Ruanda, cada uma respondendo às necessidades e aspirações específicas de seus contextos. Por fim, como inspiração para orientações pastorais que integram espiritualidade e compromisso social, exemplificadas por iniciativas como o ativismo socioambiental da Arquidiocese de Belo Horizonte e a Missão Rosa Mística nas Filipinas.

O magistério papal, de São João Paulo II ao Papa Francisco, tem consistentemente articulado a relação entre devoção mariana e compromisso social, fundamentando teologicamente uma compreensão de Maria como modelo de transformação social inspirada no Magnificat. Esta continuidade magisterial oferece bases sólidas para uma pastoral mariana socialmente engajada que responda aos desafios contemporâneos.

Em síntese, este estudo demonstra que a devoção mariana, quando vivida em sua plenitude, transcende a esfera individual e se torna um catalisador para a transformação social. Ao integrar o diálogo inter-religioso, a inculturação e as aplicações pastorais, a devoção a Maria emerge como uma força vital para a construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário, à luz dos valores evangélicos. A figura de Maria, em sua profunda humanidade e em sua singular proximidade com Deus, inspira os fiéis a se comprometerem com a construção do Reino de Deus, onde a justiça e a paz se abraçam.

Os desafios futuros para esta integração incluem: (1) o desenvolvimento de metodologias pastorais que articulem mais efetivamente a devoção popular com o compromisso social; (2) a formação de agentes pastorais capacitados para promover esta integração em diferentes contextos culturais; e (3) o aprofundamento teológico da relação entre mariologia e doutrina social da Igreja. Estas linhas de pesquisa e ação pastoral poderão contribuir significativamente para uma vivência mais plena e transformadora da devoção mariana no mundo contemporâneo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BBC. Nossa Senhora Aparecida: A imagem da santa venerada pelos argentinos que pode ser de origem brasileira. BBC News Brasil, 11 out. 2020. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-54475483. Acesso em: 16 de maio de 2025.

BIBLIOTECA CATÓLICA. Nossa Senhora da Boa Saúde: história e oração. Biblioteca Católica, 14 set. 2023. Disponível em: https://bibliotecacatolica.com.br/blog/devocao/nossa-senhora-da-boa-saude/. Acesso em: 16 de maio de 2025.

BIBLIOTECA CATÓLICA. Nossa Senhora de Kibeho: a história da aparição. Biblioteca Católica, 19 jan. 2024. Disponível em: https://bibliotecacatolica.com.br/blog/destaques/nossa-senhora-de-kibeho/. Acesso em: 16 de maio de 2025.

CANÇÃO NOVA. Conheça a história de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina. Canção Nova, 8 mai. 2023a. Disponível em: https://noticias.cancaonova.com/igreja/conheca-a-historia-de-nossa-senhora-de-lujan-padroeira-da-argentina/. Acesso em: 16 de maio de 2025.

CANÇÃO NOVA. Na África Subsaariana, santuário mariano reúne milhares de fiéis. Canção Nova, 5 set. 2023b. Disponível em: https://noticias.cancaonova.com/igreja/na-africa-subsaariana-santuario-mariano-reune-milhares-de-fieis/. Acesso em: 16 de maio de 2025.

COMISSÃO TEOLÓGICA INTERNACIONAL. Fé e Inculturação. 1988. Disponível em: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_cti_1988_fede-inculturazione_po.html. Acesso em: 09 de abril de 2025.

CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS. Diretório sobre Piedade Popular e Liturgia: Princípios e Diretrizes. Cidade do Vaticano, 2002. Disponível em: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccdds/documents/rc_con_ccdds_doc_20020513_vers-direttorio_it.html. Acesso em: 05 de abril de 2025.

CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO (CELAM). Documento de Aparecida: texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. São Paulo: Paulus, 2007. 312 p. ISBN 978-8534927741.

DIOCESE DE JUÍNA. Celebrando a Padroeira de toda a América: devoção além das fronteiras. Diocese de Juína, [s.d.]. Disponível em: https://www.diocesejuina.com.br/noticia/post/celebrando-a-padroeira-da-america-latina–devocao-alem-das-fronteiras. Acesso em: 16 de maio de 2025.

FRANCISCO, Papa. Carta Encíclica Laudato Si’: sobre o cuidado da casa comum. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2015. Disponível em: www.vatican.va. Acesso em: 05 de abril de 2025.

FRANCISCO, Papa. Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate: sobre o chamado à santidade no mundo atual. Vaticano, 19 mar. 2018. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html. Acesso em: 06 de abril de 2025.

FRANCISCO, Papa. Mensagem para o V Dia Mundial dos Pobres. Cidade do Vaticano, 13 jun. 2021. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/poveri/documents/20210613-messaggio-v-giornatamondiale-poveri-2021.html. Acesso em: 03 de abril de 2025.

FRANCISCO, Papa; AL-TAYYEB, Ahmad. Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da paz mundial e da convivência comum. Abu Dhabi, 4 fev. 2019. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/travels/2019/outside/documents/papa-francesco_20190204_documento-fratellanza-umana.html. Acesso em: 15 de abril de 2025.

GRANZIERA, Patrizia. Mary and Inculturation in Mexico and India. In: MAUNDER, Chris (ed.). The Oxford Handbook of Mary. Oxford: Oxford University Press, 2019. p.468-485. Disponível em: https://doi.org/10.1093/oxfordhb/9780198792550.013.14. Acesso em: 09 de abril de 2025.

IDE+. Maria e os fiéis chineses: a proteção divina de Nossa Senhora da China. IDE+, 24 mai. 2024. Disponível em: https://idemais.com.br/noticias/maria-e-os-fieis-chineses-a-protecao-divina-de-nossa-senhora-da-china/. Acesso em: 16 de maio de 2025.

JAKI, Stanley L. God and the Sun at Fátima. Royal Oak, Michigan: Real View Books, 1999. 382 p.

JOÃO PAULO II. Discurso aos pobres do bairro de Tondo em Manila. Vaticano, 18 fev. 1981. Disponível em www.vatican.va. Acesso em: 15 de maio de 2025.

KHATLAB, Roberto. Líbano – 25 de março, feriado islamo-cristão à Virgem Maria. Instituto da Cultura Árabe, 19 abr. 2010. Disponível em: https://www.icarabe.org/artigos/libano-25-de-marco-feriado-islamo-cristao-a-virgem-maria. Acesso em: 15 de maio de 2025.

MATOVINA, Timothy. Guadalupe and Her Faithful: Latino Catholics in San Antonio, from Colonial Origins to the Present. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2005. 256 p. ISBN: 978-0801882296.

MAUNDER, Chris. Our Lady of the Nations: Apparitions of Mary in 20th-Century Catholic Europe. Oxford: Oxford University Press, 2018. 236 p. ISBN: 978-0198788645.

OROBATOR, Agbonkhianmeghe E. Religion and Faith in Africa: Confessions of an Animist. Maryknoll: Orbis Books, 2018.

ORSI, Robert A. The Madonna of 115th Street: Faith and Community in Italian Harlem, 1880-1950. 3. ed. New Haven: Yale University Press, 2010. 368 p. ISBN: 978-0300157529.

PHAN, Peter C. The Joy of Religious Pluralism: A Personal Journey. Maryknoll: Orbis Books, 2017.

PIANTINO, Anna Camila Andrade. No alto da Serra chega a procissão: estudo de caso dos ativismos da Arquidiocese de Belo Horizonte em defesa da Serra da Piedade (Caeté/MG). 2025. 120 f. Dissertação (Mestrado em Direito) – Faculdade de Direito, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2025.

SCHREITER, Robert J. The New Catholicity: Theology Between the Global and the Local. Maryknoll: Orbis Books, 2005.

VATICAN NEWS. Costa do Marfim. 9-10 de outubro “Noite do Rosário” no Santuário Mariano de Abidjan. Vatican News, 8 out. 2021. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/africa/news/2021-10/costa-do-marfim-noite-do-rosario-no-santuario-mariano-de-abid.html. Acesso em: 16 de maio de 2025.

VELANGKANNI. Sobre Annai Velangkanni. Velangkanni, [s.d.]. Disponível em: https://velangkanni.com/en/about-annai-velangkanni/. Acesso em: 16 de maio de 2025.

VENÇAY, Jeanne de. Apostolado entre os Negritos, a tribo mais antiga das Filipinas: A ACIM prepara a Missão Rosa Mística 2022. Dominus Est, 29 mai. 2021. Disponível em: http://catolicosribeiraopreto.com/apostolado-entre-os-negritos-a-tribo-mais-antiga-das-filipinas/. Acesso em: 15 de maio de 2025.

Jesus, Fabrício Manoel de . Diálogo, inculturação e aplicações pastorais da devoção mariana em contextos de compromisso social.International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

Share this :

Edição

v. 5
n. 48
Diálogo, inculturação e aplicações pastorais da devoção mariana em contextos de compromisso social

Área do Conhecimento

O cuidado pastoral na teologia contemporânea: Uma análise do amor ao próximo e suas implicações
cuidado pastoral; teologia contemporânea; amor ao próximo; justiça social; comunidade.
Apocalipse: A consumação da revelação divina e o desvelar de Cristo na história escatológica
igreja; perseverança; arrebatamento.
Missão pastoral: Amor, chamado e legado
missão; vocação; discipulado.
A fé e sua influência no tratamento de doenças graves
fé; espiritualidade; doenças graves; saúde mental; medicina integrativa.
Desigualdade étinico-racial na umbanda: Um estudo sobre representatividade e branqueamento religioso na zona norte do Rio de Janeiro
identidade religiosa; branqueamento cultural; intolerância religiosa; representatividade étnica; religiões afro-brasileiras.
Expressões concretas da integração entre devoção mariana e compromisso social na igreja contemporânea
devoção mariana; doutrina social da igreja; magnificat; inculturação; teologia contemporânea.

Últimas Edições

Confira as últimas edições da International Integralize Scientific

feat-jan

Vol.

6

55

Janeiro/2026
feat-dez

Vol.

5

54

Dezembro/2025
feat-nov

Vol.

5

53

Novembro/2025
feat-out

Vol.

5

52

Outubro/2025
Setembro-F

Vol.

5

51

Setembro/2025
Agosto

Vol.

5

50

Agosto/2025
Julho

Vol.

5

49

Julho/2025
junho

Vol.

5

48

Junho/2025